Início Editorial Todas as escolas estarão numa Flexibilidade Curricular facultativa. Confuso?

Todas as escolas estarão numa Flexibilidade Curricular facultativa. Confuso?

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Sim, é estranho mas é mesmo assim. Eu próprio fiquei um pouco confuso e só depois de postar a notícia do jornal Público é que comecei a vasculhar um pouco melhor esta questão.

Vou resumir em poucas palavras para não haver dúvidas sobre este assunto:

A flexibilização é uma gestão autónoma por parte das escolas e que pode ir até 25% do currículo.

No presente ano letivo, mais de 200 escolas aderiram ao projeto piloto de flexibilização.

O Ministério da Educação na passada 5ª feira aprovou um diploma que abriu a possibilidade a todas as escolas de gerirem esses 25%.

Convém no entanto não confundir projeto da flexibilização com a antiga área de projeto que possuía horas específicas para o efeito. A liberdade de ação é muito superior. Por exemplo:

  • um conselho de turma pode optar por trabalhar em conjunto Matemática, Física e Química e Educação Física;
  • outro conselho de turma pode optar por trabalhar História com a nova disciplina de Cidadania;
  • noutra escola pode optar-se por trabalhar em sessões temáticas e não disciplinares;
  • e outra escola até pode optar por semestralizar disciplinas.

Ou seja, enquanto antigamente só as escolas que integravam o projeto podiam fazê-lo, para o ano, todas poderão fazê-lo sem que a Inspeção apareça a dizer que não pode.

Nada disto será imposto, será permitido, por isso a flexibilização é facultativa mas todas as escolas estarão abrangidas pela nova legislação.

Fazendo uma analogia, o Ministério da Educação abriu a porta a todas as escolas e agora elas vão decidir se entram ou não e já não precisam de bater à porta para fazê-lo.

Não deixa de ser verdade que uma flexibilidade obrigatória seria a negação da autonomia e uma autonomia com uma matriz ingerível seria o fim da própria flexibilidade…

Alexandre Henriques

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2 COMENTÁRIOS

    • Não será a anarquia porque nós, os professores, respondemos muito bem com o “fingimento”.
      Considero o fingimento sensato, mas não consigo entender porque nos submetemos a ele.

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