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11 Propostas Para Melhorar a Educação

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Muitas das propostas apresentadas não precisam de qualquer tipo de investimento. Basta organização e vontade política.

Escola de corpo inteiro

As ideias que a seguir apresentarei, já foram por mim apresentadas em 2009 e em 2011, no DaNação, embora em formatos diferentes: a primeira divulgação foi feita em três artigos; no segundo caso, foi um longo manifesto intitulado “Por uma escola melhor”, do qual retirei, agora, uma pequeníssima parcela (apenas os aspetos que se revestem de maior atualidade, tendo em conta o que vem sendo anunciado). Trata-se de um sumário de ideias orientadas essencialmente para o ensino básico. Aqui ficam as minhas humildes revolucionárias:

  1. limitar, em cada escola, o número de turmas ao número de salas;
  2. reduzir o número de alunos por turma (aproximar o mais possível dos vinte alunos). Em muitas escolas, contrariamente ao que dizem certos agoirentos, significará apenas mais uma turma por ano (não é nada do outro mundo), e os ganhos reais, no que toca a ensino, aprendizagem e disciplina, são largamente compensadores;
  3. reduzir a carga horária global, de modo a não ultrapassar o turno da manhã. O cérebro está, nesse período, mais ágil e mais disponível para a aprendizagem. É também uma questão de igualdade de oportunidades. Por outro lado, a minha experiência diz-me que há muito mais problemas disciplinares (a leucemia do ensino) no turno da tarde;
  4. após o almoço, respeitar um tempo de lazer — pelo menos uma hora — para os alunos descansarem, conviverem, brincarem…
  5. dedicar uma parte da tarde ao verdadeiro estudo, acompanhado por docentes de todas as disciplinas. Nesse período, os alunos farão os trabalhos de casa, seguindo-se a participação em atividades de complemento curricular. É também uma questão básica de igualdade de oportunidades e, talvez, o melhor investimento no sucesso escolar dos alunos e na promoção da convivência e do diálogo no seio da família;
  6. oferecer às escolas programas minimalistas — refiro-me à extensão, não à exigência — para que os professores possam aprofundar e consolidar os conhecimentos e as competências reais dos alunos;
  7. abandonar a paranoia da avaliação e recentrar a escola no seu essencial: a aprendizagem;
  8. libertar o professor das alienantes tarefas burocráticas, essa tralha que apenas serve para lhe consumir o tempo e as energias, desviando-o do essencial: os alunos;
  9. simplificar — urgentemente — as tarefas do diretor de turma, de modo a que ele possa ser aquilo que todos esperamos que ele seja. Atualmente, esse elemento fulcral passa o seu tempo a registar e justificar faltas, a enviar recados e cartas aos encarregados de educação, a elaborar planos de recuperação, projetos curriculares…
  10. devolver ao professor a componente de trabalho individual que lhe foi subtraída. É absolutamente necessária para que ele possa dedicar-se, com serenidade e paciência, à preparação, avaliação e reformulação das suas práticas e à correção das provas e trabalhos dos alunos (atividade pedagógica de máxima relevância);
  11. extinguir as aulas de substituição (e suas sucedâneas), uma autêntica coboiada que desgasta docentes e discentes inutilmente.

Muito ficou por dizer, mas já aqui deixei, creio eu, o suficiente para provar que há alternativas credíveis, exequíveis, mais democráticas e muito menos doentias. Não sei é se há vontade de fazer bem as coisas. Em boa verdade, já duvido muito (muito mesmo) que as nossas “elites”, intimamente, desejem o sucesso da Escola Pública que tanto apregoam.

Luís Costa

Bravio

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