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1 Minuto De Silêncio Ao Carimbo “Professores Do Século XX Para Alunos Do Século XXI”

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“Temos escolas do Século XIX, com professores do Século XX, para alunos do Século XXI”

Esta frase foi dita e repetida por diversas vezes, por inúmeras pessoas, dentro e fora do ambiente educativo.

Não vou fazer o papel de Santo, pois Santo não sou e confesso que também a disse algumas vezes ao abordar o estilo monocórdico e expositivo de alguns professores. Porém, muitos dos que “vivem” na escola sabem e sentem, que ao longo dos últimos anos houve uma clara evolução e vimos os professores a implementar estratégias diversificadas, não só pela pressão externa, mas pela obrigatoriedade de chegar a alunos diferentes daqueles que existiam há 20 e 30 anos.

Mas existe a crítica construtiva e depois existe a crítica mesquinha do bota-abaixo. Algo que vimos e ouvimos demasiadas vezes, agarradas a uma ideologia muito própria onde a sua verdade era a única verdade.

Hoje é seguro afirmar que a escola do século XX morreu! Passámos o ponto de não retorno. Poderá existir um ou outro docente que depois destes meses queira regressar ao tempo pré-covid, mas será algo residual. Os professores pós-covid, serão diferentes, serão melhores, não porque dominem melhor os conteúdos, mas porque aprenderam e dominaram áreas que há 2 meses muitos desconheciam. Além disso, mesmo os professores mais velhos conseguem neste momento estabelecer um diálogo tecnológico com os seus alunos, aproximando assim duas gerações que até há bem pouco tempo encontravam-se em polos completamente opostos.

A escola e as suas aulas estiveram fechadas durante décadas, onde o aluno era o único transmissor para o mundo externo, para os pais, mas este, pela sua imaturidade e inexperiência, não tinha capacidade para “avaliar” da forma mais correta ou transmitir da forma mais correta o que se passava dentro daquelas paredes. Hoje já não é assim, as emissões do #EstudoEmCasa e as aulas online que entram dentro de casa dos pais, vão muito mais longe do que o ensino à distância. Mostram a competência dos professores, a sua capacidade de improviso, domínio das tecnologias e capacidade oratória, algo que a população em geral desconhecia, associando o professor ao século XX, alguém antiquado, frio, distante…

Os professores não são assim, são muito próximos dos seus alunos, quantas vezes não são psicólogos, confidentes, conselheiros e até substitutos dos encarregados de educação. A voz do professor pode ser austera, mas também pode ser quente, mas nunca, nunca será uma voz ausente.

Durante anos a população associou os professores a duas áreas essenciais, a recuperação do tempo de serviço e a porrada que estes levam nas escolas. FINALMENTE vemos os professores a ser elogiados e reconhecidos por aquilo que eles realmente são, senhores do saber, transmissores do conhecimento, formadores empáticos que preparam o futuro do país.

Há muito que afirmo que a estratégia de luta seguiu caminhos errados, se queremos uma valorização da carreira, se queremos ser vistos como profissionais competentes, temos de conquistar a opinião pública.

Onde andam os que maltratavam os professores na praça pública? Onde andam os que diziam que os professores só tinham férias e não faziam nada? Eu sei onde estão, eu sei para onde foram, meteram-se num buraco de onde nunca deveriam ter saído, sucumbindo ao próprio veneno, pois o vento mudou, sabem que o holofote já não os ilumina e dizer mal dos professores já não dá cliques nem likes.

Nem imaginam o gozo que me dá escrever estas linhas, de sentir, como acredito que muitos milhares de professores se sentem, relevantes, reconhecidos, válidos e imprescindíveis.

Ninguém precisa de palmadinhas nas costas para fazer um bom trabalho, mas caramba, depois de tanto tempo a levar “cacetada”, sabe bem, sabe mesmo muito bem, respirar fundo e sentir o ar fresco do reconhecimento social.

Continuemos a ser nós próprios e aproveitemos o que conquistámos nestes tempos tão difíceis.

Levantem a cabeça professores! Sintam-se humildes, mas muito, muito orgulhosos!

Alexandre Henriques

17 COMMENTS

  1. “Temos escolas do Século XIX, com professores do Século XX, para alunos do Século XXI”

    Tiro o chapéu.
    Não é preciso escrever muito para dizer tudo e de forma muito pragmática e assertiva.
    Tenho quase 62 anos, leciono desde os 24 (com alguns intervalos que me levaram à privada e a cargos públicos) e nunca me achei nem nunca me coloquei “estacionado no tempo”.
    Continuo com aulas on-line e, admirado, tenho turmas completas a assistir e a participar muito para lá da hora prevista para que elas terminem. Também tenho trabalhado, na maioria dos dias, mais de 12 horas numa posição que ergonomicamente não será a mais adequada, mas dá-me muita satisfação continuar a ser aquele que transmite o conhecimento, que resolve as configurações do pc ou do telemóvel, que apoio na informação sobre a banda larga (ou em alguns casos estreita), que recebe trabalhos pelo Teams, pelo WhatsApp, pelo e-mail ou, até, por fotografia no telemóvel.
    Falta-me o contacto quente com os meus alunos mas, a cada dia que passa, sinto o carinho morno que me retribuem, até nas confidências.
    E pela primeira vez estamos mesmo a entrar na casa deles.
    É muito bom ser professor. É reconfortante o reconhecimento, agora.
    Honremos a profissão que temos.
    Sintamo-nos orgulhosos ao dizer eu SOU professor.

  2. Pois, isto é também capacidade oratória, e da BOA, Alexandre Henriques! Assim é, com efeito, calem-se os energúmenos do bota-abaixo gratuito e desprovido de verdade!

  3. Sempre fui muito crítica da “novidade excecional do século XXI” porque sempre acreditei que o conhecimento é a coisa mais preciosa que temos.
    Onde há saber, há sempre maior facilidade de adaptação, de capacidade de resposta. E o mais curioso, sem toneladas de horas de formação! O apoio mútuo foi fundamental, a solidariedade disse presente e a busca de conhecimentos necessário também. Só assim foi possível responder em tão pouco tempo.
    Espero agora que os burocratas de serviço não nos encham o correio electrónico de grelhas absurdas, que retirem aos professores o tempo de que tanto precisam para ser o que são, professores!
    Sim, subscrevo, é preciso ser humilde.Sem humildade intelectual não há conhecimento, sem conhecimento não há professores!

        • O texto não é uma análise sobre a minha pessoa, mas sim uma interpretação pessoal sobre aquilo que constato.

          • Eu sei Alexandre. O problema é a propaganda que se faz de um NÃO ASSUNTO. No meu entendimento, vir a terreiro justificar sempre que alguém diga uma asneira, mesmo que repetida à enésima vez, técnica de um agressor sobejamente conhecido, é não termos a consciência do que somos. A indiferença é a melhor solução.

  4. Então mas não foi a escola do século XIX e os professores do século XX que formaram os professores fantásticos que são elogiados no «post»? Com quadros pretos escritos a giz? E quando é que a escola do século XX morreu? Em março ou abril de 2020? E porquê? Por causa das tecnologias? Não pode ser, pois desde há quase 15 anos que há vários professores a usarem as tecnologias que vão surgindo para apoiar os seus alunos. Há décadas que os professores de áreas como a História, a Geografia, a Biologia, a Química fazem saídas de campo para observarem «in loco».

    Por que razão se fazem estes «posts»? O que se procura alcançar? Por que motivo se elogiam tanto os professores e se afirma adorar lecionar, mas se passa uma vida inteira a preparar o caminho para exercer cargos? Por que razão ainda existe censura, praticada exatamente por professores que não gostam de ser confrontados com as suas insuficiências enquanto professores?

  5. Bah quando aparecer a realidade virtual a IA e o 6 g nem será necessário haver professores só autodidatas com microchips inseridos e com conexão neural..

  6. Não devemos deitar foguetes. concordo com bitaites, a profissão de professor e muitas outras vão desaparecer. Com esta adesão em massa ao uso das tecnologias demos um passo nesse sentido. Se isso é bom ou mau, não sei, por vezes escreve-se direito por linhas tortas, outras vezes festejamos a nossa desgraça, como quando os indígenas do continente americano, aguardaram nas praias a chegada dos colonizadores para bem os acolher com oferendas, e receberam a extinção em massa como resposta. Se olharmos para a História veremos que nem sempre o que vem a seguir é melhor do que o que havia antes, não devemos cultivar preconceitos progressistas. Penso que a principal ferramenta, sem a qual não há aprendizagem, é a vontade de aprender e a vontade de ensinar. Basta isto conjugado e dá-se a chispa, até com um pau na areia se aprende e se chega à Lua. Vejamos o que fizeram os Génios Gregos que fundaram a civilização ocidental, e como nos surpreendem ainda hoje, mesmo com o pouco que deles chegou até nós. Fundaram a Poética, a Gramática, a História, a Geografia, a Filosofia, a Matemática, a Física, a Biologia, etc. Que ferramentas tinham? a ferramenta mais evoluída de todas, tão evoluída que ainda no século XXI não a conseguimos compreender:o cérebro.
    Que as novas tecnologias são úteis, que poupam tempo, é verdade (às vezes poupam tempo e invadem o nosso tempo de outras maneiras), tal como a caneta e o lápis, e ninguém se lembra de quem inventou instrumentos tão úteis, que parece que sempre estiveram aí. São apenas meios, instrumentos, não hipotequemos o essencial pelo acessório.
    O meu receio é que passemos do universo burocrático excruciante para o universo tecnocrático não menos excruciante, ou ainda pior, que casemos os dois, duplicando a tortura do nosso cérebro, única ferramenta essencial para o trabalho de professor, fundamental para a nossa profissão e que devemos proteger.

    • Maria Silva, os meus aplausos para si!

      Deu uma pequenina grande lição aos achistas superficiais.

      O tipo mais importante da História humana foi o que inventou a toda e ninguém sabe quem foi a sumidade.

      Cérebro, razão, pensamento, logos… Zero!

      Mais uma vez, minha cara senhora, os meus parabéns! Alfa + beta . Hellas!

  7. Bem… Se isto é a escola do século XXI, então eu desejo voltar o mais depressa possível para a do século XIX… Tudo isto não passa de um simulacro de ensino e de uma inconsequente aprendizagem…

  8. Muito bem, Paulo!
    Tomara eu que este ensino à distancia durasse mais uns anitos até à minha reforma.
    Sim, sempre em casa, dominando facilmente as novas tecnologias (até parece que é difícil, quando é a coisa mais fácil do mundo…) não tendo de aturar os grunhos em presença na sala. Finalmente, um pouco de descanso!

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