Sondagens


Um aluno deve reprovar por mau comportamento, independentemente do seu aproveitamento? 2

Há já algum tempo que não faço uma sondagem… resolvi matar saudades 😉

Agora a sério… a questão que coloco tem-me dado cabo da cabeça e colocou-me sérias dúvidas em alguns momentos deste ano letivo.

A seu tempo falarei sobre o assunto e como sempre, a vossa opinião conta muito, principalmente para mim.

Votem e partilhem s.f.f.


Professores: vocação ou profissionalismo? Salário ou palavras bonitas? 4

Não sou professor por vocação. Vocação vem de vocare, “chamar” e acho que não fui chamado para coisa nenhuma. Por pouco romantismo que isso traduza.

Não é muito comum alguém falar de vocação para se ser engenheiro, polícia, cavador ou eletricista mas, para exercer a profissão de professor, a visão poética do senso comum exige, quase sempre, que o discurso leve doses cavalares da dita vocação.

Como dizia alguém que me era próximo: a conversa da vocação é só um atalho para a desvalorização.

Os professores começaram na Antiguidade por ser escravos e o seu serviço ainda é vulgarmente chamado de “dar aulas”, como se a gratuitidade da dádiva fosse parte dele.

A ironia dessa ideia de senso comum sobre o peso da vocação na docência é que traduz um sinal real de desvalorização da docência no seu profissionalismo.

Afinal, ser incompetente ou competente é ou não diferente de ser vocacionado?

Por exemplo, eu até sinto larga vocação para a cozinha, tal o apelo que tenho pelo ato de comer, mas sou definitiva e totalmente incompetente, por falta de olfato, paciência e sentido do equilíbrio de sabores para aprender a cozinhar. Sou um cozinheiro frustrado, com muita vocação, e admito ser um professor competente, sem ela.

Não quero que o meu mecânico ou advogado seja especialmente vocacionado, quero que perceba de escapes ou de códigos e trabalhe com competência. E lá terei de lhe pagar o correspondente, esteja ele motivado, desmotivado, vocacionado ou iludido na profissão.

O estudo do Público e o tema da desmotivação. E o dinheirinho?

Vem tudo isto a propósito do estudo sobre a desmotivação docente hoje divulgado no Público (com direito a mais umas colunas de seráficas lágrimas de crocodilo sobre a dignidade docente de Joaquim Azevedo) em que se passa por cima destes assuntos em nome de discussões esotéricas sobre motivação.

Infografia sobre estudo no Público aqui

Porque é que a desmotivação dos professores é uma grande questão noticiosa no início dos anos letivos e quando se chega à fase em que alguém diz: “estamos realmente mal pagos” (e fomos roubados nos últimos anos), se foge logo para o caminho da conversa da vocação, do respeito e do valor social?

E quem fale do “dinheirinho” leva logo com a etiqueta de oportunista explorador e corporativo na defesa de interesses de luxo. (No meu caso o luxo corporativo são menos de 1200 euros mensais líquidos, após 21 anos de alegada “carreira”).

O dinheirinho não ajudará à motivação?Honestamente, viveria muito bem com a desvalorização social da profissão, e até com a gestão, que vou fazendo, da indisciplina, se me pagassem realmente o valor do trabalho que faço, se tivesse realmente uma carreira (e não um retrocesso) e se a reforma não fosse miragem, para mim, no futuro, e para os outros da minha profissão que hoje precisam imperiosamente de se reformar.

E, já agora, se se calassem aqueles que falam com verborreia das condições e requisitos da docência do ensino básico e secundário, sem a praticar há décadas …. ou sem nunca a terem praticado.

Dêem-me estas coisas todas e até me podem chamar nomes…. (aliás, já chamam hoje, e estou mal pago). Estou farto da conversa da vocação e da valorização da dignidade, sem dinheiro, direitos mais efetivos e melhores condições de trabalho.

A um profissional não se paga a motivação ou a vocação mas o trabalho (palavra que muitos exilaram dos dicionários, desde que as empresas passaram diletantemente a ter colaboradores).

Escolher os melhores para o futuro? Os de hoje são maus?

Acho particular graça que se diga, na análise  do estudo, que é preciso dar espaço a que os melhores alunos entrem na profissão.

Primeiro ataque à minha inteligência: mas alguém vai entrar nos próximos tempos?

Segundo ataque, este ofensivo: já repararam que essa afirmação indica que se considera, sem o enunciar, que os professores de hoje serão oriundos dos contingentes de piores alunos das suas gerações? Quem disse?

E, se nos deixássemos de poesias vocacionais e de tretas sobre a “busca dos melhores” e falássemos de coisas realmente importantes:

Quanto pagam? Pagam o justo?

Que carreira nos dão? Que condições de trabalho nos querem dar?

Que respeito concretizado em medidas efetivas nos querem permitir ter?

Em que outra profissão qualificada, no setor público ou privado, um técnico superior com formação especializada, com mais de 20 anos de experiência, e que até foi dirigente, ganha menos de 1200 euros mensais?

Ser professor é uma profissão e, como dizia uma pessoa que muito respeito, ser professor não é ser mercenário mas também não é ser missionário.

Reconhecimento ou salário? Poesias ou realidades?

Os discursos delicodoces sobre a dignidade e valorização dos professores, que andam na moda e que hoje foram chapados no Público, não resolvem os problemas reais se não se for ver o que é desagradavelmente intestinal: carreira, salário e condições de trabalho.

E para aqueles que não deixam fluir a discussão, realmente profissional, sobre o preço da competência e da nossa utilidade como trabalhadores, vivendo agarrados ao devaneio da vocação e da procura da dignidade metafísica, só digo que é possível ser excelente profissional sem ter vocação nenhuma para professor, mas tendo condições profissionais.

Recentemente, vi uma prova disso: a minha tia de 100 anos faleceu em Maio. Foi professora do 1º ciclo durante 40 anos. No fim da vida, dizia-me que tinha sido professora sem ter vocação nenhuma para isso, por circunstâncias da sua vida. A sua vocação (e, numa arte, isso talvez exista) era a música, mas não pode concretizá-la.

Foi professora porque, para uma menina estudar fora da sua terra, nos anos 20, era preciso parentes para a vigiar e só os tinha em Braga. Por isso, só pode estudar na Escola Normal. Era boa aluna e boa profissional, diziam os alunos. Orgulhava-se do que fez para os seus alunos terem sucesso e vi a alegria tocante de muitos, ao reencontrá-la.

Vocação não tinha nenhuma, palavras suas, e gostar da profissão não gostava. Acabou por aprender a ser boa profissional com o tempo e a formação (excelente) que teve. Mas era competente. Muito competente. O indício final disso foi o número de alunos, já idosos de 60 ou 70 anos, que fizeram questão de estar e de o dizer no seu funeral, em homenagem à qualidade do que por eles fez.Foi bonito e comovente para os parentes, em especial os professores.

Será que, com a perspetiva politiqueira e treteira vigente sobre a profissão docente, o pouco reconhecimento profissional efetivo que estamos condenados a ter vai ser assim: no caixão, por conta da memória dos nossos alunos?


Sondagem | Concorda com as reconduções dos professores contratados? 3

Se o Ministro cumprir com o que disse, os concursos de professores vão ser reformulados. Um dos temas que cria algumas “azias” é a recondução dos professores contratados. Diga de sua justiça!


Ano letivo em 2 semestres rejeitado, mas por pouco…

Os Diretores de Agrupamento, através da ANDAEP, apresentaram uma proposta de alteração do calendário escolar para 2 semestres, em vez dos tradicionais 3 períodos. A sondagem realizada pelo ComRegras, envolvendo mais de 2000 pessoas da comunidade escolar rejeita essa mudança. Apesar da rejeição, vê-se pelos resultados que é um tema fraturante e por isso merece uma reflexão substancial por parte de quem decide.

Pessoalmente não consigo afastar a questão do calendário escolar da avaliação. Como todos sabemos a avaliação tem 3 momentos (4 se contarmos com os exames) marcantes ao longo do ano letivo, no qual os alunos tomam formalmente conhecimento do seu desempenho. Mas até que ponto precisamos de 3 momentos avaliativos?

Se a avaliação é contínua, até bastaria 1 momento avaliativo para indicar ao aluno se transita ou não transita. Podíamos perfeitamente dar um feedback semelhante às avaliações intercalares e ficava a questão resolvida. Mas este procedimento não colocaria em causa a própria essência da “continuidade”?

Ao longo dos anos tenho assistido a alguma confusão sobre o que é continuidade. Alguns professores tomam os 3 períodos como momentos independentes, fazendo uma avaliação baseada na média pura dos 3, outros têm em consideração o ponto de chegada e o ponto de partida, enquanto outros têm em consideração todos os momentos do ano chegando a discriminar o peso que cada temática tem.

Mas esta coisa da avaliação contínua questiona a sua própria continuidade… A continuidade remete para algo contínuo, logo uma avaliação contínua, ou seja uma avaliação com vários momentos ao longo do ano. Falo da diferença entre mini-testes e testes. E aqui continua a existir uma grande heterogeneidade nos professores, alguns aplicam essa continuidade avaliativa, enquanto outros aplicam a avaliação esporádica enquanto estratégia preferencial.

E depois ainda temos a questão dos que baseiam a sua avaliação apenas na média dos testes, mas isso é entrar por outros campos…

Como vêm este é um tema confuso que precisa de ser analisado por diversos prismas. Esta proposta dos Diretores vem questionar fundamentos há muito instituídos.

E já agora, o que é mais importante? A avaliação contínua ou a aprendizagem contínua?

Ficam os dados da sondagem.

Sondagem semestres

 


Sondagem | Concorda com um ano letivo em dois semestres em vez de três períodos? 4


Resultados da Sondagem | Número de participações e sua evolução nos últimos 2 anos.

Terá a indisciplina em âmbito escolar estagnado? A resposta a esta pergunta se fosse baseada na sondagem ComRegras e que teve 1679 votantes, seria sim. Algo que não aconteceu em 2014-2015, em que existiu uma aumento significativo segundo os votantes de então – podem consultar aqui.

Comparação PD 2014_2015 para 2015_2016

Daqui a uns meses, se as escolas voltarem a fornecer os seus dados, terei uma resposta mais concreta.

Sobre o número de participações disciplinares, apesar de mais de 30% não ter feito qualquer uma, o número ainda é elevado. Dos 1303 votantes, retirando os 106 que não lecionaram este ano, temos um número de participações disciplinares entre:

4319 a 7555

(valor calculado entre os intervalos mínimos e máximos)

Número de PD 2015_2016

Continuamos a falar de participações disciplinares aos milhares e que ultrapassam seguramente a centena de milhar. Podem consultar a sondagem realizada há um ano se quiserem comparar dados, além disso também o estudo  com os dados das escolas – 1º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal com Dados das Escolas.

A indisciplina continua a ser o principal obstáculo para a aprendizagem e o facto de ser tão difícil chegar a consensos sobre esta e outras matérias, provam que é um problema do passado, do presente e seguramente do futuro.


Recolha de dados sobre indisciplina. Por favor participem!

Já no ano passado fiz algo semelhante, este ano vou repetir a experiência até para analisar a sua evolução. A sondagem da semana é a dobrar e agradecia a vossa participação e partilha.

Obrigado 😉


70% dos alunos do 1º ciclo não teve expressão físico-motora. 3

Vamos já abordar a questão da sondagem em si. Trata-se de uma sondagem informal, igual a tantas outras que são feitas por aí, inclusive a do Programa Prós e Contras sobre os contratos de associação e que tanta celeuma deu. Quem entra no ComRegras vota, ao entrar novamente já não tem acesso à votação.

Já me debrucei sobre esta questão da atividade física no 1º ciclo aqui e ali e não me vou alongar mais. Só acrescentar que ontem estive num convívio com pais da turma da minha filha, que terminou agora o primeiro ano, e quando dei por ela estávamos a falar sobre as muitas horas que os alunos passam sentados e que deviam ter mais atividade física (palavras de outros pais e não minhas). Foi evidente o desconhecimento dos pais sobre a sua obrigatoriedade, algo que deve ser transversal a grande maioria dos pais com alunos no 1º ciclo.

E esta é a questão central. Pais e comunicação social desconhecem esta realidade e tantas vezes são publicadas notícias que pouco interessam ou que pouco contribuem para uma melhoria eficaz do sucesso educativo, que talvez, talvez, seria bem mais útil aproveitar-se o tempo de antena com algo que realmente pode fazer a diferença.

A sondagem que agora publico baseia-se neste ano letivo e deveria ter muitos mais votos, mas o assunto e a dimensão deste blogue não permitem uma amostragem maior. As AEC foram a opção mais votada, mas muitos alunos não têm AEC pois trata-se de uma atividade facultativa e sem o rigor de um programa de expressão físico-motora. Ainda por cima a partir do próximo ano letivo, as AEC terão de ser lecionadas no final do dia, o que irá diminuir o número de alunos inscritos, indo ao encontro da ideologia de escola a tempo inteiro que este ME quer implementar.

Os dados são muito preocupantes e só provam aquilo que eu e muitos como eu constatamos no nosso dia-a-dia. Existem responsabilidades que deviam ser assumidas, e quando tanto se fala, nomeadamente o Sr.º Ministro da Educação, na valorização das Expressões, se calhar podia começar por aqui e pressionar Diretores e Professores Titulares a cumprirem o que está estipulado.

Eu fiz a minha parte, quem de direito que faça a sua…

E para os céticos, basta uma simples pesquisa no google para encontrar “n” artigos e teses sobre este assunto.

Alunos que fazem mais exercício físico têm melhores resultados escolares

A Educação Física como estratégia de combate ao insucesso escolar

Educação Física na escola aumenta rendimento dos alunos

Relação entre actividade física e o rendimento escolar

Atividade física auxilia no rendimento escolar

Sondagem atividade física 1º ciclo

 


Este ano letivo, os seus alunos/educandos, usufruíram da prática desportiva orientada no 1º ciclo? 2

Para tentar conhecer a dimensão do problema que referi aqui e ali, esta semana faço uma sondagem sobre a atividade física no 1º ciclo. Votem e partilhem s.f.f.

Obrigado.

Nota: optei pelo termo “prática desportiva orientada” pois a “expressão físico-motora” difere das “atividades físicas” das AEC.

6 meses depois, temos um Ministério de Educação em estado de graça.

Quem diria… Eu não me lembro de alguma vez ter visto um Ministério de Educação com tanto apoio. Começando por vários partidos políticos, passando pelos professores e terminando nos sempre difíceis sindicatos. Tiago Rodrigues e sua equipa deviam ficar satisfeitos com os resultados desta sondagem, mas não eufóricos.

A verdade é que em 6 meses foram várias as medidas sonantes e de agrado aos professores e seus sindicatos. A cereja no topo do bolo foi a mais recente luta contra o negócio dos contratos de associação que permaneceu no topo da atualidade mediática durante várias semanas. Aliás, este assunto fez levantar uma grande poeira que encobriu toda uma agenda educativa que se impõe e que passou claramente para segundo plano. Lembro a questão da municipalização escolar que continua em força, um modelo de gestão pouco democrático, a fraca autonomia escolar e o muito trabalho que falta fazer ao nível do sucesso escolar e consequente disciplina.

Pessoalmente tive muitas dúvidas quando soube que seria um cientista a liderar a Educação em Portugal, talvez o que faltava era alguém fora da bolha tradicional. Mas ainda é muito cedo para tirar conclusões definitivas, a recente opção pelas tutorias deixa-me apreensivo e o empurrar para 2018 da redução do número de alunos por turma, somando ao que já referi, levantam dúvidas legítimas sobre o futuro.

Deixo-vos com os resultados da sondagem

ME_ 6 meses


As tutorias não vão fazer milagres… (inclui resultados da sondagem) 2

Vejo a recuperação de alunos como um objetivo primordial de qualquer política educativa. A mais recente alteração de terminar com os cursos vocacionais apostando no modelo tutorial é um passo, mas um passo dado para o lado.

Quem são os alunos com mais de 12 anos e que já têm no “currículo” duas ou mais retenções? Não estamos a falar de alunos que começaram agora a derrapar, estamos sim a falar de alunos com falta de pré-requisitos, interesses divergentes dos escolares, altos níveis de desmotivação e fartos, fartinhos de ralhetes e de lhes dizerem que têm de estudar mais.

Um acompanhamento tutorial não é uma má ideia, não me interpretem mal. Um aluno precisa de uma referência, um farol, alguém que o volte a focar no que é realmente importante. Mas tutorias com 10 alunos é uma má ideia, juntar alunos deste “calibre” na mesma sala, ao mesmo tempo, simplesmente não vai funcionar. Ninguém se vai sentir confortável para falar do pai que foi preso, ou da mãe que está desempregada e que o jantar de ontem foi uma simples taça de Corn Flakes…

Um professor com 10 alunos sem programa para lecionar, não passa de um centro de explicações. E ver professores de Matemática a explicar conteúdos de Inglês, ou professores de História a ajudar nos exercícios de Matemática, não passa de um remendo, um mau remendo.

O que estes alunos precisam é de um modelo educativo alternativo, sem grandes metas e metinhas, que seja adaptado à sua realidade, presente e futura, que respeite os seus ritmos e lhes ensine o bê à bá da vida. Os cursos vocacionais podiam ter sido isso, podiam, mas não foram. Quiserem massacrar os miúdos com toneladas de horas letivas, conteúdos cheios de vícios dos programas tradicionais e com horas e horas de conteúdos teóricos.

A atual proposta de tutoria é boa, sim, mas para alunos que começam a perder o comboio, não para alunos que estão na estação há tanto tempo que já nem sabem qual a direção e o objetivo da viagem.

Espero mesmo estar enganado, mas estou muito cético com esta medida. O futuro dirá a sua verdade…

Deixo-vos com os resultados da sondagem e obrigado pela vossa participação.

Reforço das tutorias substituição vocacionais


Sondagem da Semana | Como avalia o desempenho do Ministério de Educação nestes 6 meses.

O governo fez 6 meses e consequentemente também o Ministro Tiago Brandão e toda a sua equipa. Apesar do curto espaço de tempo, já ocorreram uma série de alterações no meio educativo e mais virão no futuro. Para contextualizar o vosso voto e não restringi-lo apenas à mais recente polémica com os contratos de associação, deixo um resumo das principais medidas se a memória não me falha.

Novo modelo de avaliação (fim dos exames de 4º e 6º ano e implementação das provas de aferição).

Fim da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC).

Suspensão dos testes de Cambridge no 9º ano.

Fim da bolsa de contratação de escolas (BCE).

Renovação dos contratos a termo dos assistentes operacionais.

Proibição de abertura de novas turmas em algumas escolas com contratos de associação.

Fim dos cursos vocacionais e aposta em tutorias.

Votem e partilhem s.f.f.

Nota: para os desconfiados que pensam que não tenho mais nada que fazer que andar a inventar resultados de sondagens, fica o respetivo link do plugin opinion stage.


Sondagem | Concorda com o reforço de tutorias em substituição dos cursos vocacionais? 1

Trata-se de uma alteração significativa e que justifica conhecer a vossa opinião.

Em resumo:

As tutorias destinam-se a acompanhar alunos a partir dos 12 anos, com duas ou mais retenções.

Cada tutor apoiará grupos de 10 alunos no estudo, mas também na sua relação com a turma e a família.

Votem e partilhem s.f.f.

*Os resultados serão divulgados no fim de semana

Resultados da Sondagem|Na sua opinião, qual a escola que melhor prepara os alunos?

Escola que prepara melhor

Votos: 3583

Os resultados foram previsíveis, até porque nos últimos dias foi lembrado o estudo de 2013 da Universidade do Porto, que afirmou que é do público que saem os alunos com melhores resultados ao nível do superior. Não vou tomar este estudo como uma verdade absoluta, para obtermos uma real conclusão, teríamos de alargar a base de amostragem e prolongar o estudo no tempo.

Naturalmente que a sondagem ComRegras está meia inquinada, pois compara escolas com características/condições muitos diferentes. Mas o objetivo era conhecer a percepção de cada um sobre a qualidade do ensino praticado. Já não é a primeira vez que recebo emails criticando as sondagens que faço, mas importa não esquecer que estamos a falar de sondagens não oficiais, de um blogue apartidário, e que não é, nem pretende ser, farol de ninguém. Isto vale o que vale!

Sobre o tema…

Qualidade, é a palavra chave, à qual deve ser acrescentava a palavra Expetativa.

As Escolas Públicas e Escolas Privadas e Cooperativas, possuem no seu “currículo” excelentes exemplos de qualidade. Os mais redutores podem justificá-los através do mundo das “ranquices” mediáticas. Os princípios para obter um ensino de qualidade não andará muito longe dos lugares comuns – baixos níveis de indisciplina, pais interessados, corpo docente competente e estável, infraestruturas de qualidade, métodos de ensino cativantes e eficazes, predisposição dos alunos para a aprendizagem, etc…

Mas são as Expetativas que geram um sentimento de efetivo sucesso. Ao existir uma Escola com os itens referidos, facilmente obtemos resultados positivos, mas estes podem ser inferiores quando comparados com as expetativas. Uma escola que não seleciona professores e alunos, que tenha a seu cargo mais de 2000 alunos, que apresente elevados índices de indisciplina com alunos vindos de famílias negligentes, etc, pode atingir o sucesso mesmo que o valor quantitativo dos resultados seja  manifestamente inferior a outras escolas. É por isso que muitas escolas aparentemente más são belíssimas escolas, onde se trabalha muito e bem…

O sucesso deve ser medido tendo como premissa o ponto de partida do aluno e da escola.

(Nota: até decisão contrária, as sondagens semanais deixarão de ser semanais e passarão a ocorrer quando se justifiquem. O motivo é o esgotamento de temas e o cansaço acumulado para ao fim de semana fazer mais um texto de análise.)

 


Resultados da sondagem sobre os contratos de associação e algo mais. 1

Já muito foi dito, já muito foi escrito e já muitos excessos foram cometidos. A educação deve ser parente próxima do mundo da bola, pois todos dão a sua opinião, sejam ou não da área. Fica a minha e que vale o que vale…

Qual o motivo pelo qual foram criados os contratos de associação?

Esta conversa devia começar por aqui. O Estado incapaz de cumprir com a Constituição, estabeleceu vários acordos com diversos colégios privados para complementar a oferta pública ao nível do ensino. Algo semelhante ao que foi feito na saúde. O problema é que os alunos começaram a migrar para esses colégios, fruto talvez de melhores condições, o que associando à construção de parques escolares com dimensões XL, redução demográfica dos alunos, a escola pública foi ficando vazia.

O que o Governo vai fazer é legal?

Tendo em conta que o Governo só vai impedir a abertura de novas turmas em locais onde já existe uma escola pública e com vagas, não me parece que haja qualquer ilegalidade, algo que Santana Castilho referiu no seu artigo ao jornal Público.

É manifesto que muitos “contratos de associação” só se têm mantido por cedência dos governos à pressão do lobby do ensino privado. É manifesto que só devem persistir os que correspondam a falhas da rede pública, se é que ainda existem. É isso que faz o Despacho Normativo 1 H/2016, que respeita integralmente a lei e os compromissos anteriormente assumidos, sem interrupção de ciclos lectivos iniciados e sem sequer impedir que outros se iniciem, desde que necessários.

E é eticamente correto?

Vamos inverter as coisas. Faria sentido uma empresa ter um serviço, subsidiar outra para complementar o seu serviço e depois continuar a subsidiá-la mesmo não precisando mais dela? A indignação que reina nos professores do ensino público e comunidade em geral que se preocupa com estas coisas dos défices e afins, vem exatamente daí, e mais indignada fica quando ouve a argumentação privada.

Sobre a tão proclamada liberdade de escolha e que esta fica posta em causa, é mais um argumento de difícil compreensão. Eu, mero cidadão, tenho total liberdade em colocar a minha filha numa escola pública ou privada. Eu tenho total liberdade em ir a um hospital público ou privado. Eu tenho total liberdade para viajar em 1ª ou 2ª classe. Eu tenho total liberdade para atestar o meu carro com o Gforce não sei das quantas ou o gasóleo do hipermercado. Eu até tenho total liberdade para comprar um Ferrari, ou uma moradia T6… A liberdade está lá, ela existe, ninguém impede ninguém…

Não tenho é liberdade para usufruir de algo financiado por terceiros, quando os próprios me apresentam uma alternativa viável. E se vamos pela exigência da escolha alegada por muitos pais – escolas, modelos de ensino, projetos, etc… – então o que dizer dos pais onde só existe uma escola para colocar os seus filhos? Seria viável /aceitável abrir centenas e centenas de escolas com contratos de associação só pelo direito à escolha?

Há tratamento privilegiado?

Paulo Guinote no seu artigo ao jornal público tem um parágrafo que é revelador do favorecimento aos colégios privados em detrimento da escola pública.

Isso permitiu que os gastos com o ensino público (básico e secundário, sem pré-escolar) descessem de 4822506,6 euros em 2011 para 3702132,3 em 2012 e só voltassem a subir para 3855226,3 em 2015 graças ao aumento das verbas para “projectos”. Um milhão de euros a menos, quase 20% de perdas de 2011 para 2015. Já no caso das transferências para o ensino particular e cooperativo, em 2012 o valor previsto era de perto de 200 milhões de euros, enquanto a execução de 2015 levou esse valor para quase 240 M€, fruto de acordos de última hora com o governo PSD/CDS. Este valor, para 2016, ficou previsto acima dos 250 M€, o que significa um acréscimo de 25% neste período, algo que não é revelado à opinião pública em cordões humanos e intervenções pesarosas do director executivo da AEEP que sempre ouvi afirmar-se favorável ao rigor na utilização dos dinheiros públicos.

Trata-se claramente de uma dualidade de critérios, num país que viveu e vive de tanga, em que o Estado de forma irresponsável, atirou dinheiro para cima de quem tem como primordial objetivo lucrar com a educação dos outros. Nos gráficos seguintes e retirados daqui, podemos constatar que há muitos anos que o Estado anda a gastar mais do que deve, quando ainda por cima a escola de TODOS e para TODOS tem vivido, só com a folha de Adão a tapar as miudezas…

Apoio Contratos de Associação

Gráfico retirado de http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2013/12/as-verdadeiras-gorduras-da-educacao.html

G3- Poupanças acumuladas

Gráfico retirado de http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2013/12/as-verdadeiras-gorduras-da-educacao.html

E depois vemos as crianças a serem utilizadas como cabeças de cartaz, num abraço tão inocente, chegando mesmo a invocar o nome do Senhor ao “bom” estilo da Igreja Universal do Reino de Deus…

Os professores vão ser despedidos?

É provável que alguns sejam, infelizmente, mas quantos professores serão recuperados para a escola pública? E aqui os professores do ensino privado, se me permitem, devem começar a apontar os seus canhões às lagostas que muito choram e que vão enchendo os bolsos à custa do mexilhão. Há sempre algo que se pode fazer para minorar os estragos, e apesar de estarmos na fase do “grito” e o Estado ser o “Demo” em pessoa, cortar gorduras/luxos e criar outras formas de financiamento têm de passar a ser prioritários.

Surpresa e solidariedade…

Tenho que dizer que a capacidade reativa do ensino privado e cooperativo foi algo que me surpreendeu, mesmo discordando das suas premissas. Revelaram uma capacidade organizativa e uma força tal que me fez lembrar grandes lutas pela escola pública.

Por fim o mais importante e sem ironias. Lamento profundamente o que assisti nos últimos dias, principalmente nas redes sociais. Esta “guerra” com um bate boca deplorável entre professores foi algo que nos devia envergonhar a todos. SOMOS TODOS PROFESSORES e ninguém devia ficar satisfeito por ver colegas em dificuldades, devia ter sido assim no passado, deve ser assim no presente e deverá ser assim no futuro. Haja respeito e solidariedade!!!

Ficam os resultados da sondagem extraordinária do ComRegras com 3202 votos.

Escolas Contrato de Associação

E só para terminar, algumas IPSS não estarão na mesma situação?