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A Avaliação Dos Professores Existe Ou É Uma Treta?

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Muito se tem falado, sobretudo por causa da progressão na carreira docente, sobre a avaliação de desempenho docente!

Uns dizem, mostrando total ignorância, que não existe, que os professores não são avaliados, que a progressão é feita de forma automática e pela antiguidade.

Não é verdade! Os professores têm sim, todos, inclusive os contratados, uma avaliação de desempenho. Ler aqui

Podemos discutir, em sede própria, o cumprimento rigoroso do diploma ou mesmo a eficiência e a eficácia do mesmo, mas dizer que não existe é uma verdadeira falácia!

Há, infelizmente, em todo o lado quem cumpra escrupulosamente e quem não o faça, mas isso vai para além do diploma, vai para a individualidade de quem o faz, não dos professores no geral!

Poderá haver brechas no diploma, que dão azo a que não se distinga os bons dos maus, o professor da treta tem boas probabilidades de estar a ganhar o mesmo do professor extraordinário ao fim de 30 anos de ensino. E isto é mau para os próprios professores!

Carece, quanto a mim, de uma revisão, mas antes de avaliarmos temos de dar condições para o fazer, ou seja não podemos  avaliar os alunos sobre a matéria que ainda não foi dada!

Por isso, importa referir que o ser humano é movido por estímulos, algo que nas escolas não tem havido, e não me refiro apenas a estímulos financeiros, refiro-me a estímulos de reconhecimento, de proteção e de gratidão.

Os professores são mal tratados por tudo e por todos, os números da indisciplina nas escolas cresce e não vejo nenhum governo falar nela com verdadeira preocupação, fala-se assim- assim, maioritariamente culpabilizando os professores.

Qualquer um se dá ao direito de comentar sobre a educação, qualquer um opina nas televisões, os pais “entraram” nas escolas com o objetivo, não de colaborar, mas sim de desestabilizar, esquecendo-se do seu papel fundamental – educar os seus filhos.

A educação vem de casa, os “meninos” tem de saber que a escola não é o mesmo que a sua casa, ou o seu bairro a sua rua, é diferente, há regras, há deveres e direitos que tem de ser cumpridos quer se esteja de acordo ou não, porque a vida é isso, a vida pede-nos que sigamos os canones  sociais!

E mesmo assim, muito têm feito os professores perante tanto desinvestimento social nas escolas, na educação e neles próprios, qualquer outro profissional estaria mais vezes na rua em protesto, mas resta-lhes o brio profissional que os mantém a dar aulas mesmo que em condições, essas sim, miseráveis!

Gostava muito de ver alguns dos balbuciadores a entrarem numa escola TEIP, só dando um exemplo, e conseguirem dar aulas a 25 alunos arriscando a que qualquer “pedido” fosse mal interpretada e que no dia seguinte estivesse uma família inteira pronta a pedir satisfações!

Deveria ser assim, primeiro deem as condições, depois avaliem!

Alberto Veronesi

Leia também:

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Parem de balbuciar! Sobre a progressão da carreira docente!

9 COMMENTS

    • Sem dúvida… é uma grande treta!
      Já agora, de um universo de mais de 100 mil professores qual é a percentagem daqueles que “Reprovam”?

  1. A avaliação dos professores é tão treta quanto o SIADAP, a dos juízes, jornalistas,…, ou como no privado!… em qualquer família, com o mínimo de diversidade todos sabem desta treta.

    Mas… aí estão eles a alimentar a mentira, a ausência de vergonha e de escrúpulos e a inveja… e enchem os canais de televisão como se a avaliação fosse uma necessidade relativa aos trabalhadores, antes de ser prioritariamente relativa ao funcionamento das estruturas, das actividades, da organização, dos recursos financeiros/ logísticos/ organizativos/ materiais e humanos, dos projectos, das mudanças, das consequência das mudanças…

    O séc. XXI, os seus governantes e decisores, trouxeram o DOGMA da avaliação sob uma capa de suposta diferenciação da excelência e do mérito – Mas, na realidade os objectivos são outros…Há que entreter as pessoas, há que criar competitividade nem que seja à custa da sacanagem, há que promover”o eu sou melhou que o outro”, há que destruir perspectivas de progressão e de reconhecimento”, há que fazer sentir que nem todos merecem,… e os portugueses, invejosos, cheios de si, discípulos de banha da cobra, …, julgam-se, eles próprios os melhores… basta ouvir os políticos falar do seu trabalho, da sua auto-avaliação…
    Legitima-se assim a arbitrariedade, o favorecimento, a diferenciação salarial, os abusos nos tempos de trabalho, a desregulamentação do trabalho, …

    Nos países a sério procura-se a colaboração entre os trabalhadores, nos países a sério a simplicidade conduz à transparência e à estabilidade das normas, nos países a sério a organização do trabalho respeita as liberdades, direitos e garantias, nos países a sério a Lei é para cumprir,…
    Nos países a sério mais que 3 ou 4 excelentes, promove-se que 40 sejam Bons… pois a produtividade, a riqueza e uma boa resposta dos variados serviços (público ou privado) são produzidos pelos bons, empenhados, cumpridores e honestos!

    Num país a sério promove-se a coesão social, aqui promove-se a inveja social…
    Num país a sério promove-se a melhoria do nível de vida, aqui promovem-se fossos crescentes entre ricos e pobres (afinal… repare-se… não há dinheiro…- só restaria esclarecer as prioridades mas a comunicação controlada nem pergunta ou se pergunta, a seguir cala-se)
    Num país a sério a corrupção combate-se, aqui dissimula-se…
    Num país a sério há vergonha na cara e as pessoas demitem-se, aqui tratam os portugueses como estúpidos,

    Avaliação??? mas avaliação de quê e do quê???
    Se em portugal houvesse avaliação séria… seriamos um país muito mais rico!

  2. Quando os resultados das avaliações são sonegadas e só a comissão da avaliação e o próprio tem conhecimento, diz muito sobre veracidade e justeza dessa avaliação.

    • O próprio estatuto assim o prevê…claro que dá um jeitão esta falta de transparência… Mas quanto a mim, em manifesta violação do estatuído na LADA, uma vez que são avaliações de serviço!!
      E …viva a transparência!

  3. A mim parece-me que o estatuto da forma como está feito, não tem em conta o mérito, é apenas reflexo de uma feira de amizades entre avaliados e avaliadores. Resumindo, mais vale ter graça do que ser engraçado!

  4. A mim parece-me que o estatuto da forma como está feito, não tem em conta o mérito, é apenas reflexo de uma feira de amizades entre avaliados e avaliadores. Resumindo, mais vale cair em graça do que ser engraçado!

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