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A Abertura Das Creches Vista Por Uma Educadora

1983
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Em primeiro, volto a referir que tenho vindo a confiar no nosso país no que respeita o combate ao Covi19.
No que diz respeito à abertura das creches propriamente dita, fico assustada e com vários receios, mas tento entender. O país não pode parar até haver vacina, e por muito que eu preferisse manter as creches fechadas e estar em casa segura com o meu filho, respeito muito as famílias que já não têm comida na mesa, e acreditem que as há.
É fácil para mim dizer que o estado de emergência devia ser prolongado ou que as escolas deviam ficar fechadas por tempo indeterminado, mas isto digo eu, sentada no meu sofá, com a minha família, com as contas pagas (com mais esforço do que é habitual) e a despensa cheia de comida. 
As pessoas têm de voltar ao ativo, as famílias precisam de retomar os seus empregos com urgência e para isso as creches têm de abrir. Num mundo ideal poderia dizer-se que sem saúde não há economia, o que é verdade, mas esse mundo ideal não existe. Sem economia também não há comida, e sem comida as pessoas também morrem.
 Vejo a coisa como se agora, também os educadores e todos os restantes colaboradores necessários ao funcionamento de um colégio ou escola, fossem chamados a lutar, também eles uns heróis na linha da frente, que se juntam agora a tantos outros.
No entanto, aqui esta heroína tem algumas questões que me andam a moer a juízo. É que uma coisa, é pensar as soluções na teoria, outra, é conhecer bem a prática e não estar a ver bem como se vai conseguir fazer isto de forma minimamente segura. E aqui, falo para os senhores e senhoras que mandam nisto tudo.
Começo com uma dúvida relativa a uma notícia que hoje inundou as redes sociais: os profissionais dos colégios e escolas vão ser testados para o Covi19. Ok. Assim de repente há duas coisas que me não me fazem sentido. Primeiro, ok, os profissionais são testados para garantir a segurança das crianças. E quem vai garantir a segurança dos profissionais? As crianças e as suas famílias também vão ser testadas? Se não vão ser, deviam. Segundo, eu faço o teste, depois de ter estado mais dum mês em casa. Vai dar negativo provavelmente, e vou trabalhar. Depois de começar a trabalhar vou estar com muitas mais pessoas, com uma probabilidade muito maior de contrair o vírus, vou ser testada todos os dias?
Outra questão prende-se com o uso de máscaras. No meu caso específico, terei de usar máscara, penso eu. Mais uma vez, muitas dúvidas. Já foi dito por vários médicos que a máscara não me protege dos outros, mas protege os outros de mim. Então os pais vão ser obrigados a também utilizarem mascara para entregar os meninos, correto? Ah, e por falar em meninos… qual é a criança de 1 e 2 anos, que de manhã vai aceitar ficar com uma pessoa que não sabe quem é, pois tem a cara tapada?
Vamos ao distanciamento social. Crianças não o praticam. Quem disser que é possível nunca trabalhou com crianças. Então é obrigatório o distanciamento de todos, menos das crianças?
E quando uma criança fizer febre na escola? Porque isso acontece constantemente. Vão ser testadas? Vão ficar de quarentena? E se tiver tosse persistente?
Outra coisa que me tem feito confusão é o facto de o primeiro ciclo continuar sem aulas presenciais. Os pais que tenham uma criança em casa no primeiro ou segundo ciclo, estão em casa com essa criança. Neste caso os irmãos irão na mesma para a creche apesar de terem quem fique com eles em casa?
Vou esperar por mais novidades e esclarecimentos… mas a meu ver, há muito coisa que (talvez ainda) não foi tida em conta…
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Artigo inicialmente publicado em “O Nosso, As Dele e os dos Outros”

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