Home Escola A Ancorencis é uma vítima ou uma vítima de si própria?

A Ancorencis é uma vítima ou uma vítima de si própria?

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Foi aqui no ComRegras que se tornou pública a situação da Ancorensis, num artigo do Luís Braga e que deu origem a uma reportagem no programa Sexta às 9 da RTP. No artigo do Luís e na reportagem da RTP, constatava-se o ridículo de ter duas escolas separadas por apenas uma rua, sendo ambas financiadas por todos nós. Lembro que a escola pública (Escola Básica de Vila Praia de Âncora) não tinha autorização para receber alunos a partir do 3º ciclo, sendo estes canalizados para a Escola Ancorensis… Porquê? Ahhh… Por causa da liberdade de escolha… foi essa a bandeira do movimento em Defesa da Escola Ponto. A tal liberdade paga por todos nós…

Planta das escolas

A RTP abriu hoje o telejornal da tarde com a notícia do encerramento da Ancorensis, onde o Presidente da Câmara tranquilizou os seus munícipes, dizendo que todos os alunos teriam vaga em Vila Praia de Âncora, indo ao encontro das afirmações do Ministério da Educação.

Na própria reportagem ficou-se a saber que nos últimos anos, houve um declínio acentuado do número de alunos na Ancorensis. E sendo os alunos o sustento de uma escola, seja ela privada ou pública, acredito que as coisas estivessem a ficar complicadas do ponto de vista financeiro.

Mas há uma questão que não me sai da cabeça. Se o Ministério de Educação afirmou que só não subsidiava turmas novas, salvaguardando assim a estabilidade da escola e indiretamente dando tempo aos seus profissionais para procurarem outra colocação. Por que razão a Ancorensis fecha portas quando ainda tinha alunos e quando ainda tinha subsídio estatal para esses mesmos alunos?

Se um aluno tem o custo “x” e a escola recebe esse “x”, fazia sentido reduzir os seus profissionais indo ao encontro da nova realidade de ter menos alunos. Não conheço o relatório e contas da Escola Ancorensis, mas seria um documento interessante para consultar…

Sim, estamos a falar de uma morte anunciada, mas para quem prega o moralismo da defesa dos alunos, não faria sentido acompanhá-los até ao fim, até ao último adeus?

Sobre o despedimento de funcionários e professores a minha solidariedade, sem ironias, mas é a mesma que endereço a todos os professores que ficaram por colocar na Escola de Vila Praia de Âncora em todos este anos, a todos os professores que ano após ano andaram angustiados com o risco iminente de serem destacados compulsivamente por não terem alunos, a todos os funcionários que podiam ter sido contratados e que nunca chegaram a ser, e por fim, a todos os alunos que quiseram permanecer na escola de Vila Praia de Âncora e não puderam, pois a sua liberdade de escolha foi a imposição de irem para a Escola Ancorensis, quando ainda havia espaço para eles.

Há quem acredite que há vida para além da morte, neste caso é mesmo verdade… é que a vida está mesmo do outro lado da rua…

Cooperativa de Ensino Ancorensis anuncia encerramento

(Ana Peixoto Fernandes com Lusa)

6 COMMENTS

  1. Excelente artigo de Ana Peixoto.Com clareza abordou os verdadeiros problemas das duas escolas.Deixemo-nos do slogan da liberdade de escolha,pois não passa de um slogan a tentar mistificar uma realidade que hoje não existe.

    • Só para esclarecer que a Ana Peixoto é responsável pela notícia do JN. O artigo é de minha autoria Maria 😉

  2. Concordo, em parte, com o artigo publicado. De facto, nada fazia prever o encerramento desta escola, quando ainda há um mês, a própria Direção garantia a abertura do ano letivo, não se percebendo o porquê de não ser dada continuidade às turmas existentes. Contudo, um pequeno reparo a fazer. Os alunos não foram impedidos de continuar os seus estudos na EB1,2; apenas não existiam em número suficiente para constituírem turma, pois por várias vezes foram aliciados para se matricularem…
    E mesmo agora que a Ancorensis encerrou, a maior parte dos alunos está a optar por escolas do concelho vizinho e não pela permanência na EB1,2, que, pelos vistos, no espaço de 2 meses alterou o nome para Escola Básica e Secundária. Não esquecer que uma escola secundária não lhe basta alterar o nome. É essencial a criação de salas específicas para determinadas disciplinas.
    Apesar de não concordar com os contratos de associação, na sua forma generalizada, sinto tristeza pelo encerramento da Ancorensis, que nunca foi uma escola de elite – ao longo dos anos acolheu todos os alunos da região, garantindo-lhes condições físicas e recursos humanos que muitas escolas públicas, infelizmente, não dispõem.

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