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Topo e Fundo | Os professores resistentes e os maus resultados dos exames

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No Topo: Os professores resistentes

Não faço parte do grupo – pelas minhas bandas as “hostilidades” terminaram, por entendimento mais ou menos consensual entre o corpo docente, na sequência da reunião do dia 11 – mas presto a minha sincera homenagem aos colegas que, corajosos e determinados, persistem em greve às avaliações.

São agora muito menos escolas do que inicialmente, as que continuam com reuniões por realizar: entre cem a duzentas, consoante as fontes. E mais de metade situam-se na região Norte do país. Mas embora o número de grevistas seja também menor, os que persistem na luta parecem, apesar do cansaço, manter objectivos claros: protelar o adiamento de reuniões até que os directores se vejam obrigados a deixar ir os professores de férias, remetendo os conselhos de turma para Setembro. E boicotar, dessa forma, tanto o encerramento do último ano lectivo como o lançamento do próprio dentro daquela “normalidade” que os governos tanto gostam de assinalar.

Exigindo especial motivação e espírito de sacrifício aos professores envolvidos, esta luta tem uma lógica e uma coerência difíceis de contestar. Por um lado: se chegámos até aqui, vamos agora desmobilizar sem que nenhum objectivo essencial tenha sido alcançado? Por outro: porque haveremos de querer ser “responsáveis”, priorizar o que nos dizem ser o “superior interesse dos alunos” e ajudar a cumprir a agenda política dos governantes, se os nossos direitos continuam a ser desrespeitados e as nossas reivindicações sistematicamente ignoradas?…

No Fundo: Os maus resultados dos exames

Os exames e provas nacionais continuam, ano após ano, a ser motivo de polémica. E 2018 não foi excepção. Desde logo porque o IAVE continua a não se mostrar capaz de manter, de ano para ano, um modelo mais ou menos consistente de prova, com um grau adequado e uniforme de dificuldade. E, não sendo pedir demais, critérios de classificação que também não variassem de acordo com as sensibilidades e humores de quem os elabora. Muito menos ao sabor de recados ou encomendas vindos do exterior…

Esta inconsistência acaba por ter efeitos prejudiciais na credibilidade dos exames, comprometendo uma das suas principais utilidades: a de avaliar externamente a forma como se ensina e aprende nas escolas portuguesas. As variações de resultados não nos dizem que os alunos vão saindo das escolas mais ou menos bem preparados – indicam-nos, isso sim, em que anos os exames foram mais ou menos difíceis.

Contudo, a alteração da estrutura ou dos critérios de avaliação das provas, sobretudo sendo feitas sem aviso prévio, prejudicam acima de tudo os alunos avaliados, como sucedeu este ano com os exames de Matemática A e de História A, ambas disciplinas trienais do 12º ano. Os exames a estas disciplinas, sobretudo no caso da Matemática, são determinantes não só para a conclusão do secundário, mas também para a formação da média de candidatura ao ensino superior. Uma leva anual de maus resultados no exame de Matemática reduz automaticamente o número de alunos em condições de ingressar no ensino superior.

Sem que se faça apelo a exames fáceis e avaliações sem esforço, há que olhar para as disfuncionalidades e defeitos do sistema que temos, estudando as formas de ajustar a avaliação externa às reais competências dos alunos, atestadas tanto pela avaliação contínua como pelas boas prestações dos alunos portugueses nos testes internacionais.

Este é o último Topo e Fundo de 2017/18. Esta rubrica semanal fica suspensa até ao final de Agosto. Desejo aos leitores e a toda a equipa de autores e colaboradores do ComRegras umas excelentes, retemperadoras e merecidas férias. Até Setembro!

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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2 COMENTÁRIOS

  1. No meu Topo concordo e muito com a escolha.
    No entanto, no Fundo escolheria a Plataforma dos sindicatos em virtude de estes defenderem a cartilha partidária.

    • Entendendo a maior parte das razões invocadas pelos outros sindicatos, não deixo de concordar em parte com a sua opinião.

      Entendo que a plataforma sindical deveria ter encontrado uma posição em que, não apoiando explicitamente a greve, com que estrategicamente não concorda, demonstrasse solidariedade e apoio aos grevistas. Nomeadamente aos sindicalizados da Fenprof e da FNE que continuam em greve.

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