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21 Mil Professores Desistiram da Profissão

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Ao mesmo tempo que sabemos que ainda esta semana serão colocados novos professores, a FENPROF aponta para cerca de 20 mil professores que abandonaram a profissão desde 2009.

Nos próximos anos, podemos passar rapidamente das filas nos centros de emprego para a falta de professores. Os primeiros sinais já começaram a surgir, e sabendo nós que os jovens não querem ser professores e uma fatia significativa de docentes está à porta da reforma, brevemente podemos estar perante o impensável. Talvez aí nem os 9 anos, 4 meses e 2 dias sejam suficientes para conquistar os professores…

O Ministério da Educação vai contratar mais professores ainda esta semana.

Fonte oficial da tutela avançou ao i que a primeira reserva de recrutamento (concursos semanais) de contratação de professores está prevista para esta sexta-feira “ainda antes do início do ano letivo”, que arranca entre os dias 12 e 17 de setembro.

A concurso vão todos os horários, completos (com 22 horas semanais de aulas) e incompletos (com menos de 22 horas letivas), que ficaram por preencher no concurso anual, que decorreu na passada quinta-feira. Ou seja, todos os horários que não forem aceites até hoje às 18 horas pelos professores que foram colocados, vão ficar disponíveis para novos concursos para contratação de docentes.

Desta forma, só na quarta-feira as escolas vão indicar ao Ministério da Educação quantos professores vão precisar para preencher todos os horários que ficaram vazios.

De acordo com o diploma dos concursos, os professores dos quadros em horário zero (sem turma atribuída) vão ter prioridade no preenchimento das vagas a concurso na reserva de recrutamento. Ao i a tutela diz que, neste momento, há “mais de 700” docentes em horário zero.

Além da reserva de recrutamento – que vai decorrer semanalmente durante todo o ano letivo – as escolas vão ter ainda a contratação de escola. Trata-se de um outro procedimento para colocar professores e técnicos especializados (docentes para as atividades extracurriculares). No entanto, na contratação de escola ficam disponíveis apenas os horários com menos de 8 horas letivas.

 

Mais de 20 mil nos centros de emprego

Apesar de ainda não se saber quantas vagas vão ficar disponíveis esta semana, sabe-se que há cerca de 23 mil professores contratados que ficaram sem colocação no concurso anual. De acordo com os números da secretária de Estado Adjunta da Educação, Alexandra Leitão, apresentaram-se ao concurso anual “29 mil professores”, dos quais foram contratados cerca de seis mil.

A grande maioria destes 23 mil professores fica, para já, no desemprego enquanto aguarda a abertura dos concursos para conseguir um lugar para dar aulas durante o ano letivo.

Perante a indefinição do seu futuro, a partir de hoje os docentes que estão no desemprego vão rumar aos centros de emprego para se inscreverem e garantir a prestação de desemprego.

Fora desta rotina estão os docentes horário zero. Isto porque mesmo sem que tenham uma turma atribuída para dar aulas, os professores mantêm o seu salário e o vínculo ao quadro do Ministério da Educação.

 

21 mil desistem da profissão

Toda esta incerteza que se repete todos os anos na vida dos professores contratados está a levar os docentes a desistir da profissão, alerta ao i Vitor Godinho, membro do secretariado nacional da Fenprof.

Em 2009, o universo de candidatos ao concurso anual de contratação era de cerca de 50 mil professores e este ano o número não ultrapassou os cerca de 29 mil, de acordo com os números da tutela. São menos 21 mil professores que se apresentam a concurso. Nos últimos dez anos “muitos já desistiram”, alerta o dirigente da Fenprof.

Uma das medidas para travar a desistência da profissão, passa pela criação de um regime especial de aposentação para os professores, antecipando a idade e reduzindo o tempo de serviço necessário que permitiria a passagem à reforma sem penalização, defende Vítor Godinho.

Isto porque, o corpo docente “está envelhecido” e, com as regras atuais, “cerca de 50% dos professores vão passar à aposentação nos próximos dez anos”. E caso estes professores passassem à reforma nos próximos anos, seria possível “renovar o corpo docente com a entrada de professores mais jovens nos quadros, antes de desistirem da profissão”.

Caso as regras atuais se mantenham, o dirigente da Fenprof prevê que dentro de 15 anos venha a existir “falta de professores”. Isto porque à quebra no número de candidatos soma-se ainda o corte anual de 20% no número de vagas para as licenciaturas e mestrados da área da Educação, aplicado durante o anterior governo. Ou seja, as instituições de ensino superior estão a formar menos professores.

Fonte: Jornal I

5 COMMENTS

  1. Os nossos governantes, ao persistirem nessa política de aumento da idade da reforma em nome de uma suposta sustentabilidade da segurança social/caixa geral de aposentações, empurram todos os anos milhares de jovens para alternativas no estrangeiro de onde não regressarão tão cedo. Aí vão trabalhar, fazer os seus descontos e criar os filhos. E nós para aqui nos arrastamos, decrépitos, sem energias, sem uma geração jovem que contribua para modernizar o país, para sustentar as nossas reformas como nós estamos a sustentar as dos idosos atuais, e sem esperança de um rejuvenescimento demográfico.
    No caso concreto da classe docente, cujo envelhecimento é por demais evidente – visitar a sala de professores da minha escola ou participar numa reunião geral comprova-o sem margem para dúvidas-, o problema assume uma dimensão mais grave relativamente a outras profissões. Estamos a lidar com crianças e adolescentes em contexto de sala de aula, de ensino e aprendizagem, o que não é fácil seja em que idade for, mas muito pior é para quem anda nos 50 e muitos, 60…Há dias, uma amiga de outra profissão, perante a ponderação deste argumento, acabou por reconhecer a sua justeza face a outras carreiras. Nós, em sala de aula, temos de ter “mil ouvidos e mil olhos”, os nossos sentidos e capacidades têm de funcionar em pleno, se não queremos que tudo descambe e sejamos alvo fácil de troça, de chacota, de críticas e sei lá mais o quê, como já tenho visto acontecer com colegas em situação de fragilidade. E olhem que é muito, muito triste.
    E ninguém diga que tal nunca lhe vai acontecer. Nunca se sabe. Hoje ainda vamos aguentando, amanhã ver-se-á. As perspetivas não são boas: neste ano letivo, vou ter seis turmas, ou seja, cerca de 160 alunos! E mais a componente não letiva. Tenho 58 anos. Quase 36 anos de serviço.
    Há doze anos atrás estaria a reformar-me.

    Em suma: prescindo do acesso ao 10º escalão. Quero que o descongelamento do meu tempo de serviço sirva para antecipar a minha aposentação, sem penalizações, o mais rápido possível.

    • Sou professora de Inglês. tenho a sua idade, 35 anos de serviço, este ano vou ter 8 turmas (tal como tive no ano passado). Mais uma direção de turma e mais a componente não letiva. No ano passado, a tal componente não letiva foram 5 horas de Apoios a alunos de 2º ciclo (sendo que sou Professora de 3º ciclo).
      Como mencionou, temos colegas que estão tranquilamente em casa há uma quantidade de anos, desde os seus 55, no topo da carreira e com a reforma sem penalizações. Há coisas muito injustas. E é por estas e por muitas outras que os jovens não querem esta profissão nem oferecida. E fazem muito bem.

      • Há outros que com os mesmos anos de serviço ainda estão no 4º escalão e daqui não sairão por via dos 2 crivos criados ( na minha escola,com a avaliação de excelente, fui classificado apenas com 1 bom). Assim sendo, de que valerão os eventuais 942 ? estes só beneficiarão os pós – 7º escalões.
        Enfim, negociações que só beneficiaram os negociantes!

  2. Das centenas de estagiários que tive, sei que muitos enveredaram por outras carreiras, porque a docência é precária, nómada, mal remunerada, socialmente desvalorizada, etc.
    Também já verifico que, quando é preciso contratar um professor, o processo é moroso, porque as recusas são muitas.
    Na área do Português, sei que há 3 anos apenas 3 alunos da FLUC fizeram estágio! Três! E nem sequer foi numa escola pública, porque as escolas públicas não aceitam as condições deploráveis em que os estágios agora decorrem: os estagiários não são remunerados, o tempo de serviço não lhes é contado, não têm turma (vão dar umas aulas à turma do orientador!), não há obrigatoriedade de participarem nas tarefas inerentes ao processo educativo – reuniões, conselhos de turma, atendimento a encarregados de educação, etc. Isto é, não sabem “mexer-se” numa escola!
    Palavras para quê?! Foi trabalho de uma artista portuguesa chamada Maria de Lurdes Rodrigues!

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