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A Assiduidade Do Aluno Não Pode Nem Deve Valer Tanto Como O Seu Conhecimento

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Com a introdução do ensino à distância, surgiu uma alteração significativa no processo avaliativo. Sem a possibilidade de constatar in loco a capacidade real dos alunos, a assiduidade nas aulas síncronas foi um dos pontos mais valorizados na avaliação do 3º período.

A assiduidade consta por norma nos parâmetros de avaliação, um assunto que já abordei no artigo Critérios de avaliação que avaliam o que não é lecionado e que convido o leitor a ler.

Sou um defensor da inclusão da avaliação do que é efetivamente lecionado, a assiduidade é uma obrigação legal, de um ensino obrigatório até aos 18 anos, por esse motivo discordo da sua avaliação de forma isolada nas comuns grelhas de avaliação.

Na reportagem que consta no JN podemos ler a seguinte afirmação:

Mudar a forma de avaliar

Assim que os portões das escolas encerraram, em março, os professores viram-se obrigados a repensar a forma de ensinar, mas a grande dúvida manteve-se sobre a forma mais justa de avaliar os alunos – com recursos e contextos tão diversos. A grande maioria dos docentes trocou os testes por apresentações, pela valorização da assiduidade e do esforço que cada aluno provava. Uma medida que os diretores e professores se apressaram a dizer ser um passo no caminho certo e que já deveria ser a realidade educativa em Portugal.

É verdade, foi comum ouvir a frase “o aluno esteve presente nas aulas síncronas e por isso merece” isto e aquilo… Mas não é essa a sua função mais elementar? Estar presente? Ir às aulas?

Também é verdade que não foi o Ministério da Educação que pediu aos professores para valorizarem em demasia a assiduidade, poderá ter sido uma decisão dos diretores, ou apenas uma iniciativa por parte dos professores. Algo que choca claramente com as afirmações que alguns têm proferido de facilitismo nas escolas. Se é verdade que há uma certa tendência para facilitar, também é verdade que quem lidera e quem ensina tem responsabilidades sobre o assunto e não apenas o Ministério da Educação.

Tudo aponta que em 2020/2021 teremos um ensino presencial, salpicado com momentos de ensino à distância por potenciais focos de contágio do covid-19. As escolas estão neste momento a elaborar critérios de avaliação para os 3 tipos de ensino possíveis: presencial, misto e à distância.

Uma tarefa difícil, pois é tudo muito bonito até ao momento em que a nota da pauta não corresponde às expectativas dos alunos e encarregados de educação… É preciso muito bom senso na elaboração dos critério de avaliação, avaliando perfis e competências de uma forma generalizada, sem esmifrar em demasia itens que podem ser autênticos tiros nos pés…

A Cidadania é importante, mas a diferenciação entre alunos deve ser feita em primeiro lugar por aquilo que o aluno adquiriu, respeitando-se naturalmente as suas dificuldades e os seus ritmos de aprendizagem. A Escola é um lugar de “saber” e de “ser”, mas o “saber” deve vir sempre à frente, tal como em casa o “ser” deve ser prioritário.

Estar presente nas aulas é pouco e deve valer muito pouco…

Alexandre Henriques

3 COMMENTS

  1. “Se é verdade que há uma certa tendência para facilitar” … todos passam. Nos cursos profissionais existem situações de alunos que estão ausentes às aulas meses a fio e passam nos módulos, de ano. Ureg tomar medidas nos cursos profissionais … o que faz a inspecção perante isto … não seria tempo de agir ?

  2. Hå tanta coisa errada no ensino atualmente!
    E caminha-se para a decadência total.
    Será que a inspeção iria intervir? Atualmente o que importa é a percentagem de sucesso!!! Insucesso camuflado, falando claramente. Na pauta…tudo maravilhoso, os alunos são fantásticos, as escolas parecem trabalhar muito bem…
    É o reflexo da própria sociedade em que vivemos. Não há honestidade, não há seriedade,não há responsabilidade, é tudo permitido, vive-se das aparências e do “faz de conta”…
    Ai Portugal, Portugal, em que país te tornaste!

  3. Sim é tudo permitido. todos podem opinar sem fundamentar isto é sem seriedade, sem honestidade sem competência para.

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