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A bondade é contagiosa, mas!

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João Lobo Antunes o nosso neurocirurgião muito bom, e sempre grande pensador, refere que, de um estudo do cérebro recente, se conclui que a “bondade já tem um “sítio” – foi localizada no cérebro, assim como o sentimento que lhe é associado quando essa área regista atividade: “elevação moral”.

Além disso, percebeu-se que esta é “contagiosa” – ou seja, ao assistirmos a actos de bondade, somos impelidos a fazer o mesmo – e ajudar.

Mas também nos avisa que: “Sim a bondade é contagiosa, o problema é haver tanta gente vacinada contra ela!”

E: “Isto pode explicar-se assim: assistir a um acto de compaixão implica testemunhar o sofrimento de outra pessoa – o que desencadeia uma resposta de stresse, e ativa o sistema nervoso simpático. Depois, ao vermos esse sofrimento aliviado acalmamos, e o sistema parassimpático é ativado. Na zona média do córtex pré-frontal (a área relacionada com a empatia), também  foi registada actividade. E é nessa área precisamente que o neurocirurgião João Lobo Antunes julga poder residir o cerne da questão.”

E seria interessante pensarmos “nisto”, que com João Lobo Antunes com sempre podemos muito aprender, e de facto constactar no nosso dia a dia, pelos nossos contactos, pelo que vemos ao nosso redor, que sendo a “bondade contagiosa” , tanta gente, mas tanta gente, conta ela – bondade – está fortemente vacinada.

E por certo não quereríamos andar todos, todos os dias, a dar e receber actos de bondade em permanência, a ser tudo muito bonito e muito simpático, dado que seria uma grande maçada, mas, por certo estaremos, ou nem por isso, todos de acordo apesar de maioritariamente não o praticarmos, e nem estarmos minimamente interessados em o fazer que o que “abunda” e em força, é a maldade.

E como a maldade anda/ circula por todo o lado, parece que a imitação, é a necessidade. Pareceria mal o inverso! E se alguém é “mau” com o outro, é antipático, a maldade e a antipática parece enraizarem-se e provocarem este estado de agressividade excessiva e permanente em que vivemos, todos, nestes tempos. E a não vontade de assim não sermos/ estarmos!

E desde a condução automóvel, até aos mais diversos comportamentos, seja em família – veja-se as vítimas de agressões e até de morte no seio familiar, que não param de aumentar – seja em sociedade, parece haver tudo menos “bondade”. Bem pelo contrário, ou melhor “muito mal, este contrário”.

E os meios de comunicação social alimentam as situações de não-bondade, o que aliado ao que João Lobo Antunes nos ensina, aqui: “…a bondade é contagiosa, o problema é haver tanta gente vacinada contra ela!”, entra a maldade, o crime, a má-educação, e contagia-se sem deixar comparecer a “bondade”.

Se calhar sem mexer nos cérebros de quem quer que seja, tem que se arranjar uma vacina para anular a que nos está “inoculada”, para que a bondade seja preponderante. Mas não parece estar fácil.

Augusto Küttner de Magalhães

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