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As bolhas e as crianças…

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bolhaNão saias daqui! Não corras tão depressa! Não vás para aí! Não faças isso! Não isto, não aquilo, não, não, não…

Se as palavras fossem cromos de uma caderneta, o “não” seria um daqueles cromos que todos teríamos para trocar.

A sociedade mudou e nós mudámos com ela, a mediatização da violência tornou-nos claramente mais vigilantes e controladores. Ninguém quer estar no lugar daqueles pais que desesperam por notícias da sua criança, ou daqueles em que o amanhã, simplesmente deixou de fazer sentido…

E lembram-se quando eram miúdos? Eu lembro-me dos meus pais levarem-me a pé para a escola primária no primeiro dia e nos restantes dias ir a pé. Lembro-me de passar os fins de semana na rua a andar de bicicleta, a jogar à bola, a brincar às caçadinhas, etc. De jogar às escondidas aproveitando o breu da noite. De ficar de rastos e de só me apetecer ir para a cama.

Existe uma linha muito ténue que separa a proteção excessiva da negligência, essa linha é o ponto de equilíbrio, onde o bom senso impera e potencia um desenvolvimento salutar. Cabe-nos caminhar nessa linha, dizer não quando necessário, mas confiar quando é preciso. E depois é acreditar… E como tudo na vida, ter também alguma sorte.

 Fica um estudo sobre esta matéria numa notícia do Observador.

Filhos de pais controladores são menos felizes em adultos

Há pais que têm mais dificuldade do que outros em libertar os filhos. Temem sempre o pior e por isso prendem-nos o mais possível. Mas a verdade é que esse tipo de educação tem repercussões futuras e há filhos que as sentem até aos 20 ou 30 anos. Talvez até para sempre.

Investigadores de psicologia da University College of London publicaram um estudo no The Journal of Positive Psychology que incide precisamente sobre a relação entre o ambiente vivido na infância e a saúde mental dos adultos.

Na base estiveram dados do Medical Research Council e do National Survey of Health and Development de mais de cinco mil britânicos. Alguns desistiram, tendo a amostra final consistido em cerca de dois mil participantes com idades entre os 60 e os 64 anos, segundo a Bustle.

A partir de exames especialmente concebidos para medir a ligação parental, o controlo psicológico e o controlo comportamental, e tendo em conta a classe sócio-económica e a personalidade dos participantes, os resultados mostraram que os filhos cujos pais foram carinhosos e responderam positivamente às suas necessidades durante a infância desenvolveram um maior bem estar psicológico em adultos. Por outro lado, os filhos de pais que exerceram controlo psicológico experenciaram um bem estar psicológico muito menor em adultos. A diferença foi grande o suficiente para conseguir comparar os baixos níveis de bem estar aos que sentem os adultos que passaram pela morte de um amigo próximo ou de um familiar.

Mas não se trata apenas de uma questão psicológica. Como mostrou a investigação, os filhos que foram exageradamente controlados na infância tornaram-se adultos dependentes e a luta para se afastarem emocionalmente dos pais ainda continua. No entanto, o oposto não deixa de ser verdade: os filhos que sempre tiveram pouca liberdade também se podem tornar mais rebeldes e independentes.

Como diz o bom senso e a ciência começa agora a mostrar, controlar os filhos através de jogos psicológicos, seja chantagem, manipulação emocional ou culpabilização, não leva a lado nenhum. No momento os pais até podem ganhar a batalha, mas vão certamente perder a guerra porque correm o risco de prejudicar os filhos e torná-los adultos menos capazes.

Observador (2015). “Filhos de pais controladores são menos felizes em adultos”. www.observador.pt/ 11 de Setembro.
Imagem retirada de:sobreviverblog.com.br

 

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