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Tem a Palavra – Aluno Carlos Cardoso

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A Disciplina

escreverEu, na condição de representante dos alunos, não fico indiferente à palavra “disciplina”. No quotidiano, a disciplina é cada vez mais vista como uma obrigação e cada vez menos como uma virtude. É vista cada vez mais como um conjunto de coisas que não podemos fazer, em vez de um conjunto de coisas que ajudam a convivência entre todos.

Mas isto é tudo uma questão de perspetiva… Às vezes surge a pergunta: Onde está a disciplina? Será esta necessária numa sociedade civilizada?

Tenho a certeza que sim, é cada vez mais importante, mas não como está implementada.

A disciplina deveria ser abordada de forma “simpática” e não de forma “tirânica”. Deveria ser apresentada com o intuito de “progressão social” e não de uma forma opressiva. Este é um aspeto central nas questões disciplinares. A aquisição da disciplina tem de ser feita em tenra idade, começando logo no ensino pré-escolar, pois é nessa fase, em conjunto com o ensino primário que o ser humano começa a adquirir os alicerces da sua personalidade. Nessa fase, a criança deve ser apoiada na construção de valores morais e educativos. Se isso acontecer, a palavra “disciplina” não seria tão imperativa na adolescência.

Estes valores deviam ser adquiridos em casa. No entanto, a família é cada vez mais negligente, como se existisse uma praga de procrastinação disciplinar das portas para dentro. Cada vez mais as crianças têm de adquirir educação na escola, esquecendo-se que a sua função é formar e não educar. A escola acaba por “perder” demasiado tempo a fazer algo que não lhe compete diretamente. Esses valores, tal como o dinheiro, são cada vez mais escassos nesta sociedade (des)civilizada, promovendo assim a dita indisciplina. Há valores e hábitos que não se adquirem nas escolas, por muito esforço que exista por parte de professores, pedagogos e educadores. Há traços pessoais incorrigíveis que dependem muito do ambiente familiar, das nossas amizade e dos locais que frequentamos, etc. São estes aspetos que contribuem para a criação da identidade. Não nos esqueçamos que na nossa idade, a disciplina deveria ser um dado adquirido, intrinsecamente ligado ao nosso ADN pessoal e social.

A disciplina é um contributo que damos à sociedade. Devia ser como andar de bicicleta, algo que aprendemos e nunca mais esquecemos, uma mostra grandiosa de respeito pelo próximo e consequentemente pela sociedade.

Em suma, citando Stuart Mill: A disciplina é mais forte do que o número; a disciplina, isto é, a perfeita cooperação, é um atributo da civilização.

Carlos Cardoso

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