Início Editorial Visitas de estudo? Não sou babysitter, sou professor!

Visitas de estudo? Não sou babysitter, sou professor!

7735
16
COMPARTILHE

Para quem não é professor, imagine levar 30 crianças/jovens enfiados num autocarro durante 1/2/3 horas… Imaginaram??? Vamos ver se imaginaram bem…

Meninos, não quero ninguém de pé!!!

Meninos, já disse que não quero ninguém de pé!!!

Meninos… (rais parta isto), É PÁ SENTEM-SE, PONHAM O CINTO, ANTES QUE ACONTEÇA UMA DESGRAÇA!!! OU SE SENTAM OU VOLTAMOS PARA TRÁS!!!

10 minutos depois…

Sr. Motorista, meta a música mais alta!!!

Sr. Motorista, não gosto dessa música, ponha outra!!!

Sr. Motorista, ponha a música mais baixa, queremos ouvir a nossa música!!!

5 minutos depois…

Meninos, fazem o favor de colocarem a música mais baixa, é que isto não é uma discoteca e ainda nos faltam 2 horas de viagem…

1 minuto depois…

Professor, temos fome… quando é que paramos!!!

Professor, quero ir à casa de banho!!!

Professor, estou a ficar enjoado!!!

20 minutos depois…

Professor, o Manel bateu-me!!!

Professor, a Maria está a gozar comigo!!!

As viagens são sempre uma animação, mas tudo começa antes da viagem, quando 4 ou 5 alunos esquecem-se das autorizações dos encarregados de educação e o autocarro tem de esperar pela Catarina e o António que chegam sempre atrasados…

Chegados ao destino, o interesse é efetivo durante alguns segundos, os segundos suficientes para tirar o telemóvel do bolso e começar a teclar com os amigos virtuais. Alguns vão ficando para trás, pé ante pé, pois andar depressa e escrever mensagens é algo que esta geração ainda não desenvolveu, talvez a próxima venha com um upgrade integrado.

Mas a pièce de résistance é quando o guia faz o esforço para explicar o que os nossos olhos observam e este sente a dificuldade que os professores sentem numa sala de aula. Os burburinhos, os telemóveis, os risinhos, os comentários foleiros e desajustados, ser guia é o parente mais próximo que um professor pode ter.

A pausa para almoço pode também ser interessante…  a hora marcada para o reencontro é uma hora esquecida e pode ser brindada por um menino ou menina que traz algo que não lhe pertence de uma das lojas do centro comercial… ou então arranja um problema com um dos “nativos” e quando damos por ela,  temos uma zaragata em pleno Colombo…  Não é a primeira vez, nem será a última,  que uma visita de estudo tem uma novidade de última hora, a visita a uma esquadra ou hospital mais próximo…

Quanto ao regresso…

Meninos, não quero ninguém de pé!!!

Meninos, já disse que não quero ninguém de pé!!!

Meninos… (rais parta isto), É PÁ SENTEM-SE, PONHAM O CINTO, ANTES QUE ACONTEÇA UMA DESGRAÇA!!! OU SE SENTAM OU VOLTAMOS PARA TRÁS!!!

O resto vocês já sabem…

Nota: o texto acima trata-se de uma caricatura mas inspirada em situações reais que não aconteceram todas no mesmo dia, mas aconteceram. Pessoalmente e ao fim de 16 anos de carreira, evito visitas de estudo, vou sempre com o coração nas mãos, pois não é a primeira vez nem será a última, que acontece algo e a responsabilidade é sempre do professor, mesmo que tenha feito o que é suposto.

Gosto de ser professor, não gosto de ser babysitter, costumo dizer que alguns alunos, nem ao café da frente os levo, já passei algumas vergonhas que não esqueço… Outros até vale a pena acompanhar, mas pelo sim pelo não, prefiro remeter-me à minha insignificância… ser professor.

Alexandre Henriques

16 COMENTÁRIOS

  1. …por um, bastava por uma criança que a visita valeria a pena, que ninguém substitui os pais de ver de ver a alegria no seu rosto de conhecer coisas novas e desconhecidas!…

  2. Gosto de fazer Visitas de Estudo, pois penso que são importantes para alguns alunos é a única forma de conhecer os Monumtos.
    Nunca tive más experiências durante as visitas de estudo..
    pena é a burocracia que acfualmente as escolas colocam para que se possa fazer uma visita de estudi.
    É muito bom os alunos poderem ver ao vivo aquilo que falamos na sala de aula.

  3. Já levei uma turma de 4 ano a Guimarāes ficamos o fim de semana em Guimarāes, fomos a Braga, fomos ver os castros numa aldeia histørica,etc e correu muito bem,tanto a viagem como a estadia.
    Divertimo nos imenso.
    Ainda hoje quando me encontro com os meus antigos alunos falamos dessa viagem.
    Depende dos grupos.

  4. Há alunos, como diz o colega, que nem levaria ao café do outro lado da rua mas não dá para selecionar. Por isso é que numa das minhas idas ao teatro com umas turmas “jeitosas”, fomos surpreendidos a meio com um cheiro estranho que descobrimos depois ser de um aluno a fumar! E não era tabaco! Aqui fui eu que tive vontade de acabar a visita com a ida à policia!

    • Dar dá, desde que a direção esteja disposta a isso. Eu estive numa escola em que tudo o que era aluno com medidas sancionatórias no “currículo”, simplesmente ficavam na escola.

  5. Nunca tive uma má experiência com alunos, em 32 anos de serviço. Infelizmente com colegas já não posso dizer o mesmo.
    Já fiz visitas de estudo de três dias, inclusive, mais do que uma vez, onde os alunos até foram sempre os primeiros a cumprir horários, etc.
    É divertido o convívio que se estabelece fora da sala de aula/ escola, em outros horários, e as aprendizagens que se proporcionam, apesar de ser um stress permanente, pela responsabilidade que tudo implica.
    Se calhar tenho tido sorte.

    • Cada realidade determina o resultado. Não tenho dúvidas que vários colegas gostam de fazer visitas, eu também gosto quando elas correm bem… o problema é quando não correm.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here