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A criança deve ingressar no 1º ciclo aos 5,6 ou 7 anos de idade?

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Ser facultativo. Esse carimbo que lança muitas dúvidas aos pais pode trazer momentos de verdadeira angústia. Acreditem que sei do que estou a falar, a Educadora da minha criança era 200% favorável à sua integração no 1º ciclo com 5 anos. Os argumentos foram a maturidade e o continuar com o grupo onde estava inserida, argumentos lógicos e sólidos.

Foram momentos complicados, cheguei mesmo a fazer uma exposição ao Ministério da Educação, pedindo uma autorização especial, mas a resposta da Tutela respondeu com um lamentável, “cabe ao diretor decidir”, quando na própria exposição estava explicito que não havia vagas e o diretor não podia abrir outra turma. Só mesmo uma autorização superior permitiria ter uma turma com mais um aluno. Podiam ter dito apenas que não, mas quiseram justificar com um não argumento…

Hoje concordo com o que alguns professores do 1º ciclo me disseram na altura “entrar no 1º ciclo com 5 anos é um erro”. E tenho a sensação que esta é a opinião que atravessa grande parte dos professores do 1º ciclo. Hoje percebo porquê e concordo com ela.

A minha própria experiência fez-me identificar mais com o modelo finlandês, onde os alunos só entram no 1º ciclo aos 7 anos de idade. Prolongar o pré-escolar, permite ter alunos mais preparados e maduros para a exigência do ciclo seguinte. A escola dos “sentados” é um choque brutal para os mais novos, onde passam de uma escola onde “brincam” diariamente, para a escola “chata” da matéria e dos famosos TPC.

Cada caso é um caso, e cada um saberá de si, mas acreditem que não vale a pena ter pressa.

Fica um excerto da reportagem do Observador.

“Costumo dizer que atrasarem-se só se for para o desemprego. Mas é este o principal medo dos pais, que eles percam um ano, que chumbem, que fiquem retidos”
Helena Gonçalves, terapeuta familiar
“Obrigar uma criança a ir para o primeiro ano, não estando preparada, é estar a obrigá-la a exigências para as quais ela não está capaz e que vão fazer com que ela sinta que não é capaz, que não sabe, que não consegue, que não está à altura.”
Isadora Pereira, pedopsiquiatra
“Os alunos condicionais são imaturos e vão andar durante bastante tempo com demasiada imaturidade e com dificuldade em acompanhar os outros. Chegam a determinada altura e não tem maturidade suficiente para acompanhar os conteúdos que são dados”
Manuel Micaelo, professor
“Se tivesse ficado no pré-escolar, ele iria fazer as coisas muito melhor do que a maioria, enquanto que no 1.º ciclo faz tudo pior do que os outros. Num lado fica acima da média, do outro fica abaixo. E nas coisas da educação a autoestima é fundamental”
Manuel Micaelo, professor
“Esse é outro erro de pensamento. Não se trata de adiar a entrada dos que têm cinco anos. O que se passa é o oposto, está-se a adiantar a entrada dessas crianças, que era suposto aguardar até aos seis para entrar.”
Hugo Rodrigues, pediatra no Hospital de Viana do Castelo
“Quando pensamos se a criança está pronta ou não, temos de ver se ela é capaz de se sentir entusiasmada, se tem vontade de aprender, se sente a escola como um ambiente acolhedor…”
Ana Teresa Brito, Fundação Brazelton/Gomes-Pedro para as Ciências do Bebé e da Família
“As pessoas deviam querer que os filhos fossem as melhores pessoas do mundo, não os melhores alunos. As melhores pessoas não se fazem com resultados escolares — também se fazem assim, claro — mas é essencialmente com a educação para a cidadania que se tornam melhores. Essa é a educação que vai fazer a diferença”
Fonte: Observador
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17 COMENTÁRIOS

  1. Eu entrei com 5 anos para a escola, faço anos em Dezembro, e não acho que tenha sido um erro. Lá está (como refere o 1o parágrafo), cabe aos pais e educadores do pré-escolar avaliar se o/a aluno/a está preparado ou não para entrar na 1º ciclo. Eu acho que cada caso é um caso e todos devem ser avaliados… eu ficaria muito triste se tivesse ficado para trás e todos os meus colegas fossem… p.e.. e se visse a minha filha numa situação idêntica também ficaria… acho que acima de tudo deve imperar o bom senso e a análise de cada caso.

    • Concordo plenamente! Há uns anos e não vai há muito estas questões nem sequer eram levantadas,
      mas enfim… há sempre uma teoria para tudo,
      para justificar o que às vezes não precisa de ser
      justificado.

  2. Quanto a mim, não vejo que venha algum mal ao mundo se a criança entrar na escola aos 5 anos; para isso teria que haver alguns ajustes, como por exemplo ao primeiro ciclo acrescentar mais um ano ou seja, começar no ano 0. Para mim este ano 0 seria uma adaptação aos anos seguintes. Outra coisa, o ano de entrada no ano 0 obedeceria a todos os alunos que nesse ano completassem os 5 anos e mesmo assim, ficaria ainda ao critério dos pais. De qualquer maneira, quem não optasse pela entrada aos 5 anos, aos 6 seria obrigatório

    • Esse “ano zero” ja existe e chama-se pre escola, frequentado por criancas dos 4 aos 5 anos. No texto quando sao mencionadas as entradas de alunos com cinco anos sao considerados os cinco anos ja feitos no ano em que entra. Quando uma criança faz os 6 em dezembro pertence entrar em setembro do mesmo ano, apesar de ter ainda os 5. Essa é uma situacao regular. O que no texto é referido como incomum e que deixa duvidas é se uma criança que fez os 5 anos em maio ou junho por exemplo, devera esperar pelos 6 anos ou entrar logo em setembro do ano em q fez os 5.

    • Para mim entrar na escola antes da idade obrigatória é tirar o direito à criança de brincar durante mais um ano, esse tempo de brinacar que se lhe retira nunca mais será recompensado! Seria bom que pensassem que as crianças precisam de brincar enquanto são crianças e quanto mais o fizerem melhor será a sua vida futura!

  3. Eu acredito que a maior parte dos problemas de aprendizagem com nos deparamos hoje em dia nas nossas escolas de 1° ciclo diminuiriam bastante com a entrada dos meninos no 1° ano aos 7 anos. Há muitos países onde isso se passa e toda a gente fala neles pela diferença das metodologias aplicadas e esquecem que as crianças entram precisamente aos 7 anos! Nesta idade as crianças têm mais maturidade, estão mais suscetíveis para a aquisição de aprendizagens muito mais formais, que requerem mais atenção/concentração do que mais cedo. Há muitas competências que poderiam ser adquiridas antes do 1° ano que os ajudariam no futuro. Muitas pessoas “entendidas” nesta matéria, mas que nunca passou uma temporada dentro de uma sala de aulas, refere a inteligência como fator para estarem ou não preparados para tal e esquecem-se da parte emocional/ social…dá dó observar as crianças de tão tenra idade a tentar assimilar tanta coisa em tão curto espaço de tempo! O tempo é pouco para brincar, jogar…. e tão importante é nesta fase da vida de qualquer ser humano!
    Em vez de ajudarmos, estamos a criar frustações nestes seres em crescimento que desejaríamos que fosse o mais harmonioso possível….

  4. Há 33 anos tive que resolver o caso do meu filho,tinha 5 anos ,fazia os 6 em Outubro
    Na escola primária só podia entrar se houvesse vagas…no jardim escola não podia ficar porque dizia a Educadora que não era permitido.
    Felizmente teve vaga e entrou na escola, o primeiro período foi difícil a sua adaptação…Agradeço à Professora que o acompanhou até ao 4ºano, e ao interesse dele pela escola…foi um excelente aluno!
    Hoje é um grande homem.
    Cada caso é um caso, mas estou de acordo com o ano o para algumas crianças.

  5. Eu faço anos em Dezembro, também me fizeram ficar um ano na primária, e isso só me prejudicou. Primeiro emocionalmente, porque acabei por perder os meus amigos, tive de voltar a fazer o mesmo ano com o mesmo problema, Dislexia que na altura nem sabiam o que era, e que me fazia dar imensos erros na escrita, e levar imensas réguadas. Se eu já tinha pavor a professora ainda tive de o ter mais um ano. Hoje já não há réguas, mas ficar para trás quando todos seguem em frente, continua a ser muito triste. Ficamos a pensar, o que foi que fizemos de errado. Porque tive de ficar aqui? Não sei até que ponto tudo isso não me afectou até aos dias de hoje. Se vamos comparar com outros países, temos de ter em conta que em grande parte dos países da Europa, a carga horária dos alunos é muito inferior as nossas, e no fim do 9 ano, em alguns países, os alunos já são colocados no mercado do trabalho com estágios pagos. Cá andamos a estudar quase até aos 30 se fizermos faculdade, com horários de 8h diárias, quando não há depois um extra curricular, um articulado ou mesmo umas aulas de apoio. Certo é que cada adulto que trabalha 8h chega a casa quer esquecer o trabalho, já os nossos alunos mesmo tendo essa carga horária, chegam a casa têm de fazer trabalhos de casa, estudar para testes e ainda os famosos trabalhos de grupo que lhes roubam tantas vezes um fim de semana inteiro. A mim sempre me revoltou ter de chumbar no 4 ano, e sempre me revoltou andar um ano atrasada dos meus amigos. Em algumas fases senti-me completamente perdida e sozinha. Por isso esta situação devia ser vista, porque entrar aos 5 ou aos 6 a diferença é pouca, porque os que fizeram 6 nesse ano, fizeram-no pouco tempo antes dos que ainda os vão fazer, não são uns meses de diferença que alteram a maturidade de uma criança, mas no futuro esse ano atrasado custa muito.

  6. Este é um assunto que há muito tempo deveria ter merecido um debate. Hoje não passa de um mero exercício académico, pois dificilmente a legislação será alterada, a não ser passe o humor se houver algum aluno que não entre no 1.º ciclo, oriundo de um bairro lisboeta, com amigos nas televisões. (ver alterações das matrículas este ano).~ida
    É certo que há um número substancial de alunos que podem muito bem entrar aos 5 anos, pois na maioria dos casos são oriundos de meios socioeconómicos e principalmente culturais, onde o contacto, nomeadamente com a escrita se faz desde o início da sua vida, mas os outros, aqueles cujo o contacto com o mundo da escrita se faz só na escola, aqueles cujas mães têm menores níveis escolares, têm empregos precários ou mal remunerados, onde não há livros em casa…
    No fundo aqueles cuja vida os identifica, à partida, como possuindo “preditores de insucesso”.
    Para estes últimos será sempre difícil definir os 5 anos como entrada na escola.
    Podemos falar só da entrada na escola do 1.º ciclo, mas se falarmos em opções aos 14 anos sobre o caminho que seguir no secundário, ficaremos talvez mais preocupados.
    O assunto é complexo e hoje, não sejamos cínicos as escolas precisam dos alunos de “5 anos”, pois tirando os centros urbanos, se por ventura estes anos deixassem de entrar no 1.º ciclo, haveria lugares docentes que ficariam em risco…
    A dúvida que me assiste, há muito tempo é só uma:
    – Porque é que foi necessário antecipar a escolaridade obrigatória um ano?
    – Talvez, porque havia demasiadas salas devolutas com a diminuição da natalidade!
    Há alguns anos, numa cidade do distrito de Leiria foi ouvido este comentário.” A educadora recomendou que o meu filho ficasse mais um ano na primária, mas eu discordo, pois isso atrasará um ano a sua entrada na universidade!”.
    Todos temos direito a ter filhos génios…, não sabemos às vezes é se os deixamos ser crianças..

  7. E o problema não se esgota no 1º ciclo, nem no secundário. Deparei-me com ele na entrada do meu filho para a universidade. Aí voltaram todas as dúvidas e incertezas, é que ele ainda não estava preparado para sair de casa, faltava-lhe o tal ano que eu lhe tinha tirado.

  8. Sou educadora de infância, para mim é muito claro, subscrevo o artigo e acho que aos 7 anos, seria o ideal, então com o novo programa é de bradar aos Céus, o brincar é o mais rico que pode existir para as crianças, é assim que elas aprendemos a aprender.

  9. Sou Professora do 1º Ciclo e sempre defendi que as crianças deveriam e devem ingressar na Escola com 7 anos. Esperemos que se concretize.

  10. E ainda há gente que diz que a vida não deve ser passada a correr. Os pais são os primeiros a correr com os filhos para a escola. Eu tenho 70 anos. No meu tempo entrava-se para a escola aos 7 anos. Não havia pré escola, infantários ou jardim escola. Começava-se aos 7 e era mesmo o começo. Eu, porque faço anos em Abril, comecei com 7 anos e meio. Entrei para a escola no dia 7 de Outubro. Fiz a quarta classe, e saí. Depois no mês de março seguinte fui fazer a admissão ao liceu, ou seja o quinto ano para entrar no antigo primeiro ciclo. Em cinco meses passei com nota alta. Hoje o que sei não e2 muito mas, deu para ajudar os meus filhos nos seus estudos, até completarem o liceu, o agora decimo segundo, tendo eu apenas o nono incompleto. E isto para quê? Para dizer que afinal, as pessoas cada vez são adultos mais tarde mas começam a estudar mais cedo. Será que vale a pena pô-los a estudar tão cedo? Quanto a mim, opinião muito pessoal, os estudos cada vez estão mais simples e menos profundos, com menos conhecimento. O adolescente muitas vezes sai da escola para a universidade e não sabe nada. Cultura geral então é zero. Cada qual pode e deve pensar como quer. Quanto a mim cinco anos é muito cedo. Mas é apenas o que eu penso.Hoje os jovens precisam mais de aprenderem a crescer como gente do que começarem a estudar tão cedo. Com 30 anos encontramos certas pessoas que são e pensam como autênticas crianças.

  11. Eu sugiro que se entre no 1º Ciclo aos 3 anos… Assim os pais (alguns) já podem demitir-se das suas responsabilidades mais cedo e tenho a certeza que arranjarão um relatório psicológico (como tantos outros que aparecem) que corroborem a sua decisão.

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