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Um olhar mais largo sobre (de) formação de professores….

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Daniel Goleman vem a Portugal. Quem tenha interesse por gestão de pessoas e pelo tema que lançou globalmente (inteligência emocional) fica com a nota de que estará em Lisboa em Maio para o World Leadership Forum. Até 8 de Março, o passe dos 2 dias “só” custa, para o ouvir e outros palestrantes, 1095 euros.

Custa tanto como as propinas de uma pós-graduação. Ou pouco menos que o salário mensal de um professor… E quem fizer a inscrição, nem sequer a consegue deduzir toda no IRS como despesa de formação. Logo, não é para professores. Podia ser, mas não é. (Vamos lá ver se o ME não compra uns passezinhos para os seus dirigentes, mas esses não são professores; ou se com a moda da “liderança” escolar, não financia os diretores mais amigos…).

Goleman suscita naturalmente perspetivas críticas, e até oposição, mas gostava de ter a possibilidade de o ouvir. E inteligência emocional (mesmo que olhemos o tema com sentido crítico) é claramente tema de interesse para professores.

Porque não um cheque formação?

O que o Estado pretende gastar com a minha formação podia ser canalizado para eu escolher livremente o que quero fazer. Se o Estado paga uns 25 euros/hora para haver formação para profs (fora o que custa a infraestrutura, que dará uns mais 2,5 euros/ hora).Se tenho de fazer 25 horas ano, isso significa uns 690 euros ano. Imaginemos que o Estado, em vez de se por a organizar formação à sua moda, me dava a escolher: “recebe uns 500 euros ano para gastar e faz o que entender” ou faz a formação gratuita que lhe damos…(em suma, o cheque formação para professores).

Animava a economia e alargava a escolha. Admito que não fosse popular na estrutura que certifica e organiza. Estrutura que supostamente devia ser gerida com participação dos professores, na escolha de opções, mas acabou centralizada na opção política do Estado e na mão dos diretores. Os seminários de curta duração já foram um passo, mas ainda há muito a corrigir aí. Como o Paulo Guinote refere, tantas vezes, era bom era ter liberdade para ir aos seminários e congressos que escolhemos e ter liberdade temporal para o fazer sem “orientações centrais“.

Por exemplo, vários cursos que fiz com outros profissionais (e a maior crítica que faço é o isolamento da formação dentro da classe), sobre coisas que “não têm nada a ver“, teriam outro enquadramento. Por exemplo, estudar, centenas de horas, entre outras coisas, de comunicação, gestão de relação com media, gestão de pessoas, marketing público, procedimento administrativo, direito internacional, políticas públicas e planeamento estratégico (etc) nunca me deram um crédito na carreira que fosse, mesmo se não trocava na utilidade essa formação por outras que por aí andam. Aliás, o Estado tem beneficiado dessa utilidade, mesmo sem a reconhecer, nas funções que tenho executado, além das aulas.

O efeito bom na imagem docente

Além disso, a maior riqueza dessas experiências formativas, curtas ou longas, foi o contacto com outros profissionais de outras áreas. Muito diferentes seriam as nossas escolas, se os professores, em vez de se reciclarem em circuito fechado, o fizessem, em parte do tempo, em contacto com outros profissionais. E muito diferente (para melhor) seria a imagem dos professores junto dos outros profissionais. Acho que os meus amigos juristas, engenheiros, jornalistas, enfermeiros, vendedores ou artistas, que me conheceram nesses cursos, serão, um bocadinho que seja, menos “xenófobos” face aos professores por terem conhecido um, como parceiro de formação.

Formação fora da caixa

Boa parte do valor que dou a essa formação não certificada para a carreira docente (e algumas são cursos superiores, mas não me servem de nada na carreira), passa por coisas como, ver realidades novas do mundo do trabalho, ou obter contactos com profissionais de outras áreas. E acho que isso me ajuda muito na vida da escola (embora também me arranje algumas incompreensões junto de quem prefere uma escola “mais fechadinha”). E gostava de fazer mais, mas o tempo (e o dinheiro) não dá.

E não é por as áreas em que sou formador certificado há uns 15 anos (cidadania e administração escolar) estarem agora na moda do Ministério, que mudo de ideias. Os professores deviam poder, de forma mais fácil, fazer formação fora do circuito dos centros de formação/ensino superior da área docente. Pelo menos em parte dos créditos. E tenho cá para mim que isso faria mais “flexibilidade” que todas as teorias gastas e recauchutadas sobre essa palavrinha maltratada que por aí proliferam.

Goleman este ano é que não dá… muito caro.

PS:

Muitos me dirão que isso da Inteligência emocional não interessa nada às escolas e até desvalorizarão. Li e estudei “umas coisas” e reconheço virtualidades à abordagem. Mas, para discutir o assunto, é preciso conhecer os pontos de vista dos defensores e os críticos. Experimentar….

Por desfastio, decidi procurar na internet o que há, nos próximos tempos, sobre inteligência emocional nas minhas redondezas minhotas. Nada disto dá créditos, mas aqui ficam umas ideias em pesquisa rápida.

Se procurasse mais, acho que encontrava outras coisas (no presencial, e ao longo do ano, há bastantes em Lisboa e Porto, de durações e custos diversos).

Num site de eventos (chamado Eventbrite) encontrei no Porto um curso da entidade GPCF em finais de Fevereiro (a pagantes). Há mais.

Nesse site (e é bom estar atento a coisas dessas por conta de enriquecer a vida) anunciam também para fevereiro (21), que até pode fazer-se um workshop de graça, com 4 horas, promovido pela Associação Comercial de Braga e pela entidade Deugiro. Pelos vistos, a Associação tem em marcha, há algum tempo, uma iniciativa a que chama ACB business talks e tem havido sessões interessantes sobre vários temas (alguns com interesse para quem trabalha com pessoas).

Já sei que alguns me vão dizer com preconceito que não acham bem estar em workshops para comerciantes. Já fui comerciante e dei formação a comerciantes e, por isso, encaixo muito mal o preconceito. E tê-lo sido, foi bom para o meu trabalho atual. O Marquês de Pombal acabou no século XVIII com a degradação de nobreza por se ser comerciante, mas há quem não tenha reparado.

Falta saber se a ACB deixaria entrar não comerciantes. Não verifiquei, mas fica o link se houver interessados. O programa parece-me uma boa introdução ao tema. E até pode haver professores que sejam também comerciantes, certo? E como, por aqui, há pais e encarregados de educação, umas ideias de inteligência emocional, para o negócio ou para relações pessoais, mal não farão.

Ainda em Dezembro, em Braga, houve um curso a 235 euros. O formador lá tem um currículo com muitas siglas e pelos vistos é bastante requisitado e anda por aí. Faz outros workshops mais baratos.

Há cursos em elearning, portugueses como este (a metade do preço do anterior) ou na plataforma EDX online por 149 dólares (começou em 8 de janeiro, mas repete-se).

E como se vê há muito por onde procurar. Não dá é créditos….

O Goleman também não mas, esse, são mil palhaços!!!

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