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Um Dos Problema Dos TPC É A Falta De Articulação Que Existe Nas Escolas

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No tempo em que fazemos petições por tudo e por nada, não surpreende a criação de  uma petição para abordar um tema tão polémico como os trabalhos de casa. José Eduardo Moniz lançou no seu programa Deus e o Diabo, uma petição que já conta com mais de 9200 assinaturas.

Um dos pontos que não vejo abordado na temática dos trabalhos de casa é a dificuldade que a escola tem em articular-se no seu envio. Se no 1º ciclo é para mim óbvio que os TPC devem ser q.b ou inexistentes, servindo como um complemento de autonomia ou para completar uma tarefa que ficou por fazer, nos restantes ciclos de ensino, com a limitação de horas por disciplina, é normal que os professores peçam aos alunos um reforço suplementar.

Este reforço pode ser bem-vindo se devidamente enquadrado, mas em 17 anos de carreira, confesso que não participei em nenhum conselho de turma onde os professores abordassem as necessidades dos trabalhos de casa, organizando-se de modo a impedir uma sobrecarga, nomeadamente em períodos de testes, apresentações ou trabalhos de grupo extra-escolares.

Em Espanha o caminho que está a ser percorrido visa uma limitação dos trabalhos de casa, em Portugal, várias escolas estão a seguir a mesma bitola, até porque não está provado que a quantidade de TPC seja sinónimo de melhor aprendizagem. Os riscos de discriminação por incapacidade dos encarregados de educação em ajudar os seus filhos, o tempo que estes roubam a atividades extracurriculares ou de lazer em família, têm um peso cada vez maior no momento do professor marcar TPC.

Os professores passam demasiado tempo com cruzinhas disparatadas quando deviam debater questões pedagógicas fundamentais para o sucesso dos seus alunos. Falta uma maior articulação, falta tempo para estabelecer essa articulação e falta vontade para que a mesma aconteça. Enquanto assim for, esta “guerra” vai continuar…

Fica o link para o debate sobre os TPC para quem não viu e a respetiva petição para quem quiser assinar.

Alexandre Henriques

“Deus e o Diabo”: TPC

Trabalhos de Casa Limitados Em Espanha

Petição: Para limitar os trabalhos de casa das crianças

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24 COMENTÁRIOS

  1. Uma discussão ridícula. Por mim agradeço, muito, que os professores dos meus filhos marquem TPC. Acompanho-os , com gosto, e não há dramas!
    Quanto ao abaixo assinado o Dr. Moniz faria bem em fazer um abaixo assinado a para que os pais pudessem estar mais tempo com os seus filhos, também a fazer TPC, tendo um horário laboral decente. Outro abaixo assinado para que esses mesmos filhos, desses mesmos pais, permanecessem menos tempo na escola… mas isso já era muito chato porque os capatazes não iriam gostar, pois sequestram os progenitores com salários miseráveis e esperam que o Estado armazene as crianças…
    Doutro modo seria bom que, alguns pais, friso, alguns pais, cumprissem o seu dever de progenitura e não armazenassem mais um pouco os seus filhos em actividades mil ,que parecem mais importantes que a escola… Ou então, não tendo tempo para os TPCÊZINHOS os seus rebentos passem horas, durante a semana , à frente de écrans de natureza diversa, por horas, e horas, e horas…
    Quem é o sr. Moniz, e outros que pensam como o senhor Moniz, para impor por decreto algo que não é, já agora , obrigatório???? Os meus filhos fazem TPC! Eu quero que eles façam TPC! Os pais dos meus alunos pedem-me que marque TPCS!
    Mais uma idiotice do pós-modernismo que se centra no ridiculamente acessório e se borrifa para o essencial! Não querem trabalhos de casa? Não os façam e deixem que os faz em paz!

    • Concordava que o seu filho tivesse 40 fichas para fazer durante a pausa natalícia?
      Concorda que um aluno tenha 3 testes numa semana e trabalhos de casa a 3/4/5 disciplinas diariamente?
      Pergunto-lhe Afonso, qual a vantagem pedagógica?

      • Sou mãe. Gostava muito que a minha filha troxesse trabalhos de casa na interrupção letiva do Natal, e noutras, mas infelizmente nao trouxe nada para fazer. Tive de ser eu a arranjar fichas (talvez pouco adequadas) para ela fazer por forma a evitar que ela estivesse ainda mais horas no telemóvel e afins.

        • E que tal tirar(limitar) o telemóvel e afins e dizer-lhe para ler um livro, brincar, passear o cão, arrumar a loiça, estar com a família, estar com amigos, etc, etc, etc…

    • Concordo, plenamente.
      Aprende-se fazendo. Não vale a pena reinventar a pólvora. O problema não está nos tpcs. Estão, como sempre, a começar a casa pelo telhado. O problema está no número exagerado de disciplinas das matrizes curriculares e no facto de as crianças passarem mais de 12 horas por dia na escola!
      As crianças deveriam estar na escola, com aulas, apenas, das 8 às 13h. As tardes seriam para tpcs, actividades extra curr. E brincadeira porque tn precisam!

      • Por isso é preciso que os professores se ajustem à realidade e não passem por cima como simplesmente não existisse.

  2. Eu não concordo nem deixo de concordar com os Tpcs. Depende dos Tpcs, depende do seu objectivo depende da quantidade e de outras variáveis.
    Mas, se a resposta tivesse de ser sim ou não, responderia Não, atendendo ao que o Manuel referiu.

    É nas aulas (ainda por cima de 90 minutos) que se aprende “fazendo”. Há tempo para essas tarefas no tempo de aula. E tem, pelo menos, 3 vantagens:
    1ª- O professor orienta, verifica e verifica quais as dificuldades;
    2ª- Os alunos podem trabalhar em grupo e haver uma interajuda;
    3º O professor tem oportunidade para um abordagem mais individualizada, ou seja, pode responder às dúvidas dos alunos que estão a apresentar mais dificuldades.

    Concluindo, este espaço de aula para estas actividades revela-se muito mais natural e vantajoso do que dizer aos alunos para as fazerem em casa.

  3. Como ex-EE, “o que eu sofri” com os trabalhos de casa dos meus filhos!

    E vou só dar este exemplo: quando eles frequentavam o 7º ou 8º anos, lembro-me que na altura das férias do Natal ou da Páscoa havia sempre um trabalho de grupo a fazer – ou era sobre a civilização romana ou sobre os presidentes da república, ou maquetes para isto e aquilo.

    E lá iam as mães (geralmente eram as mães) a transportar os seus rebentos para casa de um ou para casa de outros para fazerem esses trabalhos. Era uma alegria desgraçada!

    Até que na reunião de pais afirmei que os meus filhos não fariam mais trabalhos de grupo deste modo e nas interrupções lectivas. Nem aos fins-de-semana. E expliquei porquê.
    A partir daí, as coisas melhoraram, pelo menos a nível destes “Tpcs”.

    Como professora, a experiência foi-me mostrando que não precisava de “mandar” Tpcs para ninguém. Aquilo não me dizia nada. Uns vinham feitos pelos explicadores, outros com a ajuda das mães e dos pais (coitados, já não lhes bastava o cansaço com que chegavam a casa) e outros não os faziam mesmo porque diziam que não tinham percebido.

    Então, pensei : Continuar a fazer isto para quê?
    A partir desse momento afirmo nas primeiras aulas do ano que na disciplina não há Tpcs. Faz-se tudo na aula e eu lá estou para verificar e explicar e ver os alunos a interagirem uns com os outros. Também só têm os “testes” em semanas onde não têm mais nenhum “teste”.

    Podem dizer que sou muito séc XXI. Mas vou dizer-vos um segredo: não perco tempo a ver TPCs e os “testes” saem com mais estudo porque são realizados sem a pressão de uma semana a fio cheio deles.
    Todos saem a ganhar- alunos, professores e EEs.

    • Ana,
      Qual é a sua disciplina e qual o nível?
      É que o argumento não funciona para todas. Novamente, estamos sempre a comparar o incomparável.
      No secundário, os programas são muitos extensos e o número de aulas manifestamente insuficiente para os cumprir. Os tpcs servem para consolidar a matéria fora da aula, ao rítmo de cada um. Se isso for feito em aula, então vai ser preciso cortar no programa. Nas disciplinas com exame é impossível . Voltamos à estaca zero . Insisto: há que cortar na matriz, no número de horas de aulas, nos programas e repensar tudo!

      • Manuel,

        “Os tpcs servem para consolidar a matéria fora da aula, ao rítmo de cada um”.

        Tudo bem. Pode ser que sim. Mas, pessoalmente e profissionalmente, discordo. É que o “ritmo de cada um” pode significar o “as finanças de cada EE”. E aí não há qualquer equidade.

        Repito o meu argumento: a matéria consolida-se dentro da sala de aula ou no espaço escolar. Precisamente por considerar importante que seja feito ao ritmo de cada um com o apoio dos professores e dos colegas.

        Quanto aos exames e ao “cortar” no programa, também não vejo a questão deste modo. Cabe ao professor fazer essa gestão do programa e ter em atenção os alunos que tem pela frente, os seus pontos fortes e pontos fracos. Além disso, o “programa” pode e deve ser “dado” recorrendo a formas de optimizar o tempo.

        Quanto à sua última ideia, concordo que já estava na hora de se repensar muita coisa.

    • Senhora professora Ana,

      O que nos admirou, a mim e a minha esposa, foi:

      1) O baixo rendimento escolar, apresentado pelas baixas notas de parcela significativa de alunos, ao fim do primeiro período (trimestre) letivo de 2018/2019.

      2) As inúmeras escolas de explicação espalhadas pelas cidades e procuradas por pais que pagam para seus filhos fazerem o que deveriam fazer em casa. Isso não é paradoxal?

      • Se bem entendi o que escreveu, acho que sim , será paradoxal.

        E esse paradoxo poderá ser parcialmente explicado pelo objectivo dos Tpcs, pelas estratégias usadas nas aulas, pelo avançar-se sem que conhecimentos básicos sejam adquiridos e compreendidos, tal a pressa em “cumprir programas” ou, pior que tudo, em seguir religiosamente os manuais e, finalmente, pela fraca oferta das “inúmeras escolas de explicação”.

        (Não sei se respondi ao que pretendia, mas isto de comunicar online tem que se lhe diga….a começar pelo que hei-de entender ser “as baixas notas”. Se fôr como me dizem alguns alunos, especialmente do ensino secundário, classificações abaixo de 17 valores é muito “pouco”. Mas isto é toda uma outra questão)

        • Esqueci-me de um pequeno pormenor que é um enorme pormenor – a quantidade de alunos por turma – numa turma com 30 alunos, só por um golpe de magia é que se consegue chegar a todos. Com Tpcs ou sem Tpcs. Podem-se recuperar alguns alunos com dificuldades em determinadas áreas disciplinares e, mesmo assim, não será num curto espaço de tempo e será precisa muita motivação e muito reforço positivo.
          Numa turma com 15 alunos as coisas são diferentes. Aí nem se põe a questão dos Tpcs. Em condições normais, todos vão conseguir chegar a bom porto. Uns mais cedo, outros mais tarde.
          E é aqui que torno a concordar com o Manuel e à alusão de se construir a casa pelo telhado.

          Mas nunca ouvi da parte de EEs a referência a esta questão nem à questão de, na maioria das escolas haver aulas de 90 minutos, seguidas de mais 90 minutos e assim sucessivamente. Também não oiço da parte de EEs a preocupação em terem os seus filhos “aglomerados” em mega-agrupamentos, com tudo de negativo que isso traz às escolas , aos alunos e professores.

          Para quando uma petição neste sentido?

          • Entendi!

            Nas salas com 17 alunos, dentre os quais, repetentes de anos anteriores e alunos com muita dificuldade de aprendizado, os EEs de alunos com maioria de notas em Níveis 5 e 4 têm o direito de solicitar à Direção-Geral da escola que tranasfira seu filho para uma turma diferenciada?

          • Newton,

            Pelo que percebo, penso precisamente o oposto. Deviam ser os EEs dos alunos com muitas dificuldades de aprendizagem (alguns, muito provavelmente, com NEE) que deviam contrariar o despacho “da inclusão” uma vez que não se trata de inclusão nenhuma. Esses alunos terão problemas muito específicos que só equipas profissionais multidisciplinares poderão tentar resolver.

            Nenhum professor está apto para o fazer. Eu, por certo, não estou.
            Um bom resto de domingo, também

  4. Fernanda,
    Comigo era precisamento o contrário.
    Iam comigo ou com o pai ou com a avó a cinemas, teatro, museus, exposições de ciência para miúdos e de arte também,jardins, zoo, etc.
    E o que aprenderam com tudo isto!
    Também brincavam na rua com os amigos, andavam de bicicleta…. Claro que sempre com supervisão. Lembro-me que numa altura, até criaram uma actividade de muito empreendedorismo – faziam um crowfunding para comprarem os materiais necessários e lá iam eles e elas de balde nas mãos e produtos vários bater à porta da vizinhança para oferecerem o seu serviço de lavagem de carros…..ehhhhh. Belos tempos.

    E o que aprendiam com tudo isto. Nem queira saber!
    Neste caso, muita aritmética……..

    • Lamento, mas discordo porque não sei o que entender por “trabalho duro”. Se calhar se dissermos boa organização, tempo para reflexão, boas condições e outras variáveis, tempo para criatividade e para aprender, esteja de acordo consigo.
      Doutro modo, “trabalho duro” não corresponde à realidade em que vivemos nem ao que é pedido às futuras gerações, embora muito “empresário” luso assim pense. É que se extrapolarmos toda esta ideia para o que observamos, há “trabalho duro” que não “lustra” nada, antes pelo contrário.

      • Sabe o que vão ter as novas gerações Ana? Empregos precários! Sabe quem vai mandar no Mundo? A China, aliás em Portugal já manda muito… Há por aí uma ideia que o Sol continuará a sorrir para a Velha e Decadente Europa… A maior parte da Humanidade está-se borrifando para o nosso tique burguês, o egocentrismo mimado…
        Desconheço onde se arranja criatividade sem conhecimento! E conhecimento implica trabalho duro e sacrifício, seja na Ciência, seja na Música, seja no Desporto seja noutra área qualquer… Mas se tiver exemplos de que não é assim diga-me onde estão esses génios pelo descanso…
        Quanto ao futuro, o que se vê mesmo ao virar , são empregos mal remunerados e precários… Alguns dizem que para isto é necessário assim uma escola para o mansinho, pouco conhecimento, Filosofia e História deitadas fora, um discurso esotérico sobre softskills , flexibilidade , e outras tretas assim… É preciso habituar o burro à albarda!
        Espero estar eu enganado.

  5. Entendi!

    Nas salas com 17 alunos, dentre os quais, repetentes de anos anteriores e alunos com muita dificuldade de aprendizado, os EEs de alunos com maioria de notas em Níveis 5 e 4 têm o direito de solicitar à Direção-Geral da escola que transfira seu filho para uma turma diferenciada?

  6. Estou de acordo consigo em muita coisa. Especialmente com a ideia de que sem conhecimento dificilmente haverá terreno para criatividade.

    A expressão “trabalho duro” é que acendeu alguns sinais de alerta. Pelas razões que mencionou no final do seu comentário.

    Li há alguns meses um artigo no The Economist sobre “Bullshit jobs”. O autor é polémico, para não dizer muito polémico ,mas gostei de ler. E tem qualquer coisa a ver com este assunto que mencionou.

    Está aqui:
    https://www.economist.com/open-future/2018/06/29/bullshit-jobs-and-the-yoke-of-managerial-feudalism?fsrc=scn/fb/te/bl/ed/bullshitjobsandtheyokeofmanagerialfeudalismopenfuture

    E aqui também, no The Guardian:

    https://www.theguardian.com/books/2018/may/25/bullshit-jobs-a-theory-by-david-graeber-review

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