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Uma odisseia no reino das dispensas sindicais….

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Se fizer uma lista dos comentários mais comuns que se fazem neste blogue, sempre que o assunto é sindicatos, a pergunta mais fatal é: e quantos são os dirigentes sindicais? Será que é por causa de haver dispensas sindicais que há tantos sindicatos?

Recentemente, na polícia, o caso da manipulação da constituição de sindicatos, para aproveitar as dispensas, deu grande escândalo e foram os próprios sindicatos mais representativos que chamaram a atenção para o problema: inflacionar o número de associados, para ter muitas dispensas para dirigentes, chegou a alguns absurdos que deram notícias engraçadas.

E nos professores, como será realmente? Pode-se mandar muitas bocas, mas, mais importante, é saber realmente.

Como vivemos num estado de Direito, que respeita o direito de acesso à informação pública, basta pedir ao organismo público  que concede tais dispensas (que é a DGAE). Não devia sequer ser preciso pedir porque tal informação devia estar publicada e acessível em nome da transparência. Afinal o salário dos dirigentes é pago pelo Estado.

Pedi à Chefe de Gabinete do Ministro da Educação, em devida forma de requerimento, os documentos a isso relativos. Esta enviou ao Gabinete da Secretaria de Estado Adjunta, que enviou à DGAE, que, lá dentro, remeteu à Chefe de Divisão de Gestão de Recursos Humanos (para abreviar a CDGRH/DGAE). Só essa responsável se dignou dar-me uma qualquer resposta (o ofício que podem ver abaixo). Como essa resposta tardou, ao fim de 10 dias do meu requerimento, queixei-me à Comissão de Acesso aos Documentos administrativos (queixa que já reforcei e corre os seus termos).

A CDGRH/DGAE leu o texto e respondeu, a despropósito e aparentemente para me despachar, que fosse perguntar à Direção Geral da Administração e Emprego público (que é do Ministério das Finanças). O que a senhora devia ter feito, pela lei, era mandar o meu papel ela própria e notificar-me disso e não mandar-me, como soi dizer-se, àquela parte…..e sem me dar um aceno para me avisar….

E para mais faltou à verdade, disse inverdades, referiu factos alternativos, o que seja, ora …. mentiu ao sugerir que a DGAE não tem nada a ver com isso. Na verdade, tem tudo….

Mas a pergunta fica no ar: tantas voltas e voltinhas para não me darem despachos da DGAE que sei que são da DGAE (tenho um do sindicato de que sou sócio, que obtive por ter esse direito, e, por isso, tem de haver mais)?

E manterem tanto o segredo, não vos parece estranho?

Que escondem, ao esconder o acesso aos documentos deste tema?

Depois do Verão saberemos (não duvidem). E então saberemos quantos sócios tem cada sindicato, quais são os maiores e menores e há quantos anos alguns dirigentes não dão aulas, os escalões dos dirigentes negociadores, etc.

Tudo ficará transparente e veremos claramente visto….

Ou não veremos, e lá terei que gastar uns cobres no tribunal.

Mas havia necessidade? Irra que é cansativo….

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5 COMENTÁRIOS

  1. “Se fizer uma lista dos comentários mais comuns que se fazem neste blogue, sempre que o assunto é sindicatos, a pergunta mais fatal é……….”

    Pelo que leio, a pergunta mais “fatal” é:
    Para que servem estes sindicatos?

    E depois vem 1 longa lista de estados de alma:
    Traidores!
    Só pensam na sua vidinha!
    Querem é férias!
    Não querem é dar aulas!
    São colaboracionistas!
    É tudo farinha do mesmo saco!
    Eles querem é resolver o seu problema!
    Não respeitam nem representam os zecos!
    Ai, que não conseguimos nada!
    Ai que nunca conseguimos nada!
    Ai, que nós zecos, precisamos de um herói que nos indique o caminho;
    Ai, que já rasguei o cartão!
    Ai, que o vou rasgar!
    Colegas, saiam dos sindicatos!

    • É isso mesmo, Pedro!

      E ainda falta o :

      – Acordem!
      – Ai que somos tão humilhados!
      – Ai, que somos tão coitadinhos!
      – Ai, que o que eles querem é férias e surf!

      Ai, os Ais de Portugal!!!!

  2. Sem transparência não há democracia. É assustador viver num país em que a corrupção parece ter atravessado toda a sociedade… todos os setores…

  3. Haverá alguém que ainda acredita nos sindicatos dos professores?
    Ainda ontem, uma amiga minha desabafava: “É por isso mesmo que eu não me sindicalizo. Sendo eu educadora de infância só aceitarei pagar quotas para um sindicato de educadores de infância, não admitindo que professores do 1º ciclo (ou de qualquer outro ciclo) estejam inscritos no meu sindicato”.
    E eu tive que lhe dar razão. De facto, os Magistrados do Ministério Público não se inscrevem na Associação Sindical dos Juízes. Do mesmo modo, os enfermeiros, apesar de serem titulares de uma licenciatura, não se vão sindicalizar no Sindicato dos Médicos.
    Por isso, é de desconfiar destes sindicatos que dizem defender os interesses de todos. Desses já estou servido. Chega-me o António Costa ou quem estiver no lugar dele.

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