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7 Pontos Fulcrais que URGE mudar na Escola!

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Urge dar condições à Escola Pública, esta deve ser uma prioridade de todos nós. Não há melhor investimento que a Educação! Fiquem com este bom artigo da Mónica Guimarães.


 

QUERER VER OU NÃO, EIS A QUESTÃO!?

Cabe ao Ministério da Educação tomar medidas efetivas e práticas que se ajustem, de uma vez por todas, à realidade e às necessidades autênticas e prementes das nossas escolas.

As políticas educativas que se sucedem “à velocidade da luz têm-se revelado muitas vezes ineficazes, descabidas e descontextualizadas no plano real, não tendo resolvido os principais problemas do nosso sistema educativo. Foram introduzidas, ano após ano, diversas alterações no âmbito educacional, quase sem que os “protagonistas” do sistema educativo tivessem sido sequer auscultados.

Pertinente será dizer que aquilo que parece por vezes impactante na teoria, “belo e inovador” nos discursos “iluminados e eloquentes” no parlamento, na prática e, aplicado à realidade das nossas escolas, é de todo ineficaz, incoerente e incapaz de melhorar uma situação bastante preocupante. Esta sim é uma realidade com a qual todos sofremos, há anos consecutivos e que, se tem refletido negativamente em todo sistema educativo, o qual que se desmorona a passos largos. Marcar o sistema educativo com alterações incessantes, “feitas a correr e em cima do joelho” pelos vários governos, sem que sejam devidamente analisadas as consequências que daí advêm, tem vindo a fazer colapsar todo o sistema.

Precisamos que o sistema educativo português seja marcado definitivamente por políticas coerentes; que as alterações que venham a ser implementadas sejam primeiro amadurecidas, ponderadas e objeto de reflexão sobre o seu impacto na vida de centenas de professores, alunos e pais. Atuem eficientemente sobre aquilo que necessita realmente ser alterado e melhorado nas nossas escolas.

Assistimos a constantes mudanças, mas de ano para ano, constatamos que nada melhora, muito pelo contrário, estamos no patamar mais elevado da exaustão devido a políticas educativas surrealistas. Queremos iniciar, de uma vez por todas, um novo ciclo que nos permita vislumbrar “a luz ao fundo do túnel”.

 

7 Pontos Fulcrais que URGEM mudar:

1 – Redução da carga letiva para professores e alunos:

Desnecessário será dizer que a tarefa dos docentes, hoje mais do que nunca, é extremamente árdua, stressante e muito desgastante. Recaem sobre os docentes uma panóplia interminável de tarefas distintas que nunca acabam na escola, mas têm sempre continuidade em casa.

Cada ano letivo os professores vêem-se confrontados com: o excesso de turmas atribuídas; a elevada carga burocrática; as constantes e intermináveis reuniões; a preparação e lecionação de aulas; a correção de fichas de avaliação e exames entre de outros vários trabalhos; os apoios educativos; o apoio a alunos de necessidades educativas especiais integrados nas turmas; o desempenho de cargos atribuídos; a formação continua entre muitas outras atividades que se desenvolvem num estabelecimento de ensino.

São inúmeras as horas de trabalho em casa e na escola, superando sempre aquelas que o horário letivo prevê, o que se repercute negativamente na saúde dos docentes. O corpo docente está cada vez mais envelhecido, esgotado, doente e sente-se desamparado por todo o sistema; a situação torna-se cada vez mais insustentável.

A carga horária é excessiva, a divisão entre o que são tempos letivos e não letivos precisa ser clarificado e redefinido pois, na maioria dos casos, acaba por ser tudo mesmo letivo, já que envolve trabalho efetivo e aulas lecionadas, sejam elas de apoio pedagógico ou apoio individualizado.

Muitas vezes já não se vive, sobrevive-se ao dia a dia, sem tempo para a família, mergulhados nas inúmeras tarefas diárias e nos quilómetros a percorrer até chegar a casa.

A elevada indisciplina nas nossas escolas é outro fenómeno galopante, que leva ao inevitável desgaste e esgotamento físico e psíquico. Os docentes precisam voltar a sentir que são respeitados e que possuem a autoridade necessária para exercício das suas funções; que estão integrados numa carreira dignificada e valorizada. Assistiu-se à desvalorização gradual da profissão, gerada pelos sucessivos governos, que lhe foram retirando direitos adquiridos, substituindo-os cada vez por mais deveres e responsabilidades.

Relativamente aos nossos alunos, é notável o défice de atenção/concentração e problemas de ordem comportamental que se explicam, em grande parte, pelo excesso de horas passadas na escola. O próprio horário escolar dos alunos é antipedagógico, sobrecarregado e contraproducente. As atividades curriculares e extracurriculares são em excesso. A sobrecarga letiva torna as crianças/jovens revoltados, ansiosos, nervosos, barulhentos e contestatários (em contexto de sala de aula e fora dela) e esta sobrecarga origina claramente graves problemas de ordem disciplinar.

Os horários são quase desumanos e não permitem que as crianças tenham tempo de ser crianças, o que tem graves repercussões ao nível da sua saúde, segundo opinião de vários psicólogos clínicos. As crianças de hoje devem voltar a ter tempo para brincar, repousar, ter horas de lazer, ter tempo para estudar e para recarregar energia necessária e assim crescerem em equilíbrio.

Os pais, por sua vez, parecem não estar conscientes do árduo e pesado horário curricular e insistem em ocupar ainda mais o pouco tempo livre que lhes resta, com outras atividades, fora da escola. Torna-se assim impossível obter uma geração feliz, saudável e equilibrada.

2 – Redução urgente da carga burocrática

A carga burocrática deveria ser reduzida ao máximo, face à sua quase total inutilidade. A maior parte acaba literalmente em arquivo ou no lixo no final do ano letivo e, pressupõe milhões de euros gastos pelo estado, que poderiam ser direcionados para a contratação de mais professores. Burocracia que, por sua vez, obriga a horas intermináveis de trabalho esgotante em reuniões, sobrecarregando os docentes, já eles exaustos (grande parte das vezes em reuniões realizadas no final do dia, após as aulas e durante parte da noite).

É urgente que se reduza o consumo excessivo de toneladas de “papel burocrático” e se simplifiquem, agilizem e sintetizem procedimentos, até porque estes excessos referidos em nada melhoram o sistema educativo ou o sucesso escolar dos discentes, são mais um grave entrave que penaliza e dificulta o trabalho do professor.

 

3 – Distribuição equitativa da carga letiva

É grave e de total injustiça a discrepância praticada na distribuição do número de turmas pelos vários docentes, de uma mesma escola (em particular no ensino básico e secundário). Se por um lado, há docentes a quem são atribuídas apenas duas turmas (pois usufruíram de todas as reduções que a lei até então previa, por motivos de idade), há outros porém que, na mesma escola, lhe são atribuídas até nove turmas ou mais (pois a legislação deixou de prever tais reduções). Revoltante e indignante ainda, é que no primeiro caso, os docentes usufruem de um salário muitíssimo superior (lecionando apenas a duas turmas), enquanto que o salário do colega com 9 turmas atribuídas é muito inferior, (este último muitas vezes já com 25 anos de serviço, nunca beneficiou de quaisquer redução da sua carga letiva). Esta falta de equidade é de todo inaceitável e revoltante, minando por vezes as relações entre os próprios colegas e a forma como uns encaram os outros, face às injustiças.

É portanto necessário que as direções escolares sejam obrigadas a fazer uma distribuição mais equitativa e justa, de modo a não sobrecarregarem drasticamente uns em benefício de outros.

As direções das escolas devem estar sensíveis e atentas a esta problemática que, inevitavelmente, se repercute na qualidade do ensino e na qualidade de vida dos docentes.

Nenhum profissional consegue sustentar e assegurar a qualidade de ensino e das aulas que ministra, com um número exagerado de alunos.

                                      

4 – Redução do número de alunos por turma

A redução de alunos por turma é fundamental para que se possa oferecer e ministrar um ensino de qualidade e mais individualizado, o que se torna impossível com 25 ou 30 alunos por turma.

O professor lida diariamente com uma turma (no 1º ciclo do ensino básico) ou com várias turmas e centenas de alunos (no básico e secundário), turmas quase sempre muito heterogéneas, constituídas por alunos de diferentes faixas etárias, com ritmos de aprendizagem muito distintos, com diferentes exigências e necessidades de aprendizagem, com diferentes tipos de comportamentos e atitudes, às quais tem que dar resposta célere e eficiente.

Considerando toda esta grande diversidade de discentes, é humanamente impossível ensinar e prestar apoio a todos, da forma que seria desejável, devido ao elevado número de elementos por turma. Para além de ensinar, o docente deve ser também capaz de gerir problemas de ordem comportamental e disciplinar, o que se torna extremamente difícil em turmas numerosas.

 

5 – Programas adequados e mais aliciantes

Sobre o programa de Matemática, a opinião de alguns docentes aquando da sua implementação:

“Este ano, com este programa, foi muito mais difícil ensinar e considero que tive menos alunos a aprender com qualidade”, diz Ana Cristina Tudella, professora em S. Domingos de Rana (Cascais). Deu aulas a turmas de 5.º e 6.º ano e considera que foram introduzidos “conteúdos demasiado abstratos para alunos desta idade”.

Outros sete professores dizem que as mudanças não se coadunam de todo com a faixa etária daqueles a quem se destina. É o caso de Irene Segurado, de Montelavar (Sintra). Começa por dizer que o programa é demasiado formal para as idades com que trabalhou — 9, 10 anos. E acaba a falar na filosofia do mesmo: “É desmotivador, com bastantes conteúdos de aprendizagem de memorização pura”. Assenta na filosofia de que primeiro se apreendem um conjunto de regras e só mais tarde (quando se tem os alunos completamente desmotivados) se aprende a sua aplicação.

Relativamente ao novo programa de Português repete-se o panorama; muito se tem discutido sobre a falta de tempo para gerir conteúdos, na impossibilidade de desenvolver um trabalho individualizado em sala de aula, devido à quantidade exorbitante de tópicos de conteúdo que se estendem pelos diversos domínios, quando o professor tem perante si turmas de vinte e seis ou trinta alunos. É de salientar o aumento do grau de complexidade do programa para alunos que estão dentro de uma escolaridade obrigatória.

 

6 – Devolver autoridade aos professores e redefinir o papel dos pais na escola

Quem exerce a docência possui formação científica e pedagógica e, como tal, tem a idoneidade para desempenhar a sua função dentro da sua escola. Contudo, existem determinados encarregados de educação que entendem que os docentes são seus funcionários e devem atender a seus desejos ou ordens. Deste modo, intervêm nas escolas de forma abrupta, arrogante e autoritária, marcando o panorama com exemplos de todo incorrectos e inaceitáveis.

É necessário que tais encarregados de educação e pais saibam intervir de forma coerente, adequada e respeitadora e saibam discernir qual o papel que lhes cabe dentro da escola. É fulcral que não atribuam sempre as culpas ao professor, por tudo e por nada, porque sabemos que é um simples absurdo. É essencial que transmitam aos filhos em casa e com insistência valores, a importância do respeito mútuo e normas cívicas básicas a respeitar na escola e em sociedade.

O seu papel é educar os filhos, não tentar manipular a direção da escola ou o professor que não atribuiu aquela nota desejada. Embora seja importante que os pais participem na vida escolar dos seus educandos, devem limitar-se a isso mesmo, participar, mas COMREGRA.

Tal como o velho ditado diz: “Cada macaco no seu galho”… o ensino e a avaliação das disciplinas cabe aos professores, já a educação deve vir de casa e cabe aos pais e essa é sua competência e dever. As competências de professores e pais devem ser bem claras e nunca se devem confundir.

As direções das escolas devem oferecer apoio e salvaguardar os seus profissionais da educação; devem exercer de modo a defender a autoridade dos docentes no exercício das suas funções, garantindo a sua integridade física e moral (tendo em conta que as agressões a docentes são cada vez mais frequentes).

 

7 – Medidas disciplinares mais eficazes

Os números da indisciplina e comportamentos violentos e desviantes, em contexto escolar, foram já objeto de estudo e apresentados em estatística; é de facto um problema real que se verifica de norte a sul, já bastante enraizado e de difícil solução. Participações disciplinares e a aplicação de outras medidas corretivas e sancionatórias rigorosas são tão banais e rotineiras nas nossas escolas, que se tornaram incapazes de pôr termo à gravidade das ocorrências. As medidas de ordem disciplinar existentes são encaradas com indiferença por parte de elevado número de alunos e inclusive, por parte de vários encarregados de educação, que delegaram na escola toda a tarefa educativa, negligenciando totalmente as responsabilidades que lhes cabem por obrigação.

Os procedimentos disciplinares previstos e aplicados são demasiado benévolos e indulgentes, permanecendo o aluno indisciplinado e reincidente, quase sempre impune, mantendo os mesmos comportamentos abusivos, violentos e desajustados durante todo o seu percurso escolar.

É urgente que novas medidas de ordem disciplinar sejam criadas e implementadas ou o problema levará ao colapso do sistema educativo português.

  • Como medidas, sugere-se a retenção do aluno caso:

Acumule várias participações disciplinares (independente do seu aproveitamento);

Por agressões à integridade física ou moral de colegas, professores e auxiliares educativos ;

  • A perda de subsídio escolar para alunos:

Que cometam atos de vandalismo e de indisciplina grave em contexto escolar;

Agressões físicas e verbais com colegas, professores e auxiliares educativos; cometam atos de Bullying ;

Com mais de duas retenções consecutivas no mesmo ano de escolaridade;

 

Mónica Guimarães

3 COMMENTS

  1. Discordo totalmente do ponto 3.
    A argumentação deverá ser a de repôr as horas de redução por idade, como acontecia e não lançar uns contra outros.

    Depois, ter só 2 turmas (devido à redução máxima por idade-de quem ainda apanhou a legislação antiga), parece-me não ser verdadeira, a não ser se essas 2 turmas tiverem tempos lectivos semanais a dobrar. Há ainda a considerar o trabalho de direcção de turma que, sabemos, dá hoje mais trabalho do que ter mais uma ou duas turmas.

    Finalmente, e esta é a questão fundamental, o máximo das 8 horas por redução de idade vão para trabalho da eufemísticamente chamada componente não lectiva- tutorias, apoios vários, substituições, projectos, gabinetes disciplinares, etc.

    Não esquecer ainda que a estas 8 h de redução, somam-se mais 2 ou 3 de componente de escola, sendo o total 11h de “componente não lectiva”.

    (Daí serem estes horários mais desorganizados, com mais tendência a turnos e com mais furos”, sendo que os dias se tornam sobrecarregados e mesclados de aula/não aula, aula, não aula, furo e etc).

    E agora é que é o Finalmente. Desculpem esta opinião que poderá chocar muitos colegas – horários destes, com menor carga “lectiva” e menos turmas, Mas com todas as reduções por idade transformadas ( 11 horas) a serem leccionadas por professores com 60 e muitos anos de idade e 40 ou mais anos de serviço, não é “pêra doce”.

    O cansaço físico e mental não é o mesmo. Não pode ser o mesmo.

    Olhe-se à volta pela sala de professores e olhe-se para os olhos dos colegas mais velhos. A mim, choca-me.

    Muitos não se aperceberão, mas fico deprimida a olhar.

    A bem de nós e dos alunos, há que sair com dignidade e cabeça levantada!

  2. Afinal, Alexandre Henriques, exceptuado aquela coisa da escola estar ultrapassada, até concordamos, na generalidade. Porém nada de essencial irá mudar, lamento!

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