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Em 5 anos a Escola Pública vai perder 109 mil alunos | Fim do Acordo Ortográfico (?) | Descongelamento das Carreiras

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Esta notícia não deve ser encarada de animo leve, há muito que se tem falado na diminuição demográfica e nas suas consequências. Portugal precisa de uma política de fundo de incentivo à natalidade: dar mais tempo aos pais para serem pais, apostando em licenças de maternidade/paternidade de maior duração e com menos cortes salariais; dar condições para que no regresso à vida ativa, os bebés possam estar em infantários públicos de qualidade sem ser necessário utilizar as famosas cunhas; e não menos importante, apostar na empregabilidade, pois poucos são os pais que se aventuram na construção de uma família sem um rendimento mínimo assegurado.

Para os professores, depois da alegria dos últimos dias, pois finalmente sentiram uma mudança na política de vinculação, esta notícia cai que nem uma bomba, pois menos alunos é o equivalente a mais horários zero e inevitavelmente mais desemprego.

Vejam o gráfico que consta no site da DGEEC e reparem bem na curva do 1º ciclo…

evolucao-do-numero-de-alunos

Em 2021 as escolas públicas vão ter menos 109 mil alunos

(Samuel Silva – Público)

Pior do Que as Previsões Para a Redução do Número de Alunos É Saber que as Previsões Pecam por Defeito

(Blogue DeAr Lindo)

Hoje também ficámos a saber que os “Cidadãos contra o Acordo Ortográfico de 1990” e a Associação Nacional de Professores de Português, tentam em tribunal acabar com o mais recente acordo ortográfico. Compreendo perfeitamente os motivos invocados, mas também confesso que não sou um saudosista nem pessoa muito agarrada a tradições, é feitio ou defeito conforme queiram ver as coisas. Mas que é verdade que já apanhámos um comboio que não será fácil de parar é, e voltar atrás vai criar uma geração isolada de pós-acordo. Talvez a melhor solução seja o aperfeiçoamento do acordo e não um simples rasgar do dito.

Acção em tribunal tenta acabar com Acordo Ortográfico nas escolas

(LUSA via Público)

Por fim o descongelamento das carreiras… lembro que estas foram congeladas por motivos excecionais e que estariam em vigor enquanto a Troika estivesse por cá. A Troika foi embora, mas o congelador permaneceu bem ligado. O descongelamento das carreiras é a reivindicação do momento, a greve de amanhã baseia-se em grande parte no descontentamento a ela associada. Importa lembrar que os funcionários públicos já perderam o equivalente a dois escalões, é muito, então se ambos os elementos do casal forem funcionários públicos… é mesmo, mesmo muito… Mas como a notícia diz em baixo, espera-se um descongelamento gradual em 2018, só que a palavra “gradual” deixa tudo em aberto…

Descongelamento de carreiras em 2018 pode ser feito de forma gradual

(Dinheiro Vivo)

 

2 COMMENTS

  1. Incrível é que jornalistas e governantes só agora estejam a descobrir que o resultado das suas notícias e acções é catastrófico para uma nação, para um povo… Vivem para a produtividade, idolatraram a produtividade, criaram problemas às mães por engravidarem e permitiram que patrões fizessem subir os seus lucros apara valores astronómicos atacando uma das condições básicas do ser humano: o direito à procriação… o direito a ter família… permitindo que fosse colocado em causa o posto de trabalho de uma mulher pelo simples facto de “TER FICADO GRÁVIDA”… Com a falta de condições para criar e desenvolver uma família (tenho colegas com mais de 35 anos que ainda estão à espera de alguma estabilidade para decidirem se vão gerar mais um cidadão e contribuinte ou se ficam pela vida de solteiro… Onde está a monitorização (tanto em moda) da flutuação populacional…? Nada se faz neste país??? Onde está a acção proactiva que tanto se fala??? Na mão de quem, estará a solução para isto? Dos pais? Dos professores? Dos carpinteiros??? Ou será dos políticos?
    E outro problema persiste… O Estado, mesmo sabendo da diminuição do número de alunos, continua a permitir a abertura de enormes e descabidas quantidades de jovens em cursos universitários de preparação para a docência… É anedótico. Depois, claro, vem a desqualificação e a desvalorização profissional, o desemprego, a frustração de uma vida académica dedicada à formação para… ser empregado de restaurante, telefonista em Call Center, “passador de códigos de barras” dos produtos em cadeias de supermercados… Enfim,. Uma vergonha de planificação, ou melhor, da falta dela!!! É portugal, no seu Melhor!!!

    • O Estado, mesmo sabendo da diminuição do número de alunos, continua a permitir a abertura de enormes e descabidas quantidades de jovens em cursos universitários de preparação para a docência… É anedótico.
      Subscrevo!

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