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800 Escolas candidatam-se ao projeto “Escola Amiga da Criança”

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O número é esmagador, estamos a falar de quase todos os agrupamentos a nível nacional. O mentor da ideia é o conhecido Psicólogo Eduardo Sá que, em parceria com a Confap e a editora Leya, lançaram o desafio às escolas.

Era previsível a adesão, já tinha dito que dificilmente alguma escola não quereria ter o carimbo “Amiga da Criança”. O princípio é contrariar a ideia que a escola prepara para os exames e não permite um desenvolvimento social e cultural salutar. O foco devem ser as aprendizagens e a escola precisa de dar tempo às crianças para também serem crianças. Sigo essa ideologia e concordo com ela, porém não me agrada o formato, pois parece-me algo artificial, tipo concurso e a escola deveria ter na sua génese a aprendizagem e não um resultado à pressão, ao estilo fabril.

Critico também a alusão aos intervalos, os pais não podem exigir mais intervalos e ao mesmo tempo uma escola a tempo inteiro. A escola não é um depósito, a escola é um local de aprendizagem que evidentemente precisa de pausas que permitam aos alunos recuperar e descarregar a energia acumulada, mas não é um ATL. O problema é estrutural e gostava de ver a Confap lutar mais por horários laborais amigos da família em articulação com a escola.

Fica um excerto da notícia.

Os resultados serão conhecidos no Dia da Criança, 1 de junho, e a escola que apresentar a ideia mais extraordinária vai ficar com a sua biblioteca recheada de novos livros.

“A escola não pode ser uma linha de montagem de tecnocratas de sucesso, tem de ser muito mais que isso”, diz o psicólogo Eduardo Sá para explicar o que despertou em si esta vontade de lutar contra os rankings instituídos.

Quando teve a ideia de criar esta espécie de bandeira azul da educação, como o próprio lhe chama, Eduardo Sá sentia que a escola estava a perder as coordenadas que pretendemos que ela tenha. “E os pais, na sua bondade de pais, acabam por dar mais importância à escola do que aquela que ela deve ter. De repente, tudo o que não seja a escola parece perder importância na vida das crianças”, ressalva.

Por isso, quis criar um selo alternativo que premiasse os estabelecimentos de ensino que têm projetos e condições realmente amigas dos estudantes. Porque para ser boa, considera o psicólogo, a escola não pode ter apenas um conjunto de alunos com bons resultados escolares, precisa também de ter bons recreios, dar-lhes uma boa alimentação, envolver os pais no projeto educativo e ouvir os estudantes.

“Chegámos a um patamar em que, em primeiro lugar, a escola serve para criar condições para se entrar no ensino superior. Isto não é razoável, a escola é muito mais do que isso. E entrámos numa atmosfera quase de angústia que faz com que se parta do pressuposto que a vida acaba aos 17 anos com a entrada no ensino superior, como se andássemos a produzir corredores de 110 metros de barreiras quando a vida é uma maratona”, diz.

Este cenário é para si muito inquietante por considerar que a escola e a sociedade estão a desprezar questões que fazem parte de uma formação de carácter de jovens que têm de ser perguntadores, curiosos, autónomos e capazes de aprender a estudar, algo que “a escola vai desprezando todos os dias”.

(…)

Se todas estas características contam, os recreios assumem um papel especialmente importante, não só pela qualidade dos espaços onde se brinca mas também pelo tempo disponível para atividades não letivas.

À luz do Ministério de Educação brincar é uma atividade de primavera-verão, há muitas escolas privadas e públicas que não têm um recreio coberto digno desse nome. E depois têm recreios de 5 ou de 10 minutos entre aulas de 90 minutos. As crianças não podem conviver. Pelo modo como o ministério vê o recreio, nós vemos como ele não percebe de crianças. Então que sejam os pais e os professores a dizer: acordem, aprendam”, defende Eduardo Sá.

Jorge Ascenção concorda: “Há escolas com recreios que quase não existem. E quando os programas não são cumpridos prolongam-se os tempos letivos e diminuem-se os outros. Quase não há tempo para os miúdos poderem conversar entre si, para poderem brincar. E há escolas que nem infraestruturas têm para eles poderem brincar quando chove.”

Nasceu a Escola Amiga da Criança: menos “cultura da nota” e mais recreio

(Observador)

3 COMMENTS

  1. Se é o Eduardo Sá estou contra… Não contra o Eduardo Sá, mas contra as suas ideias infantilizantes, no pior sentido da coisa, e ataques velados aos professores…
    Outra coisa… É muito triste que as Escolas Públicas se ”ponham a jeito” para levarem um carimbo de Eduardo Sá, Pais do Amaral e o inenarrável presidente da CONFAP (a mim , como pai nunca me representará nunca… ) …
    Mas quem são estes senhores para atestarem alguma coisa sobre as Escola Públicas e os seus profissionais?
    Onde isto chegou!

  2. Ao contrário de Eduardo Sá o que vou vendo, já sei que devo estar errado, é crianças cada vez mais mimadas, pessimamente educadas, reizinhos de sua casa, pastores de seu rebanho… Precisam é de regras e disciplina e não de carimbos patetas que atestam uma escola prolonga a infância até à faculdade!
    Espero que nesta escola espetacular, onde o conhecimento tem um interesse relativo, andem só os filhos do Dr. Sá e do Engenheiro Pais do Amaral, que gosta de andar aos tiros a caça grossa, lá pelas África, os do senhor da CONFAP, que é um especialista em educação em geral e bota faladura sobre temas educativos, como água que jorra das fontes…
    Espero também, que quando precisarem de um indíviduo especializado, em qualquer área, vão buscá-lo à Escola da Carochinha que professam! NÃO PARA OS MEUS FILHOS!!!

  3. Extratos da extraordinária entevista dada pelo ex Segurança, Marlon Queiroz á Notícias Magazine. Marlon Queiroz explica de modo claro, e de modo assertivo, o que os grandes especialistas do Mundo da Carochinha não vislumbram. Há exemplo de vida que valem mais do que muitos livrinhos tontos do pós- modernismo, e do mundo onde é tudo princesas e super-heróis e há os maus que não deixam brotar a liberdade…
    ”Fala-se muito da violência na noite, mas ela está é nesta sociedade em que cada vez é mais difícil ser miúdo», aponta. Pais demitem-se do seu papel por trabalharem 12 horas por dia e quererem ser amigos, tudo muito moderno.”
    ” Já tirei as chaves do carro a miúdos de 18 anos que iam conduzir à beira do coma.» Evitou violações: elas embriagadas, eles idem, as hormonas mais elevadas do que os níveis de caráter, num instante perdem-se os limites entre consentimento e estupro.”
    E agora algo que o Dr. Sá e o Sr da Confap deviam ler e ouvir, soletrar, com toda a atenção:
    ” «Os jovens precisam de sentir que à vontade não é à vontadinha, e a maioria vive à vontadinha», diz. O respeito que não têm quando saem é já o que lhes falha quando mandam os adultos lá de casa para lugares feios, escuros e distantes. «A violência e a delinquência juvenil estão a aumentar por haver justamente essa falta de vínculos, um vazio de gentileza instalado.» A noite é só a hora a que todos os monstros despertam.”

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