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A Doença, A Demência De Um Ministério Incapaz E/Ou Alucinado

É aberrante como conseguem dormir sabendo da desigualdade de oportunidades e do acentuar das diferenças e oportunidades que propõem, às escolas (claro), alimentar!

Aos Professores, aos Pais, aos Avós, aos Cidadãos e todas as Entidades Públicas e Privadas que se preocupam com a EDUCAÇÃO.

A DOENÇA, A DEMÊNCIA DE UM MINISTÉRIO INCAPAZ E/OU ALUCINADO

 Confesso que não sei por onde começar… e, nada exporei das muitas “incapacidades” que o Ministério da Educação (doravante, designado ME) tem evidenciado… desde há muito!

Esforçar-me-ei por equacionar questões, e apenas na sequência do que todos estamos a viver pela primeira vez nas nossas vidas, que corroem o profissionalismo, a eficiência do trabalho, a verdade, a justiça e a equidade.

1 – O ME continua a enviar, para as escolas, normativos e procedimentos para a realização das provas de aferição e exames nacionais como se este ano fosse semelhante a todos os anteriores… Será que ainda não compreendeu a dimensão do problema que a sociedade portuguesa (e mundial) vive e que tais orientações enviadas às escolas, preparadas certamente há algum tempo e iguais ao que acontece todos os anos, não se aplicarão (se é que se aplicarão) da mesma forma este ano?

a) Na mais optimista das hipóteses (para mim, irrealista) e prevendo o ME um cenário de recomeço das aulas em Maio: – considerará, verdadeiramente, o ME que os alunos reuniriam condições pedagógicas e emocionais para realizar provas de aferição? Como se não bastasse, provas estas que, factualmente, não servem para nada? Considerará, igualmente, que seria o momento adequado das escolas andarem ocupadas com a organização/ procedimentos/ materiais/ vigilâncias/… ao invés de se preocuparem em ensinar?

b) Nas supostas condições da alínea anterior, de que forma se preparariam os alunos para os conteúdos a avaliar nos exames nas datas previstas? Será que o ME já tem as suas equipas a reformular provas de exame? Neste caso, onde estão as novas informações-prova para conhecimento atempado dos alunos?… Será que não equacionou, desde logo, uma hipótese, mais provável mas ainda assim sem garantias, de adiar a realização dos exames, particularmente do secundário, para o mês de Setembro / Outubro? Se equacionou, como me parece que o deveria ter feio, onde andarão as propostas de calendarização, de prazos, de procedimentos? As candidaturas ao ensino superior ocorreriam posteriormente e… não seria a primeira vez que o ensino superior começaria em Janeiro.

c) Continuando no cenário optimista que o ME demonstrou assumir até hoje: que explicação para a teimosia em proceder à avaliação dos alunos no 2.º período lectivo?

Em que medida tal seria favorável aos alunos, que num 2.º período incompleto não tiveram oportunidade de melhorar os seus desempenhos escolares, conforme o previsto e planeado mas que não pode ser concretizado? Evidentemente, Sr. Ministro da educação e muitas serviços e equipas, que bons alunos, cumpridores, disciplinados e trabalhadores não teriam qualquer problema com tal decisão mas… infelizmente, estes não representam a maioria dos alunos.

Muitos jovens, estou convicta, que após um feedback pouco positivo decorrente do trabalho realizado no início – meados deste mesmo período se aplicariam para melhorar mas e infelizmente já não tiveram essa possibilidade e oportunidade. Já agora poupem-me às “tretas” (porquanto inexequíveis) das estratégias diversificadas, das continuidade da observação de desempenho em aula com avaliação aula a aula, trabalhos colaborativos e muitos outros quejandos que tais… que isto de ter 30 alunos não é o mesmo que ter 200 ou mais, que se vêm 2 a 3 vezes por semana, durante 45´a 50´!

Mas… o mais aberrante de tudo isto é que a legislação prevê a possibilidade de 2 momentos de avaliação sumativa em circunstâncias comprovadamente excepcionais e não imputáveis ao aluno… ora, será que apenas o ME não terá percebido que esta situação que vivemos é verdadeiramente excepcional? A par desta solução, existem sempre outras soluções, certamente não desejáveis, porventura a resposta mais provável…

E, continuando no cenário optimista, que até agora se depreende da actuação do ME, em que ficariam penalizados os alunos com 2 momentos de avaliação, 1.º e 3.º, sem um intermédio provavelmente “negativo”, sendo que no 3.º Período é sempre avaliada toda a prestação do aluno no decurso do ano lectivo com todas as limitações, condicionantes e possíveis resoluções?

Mas, e ainda mais aberrante: um ME que legislou e que ao longo dos 2 últimos anos tudo fez para “impingir” flexibilidades variadas, ao gosto de cada um (desde que, do gosto do ME), entre as quais a “semestralização” – com apenas 2 momentos de avaliação sumativa (à qual me oponho profundamente) mas que não foi capaz de ter a mínima flexibilidade (que de discernimento já nem falo) para ponderar situações/ resoluções mais adequadas para toda uma situação verdadeiramente extraordinária?

Já agora questiono-me acerca dos prejuízos na Aprendizagem/ Conhecimentos/ Saberes daqueles alunos que sujeitos à tal semestralidade não tiveram qualquer oportunidade de desenvolver competências em determinadas disciplinas (variando estas ao sabor das autonomias flexíveis, “neste país de dimensões gigantescas e que, aparentemente, não vive num mundo global”).

2 – Manda o ME através, nomeadamente, da Direcção Geral de Educação (DGE), que as escolas encontrem soluções, nomeadamente, no “ensino à distância” que mantenham os contactos os alunos e lhes proporcionem aprendizagens… mas …VIREM-SE! Vamos, então, por partes:

a) Se, factualmente, o considerassem exequível, desde logo, no sentido de chegar a TODOS os ALUNOS, quais as razões para não ponderar possíveis tarefas e trabalhos que, realizadas no decurso do final do 2.º período e durante o 3.º, na avaliação final dos alunos (eu, como muitos Professores, até saberão, proporcionar momentos de “avaliação formativa” via internet)?

Pois, é muito fácil (e habitual) iludir a população com a “extrema competência dos serviços centrais” e descarregar nas escolas e nos professores que serão sempre vistos como os “resistentes à mudança, os preguiçosos, os que nada fazem, os que não se preocupam com os seus alunos,…”!

b) Para que tal funcione (“ensino à distância” – quanto a mim, e no que toca a jovens, apenas uma forma de minimizar danos), qualquer leigo o entenderá, são necessárias infraestruturas / equipamentos / capacidade / programas instalados/ e todo um conjunto de condições e organização que permitam, efectivamente e com a maior eficiência possível, a interligação entre “emissores-receptores”Não existem! Aqui chegados constata-se, de imediato, que o ME não está a contar com equipamentos, materiais e condições das escolas – obsoletos, velhos, sem capacidade de memória, lentos, com uma internet e programas (aqui voltarei) que corroem diariamente, desde há muito, os profissionais que precisam exercer o seu trabalho e o “círculozinho” não para de rodar ou o servidor não está operacional, ou a “coisa” está em manutenção,… e tudo, sempre para ontem, a acumular, acumular, acumular…

O ME está, SIM, a contar com os equipamentos pessoais dos professores (muitas vezes de partilha familiar e não preciso comentar nada mais de pessoal), com as suas contas de electricidade e de internet… e, evidentemente, também dos pais (e “baratinhas que elas são”, quando comparadas com outros países da UE, para populações que recebem ordenados “luxuosos e extravagantes”). Conheço diversos profissionais, em diferentes sectores, no público e no privado, em que o “tele-trabalho” não traduz este abuso que aqui se espera (outros abusos existem, certamente… que, de resto, também já se começam a evidenciar nas escolas).

c) Mais grave (quanto a mim muito grave) é reconhecerem que possam existir situações de alunos sem computador e/ou sem internet e a fantástica solução é de “ir às lágrimas”… perdão, mas já me é inexequível contornar a ironia…

C1 – Na minha direcção de turma, de 9.º ano, numa escola com fronteira com Lisboa, com telhados de amianto fortemente danificado, altamente degradada (e outras coisas que, ainda que relacionadas, não interessa de momento) apesar do grande esforço da direcção), 52% dos alunos não tem computador e 59% não tem acesso à internet (arredondamento às unidades)!

Mas… atenção… pois se a DGE pretendesse algo parecido com uma resposta efectiva às realidades sócio-económicas dos alunos bastar-lhe-ia aceder ao programa E360º.

Acerca deste programa, muito há a dizer e a saber e, espero que algum jornalista se interesse por investigar (empresa sem qualquer Know-how em matéria de educação, contrato, condições, valores,…, “escolhida” entre outras com experiência, bons resultados e bem avançadas nas crescentes exigências de respostas das escolas)… Mas o E360º –  idade da pedra em software para a educação e necessidades de gestão escolar diária – é uma verdadeira base de dados, centralizada, sobre professores, alunos, pais, famílias,…, seria matéria para reflexão profunda… considerando, desde logo, as intenções de regionalização, municipalismos, autonomias locais…). Poderia dar exemplos rotineiros mas, ora, caricatos como, e apenas a título de exemplo, a escola pretender, a pedido do próprio, anular a matrícula de um aluno maior de idade e não o conseguir fazer, tendo que pedir ao “tutor” do ME para o fazer, matéria que ao que me pareceu iriam estudar… COMO É ISTO POSSÍVEL?

Mas o E360º, como dizia, sendo uma fonte inesgotável de informações permitiria ao ME, nomeadamente à DGE, com os filtros adequados, o rápido acesso aos números, a nível nacional dos alunos com simples acesso a computador e à internet! … Pois… e como sempre, é melhor fingir!

Acontece que não me apetece, como nunca me apeteceu, fingir. Uma exposição ao ministro significa despacho para outro serviço e deste, novo despacho para outro e assim sucessivamente… até ficar “quieta e entaladinha” numa qualquer gaveta ou desaparecer num triturador de papel…

Sr. Ministro se, eventualmente, lhe chegar esta missiva, lembro que em Abril de 2019 fiz uma exposição à  Sr.ª diretora-geral da DGEstE, com conhecimento a vossa Exª, que até hoje não me foi dada qualquer resposta – já ter passado pela fase do triturador…).

É aberrante como se sentem tranquilos e com sentimento de dever cumprido sabendo do contexto actual e da verdadeira realidade sócio-económica de muitas famílias portuguesas (Mais uma vez, o E360 tem muita informação…)…

É aberrante como conseguem dormir sabendo da desigualdade de oportunidades e do acentuar das diferenças e oportunidades que propõem, às escolas (claro), alimentar! Perdoem-me mas como não esqueço: ao contrário do que dizia a srª ministra Lurdes, para o ME os alunos são, e tão só, números. Apenas são rostos para os seus professores e nas suas escolas!

C2 – Na “escola do séc. XXI” que o ME tanto VENDE, basta ler (quem conseguir sem vomitar) os preâmbulos da legislação sobre o perfil dos alunos (2017), inclusão e flexibilidade (Julho 2018) certamente confrontará a ficção com a realidade!

– Que formação contínua de professores tem sido valorizada e especialmente incrementada? Acerca desta matéria que, neste momento das nossas vidas, poderia ser uma mais valia preciosa na batalha de hoje: Nos anos 90 e 1.ª década deste século, houve muita formação – gratuita como a legislação obriga, no público e no privado – em novas tecnologias/ programas informáticos/ plataformas /internet/… Nestes assuntos ou específicos da minha disciplina, fi-las continuamente, com o maior dos interesses e convicta de que seriam ferramentas fundamentais… como a maioria dos docentes a terão feito. A partir de 2011 e até 2017 (perfil do aluno) só fazia formação quem a pagasse (não, a lei não mudou) sendo apenas gratuita para áreas/ sectores/ destinatários específicos – posso provar o que digo! Grande parte dos docentes do 3º ciclo e secundário ficaram sem formação e se a quisessem teriam que a pagar e já nem falo nas condições pós-laboral em que ocorre (segundo julgo saber, esta situação foi generalizada no país)… lá se foi indo e afundando a aposta nas competências informáticas/digitais não só dos profissionais como nas infraestruturas e equipamentos… Chegados a 2017 com o perfil do aluno e com o dinheiro que passou a haver, tornaram-se profusas e manifestamente maioritárias, as formações (e peço desculpa pela expressão mas não consigo classificá-las de outra forma) da “conversa da treta” tipo conversa “da banha da cobra” … afinal tão apreciada neste país. A aposta em utilização das tecnologias e nas áreas científicas são gotinhas de água num oceano de formações em “flexibilidades /inclusões/ projectos/ cidadanias/ DAC´s/ avaliações / supervisões,…”. Agora, aqui chegados, 2020,… qual capacidade para ensino à distância… qual quê!

C3 – Mas que alternativas teria, então, o ME, além de empurrar, como habitualmente, a resolução e as responsabilidades para as escolas se, efectivamente pretendesse chegar a todos (ou quase todos) os alunos em situação de mínima equidade na aprendizagem?

Parece-me fácil demais responder a isto! – Em momento de emergência (que se prevê prolongado), soluções de emergência! Ora: temos uma televisão pública, paga pelos impostos dos portugueses (mesmo que não usufruam da mesma)… e… o ME tem uma orgânica verdadeiramente diversificada, com diversas entidades e competências: as áreas dos projectos, das inovações e desenvolvimentos curriculares, das metodologias e dos programas, das estatísticas e planeamento da educação, do gabinete coordenador do sistema de informação (MISI), a equipa de “Missão Computadores, Redes e Internet na Escola”,…, com diferentes níveis de hierarquização… Entre tantos organismos, pessoal, ideias, projectos inovadores, “filmes” próprios ou “adaptados”,…, encontram, certamente “professores” (em mobilidade ou ex-professores até que…) licenciados nas diversas formações científicas que permitem leccionar os diferentes níveis e disciplinas…

Que quero eu dizer com isto? – Que têm (ME) os meios, as oportunidades, os equipamentos, os projectos, os recursos humanos e financeiros: TELE-ESCOLA 2!  Sim, no séc. XXI… “ok”… o nome das coisas tem, neste país de aparências, uma importância desmedida e na educação, quanto mais pomposo e “pseudo intelectual com uns anglicismos entranhados” melhor… Pensei e cheguei a uma proposta, suficientemente presunçosa, e ao invés de tele-escola  chamar-se-lhe-ia: “Coaching and Capacitacion, in a Holistic and Multidimensional View, on TV” (CCHMV).

E, não! Não estou a brincar! Se, de facto, houvesse preocupação séria com a equidade, a oportunidade com a importância dos alunos irem tendo algumas oportunidades de aprendizagem, seria isto que já deviam estar a fazer!

Se atrás mencionei, a título de exemplo, a percentagem de alunos da minha direcção de turma, sem computador e sem acesso à internet (52 e 59%, respectivamente) na actualidade; agora transcrevo que no final de Julho de 2016 “…em média, existem cerca de 2,3 televisores nas residências habituais e 1,5 televisores nas residências secundárias” (in “Inquérito aos meios de acesso ao sinal de TV”, ANACOM, 2016). Julgo não ser necessário explicitar ainda mais!

3 – As direcções escolares. Confesso que me surpreende como os directores, conhecedores da realidade das escolas e das suas populações escolares (triste realidade, na maioria delas, por um desinvestimento  crescente ao longo de anos e anos: Saúde e Educação não se comparam nas preocupações e consequências imediatas nos portugueses mas são perfeitamente comparáveis no desinvestimento, falta de condições, degradação crescentes… de resto, igualmente, comparáveis com outros serviços públicos, segurança pública, justiça,… – “à beira do colapso”)… dizia eu, que me surpreende a forma como os directores, dado o conhecimento das suas realidades, continuam a acatar o que vem da tutela, sem oposição, sem reclamação, sem recurso e sabendo que a mesma “empurra”, com mais ou menos sorrisos, a responsabilidades da resolução de problemas que o próprio ME não soube prever ou antecipar e mesmo os que ele próprio cria!

Se houver algum resistente solitário será, porventura e provavelmente, isolado e anulado… já todos percebemos, no nosso dia-a-dia, que neste país, o culto da mediocridade e da subserviência é recompensado!

4 – Por fim… os professores que numa hierarquia de imposições e pressões são os que estão na base, que no dia-a-dia estão na “frente de batalha” e sem condições de trabalho com os seus alunos, além de terem um enorme trabalho burocrático e administrativo a realizar com todas as disfunções materiais, organizacionais e logísticas, de falta de recursos tecnológicos (e outros) adequados… Este último aspecto acaba por destruir a capacidade de trabalho e a sanidade mental. Agora acresce o “teletrabalho”, “o ensino à distância”… que como anteriormente referi, sem infraestruturas, sem equipamentos, sem organização, sem experiência, sem condições… VIREM-SE… mas a burocracia mantem-se, os papeis são a prova do trabalho, as estatísticas são necessárias para fornecer a entidades supra-escola ( “papinha” feita para os serviços centrais, para as câmaras municipais, para as equipas de acompanhamento disto e daquilo…que vão mostrando e justificando, porventura, a sua existência… quando pelo E360 e por inúmeras outras plataformas que existem na educação – curiosamente com as mesmas informações e que parece não se interligarem – chegariam lá…), sem relatórios contextualizados não há encaminhamentos, sem fichas de cruzinhas não há alunos,…, sem actas que vomitem o que disse  mãe do Manuel, a avó da Maria e tia do Francisco não há contactos… sem planos disto e daquilo, nada feito. E, eis que, a nova situação acrescenta procedimentos, tutoriais, experimentações, mail´s e mais mail´s às 2 da manhã, aos sábados…quando apetece.

E, já não posso ouvir aplicado aos professores, que não se repete para os outras classes profissionais, que “não estamos de férias”… o meu maior vernáculo fica pronto a explodir… pois que sempre trabalhei demais!

Cá na base e no meio da tormenta e do tormento encontramos aqueles que quer pela sua juventude (raros), quer pelo medo, quer pela necessidade de mostrar trabalho “enchem” os alunos de tarefas e fichas, esquecendo três situações que deveriam ser bem ponderadas: os miúdos também precisam de tempo para si e para a família, muitos deles ajudam nas tarefas domésticas e muitas vezes ficam responsáveis pelos mais novos e ainda, e potencialmente mais grave e angustiante o “esquecimento” que pode contribuir para uma maior discriminação/ diferenciação e desigualdade entre os jovens, quando a escola deveria desenvolver os mecanismos para que os que nascendo em berço pobre possam chegar onde os outros, que nasceram em berços mais protegidos e dotados, chegam!

Mas também há aqueles (onde me incluo – confesso), que mais velhos e experientes, que já viveram reforma atrás de reforma, que consumidos com as permanentes mudanças e contradições (nunca avaliadas), que saturados de tanta recauchutagem de coisas velhas, que cansados das ineficiências, que conseguem prever o que vem a seguir e pouco erram, que acompanham há décadas a degradação continuada da escola pública, que percebem ao longe e à distância as intenções escondidas e que têm memória. Muitos destes revoltam-se e revoltam-se pela mentira continuada, pelos seus alunos que deveriam poder ter melhor! E, revoltam-se pois a história não começa hoje: lembram o desprezo continuado, a má imagem que venderam dos professores, o achincalhamento constante de uma profissão, o roubo que sofreram, a ausência de uma simples palavra de apoio a tantos profissionais que têm sido violentados e agredidos no exercício da sua profissão.

A minha preocupação são os alunos, para quem sempre trabalhei muito. A minha única motivação é a minha sala de aula onde posso trabalhar com eles e ensinar aquilo que durante anos me preparei para ensinar e que ao longo de anos procurei melhorar!

Quanto ao ME não tenho qualquer vontade de “o ajudar” e de lhe resolver problemas que eles próprios criam e/ ou não conseguem antecipar e planificar! Estes entram e saem, maioritariamente, só têm deixado porcaria para trás.

21 de Março de 2020

Professora Mª João Fernandes

(Escola Secundária de Sacavém)

Nota 1: Não se encontra redigido ao abrigo do AO90

Nota 2: Hoje, pela 1ª vez, dia 21 de Março, ouvi falar-se numa possível avaliação da situação dos alunos, ouvi um presidente de uma associação de directores escolares e um presidente de uma confederação de pais… “ouvi mas não ouvi”… pois já não consigo vê-los, quanto mais ouvir os chavões habituais, as teorias da “treta” e a conversa de “amansa parvos”… sempre colaboracionistas, sempre coniventes, sempre do lado que lhes mais convier,…

13 COMMENTS

  1. Grandes verdades! Haja clareza nas análises de situações, sem “abaixamentos” à tutela!
    Fique bem e continuo a brindar-nos com os seus textos!

  2. Concordo plenamente. A escola nos últimos 15 anos foi muito maltratada, principalmente por ser apetecível para os negócios das tecnologias as mais variadas possível. Cada programa a tentar aliciar mais que o outro. Só podia dar nisto. Agora a Confusão instala-se. Equipamentos obsoletos, falta de dinheiro para substituir, famílias sem dinheiro para custear as Internets e os computadores. Estão à espera de quê? Que fantochada vem a ser esta de trabalho à distância? Estão a contar com que resultados? Que preparação foi feita? Procurem ser realistas. Mas desta vez, não haverá quem levante a voz para valorizar o trabalho do professor e a sua sala de aula, frente a frente, de olhos nos olhos nos alunos? Será que os pais querem embandeirar nesta falácia de ensino à distância? Que saudades das minhas salas de aula!

  3. Está o barco a afundar-se e a orquestra finge tocar. Deixem-se de fantasias. As escola não estão preparadas para isto. Falta dinheiro para novos equipamentos, os alunos não os têm, os pais não podem comprar. Tudo isto será uma confusão. Será que estão a contar com a sobrecarga de utilizadores, e com as desigualdades que vão acontecer?

  4. Coragem e Resiliência, são as palavras que a minha intuição alcança. A vida não se esgotará por aqui… Para si, Maria João, Parabéns pela enorme lucidez. Votos de Vida Longa.

  5. Muito bem Maria João! Como sempre uma análise lúcida e responsável! Acho que não se consegue perceber o porquê desta avaliação… porque não deixar isto para o final do ano?….. seria mais justo para alunos e professores!

  6. Um muito obrigado a todos vós que aqui deixaram o vosso “feedback”.
    Muito importante é que nos mobilizemos e unamos nas escolas – já chega de sermos usados e espezinhados; já chega de sermos cobaias e de nos quererem obrigar a fazer dos miúdos cobaias; já chega de tanta mentira que nos querem obrigar a pôr em prática sendo que é, sempre, sobre nós que cai; já chega de subserviência a que é subserviente aos interesses “superiores”; já chega de admitir que nos enviem para a linha da frente quando atrás só há incompetência e… pior, MÁ FÉ!

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