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564 Alunos Entraram No Ens. Superior Sem Passar Pelo Ens. Secundário

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Como se costuma dizer, todos os caminhos vão dar a Roma…


Beatriz Jorge dificilmente ia passar no 12º ano. “Não era muito boa aluna, mas conseguia fazer. Safava”, explica. O problema era Geometria Descritiva. Por mais que estudasse, não conseguia positiva. E não é possível terminar o secundário com negativa a nenhuma disciplina. Por isso, no final do passado ano letivo, por sugestão de amigos, pediu à direção da secundária Avelar Brotero, em Coimbra, onde estudava, para ingressar num curso de Educação e Formação de Adultos (EFA), uma via alternativa criada para quem tem mais de 18 anos e o objetivo de “adquirir habilitações escolares e/ou competências profissionais, com vista à (re)inserção ou progressão no mercado de trabalho”, lê-se no site da Agência Nacional para a Qualificação.

Mas Beatriz queria mesmo ir para o ensino superior. Concluído o secundário via EFA, apresentou-se ao exame nacional de Desenho A e conseguiu a nota máxima: 20 valores. Não é de espantar. Faz retratos a lápis que parecem fotografias e domina a luz, sombra, ângulos, volumes e proporções dos objetos. Com essa única nota candidatou-se a Artes Plásticas no Politécnico de Leiria e, claro, entrou.

Como os cursos EFA não têm disciplinas — só os módulos de Cidadania e Profissionalidade, Cultura, Língua e Comunicação, e Sociedade, Tecnologia e Ciência — nem notas finais, a lei prevê que a média de candidatura seja apenas a da classificação obtida no exame exigido pelo curso como prova de ingresso. Já os alunos do ensino regular, concorrem com a média nos exames que são prova de ingresso e as notas do 10º, 11º e 12. Mas os primeiros não podem tirar lugar a estes últimos. Se necessário são criadas vagas adicionais.

Fonte: Expresso

6 COMMENTS

  1. A forma como se discute a educação é muito ideológica e desinteressante.
    Parece haver uma batalha contra os exames, a a avaliação e a pergunta inevitável: Por que razão se discute a avaliação como quem está a discutir uma má experiência? O assunto é demasiado sério para se deixar ao sabor de convicções pessoais.
    É muito pouco para quem pretenda tomar decisões informadas!

  2. Não vejo onde está o problema. Houve sempre quem entrasse no ensino superior apenas com as notas de exames, chamavam-se Auto-propostos sem frequência.

  3. Os caminhos enviezados colocam muitas vezes alunos em situação de desigualdade; vejamos, nos cursos EFA os alunos podem concluir o 12º ano sem a preocupação de médias do secundário e praticamente sem disciplinas e pouco trabalho, assim, quem optar por EFA e puder preparar-se externamente para um ou dois exames, consoante a especifica exigida, pode fazer o brilharete de entrar com alta média no superior e serão criadas vagas adicionais para estes alunos, têm, no entanto de ter mais de 18 anos para concluir o secundário em cursos EFA.
    Outra questão semelhante prende-se com a recente proposta que o CDS apresentou; todas as faculdades de cursos mais procurados abrem vagas específicas para alunos estrangeiros, europeus ou de fora da Europa, com critérios específicos que nada tem a ver com os nacionais, nestas vagas entram alunos estrangeiros que suportam o custo do seu curso e nelas não podem entrar alunos nacionais; ou seja pode vir um italiano com média de 15 ocupar uma dessas vagas em medicina, pagando o seu curso, um português nas mesmas circunstancias terá de ir para o estrangeiro para frequentar o mesmo curso, pagando, numa faculdade que receba alunos estrangeiros; essas vagas extra concurso nacional, deveriam ser abertas a qualquer aluno em igualdade de circunstâncias, fosse português ou chinês. Ou seja, existindo as duas modalidades de acesso, independentes, não devem ser critérios de nacionalidade a excluir o acesso.

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