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942 | Os Professores Foram Usados! Haverá Consequências Pedagógicas?

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Há quem pense que o trabalho docente se resume à sala de aula, como há quem pense que muita da vida escolar está inserida no horário dos professores. Falso e falso! A escola funciona com muito amor à camisola e para provar o que digo, basta constatarem as horas destinadas para a preparação de aulas, diretores de turma, cargos de chefia intermédia ou até mesmo de diretores, que são manifestamente insuficientes para tudo o que é feito nas escolas.

Ainda recentemente um colega, que durante as pausas letivas ia para a escola dar treinos de desporto escolar, ou mesmo em feriados, questionava se valia a pena tanta dedicação, tanto amor à camisola, quando de fora para dentro, os professores são vistos como oportunistas irresponsáveis, que colocam os seus interesses à frente do país e quiçá dos seus alunos.

Entre portas existe uma enorme frustração, revolta e descrença. Os professores sentem-se usados e humilhados publicamente, sem que quem de direito os tivesse protegido das inúmeras mentiras que foram proferidas nos últimos dias.

Além disso, existe uma profunda saturação na sala dos professores. Há cerca de 2/3 anos que as lutas têm sido muito intensas, em particular no último ano, mas se pensarmos bem, os professores andam em “guerra” aberta há cerca de uma década ou até mais.

Não acredito por isso em novas greves, nomeadamente em greves às avaliações que já estão minadas com as alterações impostas no Código de Procedimento Administrativo. Podia aqui dizer-vos que temos de partir para a greve e blá, blá, blá, não vejo como, nem em que medida podemos fazer algo a curto prazo que possa ter uma adesão significativa e resultados imediatos. A única solução viável para mim, seria uma greve prolongada com recurso a um fundo, algo que o S.TO.P já implementou.

António Costa fez all in e saiu-se muito bem. Há que aceitar a realidade…

Aquilo que me preocupa enquanto docente e cidadão deste país, são as ondas de choque que este ataque sem escrúpulos irá fazer em muitos professores.

E fica o alerta, se muitos professores começarem a remeter-se apenas para o seu serviço, vos garanto que a qualidade do ensino irá piorar a olhos vistos e a avaliação dos professores (sim, existe) não ficará comprometida, pois o amor à camisola não consta nos parâmetros de avaliação dos professores.

O mundo vai continuar a girar, mas o mundo não girará da mesma forma…

Alexandre Henriques


Directores temem mais o desânimo dos professores do que uma nova greve

O “chumbo” da contagem integral do tempo de serviço dos professores, na votação final desta sexta-feira, é um dado praticamente adquirido. E nas escolas já se antecipam os efeitos da decisão. Uma eventual nova greve às avaliações, no final do ano lectivo, é menos temida pelos directores do que os efeitos do desgaste emocional que mais de um ano de discussão em torno das carreiras dos docentes tem provocado na classe.

Dulce Chagas, directora do Agrupamento de Escolas de Alvalade, em Lisboa, sintetiza essa ideia. “Mais do que uma eventual greve” que possa vir a ser convocada pelos sindicatos, o que a preocupa “é a falta de motivação” dos professores. “Precisamos de pessoas mobilizadas para lançar o próximo ano lectivo e os professores estão a ficar muito fartos disto tudo”, expõe. Enquanto decorrem as aulas, todos “estão preocupados em fazer um bom trabalho”. “Os problemas virão depois.”

Ainda antes de o diploma sobre a contagem do tempo de serviço ter voltado ao Parlamento, os sindicatos já tinham ameaçado fazer greve às avaliações, a partir de 6 de Junho – se assim for, têm até 22 de Maio para fazer o pré-aviso. As estruturas sindicais vão reunir na próxima semana para avaliar uma reacção à votação desta sexta-feira.

No ano passado, os sindicatos convocaram greves às reuniões de avaliação, que acabariam por ser contornadas, mais de um mês depois do seu início, pelo estabelecimento de serviços mínimos – que o Tribunal da Relação de Lisboa acabaria por considerar ilegais, meses depois.

Depois da greve, em Agosto, o Ministério da Educação publicou uma portaria através da qual passou a sujeitar as reuniões de avaliação ao Código do Procedimento Administrativo. Deste modo, os conselhos de turma passam a poder realizar-se com um terço dos seus elementos. Até então tinham de estar todos presentes.

Por causa dessas mudanças, “um tipo de greve como a do ano passado não terá efeitos”, lembra o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira. “Não me parece que o final deste ano possa ser como o do ano passado”, em que as escolas “estiveram perto do caos”, defende, no mesmo sentido, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Este dirigente acredita que os sindicatos possam, por isso, apostar as suas energias em discutir a questão com o próximo Governo.

Quem dirige as escolas faz um retrato de uma classe desgastada. Os professores estão “estourados e desanimados”, classifica Rosário Queirós, do Agrupamento de Escolas Clara de Resende, no Porto. A crise política da última semana não ajudou o estado de espírito. Os docentes sentem que “foram usados”, considera João Jaime, director da Escola Secundária de Camões, em Lisboa. “Foram uma arma de arremesso entre os partidos”, concorda Manuel Pereira. Mas, por muito que ao longo de uma semana “toda a gente tenha falado dos professores”, “ninguém falou com os professores”, lamenta.

Os directores contactados pelo PÚBLICO são, porém, unânimes em afirmar que o desânimo não atinge os alunos. “Na sala dos professores fala-se disto. Na sala de aulas não”, garante Rosário Queirós. “No momento em que se tem os alunos à frente, esquecem-se todos os outros problemas”, justifica Dulce Chagas.

Fonte: Público

2 COMMENTS

  1. Por muito que isso custe a alguns ingénuos, a responsabilidade maior é de quem conduziu professores a lutas antecipadamente perdidas. Caso não seja aprovado hoje é bom ver que foram todos os partidos que votaram contra. TODOS. Na medida em que as jogadas de votos cruzados não é por acaso.
    Perdeu-se uma soberana oportunidade de conseguir um acordo que fosse positivo para professores, quando se teimou demagogicamente e de forma chantagista no 942 . Até porque para a maioria dos professores, 3 anos de forma rápida ou 9 em 10 anos e era se calhar , significam o mesmo. Chega-se ao 9 e 10 escalão em dois ou 3 anos, com o tempo que se tinha e com o tempo desde 2018. A partir daí está no topo…e não interessam contagens ( Mas condições de acesso a reforma ou outros acordos já interessavam). Mas quando os lideres sindicais colocam ambições à frente. Depois levam com os pés

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