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Vem Aí Uma Espécie De Greve De Zelo

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Em 2016 escrevi este artigo: Quero cumprir as 35 horas na escola e não faço mais nada em casa. Nada, zero, rien, nadica de nada!!! Em 2017 propus uma GREVE de ZELO por tempo indeterminado.

Não posso por isso deixar de apoiar a ideia que ontem surgiu pela plataforma sindical, de realizar uma espécie de greve de zelo.

Embora não esteja prevista qualquer nova greve às aulas, à excepção daquela que deverá resultar da concentração marcada para o dia em que o ministro da Educação for discutir o orçamento para o sector à Assembleia da República, a recusa dos professores em assegurar os apoios ao estudo e as tutorias poderá vir a afectar milhares de estudantes.

A ideia dos dez sindicatos de professores que se uniram em torno da exigência da contagem integral do tempo de serviço é que a partir de 15 de Outubro e durante todo o primeiro período os docentes “se limitem a cumprir escrupulosamente o horário a que estão obrigados”. Uma espécie de greve de zelo que, caso não vejam a sua reivindicação satisfeita, ameaçam estender ao segundo e terceiro períodos, e que poderá vir a afectar ainda as reuniões dos conselhos pedagógicos, dos conselhos de departamento e dos conselhos de docentes – bem como as reuniões de avaliação intercalar dos alunos, caso a actividade lectiva não seja interrompida para esse efeito. Este tipo de protesto estender-se-á ainda à frequência de acções de formação impostas pelas escolas ou pelo Ministério da Educação, caso as horas gastas nesta obrigação não sejam deduzidas na componente não lectiva de estabelecimento do horário dos docentes.

Fonte: Público

Os alunos não têm culpa, os pais e os diretores também não, mas não podemos ficar parados enquanto ouvimos um 1ª Ministro referir-se ao fracasso das negociações com um desrespeitoso “Temos pena”. Até parece um compincha de café num jogo de sueca… A altivez deste senhor está a transformar-se rapidamente em falta de educação e se está aziado com os votos que vai perder nas próximas eleições, os professores ganharam  o direito de lhe responder com um singelo… “azarito…”

Louvo esta decisão da Plataforma Sindical e que seja para avançar de imediato.

Nota – No final da notícia consta o seguinte:

Também presente no protesto, o presidente da Pró-Ordem dos Professores, Filipe do Paulo, mostrava algum incómodo quando era inquirido sobre o porquê de dez sindicatos não terem conseguido arregimentar mais manifestantes – apesar de terem estado presentes docentes de vários pontos do país. E optava por culpar a blogosfera: “Infelizmente, há blogues com programas anti-sindicais que espalham a confusão e o populismo.”

Caro Filipe do Paulo, enquanto bloguer não posso ficar calado e esta minha resposta diz respeito apenas ao ComRegras.

Nunca tive qualquer problema em apoiar os sindicatos e posso prová-lo facilmente, porém, não tenho partido, nem sofro de qualquer “clubite” que me cega o julgamento. O meu partido é a Educação, o meu rumo é definido pela minha consciência de uma forma independente, transparente e imparcial. A minha opinião é por isso totalmente livre e esta casa é um espaço de liberdade.

Se a manifestação teve pouca gente, não atire responsabilidades para cima dos blogues, ao fazê-lo, está a atribuir um atestado de menoridade à inteligência dos professores. E o problema está aí… Vocês têm de perceber que os professores são inteligentes e não meros seguidores da vossa palavra. Os professores seguem as vossas atitudes e a vossa coerência, o que nos últimos tempos deixou muito a desejar… Talvez o que aconteceu foi uma manifestação contra o Governo, mas também uma manifestação contra a estratégia sindical. É que a abstenção costuma enviar uma mensagem muito clara…

Alexandre Henriques

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14 COMENTÁRIOS

  1. Caro Alexandre Henriques.
    Eu nem a acredito que esse Filipe Paulo disse isso. Então a culpa agora é dos blogues…

    Peço desculpa a todos os colegas.e ao Alexandre em especial por me deixar opinar aqui. Mas não há sindicatos nem sindicalistas diferentes. São todos feitos da mesma farinha sem respeito nenhum por nós. e leiam os meus comentários em vernáculo o mais forte que encontrarem.

    Havemos de conseguir justiça. E Respeito. Não agora. Nem com estes sindicalistas. É preciso gente nova, jovem e que só lá fique por 2/ 3 anos a seguir muda, dá lugar a outros, de outa escola/ agrupamento/ distrito. E volta ao ensino! Não quero lá palhaços 30 anos. Digam lá o que fazem com 1% das quotas? Vejamos 20,00€ x 10.000 prof= 200.000,00€ MÊS AONDE? PARA QUÊ?

    • Nem mais, não quero sindicalistas de carreira, quero professores que ainda saibam o que é uma sala de aula. Esses sim deveriam ser os nossos representantes.

      • Desculpe mas está profundamente errado, não poderia estar mais em desacordo e é perigoso o que defende. Nas estruturas intermédias sim, é necessário que desçam ao calvário das escolas para não perder o toque e não ganhar tiques de intocáveis. Em relação aos dirigentes, não. Precisamos de dirigentes empenhados a 100% nas suas tarefas, com dedicação exclusiva. É um cargo de muita exigência que necessita de experiência e tarimba. Os adversários têm um exército de gente dedicada exclusivamente para nos engolir. Entregar novatos à refrega seria suicídio e imaturidade. Quanto à participação dos professores na manifestação, não ter mais professores deveu-se antes ao facto dos professores já estarem cansados neste início de ano letivo com as múltiplas invenções da tutela. Todas as formas de combater a injustiça do ME são necessárias, nenhuma deve ser descartada.

        • Não concordo. Sou um forte defensor da limitação de mandatos. Se pensarmos assim, nunca existirá uma mudança. Os professores estão saturados das mesmas caras, do mesmo discurso, das mesmas estratégias… E já agora, até Mário Nogueira foi um novato em determinada altura.

          • Vivemos tão mergulhados na ditadura da imagem que não temos pudor em usar a imagem como argumento. Não estamos a vender sabonetes. Estamos a exigir respeito. Devemos ser representados por quem domina a linguagem do poder de trás para a frente, é claro e eficaz a transmitir as nossas razões e a mover-se nos meios que importam. Neste momento já conseguimos passar a nossa mensagem. No princípio as pessoas pensavam que os professores se consideravam com direitos especiais. Os comentadores políticos de boa fé e a maioria da população já entenderam que temos razão, a balança está desequilibrada para o lado do ME que se comporta como um menino egocêntrico, obstinado e birrento. Mário Nogueira está a fazer um bom trabalho, em equipa ganhadora não se mexe, mudar por mudar é pura frivolidade. Quando Mário Nogueira assumiu responsabilidades foi necessário mudar, quem estava antes não tinha a sua acutilância, determinação e capacidade argumentativa, ele foi uma mais valia, agora, mudar para pior, só para variar, é infantil e irresponsável. É natural que sejam precisas outras estratégias, mas as várias estratégias são complementares, não devemos excluir nada nem ninguém, não nos podemos dar a esse luxo, a hora não é de veleidades, é de firmeza perante um ME que despreza o conhecimento e os seus agentes e que atropela a todo o momento, sem reserva, princípios fundamentais.

          • Respeito a sua opinião mas não concordo. Julgo que a classe docente não foi bem defendida neste último ano.

          • Não sou sindicalizada pois tenho divergências com os sindicatos, mas penso que desta vez e até ao momento, as estratégias seguidas foram coerentes e consistentes. Se ainda não conseguimos o nosso objetivo não foi por falta de esforço dos sindicatos.

  2. Concordo! Não nos esquecemos de junho e julho,em que a plataforma foi de férias e disse que esta luta não era deles……os professores deixaram de confiar na plataforma sindical, que não esteve ao nosso lado e podiam,sim,na altura, ter virado a mesa. Com esta desunião,o governo só se ficou a rir!

    • Discordo. A maioria da população estava de férias, os políticos também. Era desgaste de energia e de imagem. Parem com os discursos de divisão. Esta divisão só interessa aos nossos adversários. O nosso adversário é só um: o ME.

  3. Alexandre,

    Não penso tratar-se de 1 greve de zelo. Leia bem as propostas. Têm a ver com a componente não lectiva que é, de facto, lectiva e tem a ver com reuniões cujas horas são retiradas da componente individual do professor.

    A das reuniões do CP, não entendo bem.

    • Tem a ver com a componente não letiva mas de horas extraordinárias. As reuniões são componente de estabelecimento, não da componente individual, como tal deveriam ser compensadas no nosso horário que todos sabemos está ao minuto. Por isso é uma espécie de greve de zelo.

  4. Estou de acordo. devíamos exigir cumprir as 35 horas no estabelecimento. no final do dia material arrumado na secretária ou departamento. PC’s pessoais e outro material pessoal e viatura própria, não são para disponibilizar ao serviço ME.
    Relativamente às reuniões nomeadamente do CPedagógico e Conselho Geral, os colegas membros destes órgãos simplesmente não marcavam presença.

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