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Eu quero voltar a estudar!

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Educação de adultosA baixa qualificação dos portugueses, em especial em certas classes etárias, continua a ser uma característica da população a que urge dar resposta. Para tal é fundamental tornar a educação de adultos numa realidade perfeitamente enquadrada e que se afirma pela qualidade tanto dos programas como do percurso prático desenvolvido pelos alunos. Possivelmente o caminho passará por criar um verdadeiro subsistema que seja respeitado por todos os atores e que acabe com a sua utilização enquanto arma de arremesso do jogo político.

A educação de adultos tem vivido uma verdadeira montanha russa, com momentos de forte aposta por parte da tutela e outros de desinvestimento total. Este carrossel tem como consequência direta o desinvestimento dos próprios formandos, mas também dos professores e instituições que a promovem. O facto dos intervenientes não saberem se no ano seguinte a aposta é para manter, se as suas certificações serão reconhecidas ou se o seu esforço terá resultados práticos acaba por contaminar o sistema e levar, inevitavelmente à sua falência.

Penso que paralelamente à instrução básica, que deve ser prioritária pois eliminar o analfabetismo (550 mil analfabetos) da população mais do que uma necessidade competitiva é um dever social do estado, a educação de adultos deve revestir-se de um caráter prático muito forte. É imperioso que o formando sinta que enquanto evolui social e culturalmente também está a evoluir profissionalmente.

Reconheço a importância que o programa “Novas Oportunidades” teve em trazer de volta aos estudos milhares de cidadãos que por vicissitudes da vida tinham abandonado a escola de forma precoce e sem concluírem a escolarização básica. Mas um programa forte de educação para adultos, mais do que promover o reingresso de alunos no sistema, deve afirmar-se pela qualidade e adequação dos conteúdos que ministra. Se em alguns casos a avaliação será muito positiva, noutros os relatos de facilitismo e de desadequação condenaram a imagem da proposta. Permitindo deste modo que se acabasse, ou quase, com um projeto fundamental para a escolarização dos cidadãos.

Uma vez que o problema existe e exige resposta e que possuímos o conhecimento adquirido pelas experiências aplicadas pelos anteriores governos, “Novas Oportunidades” e “Centros para a Qualificação”, reavaliemos a rede, aferindo quais os recursos necessários para a colocar de novo a trabalhar para os cidadãos e retomemos um programa rigoroso de qualificação de adultos em Portugal.

Consulte aqui o artigo:

Nem todos os adultos aprendem a ler e escrever quando voltam à escola

 

 

2 COMMENTS

  1. Como dizes e convém realçar, a educação para adultos não pode ser um mero certificador por respeito à idade das senhoras e senhores. Adaptar conteúdos sim, mas ensinar alguma coisa. A minha mãe fez as novas oportunidades e eu sei bem o que foi feito e não me quero alongar muito no assunto…

    Mas acima de tudo, que estas novas “novas oportunidades” não se limitem a um limpador estatístico de combate ao desemprego. Para isso já nos basta o IEFP.

  2. Concordo que deva existir uma plano de acção para os desempregados e analfabetos. Creio que os analfabetos que falamos e que se continuam a contabilizar nas estatísticas são os nossos Pais e Avós que ainda vivem, muitos deles não tiveram acesso à educação, trabalharam desde sempre no “campo”.
    Tenho pena que não apostem na formação dos trabalhadores – posso dizer que os trabalhadores da Administração Pública, apenas têm acesso, quando têm!! a duas formações em cada dois anos, apenas para cumprir calendário relativamente à avaliação de desempenho. Recordo que a formação quando cedida pela administração pública é demasiado especifica, isto é, apenas serve para aquele serviço! Logo, no caso de entrarmos em situação de requalificação, o nosso currículo é ZERO ou próximo disso.
    Recordo que com os nossos horários de trabalho e questão familiar, não é nada fácil conciliar. (Esqueço o factor económico! Porque pedir a quem aufere 530euros = salário minimo nacional para investir a formação autonomamente é uma vergonha!)

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