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A Bandalheira, A Desresponsabilização E A Ineficiência Da Escola Pública – Ricardo Pereira

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Todas as opiniões são válidas, mesmo aquelas que julgam que os professores têm uma média de idade de 30 anos, ou que só têm 15 alunos em vez de 200 ou 300, ou mesmo que os professores devem estar disponíveis para comunicar com os pais, 24 horas por dia…

Mas numa coisa estou de acordo com este encarregado de educação, é preciso investir na Escola Pública, pois só com investimento é que é possível atingir o que este pai pretende.

Fica o artigo.


Há três coisas que importa esclarecer antes de ir diretamente ao tema. Coisa número 1: sou filho de professores, já reformados, que fizeram toda a carreira na escola pública, entre o ensino preparatório e secundário. Coisa número 2: desde a primeira classe, e até o quarto ano da faculdade, sempre estudei no ensino público. Coisa número 3: tenho dois filhos em idade escolar, o mais velho, que frequenta o oitavo ano, está no ensino público, e o mais novo, que entrou este ano para a escola, anda no semi-público.

Digo isto de forma preventiva, porque já sei que o tema “professores” e “escola pública” gera sempre aqueles comentários de gente que acha que os outros não percebem nada dos assuntos (ainda que eles não conheçam “os outros”) e que eles é que estão sempre informados sobre tudo e sabem sempre tudo sobre os temas em que estão envolvidos.

Mas vamos lá.

Por mais reformas que se tenham feito nas mais variadas legislaturas, chegámos a 2019 e parece que a escola pública continua a viver em 1996. É verdadeiramente assustadora a ineficiência da gestão das escolas públicas. Gestão a todos os níveis, sendo o mais gritante de todos a forma demorada, atabalhoada e ineficaz como se continua a fazer a colocação dos professores.

No ano letivo passado, a turma atual do meu filho esteve seis meses sem professora de Português. E porquê? Porque esteve de baixa. E esteve de baixa porquê? Porque fez uma luxação no pulso. Foi operada? Não. Andou com gesso? Não. Fez uma luxação no pulso. Seis meses de baixa. E quem é que a substituiu? Ninguém.

Este ano, o meu filho vai na quarta semana de aulas. Continua sem professor atribuído a duas disciplinas. A Português já tem professora, mas está de baixa. Volta para a semana. A diretora de turma é a professora de Inglês, mas está de baixa. A substituta chegou na semana passada, vinda de Aveiro, e estará na escola por um período indeterminado. Na reunião de início do ano que teve com os pais dos alunos, assumiu o papel de diretora de turma interina e não prevê ficar ali por muito tempo, como a própria informou, ou seja, o nível de compromisso que tem para com a função é a esperada.

Ao longo da reunião, lá foi debitando as normas da escola, perante um tédio evidente de uma série de pais que sabiam muito mais sobre a escola do que a própria professora. Nada contra a senhora, coitada, que caiu de pára-quedas numa escola, que nem sequer ganha o suficiente para alugar uma casa em Lisboa, e que herdou uma pasta de direção de uma turma que sabe que não será dela por muito tempo. Ela está a fazer o que pode.

Como é que em 2019, com um mundo digitalizado, em que se conseguem construir sites com capacidade para milhões de entradas diárias de utilizadores, continua a não existir uma plataforma digital do Estado que permita uma gestão rápida e eficiente para a colocação dos professores? Como é que se demoram meses a substituir e a colocar professores? Como é que nunca se encontrou um programa informático eficiente e moderno que permita trabalhar este tema com antecipação para que as escolas públicas arranquem com os quadros completos? Como é que nos dias de hoje as escolas públicas continuam a não ter autonomia para resolver os seus próprios problemas, sem terem de esperar pelo Estado pesadão e ineficiente, que arrasta as suas decisões pelos corredores da burocracia? Como é que nenhum Governo conseguiu resolver este flagelo, que afeta todos os dias centenas de milhares de crianças?

No início dos anos 2000, o Ministério das Finanças debatia-se com um problema que custava, diretamente, milhares de milhões de euros ao Estado português: a fuga aos impostos. Era a rebaldaria total. Não havia faturas para nada, ninguém declarava nada, era facílimo encontrar formas de não pagar imposto. A economia paralela tirava dos cofres do Estado dinheiro que poderia ser usado para investir no desenvolvimento do País. Até que chegou ao governo Paulo Macedo, debaixo de uma fortíssima contestação pública, porque iria ganhar mais do que o Presidente da República. Paulo Macedo reformou a máquina fiscal e resgatou milhões de euros perdidos na tal economia paralela. Houve vontade política e houve um homem com a coragem, as ideias e a motivação para mudar as coisas. Fez acontecer, contra a ideia instituída de que era impossível resolver aquele problema, enraizado na nossa cultura.

Quase 20 anos depois, continua a não haver quem faça o mesmo pela Educação, um ministro, um governo que olhe para a ineficiência do sistema público de Educação, identifique os problemas, encontre as soluções e consiga implementá-las, mesmo contra as mais do que esperadas contestações sindicais, contra a cultura instalada de desresponsabilização, contra uma suposta descentralização de poder pelas associações regionais de Educação que claramente não funcionam.

Vamos a exemplos práticos. A comunicação entre professores e pais continua a ser feita maioritariamente através de uma caderneta em papel, que qualquer aluno pode “perder” quando lhe dá jeito, em que uma assinatura pode ser falsificada e em que o controlo de cada pai pode ser facilmente controlado pelo aluno. Existe a plataforma Inovar, que permite aos pais terem algumas informações sobre o que se passa com os filhos, onde estão os horários, testes marcados, sumários, registos de faltas. Pergunta: quantos pais conhecem a plataforma? Quantos pais usam efetivamente a plataforma? E com que frequência? Há dados sobre isso? Para que as coisas funcionem é preciso saber comunicá-las, é preciso explicar as vantagens, trazer os utilizadores para a plataforma. Não basta fazer e pronto, agora desenrasquem-se. Não é isso que acontece com as instituições privadas, por uma razão: é que os privados têm de ter resultados e se não os têm há coisas que necessariamente têm de ser alteradas, há consequências diretas de atos ineficazes.

Mas a plataforma Inovar dá-nos o básico, o mínimo indispensável, mas eu, como pai, não quero só isso. Quero mais. Quero poder ter informações mais concretas sobre como é que a escola está a correr ao meu filho, como é que ele se está a relacionar com os professores, como é que ele se comporta nas aulas, como é que ele interage com os outros alunos. Quero poder fazer perguntas aos professores (e os pais não têm acesso aos mails dos professores, sabe-se lá porquê), mas o único contacto que tenho é o de um diretor de turma que me atende uma vez por semana, durante 45 minutos. Não aceito o argumento de que se todos os pais quisessem falar todos os dias com todos os professores eles não teriam tempo para dar aulas. Cabe às escolas, ao governo, ao Estado, encontrar uma solução que me permita aceder a essas informações. E porque não me limito a exigir, quero contribuir para a solução.

Porque é que não existe uma plataforma digital integrada, onde estão pais, professores e alunos, que vive num site e numa versão app mobile, com notificações sobre aquilo que é mais importante para os pais e os alunos? É esse o mundo em que vivemos, não é o mundo das cadernetas de papel. Eu gostava de receber uma notificação push da app escolar a dizer que o meu filho vai ter teste de Inglês daí a uma semana, ou que faltou à aula de inglês, ou que teve um registo de mau comportamento. E quero poder ter a opção de responder de volta, de comunicar diretamente, e na hora, com o professor, o diretor de turma, a direção da escola. Eu quero uma plataforma em que os pais possam ser informados de conflitos graves ou situações de violência física e psicológica, sem ter de esperar (e rezar) que o meu filho me conte. Eu quero uma plataforma, a que o meu filho também tem acesso, em que ele possa comunicar à escola que está a ser vítima de abusos por parte de um colega, e, assim, a escola poder procurar entender o que se passa. Eu quero uma plataforma que ajude a resolver os grandes problemas, as grandes ineficiências das escolas públicas. E não é assim tão difícil pensar, estruturar e criar essa plataforma. Implementá-la, isso sim, é duro, exige vontade política, vontade de ir à luta contra os de sempre, mas tendo sempre em mente que quem vai ganhar com isso são os nossos filhos.

Uma vez mais, a questão do dinheiro. Qual é o investimento para isto? Quantas pessoas a mais terão de entrar nos quadros das escolas? Como é que se monitoriza isto? Quantas pessoas teriam de existir nas escolas para que isto fosse eficiente e real? Muitas. Muitas mais do que aquelas que existem hoje. E é para isso que todos pagamos impostos. A Educação, a par da Saúde e da Segurança, devem ser as principais prioridades e funções do Estado. Otimizando custos, retirando o Estado de onde ele só anda a gastar dinheiro (como nas TAP desta vida, nos transportes, nas comunicações e em tantos outros setores) é possível canalizar dinheiro para onde ele deve estar, no que é verdadeiramente importante: a Educação.

É frequente, hoje, demonizarem-se as redes sociais, a tecnologia, os telemóveis, e há muita razão em muitas das coisas que são ditas. Mas o digital tem o outro lado, o lado que nos facilita a vida, o lado que nos leva até ao telemóvel, à nossa mão, informação relevante que acrescenta valor à nossa vida. Os filhos são, devem ser, e serão sempre a prioridade de qualquer pai. Se há coisa em que eu gostava que a tecnologia fosse intrusiva era em relação à vida escolar do meu filho. Mas nestas coisas não basta ter as ideias, não basta ter a vontade, não basta ter o poder, é preciso muito mais do que isso para derrubar a máquina instalada.

Ricardo Martins Pereira, in MAGG, 9-10-2019

8 COMMENTS

  1. Sou pai de duas crianças, nos ciclos iniciais do ensino pūblico. Sou filho de professores do ensino público. Concorfo com a ineficiência do sistema educativo, tanto público como privado. Considero que o privado não deveria existir, porque o público deveria ser capaz de responder à sua nobre tarefa. Todo o meu esforço tem sido para aí canalizado, sem resultados. Agora, doente, esgotado, continuo resistindo. Como informático de formação, considero que o acesso online a informações escolares, de nada serve, a não ser colocar mais pressão sobre o sistema. O que é preciso é liberdade para pensar e agir, sem burocracias, e obediências a políticas e imposições grotestas. Sem medo, com preserverança e sentido ėtico, de fazer o que deve ser feito. Sou professor, atento, informado, orgulhosamente pobre, sem património, e sem qualquer desejo de protagonismo. É raro….

  2. Acho uma piada a estes iluminados que acham que conhecem uma realidade apenas porque conhecem ou têm um familiar que trabalha ou trabalhou nessa realidade!
    Deste artigo retiro apenas duas ideias, inevitavelmente a arrogância de alguém que acha que tem direito a tudo, “eu quero, eu quero, eu quero…” e certamente pensa que os outros, professores e não só, não terão direito a nada!
    Ora como o sr. parece ser muito esquecido necessita de uma aplicação para o fazer lembrar que o filho tem teste, certamente porque o sr. é uma pessoa muito ocupada e não tem tempo para consultar o INOVAR, o que seria dele no tempo em que não havia INOVAR nem caderneta, nem email, nem…!
    Não quererá o sr. que a Escola vá também lá a casa tratar do filho?!
    Segundo o sr. os professores deveriam estar disponíveis 24h por dia para lhe dar explicações, creio que este sr. também estará 24h por dia disponível para a sua entidade patronal!
    Esta gente fará a menor ideia que há professores com 300 alunos, quando não com mais?!
    Tão interessado na Escola Pública mas nada incomodado com o número de alunos por turma e turmas por professor!

    A outra ideia, a unica com sentido dos tantos disparates que proferiu, o investimento na Escola Pública, esse sim, está muito aquém do que seria desejável, ou pelo menos é mal gerido!
    Já agora, gostava de dizer ao sr. que talvez o filho não tenha professor de Inglês porque os professores se cansaram de dar tantas explicações aos paizinhos que acham que têm direito a tudo mas, obrigação de coisa nenhuma!
    E ainda a procissão vai no adro, pois será muito pior!

  3. Sou professora há 32 anos. Tenho dois filhos que já passaram pela escola pública.
    E até um neto que , com grande satisfação minha, a irá certamente frequentar.
    É uma escola com defeitos? Sim, é. Mas também com muitas qualidades! Com excelentes professores , dedicados à profissão, com um sentido profundo de missão; com excelentes diretores de turma sempre disponíveis para atender os pais que solicitam um encontro fora da hora marcada ou que diante de tantos problemas disciplinares!, causados, quiça, por falhas e faltas cometidas pelos próprios pais/ encarregados de educação que não os sabem educar, vão para a escola fora do seu horário de trabalho, para os informar, ouvir, aconselhar …sim porque os pais também precisam de conselhos!
    O que me parece mesmo, com toda a siceridade, é que o nosso cronista por lá deveria passar enquanto professor/ diretor de turma, daquelas turmas bem complicadas que nos obrigam a entrar as 8. 30 e sair às 19.00, sem quase ter tempo para devidamente preparar as nossas atividades letivas como seria desejável, nem dedicar à nossa família o tempo que o senhor, felizmente, tem para dedicar à sua! Talvez se tornasse um pouco mais humilde e sensato nos seus julgamentos tão desumanos, tão cheios de crueldade e ressentimento.Pressinto uma pontinha de despeito??
    Veja primeiro os seus defeitos antes de falar dessa forma tão leviana e arrogante sobre os defeitos dos outros. Sei que precisa dos conselhos de ninguém, mas não posso deixar de lho oferecer.

  4. Uma vez que o senhor, tal como eu, considera que “Os filhos são, devem ser, e serão sempre a prioridade de qualquer pai.”, permita-me, enquanto não chega a omnipresente e omnisciente plataforma que tudo resolverá, dar-lhe uns conselhos muito práticos:
    1. Converse mais com os seus filhos. Não só sobre a escola, claro. Oriente-os, no sentido de serem responsáveis e respeitosos. E, não se esqueça que mais importante do que o que se diz, é o que se faz.
    2. Consulte regularmente o Inovar. É ótimo! Lá encontrará as faltas de presença, pontualidade, material, TPC, disciplinares…, bem como as datas dos testes, as avaliações intercalares e de final de período, etc. Se não sabe como aceder a esta plataforma, peça ajuda ao diretor de turma.
    3. Coloque na porta do frigorífico, uma folha com as datas dos testes. Diga ao seu filho para registar essas mesmas datas na caderneta escolar, pois ela tem uma página destinada a esse fim.
    4. Consulte regularmente a caderneta escolar. Os miúdos tendem a esquecer-se. Compete aos pais estar sempre atentos.
    5. Vá falar com o diretor de turma na hora de atendimento semanal, mas uns dias antes informe-o da sua ida, para ele poder recolher informações sobre o seu filho junto dos outros professores da turma.
    6. Se não confia no seu filho, ou se não fica tranquilo enquanto ele não chega a casa, instale no telemóvel uma aplicação que lhe permite seguir todos os seus passos.

    Espero ter ajudado. Sabe, ter filhos dá-nos muitas alegrias e completa-nos, mas também dá muito, muito trabalho.

  5. Estive mesmo tentado a ignorar o artigo… Mas, pelo preâmbulo de Alexandre Henriques, não resisti. Porém, nem passei do 1º ponto porque, imediatamente, me senti indignado com o que o seu autor, de nome Ricardo Martins Pereira, afirma. O autor tenta eliminar a contestação ao que escreve com uma quantidade de “coisas”. Porém, logo que começa a expressar-se, imediatamente “mete a pata na poça”. E fica mesmo molhado e sujo. Sim. Vejamos:
    PRIMEIRO: É muito sujo afirmar-se que “Por mais reformas que se tenham feito nas mais variadas legislaturas, chegámos a 2019 e parece que a escola pública continua a viver em 1996.” como se a escola fosse a culpada do ponto a que se chegou. Não. Não foi a Escola Pública: foram os Ministros da Educação e seus colaboradores do Governo! É que as reformas foram feitas na secretaria dos ministérios, mudam apenas teoricamente uma quantidade de “coisas”. Por exemplo, criaram a ESCOLA INCLUSIVA… mas ficaram por criar condições para receber esses alunos… Não criaram os espaços adequados a integrar os alunos com a mais variada problemática nem adjudicaram recursos para acompanhar crianças como são as do espectro do autismo, Síndroma de Down, Síndroma de X-frágil, etc… etc…
    PORTUGAL PRODUZIU MUITA VERBORREIA MAS… de facto, NÃO HOUVE NENHUMA REFORMA. Em termos de recursos (e falo depois de ter estado fora do país: 4 anos em escolas de França e 7 anos em Espanha) onde os recursos HUMANOS e TECNOLÓGICOS estão já a anos luz das nossas escolas… Depois de ter tido, em Espanha, computador topo de gama, sala de informática com computadores para cada aluno (entre 2006 e 2013) chego a Portugal e que tenho??’ NADA. Nem projector. Foram os pais que nos últimos 4 anos pagaram para que se colocasse um Projector em cada uma das 4 salas de aula. E não falo da Falagueira (Amadora)… nem de Rio de Mouro (Sintra)… nem mesmo da escola do Cerco (Porto)… Falo de uma ESCOLA em ZONA NOBRE, na 3ª cidade deste país: BRAGA.
    Fala-se muito de sucesso escolar, de melhorar as tecnologias, de que os professores continuam a ensinar como outrora mas… em termos informáticos, se é verdade que já abandonaram a idade dos dinossauros (já não se encontram computadores de arquitectura 486, com o inovador windows 95), mas continua-se a trabalhar na Idade da Pedra. Em cada sala de aula, existe apenas 1 computador que foi “desenhado” (leia-se, equipado) para funcionar com o Windows XP (e, já agora, com a “dinossaurica” drive de disquetes.)…
    A arquitectura não responde às necessidades de uso de internet (pesquisa, acesso aos manuais da editora, etc… etc… requerendo que o docente chegue à sala mais de 15 minutos antes para que o windows abra, aceda à página da editora… e fique funcional.
    Manual OFFLINE, impossível. O espaço no disco (menos de 500 MB livres) não permite instalar. Analisei o computador mas… não tem nenhum programa extra para eliminar… Não tem espaço para instalar programas nem descarregar nada… nem armazenar material para ser explorado na aula… UMA VERGONHA…
    E fala-se da ESCOLA PÚBLICA???
    SEGUNDO: O autor refere “É verdadeiramente assustadora a ineficiência da gestão das escolas públicas. Gestão a todos os níveis, sendo o mais gritante de todos a forma demorada, atabalhoada e ineficaz como se continua a fazer a colocação dos professores.”
    Ora, uma vez mais, aponta a metralhadora para o alvo errado. NÃO… Não é a ESCOLA PÚBLICA (porque essa tem os professores como intervenientes que pouco ou nada podem decidir, a não ser cumprir os normativos legais e os regulamentos…
    Enfim… Um texto VERGONHOSO… que apenas demonstra o TIPO de pais que cada vez mais querem assumir pelos filhos a pequena responsabilidade que deveriam ir assumindo para que se formassem homens e mulheres do futuro.
    Com tantas exigências à escola, imagino as exigências que fará aos filhos… Qualquer dia, terá um relatório pormenorizado do filho até ao dia em que terá a sua noite de núpcias…

  6. Tendo considerado o comentário do Joaquim Ferreira muito Bom por muito pragmático, venho acrescentar algumas ideias que igualmente comentei no “Arlindo”.

    Este E.E. começa com alguns “erros” básicos e a partir daqui … tudo o resto é enviesado…
    1- Confunde duas Entidades absolutamente distintas que no seu papel, quer no seu poder, quer nas suas atribuições e competências legalmente definidas: A administração Central-Regional e as ESCOLAS!

    2 – Ou porque não sabe (e dever-se-ia ter informado) ou porque como acusa no título, também ele não quer assumir responsabilidades. “Baralha e volta a dar” sem apontar, em concreto, o dedo a que de dever!

    3- A maioria das questões da ineficiência que menciona são da directa responsabilidade da Administração Central-Regional mas não os acusa (Já agora, a máquina burocrática central da administração educativa é dos maiores entraves- refere-o, de facto, mas não é porque não saibam, porque desconheçam, porque lhes faltam os recursos tecnológicos (e não só) para servir melhor: é porque, por variadas razões, OS SEUS INTERESSES SÃO OUTROS QUE NÃO O BOM funcionamento das escolas e boas condições de trabalho e de aprendizagem dos alunos)!

    4- Plataformas??? Sabe do que fala??? Deve ser dos ministérios com mais e mais e mais e diversificadas plataformas… é plataforma para tudo… Afinal, os negócios têm que ser alimentados… pedem, muitas vezes as mesmas informações, nem sempre são compatíveis, se tentar migrar os dados de uma para a outra – são erros que não acabam, são informações que se perdem… (e já não falo da segurança dos dados pessoais – professores, funcionários, alunos, pais,…)…
    Creio que a maioria das escolas já funciona com cartões electrónicos e, logo, programas para a gestão/informação de alunos, das turmas, professores, DT´s e pais. Sabe porque razão não recebe de imediato um sms a informar que o seu filho não está na aula? -porque custa dinheiro colocar à porta de cada sala um detector para o cartão!Houve escolas (do meu conhecimento, muito poucas que conseguiram ir além nas possibilidades dos programas … pois … mas não se preocupe que a moda a implementar é o “E360” e se pensa que é para ser mais funcional às necessidades das escolas (professores/ DT´salunos/pais…) está muito equivocado – é uma massiva base de dados sobretudo para o ME (O verdadeiro “big brother” sobre todos nós).

    – Sabe porque acontecem situações mais ou menos graves no interior e periferias das escolas? -porque os sistemas de vigilância (contratos/actualizações e manutenção) custam dinheiro! Sabe da falta de funcionários e como funciona o sistema? – pois custa dinheiro e o formato actual sai muito mais baratinho …. deve ser dinheiro para contratualizar as obras de uma IP qualquer a um amigo do sistema…

    5- Quando os serviços centrais não funcionam para dar respostas claras e imediatas às escolas… quando as inspecções deveriam ser entidades independentes e funcionam, agora, em “trabalho colaborativo” com o governo, deduza-se, então para quê…

    6- Gostaria de ter informação o tão imediato quanto possível? – compreendo! Lembro-me que em França, há alguns anos e hoje não sei) TODOS os professores (para além do DT) tinham no seu horário horas para receber pais de qualquer uma das suas turmas para informações/esclarecimentos relativos a situações na sua disciplina… mas, sabe, custa dinheiro! E, também não é com as plataformas que lá chega e não me apetece explicar porquê… para além de que, como tudo na vida, quando não depende do próprio temos, mesmo, que esperar… e, então, num país burocrático como este… Pergunto-me qual será o serviço público mais rápido, mais eficiente e com prazos de espera mais curtos que a Escola??? É, que com todos os muitos condicionalismos, considero MESMO, que a Escola é a entidade pública mais funcional neste País!

    7- Por fim… a história da caderneta (que pessoalmente acho um óptimo meio de, rapidamente, qualquer professor enviar informação relevante sobre o jovem) parece-me, por um lado uma atitude de desresponsabilização do jovem e por outro, de um deslumbramento que marca muito uma actual geração de país que colocam nas “tecnologias” o papel de educadores que lhes pertence a si!

    – Identificar os problemas, encontrar soluções ??? – Caro EE , OS PROBLEMAS HÁ MUITO ESTÃO IDENTIFICADOS (a quantidade de grupos de trabalho, observatórios, parcerias e afins são quase intermináveis – exagerando um pouco – e concluem sempre o que todos sabem… perceber-me-á, decerto). E, já agora o grande obstáculo não são nem os sindicatos, nem os professores! São as questões políticas e financeiras!

    Tenho pena que não tivesse apontado as “espingardas” da “bandalheira, desresponsabilização e ineficiência da escola pública” para o lado que efectivamente as legisla, implementa e impõe! Nas escolas há quem tente resistir, pois nas escolas ainda há aqueles que são professores e que vivem para a sua sala de aula a ensinar aquilo que sabem e podem ensinar – aquilo em que se especializaram e que ainda lhes dá prazer, se lhes sobrar algum tempo e disponibilidade emocional, actualizarem-se!

    Termino dizendo-lhe que, na minha opinião, professores e alunos são a mesma face da moeda! E, enquanto não se perceber isso… ganha o mesmo de sempre: “a bandalheira, a desresponsabilização, a ineficiência”, o faz-de-conta e o baixo-custo.

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