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Topo e Fundo | As boas e as más perspectivas orçamentais para 2018

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No Topo: As boas perspectivas orçamentais para 2018

Quem se recorda hoje que, há um ano atrás, Mário Centeno era um ministro politicamente desgastado, fustigado pela oposição de direita por causa de um alegado escândalo com a anterior administração da CGD e dado por alguma comunicação social como estando de saída do governo?

A verdade é que a sua política de devolução gradual de rendimentos e de estímulo ao consumo das famílias e ao investimento das empresas, ajudada por uma conjuntura internacional favorável, não só foi em termos gerais bem sucedida como mostrou o desacerto da política austeritária do anterior governo de direita.

Um ano volvido, Centeno é dos ministros mais populares do governo e a eleição para a presidência do Eurogrupo mostra que também entre os seus pares europeus a competência do ministro e o acerto das medidas são reconhecidos. Com 350 milhões de folga orçamental, a dívida e o défice em retracção e a confiança progressiva dos mercados internacionais, a evolução recente da economia portuguesa suscita generalizado, embora moderado, optimismo.

Falta ver se um novo ciclo expansionista da economia irá ressuscitar os velhos vícios do regime ou será oportunidade para melhorar os serviços públicos, combater as desigualdades e promover a justiça social.

No Fundo: Há dinheiro, mas não é para gastar em Educação

Ao mesmo tempo que vão sendo celebrados os êxitos da política económica, no sector da Educação há uma realidade que continua a ser evidente e que tarda em ser revertida: não é investindo nas escolas, nos alunos e nos professores que o governo pretende aplicar os excedentes orçamentais.

De facto, a sucessão de notícias que marcaram o final de 2017 e os primeiros dias do novo ano dão conta de inúmeros problemas relacionados com a falta de verbas: escolas com falta de pessoal auxiliar, alunos ao frio porque os orçamentos escolares não permitem ligar o aquecimento, livreiros e encarregados de educação que ainda não receberam os reembolsos dos manuais escolares, cursos profissionais em risco de continuidade por não estarem a ser devidamente financiados. Para já não falar dos impedimentos administrativos que o governo, já se percebeu, pretende usar para limitar e retardar ao máximo as progressões de carreira dos professores.

Apesar de toda a retórica com que pretende valorizar a Educação portuguesa, a realidade demonstra que a missão educativa das escolas e dos professores e o sucesso dos alunos portugueses continuam no fim da lista das prioridades governativas.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Fico perplexo com a forma como consegue pôr no topo uma coisa e a mesma coisa no fundo.
    Sim, a mesma coisa.
    Ou acha que uma é desligada da outra?
    A arte esteve – está – em enganar quem quer ser enganado.
    Fique a saber que os serviços públicos todos – a educação também – tinham mais dinheiro no tempo da troika do que agora, que está tudo “preso por arames”.

    • São, se quiser, duas faces da mesma moeda. Há mais dinheiro, em virtude da recuperação da economia, e isso é seguramente boa notícia, mas não me parece que a “folga” orçamental esteja a ser usada correctamente quando não se investe como se deveria em sectores estratégicos para o desenvolvimento a longo prazo, como é o caso da educação.

      Acrescento que também não sou adepto do despesismo irresponsável dos tempos socratinos, e quando falo em investimento em educação não estou a pensar num simples atirar de dinheiro para cima dos problemas.

      Defendo, isso sim, que se deve identificar os problemas cruciais do sector e mobilizar os recursos necessários para os resolver, em vez de andar a inventar problemas novos, como querem fazer com a chamada flexibilidade curricular.

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