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Uma petição pela minha amada disciplina de História…

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As aprendizagens essenciais, perfis, DAC e outras trapalhadas geringonço-burocráticas, mal organizadas, que entraram de rompante e sem grandes preparos pelas escolas dentro, trouxeram problemas diversos e graves a este ano letivo. Mas trarão mais ao futuro.

Tem havido muitas reportagens, nitidamente encomendadas, em que se fala das virtudes das supostas mudanças “inovadoras” que o Governo fez o favor de “oferecer” às escolas no início deste ano letivo pré-eleitoral (a meu ver, processo apressado pela vontade de João Costa de escrever o seu nome, mesmo futilmente, na longa História dos “reformadores de Decreto” da Educação Nacional).

O impulso decretal fará mais mal que bem em coisas importantes, mas se, realmente, não se muda a educação para melhor, sempre se dirá aos amigos que se fez “uma reforma sabotada por essa malandragem dos professores” (e o que tempo de governante foi passado a reformar, mesmo se o real efeito não correspondeu à excitação…). Reformar em Portugal é mito não é ato…

Lá terão as suas virtudes, as reformas (não tantas como os defensores, nitidamente exagerados e demasiado excitados, propalam). Mas têm muitos defeitos e fazem vítimas. Uma das vítimas inglórias tem sido a História.

Pedem-nos a divulgação de uma petição, criada pela Associação de Professores de História, para abordar o assunto: a redução do peso curricular da História.

Posso discordar (e bastante) do diagnóstico do que nos trouxe até aqui. Posso até achar que se devia apurar como chegamos aqui e como a petição é remédio pequeno para um problema que se devia ter prevenido e atacado incisivamente (e quem me conhece sabe que, em matéria de lutas, não sou de meias medidas e advogo a espadeirada afonsina).

Mas, se a petição existe, moralmente, é dever de quem leciona História mostrar que existe e que deve ser assinada (e feitas mais coisas, além dela).

Deixo um extrato e um link para quem quiser assinar e divulgar.

“Num quadro de autonomia das escolas, a situação não tem correspondido exatamente ao que a tutela nos garantiu – a APH tem recebido várias denúncias por parte dos seus associados, queixando-se de uma diminuição efetiva da carga horária das disciplinas de História nas suas escolas. Estas ocorrências, apesar de não serem generalizadas, preocupam-nos, e consideramos que a tutela deveria tomar medidas concretas para as evitar, estabelecendo, nomeadamente, tempos mínimos obrigatórios para as disciplinas de História. Como é que se pode afirmar que se pretende implementar um ensino aprendizagem mais centrado no aluno e no desenvolvimento de competências e diminuir-se o tempo que deveria estar disponível para que tal se efetue?
Não chega afirmar que o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória assenta numa base humanista. É necessário concretizá-lo. Tendo em conta as caraterísticas da construção do saber histórico – o desenvolvimento de valores ligados ao pensamento democrático, à estruturação do pensamento, ao desenvolvimento das capacidades de análise, de síntese e de crítica –, que podem e devem ser potenciados pela oportunidade que constituem as AE e o modelo de ensino que lhes está associado, parece uma contradição a diminuição efetiva da carga horária da disciplina que se está a verificar, efetivamente, em muitas escolas.”

Para assinar

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Gravíssimo! Diminuir tempos letivos de História ou Filosofia é antítese do que deveria ser um perfil humanista e reflexivo… Mas a ideia da denominada flexibilidade é exactamente esse tornar a escola num recreio e uma excursão de eventos! É um fogo fátuo onde se encenam ridículas operetas com a participação dos nossos filhos! Felizmente que alguns encarregados de educação já vão abrindo os olhos e exigem que a escola cumpra a sua função : que ensine!

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