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A capacidade de condução de António Costa

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Um conjunto de amigos vai num carro. O António vai a conduzir.

Um dos amigos, o José, que conhece bem a estrada e é especialista em segurança rodoviária, diz: Olha que a seguir aí à frente a seguir a essa curva há um muro. É melhor abrandares. O António, que nunca passou naquela estrada, mas é muito confiante nas suas capacidades, apesar de não perceber nada de segurança rodoviária, diz categoricamente: Não …. O muro ainda vem longe. Até podemos acelerar um pouco.

Coloca aí a música do rádio mais alto. O José volta a dizer … olha que vem aí um muro. É melhor travares. Conheço esta estrada bem, sei muito bem o que vem a seguir. O António retorque: não sejas alarmista. Vai correr tudo bem. O resto dos amigos, que apesar de também nunca terem passado naquela estrada acreditavam que o José sabia do que estava a falar pela experiência e estudo que tinha, começaram também a dizer ao António … abranda pá. Se calhar é melhor. Os amigos mais próximos de António (que também nunca tinham passado naquela estrada, ou sequer tinham estudado Segurança Rodoviária) começaram a defender a sua posição: Não, nem se sabe bem se há muro.

Não há um consenso sobre se há muro. Nós achamos que não. Quem estudou o mapa da estrada acha que há muro. Nós não precisámos de mapa para saber com toda a certeza que não há muro nenhum. Não há consenso. Não se abrande. António continua a conduzir sem abrandar. Alguns dos seus amigos aplaudem a corajosa decisão. António regozija-se com a sua capacidade de não ceder à pressão daqueles que de facto estudaram o mapa da estrada e queriam o abrandamento.

Ao longe começa-se finalmente a ver o muro de que José falava. António diz categoricamente: quando chegarmos à beira do muro eu travo. O perito em segurança rodoviária diz: olha que isto está complicado. A estrada está muito complicada. Isto pode ser ainda mais difícil do que eu estava à espera. Não, não … isto dá para travar. Mas só quando chegar o momento certo. Abrandar vai criar um atraso irrecuperável na nossa viagem – diz António com firmeza. Logo um conjunto de amigos de António se levantam a dizer: abrandar causa atrasos irreparáveis na viagem. Abrandar já nos atrasou irreparavelmente na última curva por onde passamos.

A verdade é que abrandar é muito, muito mau. Do outro lado os restantes passageiros dizem: abrandar não é assim tão mau. Abrandar é só andar a um ritmo diferente. Podemos, se necessário, prolongar a viagem um pouco mais. Os céticos que de facto tinham estudado o mapa já estão neste momento aos berros dentro do carro: abranda que vem aí um muro. Há que parar o carro. Enquanto se espetam contra o muro a alta velocidade António diz …. se calhar é melhor travar. Vamos reunir na próxima terça-feira para decidir sobre este assunto.

Anónimo

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