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A desvalorização das competências para ensinar: mais uma machadada na profissão docente

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Uma das medidas mais graves que vi tomadas em educação foi sem dúvida a desvalorização das competências para ensinar nos grupos carenciados em professores, nomeadamente em informática em que uma simples ação de formação é suficiente para se ser professor da área.

Os professores têm vindo a ver desvalorizada a sua profissão por motivos financeiros, dado que são uma das profissões onde a formação superior predomina e com mais elementos, em relação a médicos e magistrados. Também por motivos políticos por serem um obstáculo às visões neoliberais da educação, onde se valoriza os resultados e a avaliação, incluindo a profissional. O receio da capacidade reflexiva desta classe tem levado a tentar subjugá-la, uns pela imposição da mercantilização da educação, outros pelo facilitismo para obter resultados, mantendo os exames em contradição com outros objetivos para o ensino não superior explicitados no estatuto do aluno, receando politicamente o resultado da definição clara do que se pretende para o ensino básico e secundário e suas consequências para o acesso ao superior.

Na crise financeira sofreram um agravamento da intensidade do trabalho principalmente com a consideração como tempo não letivo de alguns trabalhos com alunos, como se fosse diferente preparar uma aula ou um apoio para meia dúzia de alunos. Esta situação ainda não foi revertida no pós troica.

Recentemente as situações de agressões continuam a ser ignoradas pela tutela, ao contrário da reação pronta do ministério da saúde, além do tratamento desigual quando magistrados são agredidos.

Mas a cereja no topo do bolo é a desvalorização técnico-científica da profissão em que uma simples ação de formação serve para criar competências profissionais. Esta desvalorização técnico-científica já tinha tido um episódio com a redução do efeito para progressão dos mestrados e doutoramentos.

Concluindo os governos têm vindo a desvalorizar economicamente a profissão docente, depois intensificaram o trabalho com a consideração como tempo não letivo de alguns apoios aos estudantes, tudo isto com um objetivo político de decapitar a capacidade reivindicativa e reflexiva, com a limitação de greves aos exames e às avaliações e agora temos a desvalorização técnico-científica, que permite à opinião pública pensar que ser professor pode ser qualquer um desde que faça umas horas de formação, como em alguns cursos existentes para desempregados.

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