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128 professores mobilizados para ações de rastreio e vigilância.

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Governo impõe recolher obrigatório das 13h às 05h nos próximos dois fins de semana (mas o passeio higiénico é permitido)

Após cinco horas de conselho de ministros, António Costa anunciou a regulamentação do estado de emergência decretado pelo Presidente da República e foi mais longe do que se esperava. As limitações à circulação no espaço público passam a ser, de segunda a sexta-feira, das 23h às 5h e, nos próximos dois fins de semana, agravam-se com recolhimento obrigatório entre as 13h e as 5h do dia seguinte.

Assim, nesses fins de semana só haverá livre circulação durante o período da manhã, com inevitável fecho do comércio e da restauração que apenas poderá funcionar a partir das 13h em takeaway. Quem não cumprir estas regras de confinamento sem apresentar razão para tal (seja trabalho, motivos de saúde, apoio a terceiros, passeio higiénico ou passeio de animais) poderá ser identificado e reconduzido por forças policiais à sua residência (ainda não se sabe o valor das multas).

António Costa reconheceu o impacto “duríssimo” destas medidas, nomeadamente para o comércio e a restauração, mas considerou as novas restrições “fundamentais” para se tentar controlar a evolução da pandemia, cujos números mostram ter “piorado muito” no último mês.

Outras medidas decididas pelo conselho de ministros passam pela mobilização de recursos humanos para reforçar a capacidade de rastreio e vigilância de infetados, nomeadamente com a requisição de trabalhadores públicos em isolamento profilático, trabalhadores de risco e professores sem componente letiva, além de militares das Forças Armadas.

O primeiro-ministro anunciou, para já, a mobilização de 915 funcionários e 128 professores.

Os estabelecimentos de saúde privados e do sector social passam a poder ser utilizados, medida já implementada pela ARS do Norte com 116 camas contratualizadas com os hospitais Fernando Pessoa, da Trofa e da CUF Porto. Também as altas de doentes internados por falta de retaguarda social serão aceleradas por forma a disponibilizar camas.

A possibilidade de controlar a temperatura nos locais de trabalho, lares, estabelecimentos de saúde e escolas, prisões, estabelecimentos comerciais, culturais e desportivos e nas entradas e saídas do país foi igualmente regulamentada, bem como os testes rápidos de diagnóstico nas mesmas situações e locais, ou “noutros a definir pela DGS”.

“O esforço que temos que fazer agora é fundamental para conter a pandemia”, justificou o primeiro-ministro, que considerou as novas medidas “absolutamente essenciais” para evitar a necessidade de “mais medidas restritivas” ou que se acabe por “comprometer dezembro”.

“Quem se sente cansado não tem o direito de se sentir cansado”, desabafou o PM, visivelmente preocupado com a situação que disse confrontar-nos com uma conclusão: “as medidas adotadas até aqui e os comportamentos não têm sido suficientes”.

Os números falam por si e o primeiro-ministro usou-os para explicar “como é que chegámos aqui”. Na primeira vaga, disse, no pior dia houve uma máximo de 1302 pessoas internadas e este sábado os internamentos subiram para 2420.

No passado dia 14 de outubro, lembrou Costa, ele próprio classificou a situação de “grave”, quando havia uma média de 2 mil infetados por dia. Mas este sábado o número de infetados foi de 6600.

“Não podemos ter a menor dúvida de tudo o que há a fazer para controlar a pandemia”, afirmou, sem excluir que na próxima quinta-feira tenha de levar ao conselho de ministros uma reavaliação da situação.

“Isto não é uma bala de prata. Não há balas de prata” nesta pandemia, rematou, após justificar o recolher obrigatório nos dias e horas anunciados com o facto de estar provado que “o convívio social” dá o contributo mais importante para os contágios.

“Temos de dominar a curva, tentar achatá-la e entrar num planalto”, eis a meta apontada pelo chefe do Governo. Na primeira vaga, o planalto durou meses. Mas a curva, desta vez, é mais assustadora.

Costa reconheceu que, “como disse há um ano, esperava que aquele estado de emergência fosse o único das nossas vidas, mas também disse que não teria o menor medo em termos de recuar e tomar as medidas necessárias se a dinâmica da pandemia assim o impusesse”. O atual estado de emergência prolonga-se até 23 de novembro.

Fonte: Expresso

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