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A Aplicação Das Medidas Universais Nos Cursos Profissionais E Suas Limitações.

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As medidas universais são para alunos que mostram dificuldades de aprendizagem e nos cursos profissionais é normal o professor fazer uma adaptação às caraterísticas dos alunos. Uma dessas adaptações é valorizar a componente do saber fazer com uma percentagem de pelo menos metade da parte cognitiva. Na parte cognitiva, sobre o saber, procuro restringir a matéria avaliada a perguntas previamente dadas, portanto orientando o estudo do aluno. Outra estratégia é reduzir a avaliação do saber a partes do lecionado através das questões de aula. Explicando melhor em vez de um teste sobre todo o módulo, entre 20 a 30 páginas, divido-o em questões de aula para reduzir a matéria que têm de estudar. Com estas medidas diminuíram o número de alunos que fazem recuperação.

Depois disto tudo ainda persistem alunos com resultados insuficientes para conseguirem aproveitamento. São os alunos completamente desmotivados, que ou faltam às aulas, ou estão de corpo presente, mas com o espírito ausente e que não fazem qualquer esforço para terem aprendizagens. Para estes as medidas universais não resultam porque mesmo nas medidas universais há e deve haver esforço (sem cair no facilitismo) e estes alunos nada querem fazer. São alunos desmotivados que são encaminhados para os serviços de psicologia ou para tutorias, os apoios não resultam. São situações em que os problemas familiares e sociais se sobrepõem às aprendizagens e só uma intervenção mais especializada permite inverter a situação.

A média na minha escola de insucesso no final dos 3 anos dos cursos profissionais ronda os 20% e traduz estes problemas, que têm um primeiro indicador no absentismo que estes alunos tendem a demostrar. Nalguns casos este absentismo encontra travão no facto de exigirmos que as faltas injustificadas acima do limite previsto, os 10% das aulas, sejam cumpridas na biblioteca, ou seja, passa a haver um preço sombra para as faltas que os leva a cumprir, na medida em que não se livram de estar na escola igual período de tempo por cada falta que dão. Assim, alguns alunos passam a ir às aulas, mas alguns destes continuam somente com o corpo presente. O facto de estarem na aula já significa algum sucesso social, pois não estão a passar o tempo de forma ociosa, correndo riscos de serem desencaminhados nos cafés integrados em grupos com comportamentos desviantes. Sabemos como o comportamento na adolescência é influenciado pelos grupos de pertença. Mas o sucesso académico continua inexistente.

Conclusão na medida em que a escola reflete os problemas da sociedade, não tem na sua (pouca) autonomia soluções para todos os problemas. As medidas universais são aplicáveis a quem tem um mínimo de empenho e de querer na aprendizagem. Os «forçados» a estar na escola e os desmotivados pela sua experiência social e familiar têm de ter outros mecanismos de intervenção que ultrapassam o professor.

Rui Ferreira

5 COMMENTS

  1. Que visão tão pobre do ETP…a questão da sua desvalorização deve-se à má interpretação do seu valor pelas escolas,pelos seus dirigentes e docentes ..ou seja “atrasadinhos “por isto ou por aquilo ..pimba “vá de retro satanás”… Por erro de concurso em 1970/1 fui parar ao ensino comercial!E depois continuei pelo Industrial na Alfredo da Silva e Emídio Navarro tal foi o vício e desafio.
    Eu que pertenci a um curso que produzia menos de 11 licenciados por ano na U Clássica de Lisboa (Geografia) e tinha vaga em todo o lado!Pelo que me impeliam a acumular em todo o lado ou a fazer o maximo de horas extraordinárias e eu assumia isso quase como imperativo de consciência.
    Achei interessante e gratificante o contacto inicial com a grande Escola Veiga Beirão!Escola masculina e onde em género eu era uma rara professora .Foi a minha sorte pois ali encontrei grandes mestres e sem “pedagogês”,eram licenciados de várias áreas do saber e especialmente do saber da vida e que abriram os olhos cà caloira de 24 anos!
    Estive nas equipas de lançamento do ETP nos anos de 1987 e foi uma autêntica pedrada no charco em termos de alta qualidade de ensino e de promoção de quadros profissionais excelentes e que nos nossos dias são pessoas ainda bem sucedidas.Basta ver o que se passa em tantas áreas e cito só duas : turismo e restauração .Eram formados com alta taxa de empregabildade.O seu sucesso muito se ficou a dever às parcerias público-privadas por esse país fora!Mas,as “celas”fechadas em que se trabsformaram as escolas(certas escolas) de ensino regular (onde os pais têm de fazer sentinela nos portões da escolas)infelizmente a maioria ,com medo da concorrência e peso da sociedade levaram a tal desporomoção da sua função e então os alunos considerados “energúmenos,desmotivados, os chamados “defs” levam destino certo e só após várias reprovações.Triste sina a nossa que querem sempre tranformar tudo em “ovo da serpente”quando entendem que o seu trabalhinho,poderzinho quase infantil,secretismo quais hordas de cripto qualquer coisa anulam os bons profissionais que ainda andam por ali e impotentes para aguentarem tanta gente.Gente que deixou o sapato para calçar a “chinela”intelectual!Eu que sempre tive orgulho em dizer quando me peruntavam a minha profissào dizer que “sou Professora” .Mas a culpa não morre solteira,claro que a principal CULPA é das lideranças escolares e da sua incapacidade em se darem e esclarecerem os vários poderes intermédios do ME e depois estupidamente exigem a “5 de Outubro”no lugar do presidente do agrupamento( qua já mudou de sítio).Poupem-me e abram os livros de bordo dos istema educativo e tenham uma visão consequente e prospectiva do sistema,Vivi no Oriente onde os Professores sào a classe social com mais honorabilidade sobretudo no Japão e face ao Imperador!

  2. Professor Rui Ferreira e quando um aluno tem sempre as melhores notas da turma e questiona os professores com assuntos de extrema relevância como por ex erros de ortografia nos testes e outros mas já está com faltas a mais(uma falta além do limite) não é de incentivar o aluno?
    Vamos por esse mesmo aluno de parte ou seja no grupo dos desinteressados?
    Ou vamos incentiva lo porque de facto é o aluno com as melhores notas da turma?

    • Olá Luis, de o senhor for um óptimo funcionário de qualquer empresa , mas faltar constantemente (excedendo o limite razoável) provavelmente será despedido…. Concorda? e com justa causa… Também concordará… Digo eu….

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