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A “bazuca” para atrair professores?

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Vamos imaginar que tenho falta de peixe no mercado.
Onde devo gastar o dinheiro para fazer uma política pública para isso?
A formar fabricantes de redes, que as hão-de vender aos pescadores, ou a aumentar os rendimentos dos pescadores para eles pescarem?
Os piores propagandistas da profissão docente são os professores. E temos razão para isso. Não tenho filhos, mas, se tivesse, faria de tudo para os demover de serem professores.
Esta realidade não se combate com formaçõeszinhas das cosméticas ou flexíveis. É um problema estrutural.
Que resposta de carreira há para um jovem que, em 2021, queira ser professor?
Trabalhar em substituições a centenas de kms e nem contarem descontos dos dias trabalhados?
Se a resposta for como a minha em 2021 (diferente da prometida em 1995), o que um agente económico racional fará é, ou não se meter nisso, ou encarar ensinar como gancho (o que é péssimo).
Com o desgoverno antiprof na Educação dos últimos 15 anos, só com um restabelecimento prolongado vai voltar a haver gente disponível para fazer carreira docente.
E esta é uma profissão em que o tempo de exercício tem relevância. Nisso somos parecidos com os médicos.
Por isso, deixem-se de tretas: resolvam a progressão sem roubos; a avaliação sem injustiça estrutural, sem quotas e sem vagas; o salário sem novos cortes; melhorem as condições de trabalho; a proximidade do trabalho à família; um mínimo de previsibilidade e estabilidade; dêem confiança que cumprem as leis e as regras contratadas; respeitem-nos e não nos degradem na opinião pública.
Se ser professor for uma boa profissão com perspectivas confiáveis os candidatos aparecem.
E deixem lá as negociatas da formação que pouco adiantam na falta de professores.
Se voltarem a velhos modelos integrados bem testados talvez corra melhor.
Luís Braga

CNE quer verbas da “bazuca” para formar e atrair mais professores

Órgão consultivo do Parlamento exige investimento face à possibilidade de, dentro de alguns anos, país ser confrontado com falta de docentes.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) entende que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que orienta a forma como serão distribuídos os fundos da chamada “bazuca” europeia de resposta à crise provocada pela covid-19, devia incluir verbas para a formação inicial de professores e a atracção de mais profissionais para o sector. O órgão consultivo do Parlamento recorda que o envelhecimento da classe poderá fazer com que, dentro de alguns anos, o país seja confrontado com escassez de docentes.

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