Início Editorial A Educação está orfã, não tem Ministro da Educação

A Educação está orfã, não tem Ministro da Educação

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Tiago Rodrigues, o brilhante cientista que foi convidado para ser Ministro da Educação, causou na altura da sua escolha uma enorme surpresa por ser um nome desconhecido e desligado das lides educativas. Deu-se o benefício da dúvida, acreditou-se que alguém de fora, sem vícios, poderia acalmar a relação com os professores e corrigir uma série de erros de Nuno Crato.

A sensação de quem anda nas escolas, a sensação de quem fala diariamente com várias personalidades, mais ou menos conhecidas, é de que Tiago Rodrigues não é um ministro, nem mesmo um porta-voz, é alguém a quem lhe foi atribuído um lugar, um lugar para cumprir e que não levantasse muitas ondas…

Não foi por acaso que a este ministro foram atribuídas duas personalidades fortes como Secretários de Estado, não tenhamos dúvidas… são estes os verdadeiros Ministros da Educação.

Alexandra Leitão é jurista, tudo o que é de leis é com ela, tendo a mesma ficado com os pelouros extremamente complexos dos concursos e carreiras.

João Costa é o homem da pedagogia, é ele a cabeça de cartaz da flexibilização curricular e não querendo ser injusto com todos os que deram o seu contributo, João Costa é, foi e será, o cérebro da política pedagógica deste Governo.

É caso para perguntar, Tiago Rodrigues tem o pelouro de quê?

Tiago Rodrigues optou sempre por uma postura discreta, direi mesmo ausente. Só que num cargo como o de Ministro da Educação, ser ausente é sinal de fraqueza e Tiago Rodrigues transpira para o exterior isso mesmo, um ministro fraco, submisso, sem voz…

Um capitão não pode ficar escondido quando 50 mil gritam na rua, um capitão não pode omitir que os seus “marinheiros” sejam agredidos de uma forma cobarde, calando-se, deixando passar o que é intolerável. Um capitão não pode sistematicamente recusar sentar-se com os representantes dos seus subalternos. Um capitão não pode cair no erro de tecer afirmações que são contrárias à realidade…

Um Ministro da Educação não pode servir apenas para cortar fitas… Tiago Rodrigues é isso para mim, um jovem bem parecido que aparece em muitas cerimónias. Não o vejo como o meu ministro, não o vejo como o meu patrão, não lhe reconheço competência e capacidade para tal. Lamento escrever isto, mas é o que sinto, é o que vejo, é o que ouço…

Ainda ontem na Assembleia da República assistimos Tiago Rodrigues a fugir às perguntas colocadas pelos deputados, com um discurso redondo, que qualquer um pode dizer. Ser ministro não é isso, tem de ter capacidade e autonomia para argumentar, para decidir, o que temos neste momento é alguém sem peso político, que foi engolido pelos “Centenos” e está de passagem.

Sim, Tiago Rodrigues está apenas de passagem, e ficará na memória de muitos como o ministro que nunca foi.

Acredito que Tiago Rodrigues seja boa pessoa, mas não basta para se ser ministro. Tiago Rodrigues tinha uma escolha e fê-la, ou concordava com a política dos “Centenos” ou dizia basta e batia com a porta…

Tiago Rodrigues não bateu com a porta, Tiago Rodrigues aceitou o que lhe foi servido, comeu e calou… A Educação não pode ter um ministro que come e cala, precisa de alguém com voz, que se ouça, que apareça, que seja respeitado e reconhecido pelos seus professores e restante comunidade educativa.

Infelizmente, Tiago Rodrigues não tem esse respeito nem esse reconhecimento.

É pena…

Alexandre Henriques

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5 COMENTÁRIOS

  1. Brilhante cientistas?????
    Por acaso sabe se quer qual a sua área de investigação, quais os resultados alcançados? Não será a sua postura igual à que sempre teve, mesmo como estudante e “cientista “?

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