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Topo e Fundo | Convergência sindical e o ministro às aranhas

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No Topo: Convergência sindical

Há um profundo descontentamento da classe docente com o governo, resultado do eterno adiamento dos principais anseios e reivindicações dos professores. Que o anúncio do descongelamento das progressões na carreira a partir do próximo ano, apesar de em si mesmo ser uma boa notícia, agravou. É que os professores perceberam que o governo quer ignorar todo o tempo de serviço congelado – quase dez anos – para efeitos de progressão. E se isto era algo com que os mais realistas já contavam, o facto de aos restantes trabalhadores do Estado o mesmo tempo ser considerado agravou o sentimento de injustiça.

Contudo, os sindicatos da classe levaram algum tempo a interpretar este sentir da classe e a delinear formas adequadas de o exprimir em termos de luta reivindicativa. E entre a associação a greves da função pública, petições, greves ao primeiro tempo e greves aos tempos não lectivos, o que se notou foi uma clara divergência de acções entre os principais sindicatos. Isto pode servir para marcar posições e mostrar iniciativa, mas não é com estes taticismos que se defendem os interesses dos professores.

Não se sabendo ainda bem até onde a maioria dos professores estarão dispostos a ir na defesa dos seus direitos, percebe-se já que, sem greves e manifestações expressivas, não haverá abertura, da parte do governo, para ir mais além, relativamente aos professores, do que tem sido anunciado. A greve e a manifestação nacional marcada pelas principais federações sindicais para o dia 15 de Novembro são assim um primeiro teste à vontade e determinação dos professores, numa luta que poderá estar apenas a começar.

No Fundo: Um ministro às aranhas

Vai-se tornando cada vez mais evidente a impreparação e a falta de peso político do jovem investigador que António Costa foi buscar à Universidade de Cambridge para liderar o Ministério da Educação. Figura simpática e de início relativamente consensual, percebe-se que não está à altura dos problemas e desafios cada vez mais difíceis que tem pela frente.

A falta de liderança política no ME foi evidente logo nos finais de Agosto, quando a grande barraca do concurso de mobilidade interna exigia uma resposta política acima do economicismo imposto pelas Finanças e do juridiquês da secretária de Estado Alexandra Leitão. Tiago Brandão Rodrigues preferiu ignorar o assunto, esperando que o tempo e o cansaço dos professores acabassem por o fazer cair no esquecimento. Mas não parece ser essa a vontade dos professores lesados, que se organizaram e não desistem de lutar.

E de facto Tiago Rodrigues sente, provavelmente, que está a perder os professores. Sem respostas às suas reivindicações, sobretudo quando têm implicações financeiras, os representantes dos professores batem à porta dos ministérios da Educação e das Finanças sem encontrarem interlocutor válido. E foi então que o ministro, numa tentativa quase desesperada para se afirmar, se declarou, ao líder da Fenprof, disposto a defender os professores. Não nos disse é como o fará, nem que resultados devemos esperar.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

2 COMENTÁRIOS

  1. A melhor maneira de defender os professores é:

    1º- Dar mais autoridade ao docente e punir os diretores de agrupamento que abusam de processos disciplinares contra docentes e sem razão nem motivo, ou melhor em busca de motivos;
    2º-Descongelar as carreiras;
    3º- Permitirem a GRAVAÇÃO DAS AULAS EM PORTUGAL; Vão ver as surpresas…
    4º- Dar a possibilidade de reformar professores aos 55 anos de idade com 36 anos de serviço;
    5º- Criar uma Ordem de Professores.

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