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Queremos incluir-nos, ponto

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Ao percorrer os olhos pela imprensa de hoje, deparei-me com um artigo de opinião do Professor David Rodrigues sobre as questões da inclusão e de que forma estão interligadas com os discursos dos candidatos à Presidência da República.

Naturalmente, por defeito de profissão: professor de Educação Especial, detive-me na leitura atenta do tema apresentado. Faço um ponto prévio para afirmar que sou favorável à inclusão, não por uma questão qualquer de moda, mas por convicção plena de que a inclusão é uma ferramenta poderosa para humanizar, para melhorar em primeira instância a comunidade escolar e por arrasto a sociedade. Tal como afirmou Carl Rogers, temos de “compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha”.

A inclusão é um desafio lançado por uma sociedade que procura mais humanidade, mas que ainda não dotou a escola das ferramentas para que esta possa dar resposta ao desafio que lhe foi colocado. Não chega construir piscinas, ou pavilhões, ou unidades, ou rampas, ou elevadores, ou gabinetes de psicologia, ou salas de educação especial. Não chega construir, pois não é o betão que olha de lado para uma pessoa com deficiência. Nos últimos anos construímos muito e mais há para construir, mas falta-nos as pessoas. A mudança das estruturas humanas é sempre difícil e a mudança de mentalidades ainda mais complexa. É preciso a consciência de que inclusão, no contexto atual, é sinónimo de exigência.

Incluir é muitas vezes confundido com fazer igual para todos. É precisamente o contrário, tratar de forma igual realidades distintas é promover a exclusão. É muito mais fácil uma turma homogénea do que a realidade heterogénea que as escolas vivem hoje. É muito mais simples preparar uma aula para aplicar a 30 alunos do que 30 aulas para aplicar num tempo letivo.

Se para alguns o comodismo da estagnação poderá ser o caminho, para a maior parte de nós a evolução é um desígnio. Basta que as condições para tal sejam criadas para percorrermos esse caminho. O Professor tem de voltar a ser professor, o administrativo tem de voltar para o gabinete e o assistente tem de voltar a ser o contínuo com que costumava brincar no recreio. Cada um especialista na sua função e cada um mais exigente consigo do que foi no dia anterior.

É por tudo isto que considero essencial dotar o universo escolar das condições necessárias para que a resposta à diferença seja um mecanismo natural e sobre o qual não exista o mais pequeno vislumbre de negativismo.

Enquanto um Professor sentir desconforto, enquanto um aluno desviar um olhar, enquanto um assistente se sentir chocado por alguma característica intrínseca de um outro elemento da comunidade educativa, saberemos que a inclusão é um processo inacabado.

David Rodrigues pergunta no seu artigo “quantas mudanças será necessário fazer para que o valor da inclusão seja levado a sério”.

Eu respondo uma… nós próprios!

Link para o artigo do Professor David Rodrigues

https://www.publico.pt/politica/noticia/a-inclusao-e-as-eleicoes-presidenciais-1720722

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