Início Escola Testemunhos das professoras Maria Rodrigues e Fátima Luís.

Testemunhos das professoras Maria Rodrigues e Fátima Luís.

350
0

Na semana passada foi publicado aqui no ComRegras, uma entrevista sobre o funcionamento do Gabinete de Prevenção da Indisciplina, do Agrupamento de Escolas de Rafael Bordalo Pinheiro. Além de sabermos como funciona e de já termos conhecimento da importância que este tipo de equipas têm para os professores (sondagem), importa também conhecer a opinião de quem convive diariamente com o trabalho realizado. Por uma questão meramente logística, solicitei a duas colegas da minha escola para darem o seu testemunho. Ambas vieram de escolas em que estas equipas não existiam, logo são ideais para verificarem as diferenças.

PROFESSORA MARIA RODRIGUES

equipa promotora da disciplinaTenho o gosto de trabalhar num Agrupamento de Escolas em que constato que no que concerne ao comportamento, as coisas estão a decorrer muito bem. O facto de os nossos alunos demonstrarem um comportamento adequado e coadunante com o contexto escolar, deve-se também ao trabalho desenvolvido pelo gabinete disciplinar.

Quando pensamos em Disciplina, deparamo-nos logo, com uma dificuldade. Este é um conceito complicado, dual, com múltiplas perspetivas e interpretações.

O que é ser-se bem comportado? O que se entende por um comportamento desadequado? Como se trata uma  determinada situação que contraria os parâmetros estabelecidos dentro da sociedade educativa? O que pode ser alvo de recompensa ou de castigo? Que tipos de sanções aplicar?

As melhorias que sinto enquanto docente desta escola, devem-se também ao empenho, dedicação e profissionalismo personificado por uma equipa que pensa, debate, planifica e aplica determinadas medidas adequadas a cada situação em concreto e a cada aluno em particular.

Olhar para uma escola implica reconhecer que esta é constituída por uma quantidade enorme de tonalidades, texturas e material  humano. É necessário olhar para o meio que nos envolve com afetividade e sobretudo com sentimento de pertença.

Esta é a postura correta. Comportarmo-nos como humanos e ver nos outros também seres humanos. Humanizar a escola, torná-la significativa para todos os que lá trabalham é o caminho que tem que se continuar a percorrer. Este objetivo não deve perder-se do e no nosso horizonte.

Creio sinceramente que esta equipa com o trabalho que está a desenvolver procura como disse um dia Augusto Cury : “Procure a sabedoria e aprenda a escrever os capítulos mais importantes da sua história nos momentos mais difíceis da sua vida.”

PROFESSORA FÁTIMA LUÍS

Aproveito este espaço para saudar a equipa da disciplina por aquilo que considero ser a realização de um excelente trabalho, especialmente o Professor Alexandre Henriques, pela dedicação e entrega que tem demonstrado relativamente a esta causa.

A primeira vez que ouvi falar sobre esta equipa foi antes de conhecer Campo Maior, numa ação de formação sob o tema da indisciplina. Desde logo me pareceu uma boa ideia. Por mais que se procurem simplificar procedimentos, a verdade é que a organização de processos disciplinares é muitas vezes retardada nos meandros das burocracias. Tal facto acaba por retirar eficácia às medidas, que devem ser céleres, ajustadas a cada caso e reconhecidas pela comunidade escolar.

Depois de iniciar a minha atividade nesta escola, percebi que se tratava de facto de uma medida fundamental. Em Campo Maior procura-se responder às necessidades educativas de uma comunidade muito diversificada, em termos económicos, sociais, culturais e até étnicos. Se esta diversidade pode ser enriquecedora, a verdade é que é também geradora de indisciplina. Professores e funcionários lidam, quase diariamente, com situações de alunos que têm dificuldade em reconhecer o sentido da autoridade, o respeito por uma hierarquia ou pelos seus iguais, ou a distinção de contextos linguísticos diferenciados (dirigem a professores e funcionários um vocabulário semelhante ao que usam com os pares).

Mas, a verdade é que se sente na escola que a resposta a estes comportamentos deve ser imediata. As participações disciplinares têm prazos curtos para ser apresentadas e esses prazos estão cada vez mais enraizados, porque quem as realiza sabe que não são inconsequentes. Os professores, os funcionários e até os alunos, veem as suas ofensas serem sancionadas e os infratores percebem, paulatinamente, que os seus atos não ficam impunes. Parece-me que isto é educar.

Se já está todo o caminho percorrido? Seguramente que não. Mas é muito positivo ver nos mentores desta equipa a perfeita noção de que esta é apenas uma etapa de um caminho, que não se pode esgotar na punição. A comprová-lo estão a recente criação do Gabinete de Intervenção Positiva (GIP) ou a permanente necessidade de avaliar o trabalho que está a ser desenvolvido, organizando questionários que envolvem toda a comunidade escolar.

Julgo que esta é, sem dúvida, uma boa prática que importa ser divulgada e partilhada com outras escolas.

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here