Início Editorial Vou ter de concorrer? Mas eu não quero.

Vou ter de concorrer? Mas eu não quero.

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O Ministério da Educação acabou de dar um trambolhão tal não foi a rasteira que o Parlamento lhe pregou. A secretária de Estado Alexandra Leitão, sai claramente fragilizada politicamente e já veio manifestar a sua preocupação por milhares de professores mudarem novamente de escola, alertando que o início do próximo ano letivo poderá estar em causa.

A senhora secretária de Estado tem toda a razão, como os professores têm toda razão quando há anos que alertam e pedem uma alteração ao modelo de colocação vigente. Mas a senhora secretária de Estado que até pode ter razão a nível legal(?), não a tem a nível ético, pois o que foi feito e sem aviso prévio (a retirada de horários que habitualmente constavam para a colocação de professores QZP) foi uma grande sacanice e a prova provada que a estabilidade dos professores nunca foi uma prioridade para este ou qualquer outro Ministério da Educação. Infelizmente, e os últimos meses têm-no provado, verificámos que os professores são vistos como números, como uma despesa chata e ainda por cima fazem muito barulho…

Já o disse e reafirmo, o que se passa em Portugal ao nível de concurso de professores é surreal e provavelmente caso ímpar na Europa. Perdemos imensa energia com questões processuais que não deviam ser uma prioridade, são um foco de inveja e causam enorme instabilidade profissional e emocional. Culpa do Ministério da Educação, culpa dos sindicatos e culpa também dos professores!

Os alunos e as escolas serão danos colaterais, tal como serão os professores e suas famílias, que organizaram a sua vida, mudaram os seus filhos de escola e durante alguns anos esperavam alguma estabilidade profissional e familiar.

Não gosto desta solução, não pensa nos danos colaterais, é acima de tudo política pois a Direita Parlamentar o que pretende é lixar o Ministério da Educação/Governo, dando a sensação que se preocupa efetivamente com os professores… Pois, sabemos bem o que eles pensam e fizeram por nós…

A minha proposta e tentando ver a questão de diferentes prismas, passa por uma colocação administrativa para os colegas prejudicados, através de um mini concurso com características muito específicas. Haveria um custo, sim, mas se o Ministério da Educação errou, deve assumi-lo. O Parlamento não tem o direito de brincar com a vida das pessoas desta forma, tentando compensar uma minoria às custas de uma maioria que, esteja ou não satisfeita com a sua colocação, foi colocada em conformidade com as suas escolhas. Uma decisão desta natureza e com tanto impacto, tem de ser muito bem pensada, deve estar ciente das profundas alterações na vida de milhares de professores/famílias, famílias que não tiveram culpa nenhuma em todo este processo.

Para os professores lesados, uma palavra e reconhecimento. Foram um exemplo de resiliência, lutaram sem descanso para alterar o rumo dos acontecimentos e viram agora premiado o seu esforço. A todos eles os meus parabéns, pois muito do que foi conseguido, foi sem os meios de outras entidades, utilizando muitas vezes apenas as redes sociais e mostrando que a verdadeira luta deve vir dos verdadeiros professores, aqueles que estão efetivamente no terreno.

Aguardemos pela decisão do Presidente da República…

P.S – tenho recebido várias mensagens a perguntar-me quem é que tem de concorrer. O futuro concurso, a concretizar-se, será semelhante ao último, julgo que assim todas as respostas ficam dadas.

Alexandre Henriques

Milhares de professores vão ter de mudar de escola outra vez

(Clara Viana – Público)

Como pôr num caos a vida de 13 mil famílias

(David Dinis – Editorial do Público)

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