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“Uma criança passa, em média, cerca de 45 a 50 horas na escola, das quais 35 sentadas”

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A maioria das crianças deixa de gostar da escola logo no 1º ciclo. Todo o processo de ensino aprendizagem é muito mais fácil se o aluno gostar da escola, gostar da sala de aula, gostar do professor. Há escolas que fazem um excelente trabalho logo no 1º ciclo, ao conversarmos com os alunos constatamos que sentem prazer em aprender, querem aprender, são curiosos, estão estimulados e conseguem ler e escrever tão depressa como os outros. Já aqui falei que a passagem do pré-escolar para o 1º ciclo é muito violenta, origina uma aversão muito grande nos alunos e causa problemas na rotina familiar, fruto da obsessão incompreensível dos TPC em dose industrial.

Portugal está no TOP 10 da obesidade infantil e no dia que a Rosa Mota ganhou uma mini-maratona aos 60 anos, convém refletir sobre o tipo de valores que queremos transmitir aos nossos alunos e pensar nas verdadeiras prioridades…


As crianças brincam cada vez menos e isso prejudica o seu desenvolvimento

Brincar é assunto sério. Tão sério que na Declaração Internacional dos Direitos da Criança que hoje, 20 de novembro, comemora 59 anos, pode ler-se «Brincar é um direito inegável, independentemente do lugar do mundo e das circunstâncias em que vivamos». É um direito, uma mais-valia, uma aprendizagem e uma oportunidade para formar – ou estreitar – laços. No entanto, as crianças brincam cada vez menos e as consequências começam a notar-se. Onde para a brincadeira?

Quando exatamente é que a brincadeira deixou de ser uma parte fundamental da infância? Entre a entrada da tecnologia no quotidiano familiar e um aumento generalizado dos níveis de stress na idade adulta, foi diminuindo o tempo e a liberdade de as crianças serem crianças.

Para Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Nova de Lisboa, existe claramente um problema para resolver.

«Uma criança hoje passa, em média, cerca de 45 a 50 horas na escola, das quais 35 sentadas. Em casa, estão no sofá sem poder explorar, descobrir, correr. 70% das crianças portuguesas brinca menos de uma hora por dia. Não temos harmonização entre o tempo passado a trabalhar, na escola e na família. A médio e longo prazo vamos ter problemas sérios de saúde pública relacionados com depressão e ansiedade.»

Longe vai o tempo das horas incontáveis a jogar à bola na rua. Com a noção de risco cada vez mais presente na nossa vida, os pais passaram a controlar cada passo dos mais pequenos. Para o professor, esta noção nem sempre está correta.

«Existe uma superproteção parental generalizada porque há uma perceção exagerada do perigo. Mas Portugal é o quinto país mais seguro do mundo. Não tem sentido essa ideia.»

Com a vida preenchida ao minuto, sobra pouco tempo livre para as crianças desenvolverem a sua autonomia. As brincadeiras tornaram-se momentos estruturados, sem espaço para aventuras, trambolhões ou roupa suja.

O pediatra Mário Cordeiro defende que planear não é mau, mas há que deixar espaço para o imprevisto. «Podemos planear uma atividade e ainda ter espaço de liberdade e imaginação e, acima de tudo, espontaneidade.»

Já Carlos Neto defende que tempo livre não é o mesmo que tempo planeado para brincar. «O brincar não se ensina, o brincar vive-se. As crianças precisam de tempo livre, verdadeiramente livre. Este é um direito fundamental para o seu desenvolvimento.»

E culpar a tecnologia não é o caminho. «O mundo tecnológico veio para ficar como a televisão nos anos 1960. Temos de conviver com ele e trouxe-nos muitas coisas boas. Não devemos submeter as crianças à tecnologia desde cedo, é danoso. Agora tem de haver bom senso em perceber que o corpo tem de ser ativo. As crianças não podem viver o mundo só na ponta dos dedos», considera o especialista.

A falta de tempo, os horários sobrecarregados dos pais, as inúmeras responsabilidades que acumulamos. Os pais chegam cansados a casa e sobra pouca energia – física e mental – apara brincar com os filhos. A média de tempo útil dos pais para brincar com os filhos são 27 minutos por dias apenas. Para o professor, «o problema é que as crianças são vítimas do trabalho dos pais. Não existe qualidade de tempo familiar em Portugal.»

Fonte: DN via Crianças a torto e a Direitos

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11 COMENTÁRIOS

  1. TÊM PACIÊNCIA PARA LER…Pois LEIAM até ao FIM… Ou então, nem comecem, porque mais vale! Ok?
    Estamos perante um caso que é tal e qual o que foi retratado no conto intitulado “O VELHO, O RAPAZ E O BURRO”.
    ENFIM… O POVO É ESTÚPIDO e NINGUÉM CALA AS BOCA DO MUNDO
    Como dizem? A uma criança passa 45 a 50 horas… NADA MAIS FALSO…
    Que texto estúpido. Só há 5 horas de aulas… e nem sempre estão sentadas… como fazem estas contas??? ESTÚPIDOS, que não têm mais que fazer dizem coisas absurdas!!!
    Estive 7 anos em Espanha e NUNCA houve este tipo de comentários. Se passassem 7 horas em casa no computador (e tenho casos de alunos assim!!!!) que diriam??? NADA. Ninguém se pode meter na BOA EDUCAÇÃO que os pais desejem dar. PONTO FINAL
    De facto, NA ESCOLA, OS ALUNOS PASSAM APENAS 25 HORAS.
    Ou será que os docentes estão nas escolas 45 a 50 horas???
    Uma coisa é a Escola… (e bem podiam deixar a Escola fazer o seu trabalho em Paz…)!
    Outra coisa é aquilo a que se designou chamar a ESCOLA A TEMPO INTEIRO como se fosse a panaceia para os males da sociedade que não tinha onde ocupar os filhos em horas extra-escolares. Assim, muitas dessas horas são passadas nas CAF (agora denominadas de AAAF, que confesso ainda nem sei o que significa!!). E as HORAS PASSADAS NA CAF… NÃO É PASSADAS NA ESCOLA. Estão no Edifício Escolar, Não estão naquilo que é o conceito de ESCOLA.
    NÃO CONFUNDAM AS COISAS… Não digam que estão na escola porque estão MENTIR e a maltratar a Escola. Na verdade, se essas actividades decorressem noutros espaços (que não há… porque neste país se gasta mais dinheiro em campos de futebol para ficarem às moscas do que em melhoria dos espaços de aprendizagem)…
    Mas, (diziam os sábios da estupidez nas televisões e noutros meios de comunicação social) as ESCOLAS estavam SUB-APROVEITADAS ao serem destinadas apenas a AULAS… Agora, que meteram lá tudo (Só faltam camas para dormirem!) criticam o NÚMERO DE HORAS Que passam na ESCOLA quando na verdade é o número de horas passadas no RECINTO ESCOLAR e NÃO NA ESCOLA!

    Especialistas para todos os gostos e feitios mas que não produzem nem enformam Leis em Portugal. Vejamos um comentário do texto:
    Diz o especialista que:
    «Uma criança hoje passa, em média, cerca de 45 a 50 horas na escola, das quais 35 sentadas. Em casa, estão no sofá sem poder explorar, descobrir, correr. 70% das crianças portuguesas brincam menos de uma hora por dia».
    A pergunta é: Que fazem durante os intervalos (30 minutos pela manhã, 30 minutos (ou 45 minutos) pela tarde… e uma hora livre na interrupção para almoço (já não contando a meia hora que passam no refeitório! a almoçar?
    Ah… Claro. Têm aulas de Matemática ou de Inglês… ou de Português..:! Por isso, não podem brincar na hora do almoço… Não me façam rir… Só brincam menos de uma nora??? Que triste é o investigador que chega a estas conclusões…!

      • Quais são as boas metodologias? Cite-me, por favor, estudos académicos fiáveis, que mostrem que a metologia que defende, seja ela qual for, é melhor que uma outra, supostamente, mais conservadora. Ou é tudo uma questão de ”achismo”? Falo , claro, em aprendizagens de um currículo.

        • Estudos académicos??? Quer levar a conversa para estudos académicos??? A minha prática fundamenta as minhas convicções, tal como a sua deve fundamentar a sua… Porém, há uma diferença entre nós, eu aceito que existem várias metodologias e todas podem resultar consoante os alunos que estão à nossa frente, o Afonso só aceita a sua.

          • Não queria entrar num diálogo mas o problema parece-me exactamente o contrário, não me refiro a si, mas já assistiu a uma destas novas homilias de promoção do 54 ou do 55? Eu tenho de trabalhar segundo um conjunto de crenças como, por exemplo, cito de uma dessas homilias ” o professor é um facilitador de conhecimento” ou, mais conhecida, ” é mais importante o processo que o resultado”. Eu tenho de engolir isto mesmo que o ache nefasto para os meus alunos e para os meus filhos! O que deve existir é um currículo não uma prescrição de crenças metodológicas!
            Digo-lhe mais quando o dr. Justino voltar a ministro, ou outro como o professor Nuno Crato tem consiência que tudo isto vai para o lixo? Ou não?
            A minha prática fundamenta algumas das minhas convicções mas, quando tenho de escolher , leio o que dizem os estudos credíveis e não me limito a seguir, exclusivamente, as minhas convicções.

          • Bom senso… acima de tudo bom senso e compreender que na Educação existem vários caminhos e não existem certezas nem verdades absolutas.

          • Concordo consigo, Alexandre.

            Não há melhor quer para professores quer para alunos do que reflectir sobre quais as metodologias e estratégias que num dado momento funcionam melhor.

            Sem quaisquer fundamentalismos. É estar atento e ter uma razoável bagagem teórica e experiências falhadas e /ou com bons resultados .

  2. O Joaquim Ferreira já disse tudo. O objetivo de certas notícias é de cariz estritamente ideológico e serve alguns lobbies, ou uns quantos pós-modernos, que diabolizam os conhecimentos em detrimento de uma pedagogia que despreza a aprendizagem e valoriza apenas o processo. Têm , à custa disso, enxovalhado professores e a Escola Pública. Pena é que na sua amada Finlândia os alunos gostem muito menos da escola do que os alunos portugueses, mas isso já não interessa nada porque, o que se pretende, é arranjar uma ”verdade” à medida da sua crença.
    Deixo uma historinha sobre um aluno , filho de conhecidos, que passou de uma escola , das denominadas inovadoras, onde não há chumbo, para um colégio privado gerido por freiras. Isto aconteceu porque os pais ”toparam” que o rebento, que passou este ano para o 10º ano, não sabia patavina e tinha avaliações espectaculares… Neste momento a ditosa criança, que era praticamente um génio, tomou consciência que não sabe nada, tem avaliações miseráveis e os papás abrem a bolsa para lhe pagar explicações pois ele não acompanha a turma! Esta hisória é verdadeira e presumo que se vai generalizar com a nova legislação modernaça…
    Ainda mais uma historinha…Um dos meus sobrinhos, que frequenta agora o 5º ano, foi fazendo uns testes por este período… Está muito feliz porque as terríveis e anacrónicas fichas para avaliar conhecimentos são muito fáceis e, segundo ele, todas de cruzinhas… Está na flexibilidade e os professores dizem-lhe que as fichinhas são assim para dar hipóteses a todos… Se isto é catastrófico, uma vergonha? Que vai ter consequências terríveis e gerará grandes desigualdades? Sim, vai! Mas o que é isso se há uns quantos iluminados. que fazem os alunos de cobaias, acharam neste governo a oportunidade das suas vidas!
    Já agora, Alexandre Henriques, diga-me, por favor, se assim o entender, se existe desporto sem repetição, exaustiva de processos… E depois repetir de novo, de novo, de novo… O mesmo na Música; na dança… Do trabalho e da assimilação de processos é que nasce tudo o resto! Ou não?

    • Eu posso mandar correr os alunos 10 minutos ou mandar correr os alunos a driblar ou a conduzir uma bola. Eu posso utilizar exercícios analíticos ou incluir situações de competitividade. Trabalharei os mesmos conteúdos, mas terei alunos com diferentes motivações e um aluno mais motivado aprende melhor. O problema é que para os puristas do ensino tradicional esse é o único que é válido, aliás, revela uma grande coerência, pois a inflexibilidade é patente até na intolerância para com outras ideias e formas de ensinar.
      E fala em sobrinhos eu falo numa filha, está no 4 ano e de educação física, expressão dramática ou música teve 0 aulas… 0… E são obrigatórias!

  3. Eu tendo a concordar muito com o texto publicado.
    Os alunos passam muito tempo na escola – nas aulas e no espaço escolar. Carregam quilos nas mochilas, levantam-se cedo e saem da escola tarde, almoçam na escola, lancham na escola e têm aulas de 90m., a seguir a aulas de 90m e assim sucessivamente. Os intervalos, para quem tem a sorte de ter razoáveis espaços, parecem ser curtos para se aliviar um pouco. O currículo é extenso e os programas das disciplinas também o são. Dizem-me que a flexibilidade, as novas práticas pedagógicas do séc XXI compensam todos estes constrangimentos. Mas o que vejo é cada vez mais manuais digitais a serem projectados e mais powerpoints. Os alunos estão sentados e copiam para o caderno ou manual. Estou a referir-me a alunos sem problemas de comportamento e/ou outros. Olho para as salas, através dos vidros, e sinto uma enorme tristeza.
    Leio que os alunos portugueses são dos que gostam mais da escola, por oposição aos finlandeses.
    E vejo alguma lógica nestas respostas – os alunos portugueses não têm outras alternativas. As famílias trabalham até tarde e têm de ficar em algum sítio. Talvez os alunos finlandeses brinquem mais fora da escola e do recinto escolar porque os pais os vão buscar pois as suas condições de trabalho assim o permitem. E passeiam e brincam. Por muito que se goste da escola, qual é a criança que a prefere a esse espaço de tempo de brincadeira não planeada?

    Mas posso também falar nos adolescentes, já no ensino secundário.Tive uma aluna excepcional, com altas capacidades, que dizia que podia ter 19 e 20 valores a todas as disciplinas (e tinha) mas que tinha chegado à conclusão que não era só isto que queria da vida. Fez uma reflexão e viu que não queria passar o tempo a estudar, incluindo fins de semana a fio. Queria sair, ir ao cinema, ao teatro, fazer trabalho de voluntariado e estar com os amigos. E não iria mais prescindir disso.

    Mas, voltando um pouco atrás, gostaria ainda de referir a completa e inenarrável parvoice do calendário escolar – um 1º período enorme, seguido de um 2º igualmente longo e finalizando num 3º período de meter o Rossio na rua da Betesga. Não há pausas (já houve, mas foram retiradas ali para a semana de Novembro) e a semana do Carnaval também foi retirada, como se 2 dias de aulas fizessem a diferença. E depois, pasme-se, têm férias de Verão com duração de 3 meses! Tudo porque dá trabalho mexer no esquema e na sujeição deste calendário às tradições religiosas.
    E termino, porque já vai longo, dizendo que sempre detestei a escola e que só gostei quando entrei na universidade e que uma das maiores alegrias, depois de ser mãe, era poder ir buscar os meus filhos à escola para irmos lanchar e brincar nos jardins cheios da companhia de amigos e vizinhos. Creio que saíram um pouco à mãe em relação à escola. Não me lembro de lhes ter perguntado isso. Talvez porque já soubesse a resposta. Cresceram seres sociáveis, cultos, educados e com grande amor à liberdade.

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