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Formação de Professores… ontem, hoje e amanhã!

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Melhores alunos podem não ser melhores professoresA formação de professores é um assunto que ao longo dos cerca de 40 anos que a nossa democracia já leva tem sofrido uma profunda evolução e uma natural adequação às exigências da modernidade.

Longe vão os tempos em que a urgência da massificação do ensino exigia uma resposta da escola em quantidade. Inviabilizando o tempo e a maturação necessária para se formar um professor antes de o colocar à frente de um grupo de alunos. Muitos dos grandes pedagogos que temos atualmente nas escolas tiveram de ser professores antes de o serem e maturar a sua prática pelo experimentalismo de fazer e sem almofada teórica para enquadrar.

Mas esses tempos ficaram lá atrás. Hoje discute-se como deve ser lançado um professor no sistema? Qual o caminho a percorrer para lá chegar? Quando e onde deve ser avaliado? Quem deve avaliar? Que competências deve possuir? Como deve ser organizada a sua entrada na profissão? Um conjunto de questões da atualidade, que têm vindo a ser respondidas ao longo dos anos e para as quais continua e continuará a ser necessária uma resposta. Hoje, em virtude do parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) mais uma vez discute-se a formação de professores.

Para se aceder à profissão, para se ter a habilitação, é necessário passar por um processo muito mais especializado do que no passado. Não só é necessário ter grau de mestre para poder exercer, como é condição obrigatória ter uma formação via ensino. Os professores que nos últimos anos saíram das universidades e politécnicos têm formações direcionadas para o ensino, não há mais engenheiros recrutados para as Matemáticas ou advogados para o Português ou a História.

Se é verdade que muitos dos bons pedagogos que temos hoje fizeram formações iniciais que nada têm a ver com o ensino, construindo a sua pedagogia, como referi anteriormente, alicerçada no saber de experiência feito. Os professores de hoje têm a obrigação de dar uma resposta cabal e muito mais sólida logo no início das suas carreiras, fruto das suas formações tanto na vertente teórica como prática.

Visto por este prisma, acredito que é competência das instituições de ensino superior, através das suas formações via ensino, ensinar e certificar que os alunos que completam as suas formações têm a qualidade e as condições necessárias para assegurar um ensino de qualidade desde os primeiros dias da sua prática. Ao Ministério que tutela o Ensino Superior compete ser um promotor de exigência e em articulação com as escolas assegurar-se que são os melhores a chegar ao sistema de educação.

A exigência sobre os futuros professores deve ser colocada, em primeira instância, durante a sua formação, é nesta fase que os candidatos e os formandos devem sentir se têm a vocação e as qualidades necessárias para serem professores. Tal como existem alunos de 20 que são péssimos médicos, péssimos advogados ou péssimos engenheiros, eu acredito que os melhores professores não são necessariamente os alunos com as melhores notas. Por isso defendo que as formações tenham uma forte componente prática, que permita enquadrar e aplicar os conhecimentos teóricos, sob a devida orientação de professores experimentados.

Numa fase formativa distinta aparece o momento de indução na carreira. Um processo que deve ser natural e devidamente maturado durante a formação do profissional, mas deve também ser o certificado final de uma formação que seja um garante de exigência e que se afirme pela qualidade em todas as suas áreas. Não podemos esquecer que um pedagogo não é um livro com processador de voz, não lhe basta o conhecimento teórico de uma matéria. Tem de ter a capacidade de a organizar, sintetizar e comunicar de forma a ser recebida por terceiros. Tem ainda de ter a humanidade que lhe permita adaptar-se às necessidades da criança ou jovem com quem interage.

Assim sendo e em resumo, a formação e habilitação para a docência são e devem continuar a ser competência exclusiva das instituições do Ensino Superior. As formações devem revestir-se de uma vertente prática forte, que privilegie a experimentação, a aplicação dos conhecimentos teóricos em contexto e que seja um reforço dos patamares de exigência a alcançar pelos candidatos a professor, culminando com um ano de iniciação (indução) totalmente em contexto.

1 COMMENT

  1. A prática é a questão central. Podemos ser muito bons teóricos, muito competentes cientificamente, mas se não soubermos ensinar de que adianta tanta competência? O mesmo principio deve aplicar-se no dia que existir uma avaliação séria dos professores.

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