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tutoriaA semana passada, em termos de notícias educativas, deu continuidade à história das escolas privada pagas com dinheiros públicos (e algumas expetativas sobre o que se seguirá), trouxe uma notícia (sobre o ministro da educação) que não o chegou a ser entre outros pequenos casos. A escola e a educação são, de há muito tempo, capa de jornal, fator de venda de informação, centro de fazedores de opinião e publicistas disto e daquilo.

Mas a semana passada trouxe também uma ideia interessante, as tutorias para alunos com duas retenções. Por que interessante, irá ser utilizada de todas as formas e feitios, sobre todos os pretextos ou simplesmente sem pretexto. Já por aqui se teceram comentários e análise, mas não perco a oportunidade de ser também base à minha comparticipação semanal.

As tutorias foram apresentada como uma alternativa aos cursos vocacionais, dos quais poucos ou ninguém gostava nem concordava, mas que hoje muitos aceitam (é o hábito) e mais ainda consideram necessários. Mas a tutoria não é e dificilmente se colocará como alternativa ao ensino vocacional (independentemente de perfil, competências ou problemas).

Vamos por parte, as tutorias. Surgem na sequência da implementação do decreto lei 319/91, que visava o ensino especial. No contexto nacional, as tutorias têm oscilado entre duas dinâmicas, umas vezes em contradição outras em sobreposição. Umas coexistem outras nem por isso. Uma concepção de base saxónica, do norte da Europa. Tem como caraterísticas principais visar o enquadramento, apadrinhamento, acompanhamento e orientação pessoal e social num dado contexto (cheira-me que será este o entendimento do senhor ministro, eventualmente por força da sua experiência pessoal). Uma outra concepção, assente em lógicas e princípios de âmbito mais familiar, mais do sul europeu. É uma ideia de concepção mais afetiva, mais relacional, que têm caraterizado e marcado a escola nacional. Isto é, de sermos um pai e/ou uma mãe para o/a menino/a, quando o que se precisa é que sejamos docentes.

Qualquer que seja a ideia a prevalecer, seja por via normativa e legal, seja por via de afirmações locais (de concepções ou protagonismos) o certo é que as tutorias não se podem constituir como resposta organizacional ao desinteresse, desmotivação, alheamento e indiferença do aluno. Nem tão pouco à falta de bases ou pré requisitos, à escassez de hábitos e métodos de estudo, entre as coisas mais ou menos habituais. A tutoria é um processo individual. A escola precisa de respostas organizacionais, coletivas. As escolas e os diferentes contextos educativos, por aquilo que consigo ver e perceber, precisam de alternativas ao ensino regular. Alternativas formais, que permitam aos docentes equacionar e implementar outras estratégias, outros modos de ação, outras práticas de relação em sala de aula (ou mesmo na escola). Mas que, ao mesmo tempo, não condicionem os caminhos e as opções ao aluno. Cedo ou tarde o aluno pode descobrir sentidos e opções pessoais e terá todo o direito de por elas optar e de lhe ser assegurada essa alternativa.

Mais importante ainda, no meu entendimento. As escolas precisam, numa primeira instância, de saber o que fazer quando o aluno é identificado como estando em risco de retenção. E isto é situação que acontece muito, muito antes do risco da terceira retenção.  

Pode ser um caminho, não será alternativa.

Manuel Dinis P. Cabeça

23 de maio, 2016

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