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O total “não” respeito banalizou-se

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Vivemos tempos estranhos, dado que fomos “baixando” continuadamente o “respeito” que deveríamos “ter” com o nossos semelhantes, e estamos numa “de vale tudo”.

Lidarmos em sociedade, uns com os outros, em certos momentos parece termos deixado de ser o “ser vivo mais importante que existe na Terra”. Animalizámo-nos o mais profundamente, possível! Vale tudo!

A nossa superioridade em todos os aspectos como “Humanos “ que ainda somos, não nos deveria permitir uma vez mais, estarmos num ciclo histórico em que o “respeito” passou a ser uma palavra desprovida de conteúdo.

Os velhos, os ainda mais velhos – idosos e mais idosos – somos olhados como os sorvedores de reformas e pensões, e custos de saúde, os de meia-idade estão entre os novos e os velhos e ficaram num espaço desacreditado, os jovens não sabendo bem que direcções seguir desorientam-se, as crianças como ninguém as educa fazem o que bem lhes apetece, para mais tarde, estarem ocos de cachimónia, de respeito, de princípios.

E, evidentemente com o “andar” destes tempos vamos retroceder no aspecto de respeito/polidez, dado que tão facilmente estamos a tudo e todos desrespeitar, que um dia já não se fará a mínima ideia do que quis um dia ser “estima”.

E como a História e a Memória limitam o que se passou na última semana, ou seja na próxima será esta e assim sucessivamente, vivemos um dia de cada vez, e, como cada vez mais selvagens nos tornamos, menos respeito sabemos o que é ser/ter.

E vamos deixando necessariamente de nos cumprimentar quando nos encontrarmos, com outros, dado que já nem vale perder tempo com “isso”. Já caiu em desuso assumir termos como “por favor, obrigado, não tem de quê, faz favor, desculpe”. Para quê? Para quê? Já não existe “bom dia, boa tarde, boa noite”, é perder tempo a fazê-lo/ dizê-lo.

A título de simples exemplo, as saídas de elevadores são feitas da forma mais estanha, uma vez que se os que estão para “entrar” tiverem mais força do que os que estão a sair, estes, arriscam-se a continuar a passear – por não ter conseguido sair – de elevador até encontrarem um grupo mais fraco, para entrar e assim, conseguem sair!

E, vamos normalizando estes comportamentos tão selvagens,  em que uma velha ou um velho tem que ir quase aos tombos, a pé,  num transporte público  dado que uma jovem ou um jovem – de preferência com os pés em cima do assento – têm mais que fazer que lhe facultar lugar, “que se lixem, vão a pé, que isto é nosso! “. “Seria o que mais haveria e faltar, levantar para o trengo do velho alapar”!

E tudo vai “no cada um por si, cada um que se safe”, sempre o “eu” primeiro, sempre o “eu” à frente, e quem vier atrás que espere, aguente, se quiser. Se não, morra de uma vez!

Outro simples exemplo, constante, numa fila de uma ATM, está “alguém” a utilizar a máquina e “mete, tira, põe uma série de cartões, espalha toda a tralha que traz, insiste em meter e tirar cartões”, e todos os que estão atrás que esperem, não fazem mais que a sua obrigação. Se fosse o contrário, gostariam?

Estes comportamentos transmitem-se a todos os outros, propagam-se com uma velocidade estonteante, e a queda de valores, vai-se dando num ápice.

E ainda não bateu fundo. Ainda haveremos de andar a cuspir uns nos outros, a atropelarmo-nos intencionalmente, a troçar sem razão de todos em qualquer local, e quando a palavra “ respeito” deixar de existir no Acordo Ortográfico (qual??) , irá ter que ser inventada, de novo e não vai ser nada fácil.

Mas todos ajudamos para que isto assim retroceda!

Augusto Küttner de Magalhães

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