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Topo e Fundo | ILC, ensino superior, OCDE, professores…

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No Topo: ILC, ensino superior, OCDE…

Numa semana parca de novidades em matéria educativa, nenhum acontecimento se destaca especialmente, pela positiva. Assim, ficam três breves referências a eventos desta semana cuja evolução futura merece ser seguida atentamente.

Depois de diversas peripécias e contratempos, a maioria das quais pouco abonatórias do modo de funcionamento do Parlamento e da qualidade da nossa democracia, a ILC a favor da recuperação do tempo de serviço foi finalmente agendada para debate parlamentar. Os seus proponentes foram chamados a depor, na próxima semana, perante os deputados. Embora não se devam alimentar grandes ilusões quanto ao desfecho do processo, parece que, desta vez, arranca de vez…

O ensino superior iniciou esta semana a sua convenção nacional. Saúda-se a iniciativa e a vontade de académicos e governantes discutirem publicamente o futuro do ensino superior. Percebe-se, como pano de fundo, um dilema complicado: a necessidade de continuar a crescer num contexto de declínio demográfico. As universidades e politécnicos querem ter mais alunos, o que implica discutir seriamente o modelo de financiamento e os apoios sociais aos estudantes mais carenciados. E atrair um público escolar cada vez mais alargado. O que obrigará a repensar as formas como, no ensino superior, se ensina e aprende.

Perante o relatório da OCDE que está a ser coordenado pelo antigo ministro Santos Pereira e onde se faria referência ao fenómeno da corrupção em Portugal, soube-se que o Governo protestou e exigiu a alteração do texto. O que veio evidenciar uma realidade incómoda: a consensualização entre os tecnocratas da OCDE e os governantes nacionais sobre o que se dirá nos relatórios é prática corrente, o que faz da organização tudo menos isenta nas suas avaliações. Uma realidade que deve ser tida em conta quando se lêem as considerações da OCDE sobre a Educação portuguesa…

No Fundo: Continua a campanha contra os professores

O tema não difere muito do que já por aqui se escreveu e a questão de fundo, já sabemos bem qual é: à carreira dos professores foram descontados, por conta do congelamento das progressões, quase dez anos de tempo de serviço. E a insistente reivindicação da classe pela sua contagem integral está a embaraçar o Governo, que conta com a estagnação salarial dos professores para continuar a reduzir a despesa pública no sector da Educação.

Sem vontade de dar uma resposta positiva às exigências dos professores, fragilizado pelo precedente aberto na Madeira e nos Açores, onde os respectivos governos regionais aceitaram a recuperação integral, isolado politicamente no Parlamento, o Governo e o PS recorrem, com a prestimosa ajuda de alguma comunicação social, às habituais campanhas contra os professores.

Desse modo, lá vamos sabendo que os professores portugueses não trabalham bem, pois as taxas de insucesso são ainda demasiado elevadas. Que, segundo um “novíssimo” estudo da DGEEC, só maus alunos vão para os cursos superiores de formação de professores. E que, dizem as sondagens, os eleitores dão razão ao Governo na disputa contra os professores e acham que estes se devem dar satisfeitos com os 2 anos, 9 meses e 18 dias que lhes foram “oferecidos”…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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