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Topo e Fundo | O fim do ano lectivo e a greve do dia 21

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No Topo: O fim do ano lectivo

O fim das aulas para a maioria dos professores e alunos (no 1º ciclo e no pré-escolar continuarão por mais uma ou duas semanas, respectivamente) é sentido por quase todos, e por variadas razões, como uma boa notícia.

Foi, para a maioria, um ano longo e desgastante, com dois períodos lectivos enormes e um terceiro que, reduzido a menos de dois meses, obrigou em muitos casos a um stress adicional para que se conseguissem concluir todas as actividades planeadas.

Os dias encalorados de Maio e  Junho, evidenciando uma vez mais a impreparação das escolas portuguesas para funcionar com um mínimo de condições sempre que o calor aperta, reduziram o rendimento das últimas aulas do ano e fizeram ansiar ainda mais pela chegada das férias escolares.

Mas o fim das aulas não significa férias para os professores. A avaliação de alunos, o serviço de exames, a constituição de turmas e, finalmente, todas as burocracias inerentes ao encerramento de um ano escolar e ao lançamento do próximo, tudo isto irá ainda ocupar os professores nas escolas até bem próximo do final de Julho.

Paradoxo da educação portuguesa, continuamos a ser dos países com mais longas férias de Verão, mas também daqueles onde os professores entram mais tarde no gozo das merecidas férias.

No Fundo: A greve do dia 21

Foi precipitada a marcação desta greve que ninguém deseja, embora o impasse negocial com o ME acabasse por justificar a iniciativa da FNE e da Fenprof, as duas federações sindicais de professores.

Contudo, para que esta greve tenha sucesso há dois problemas que, nesta altura do campeonato, serão difíceis, senão impossíveis, de ultrapassar.

O primeiro é que uma greve de professores exige geralmente uma preparação prévia e surge de um crescendo de reivindicações e iniciativas de luta sindical. Ora o que tivemos foi um ano morno em termos político-sindicais, com escassa mobilização nas escolas e moderadas expectativas de que a “geringonça” educativa pudesse trazer aos professores as almejadas melhorias da sua situação profissional, sem necessidade de recorrer às lutas mais radicais de outros tempos.

O segundo é a vigência, desde 2014, de uma norma que inscreve a vigilância de provas de exame entre os serviços mínimos a assegurar, em caso de greve, no sector da Educação, Ora os sindicatos sabiam disto, e eventualmente agiram com alguma imprudência na marcação de uma greve que, a não ser desconvocada, e em virtude da imposição dos serviços mínimos, terá sempre um impacto muito limitado.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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