Observatório ComRegras


Resultados do Inquérito | A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa (2ª Parte)

Apresento a 2ª parte do inquérito sobre os trabalhos de casa, com especial incidência na diferenciação por ciclos de ensino.

Ficha Técnica

Universo – Indivíduos da comunidade educativa portuguesa.

Amostra – Aleatória, estratificada e representativa do universo. A amostra contém um total de 1614 inquéritos preenchidos

Técnica – Inquéritos online através de redes sociais e correio eletrónico, tendo como base os Agrupamentos de Escolas Públicas, Privadas e Associações de Pais. O inquérito foi elaborado através da plataforma Google, tendo o trabalho de recolha ocorrido entre os dias 8 e 29 de novembro de 2016.

Responsabilidade do estudo: Professor Alexandre Henriques

*Os quadros em baixo apresentam diferentes valores no número de respostas, por serem específicos aos diferentes membros da comunidade educativa.

Caracterização da Amostra

1614 respostas

 

1536 respostas

 

1024 respostas

 

Respostas de professores: 1º Ciclo – 465 | 2º Ciclo – 302 | 3º Ciclo – 441 | Ensino Secundário – 307

Raramente atribuo, foi a opção mais escolhida pelos professores na atribuição dos trabalhos de casa. É no ensino secundário que os professores menos atribuem trabalhos de casa, enquanto que são os professores do 1º ciclo que atribuem trabalhos de casa com maior frequência, 3 a 4 vezes por semana.

Respostas de encarregados de educação e alunos: 1º Ciclo – 541 | 2º Ciclo – 372 | 3º Ciclo – 418 | Ensino Secundário – 265

Os encarregados de educação (e.ed.) e alunos afirmam que têm trabalhos de casa todos os dias, incluindo aos fins de semana. Novamente se constata que é nos mais novos (1º ciclo) que a frequência de trabalhos de casa é mais incisiva. Com a progressão nos ciclos de ensino, a percentagem de alunos/e.ed que afirma ter trabalhos da casa diariamente diminui significativamente, atingindo quase metade no ensino secundário (22%) comparativamente com o 1º ciclo (39%).

Respostas: 1º Ciclo – 709 | 2º Ciclo – 479 | 3º Ciclo – 597 | Ensino Secundário – 409

Todos os ciclos de ensino apontam  os 15 a 30 minutos como duração média para a realização dos trabalhos de casa, porém é no 1º ciclo que essa duração é mais vincada. No entanto, no ensino secundário, 20% dos inquiridos refere que demora mais de 60 minutos na realização dos trabalhos de casa, 4 vezes mais que os alunos do 1º ciclo (5%) e o dobro dos restantes ciclos (11%).

1066 respostas de professores.

O principal motivo pelo qual os professores atribuem trabalhos de casa é para criar hábitos de estudo (66%), seguido do fomento pela autonomia do aluno (53%). Constatamos também que os professores não atribuem trabalhos de casa com o intuito de compensar qualquer atraso do aluno relativamente aos colegas (4,5%).

532 de encarregados de educação.

É no 1º ciclo que os encarregados de educação mais controlam os trabalhos de casa e é também no 1º ciclo que a sua presença é mais efetiva na realização destes.Com o tempo, os encarregados de educação vão se afastando, controlando a realização dos trabalhos de casa apenas perguntando se os seus educandos o realizaram. É no 3º ciclo que se efetiva o maior distanciamento dos encarregados de educação no controle aos trabalhos de casa.

1067 respostas

Professores e encarregados de educação concordam que os trabalhos de casa atribuídos, tendo como premissa o esforço despendido, são proporcionais. No entanto, nos extremos (reduzidos/excessivos), as opiniões são claramente opostos, sendo visível que os encarregados de educação acham os trabalhos de casa proporcionais, mas com tendência para serem um pouco excessivos no que ao esforço diz respeito.

1154 respostas

Existe uma clara diferença na forma como professores e encarregados de educação encaram os trabalhos de casa atribuídos. Os professores consideram uma tarefa natural, que não perturba os alunos (77,7%), enquanto que os pais, por uma margem de 5 pontos percentuais, apontam os trabalhos de casa como uma tarefa exigente, causadora de stresse mas suportável. É visível no gráfico que os trabalhos de casa não são causadores de grandes perturbações.

1152 respostas

Apesar da aceitação aos trabalhos de casa em diferentes parâmetros, nota-se uma clara preocupação quer de professores, quer dos encarregados de educação para que no futuro os trabalhos de casa sejam limitados na duração do trabalho exigido. Relembro que a duração média mais referida para a realização dos trabalhos de casa foi entre 15 a 30 minutos.

 

1067 respostas

A questão da dimensão/complexidade dos programas foi no passado referida frequentemente como um dos motivos pelo qual os trabalhos de casa deviam ser reduzidos/abolidos. Quer professores, quer os encarregados de educação não concordam com essa dedução, mas a diferença para o “não” e “em parte” não fica muito distante.

1181 respostas

A elevada carga letiva dos alunos foi outro dos aspetos referidos como motivo para a redução/abolição dos trabalhos de casa. Confirma-se essa preocupação quer dos professores quer dos encarregados de educação, com maior incidência nos encarregados de educação.


Conclusões:

  • Existe uma clara diferença entre o que os professores afirmam, quanto à frequência dos trabalhos de casa e o que os encarregados de educação constatam. Convém ressalvar que a partir do 2º ciclo termina a monodocência, o que pode justificar esta diferença pois apesar dos alunos não terem aulas todos os dias com os mesmos professores e estes só atribuíram trabalhos de casa de vez em quando, os alunos podem levar diariamente trabalhos para casa.

 

  • O tempo médio despendido para a realização dos trabalhos de casa é de 15 minutos a 30 minutos.

 

  • Os professores atribuem trabalhos de casa para incentivar em primeiro lugar, a criação de hábitos de estudo.

 

  • É no 1º ciclo, que os alunos têm mais trabalhos de casa e que os encarregados de educação mais acompanham os seus educandos.

 

  • Os trabalhos de casa atribuídos são proporcionais quanto ao esforço exigido, não são perturbadores, mas devem ser limitados no futuro quanto à sua duração do trabalho exigido.

 

  • A elevada carga letiva dos alunos, pode, em parte, ser um problema quando associada aos trabalhos de casa.

Podem consultar a 1ª parte deste estudo aqui.


Resultados do Inquérito | A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa (1ª Parte) 7

Os trabalhos de casa são um tema polémico na sociedade portuguesa e a mais recente greve dos encarregados de educação em Espanha veio (re)acender essa polémica. O ComRegras tomou a iniciativa de medir o pulso à comunidade educativa, através de dois inquéritos. O primeiro mais geral e que agora é publicado, e um segundo mais pormenorizado (ciclos de ensino, etc) que ainda se encontra em processo de recolha e no qual ainda podem participar aqui.

Obrigado a todos os que participaram e divulgaram esta iniciativa.

Ficha Técnica

Universo – Indivíduos da comunidade educativa portuguesa.

Amostra – Aleatória, estratificada e representativa do universo. A amostra contém 3385 inquéritos preenchidos.

Técnica – Inquéritos online através de redes sociais e correio eletrónico, tendo como base os Agrupamentos de Escolas Públicas, Privadas e Associações de Pais. O inquérito foi elaborado através da plataforma Google, tendo o trabalho de recolha ocorrido entre os dias 3 e 13 de novembro de 2016.

Responsabilidade do estudo: Professor Alexandre Henriques

Caracterização da Amostra

amostra

Encarregado de Educação/Pais/Familiar de Aluno: 1676

Professor: 2105

Aluno: 85

Diretor: 54

Presidente de Conselho Geral: 13

Assistente Operacional/Administrativo: 74

Outro: 57

 


 

os-alunos-tem-muitos-tpc_geral

os-alunos-tem-muitos-tpc_ind

Foi calculada a média tendo como base uma escala de 1 (discordo totalmente) a 4 (concordo totalmente)

Confirma-se a dualidade de opiniões sobre a quantidade de trabalhos de casa. Se somarmos as percentagens de concordância, obtemos o valor de 53,4%, mas por escassa margem a opção mais escolhida foi o discordo parcialmente. São os professores os que mais discordam da afirmação e os encarregados de educação/pais/familiar de aluno superam os alunos na concordância de que estes têm muitos trabalhos de casa.


os-tpc-melhoram-o-desempenho-dos-alunos_geral

os-tpc-melhoram-o-desempenho-dos-alunos_indiv

Foi calculada a média tendo como base uma escala de 1 (discordo totalmente) a 4 (concordo totalmente)

Sim! A generalidade dos inquiridos concorda que os trabalhos de casa melhoram o desempenho/aproveitamento dos alunos (68,2%) e são os professores os que mais concordam com a afirmação, enquanto que no outro extremo encontram-se os encarregados de educação/pais/familiar de aluno.


quanto-tempo-estima-que-os-alunos-necessitam-para-fazer-tpc_geral

quanto-tempo-estima-que-os-alunos-necessitam-para-fazer-tpc_indiv

Mais uma vez se verifica que a opinião de professores e encarregados de educação é proporcionalmente oposta. Do lado dos pais temos uma tendência clara de subida no tempo estimado para a realização dos trabalhos de casa, enquanto que do lado dos professores verificamos o oposto. De realçar a discrepância entre professores e alunos na opção mais de 60 minutos e a proximidade na escolha entre 30 a 45 minutosA opção mais escolhida sobre o tempo que os alunos demoram para realizar trabalhos de casa foi entre 15 a 30 minutos.


deve-o-me-tomar-uma-posicao-sobre-os-tpc_geral

deve-o-me-tomar-uma-posicao-sobre-os-tpc_indiv

Ganhou o não pois os professores rejeitam liminarmente essa opção e foram os que mais inquéritos preencheram, mas atenção, apenas estes e os diretores rejeitam a intervenção da tutela numa posição sobre os trabalhos de casa. Os restantes membros da comunidade educativa são favoráveis à sua intervenção.


na-generalidade-concorda-que-os-professores-atribuam-tpc_geral

na-generalidade-concorda-que-os-professores-atribuam-tpc_indiv

Sim, os trabalhos de casa são bem-vindos, a concordância é geral, com principal incidência nos professores. Os alunos são os que se dividem mais quanto às suas escolhas, mas mesmo assim concordam com a atribuição dos trabalhos de casa.


considera-o-tpc-util-para_geral

 

 

tpc-util

Consolidar, consolidar, consolidar, é a palavra de ordem na atribuição e realização dos trabalhos de casa. O sentido de responsabilidade foi a segunda opção mais escolhida, seguida por fomentar as técnicas de estudo.

A nível setorial, os professores consideram útil os trabalhos de casa para consolidar, dar maior autonomia e incutir sentido de responsabilidade, o que alunos e pais concordam mas que por sua vez incluem no seu top 3, o terminar as tarefas não concluídas nas aulas e o fomentar as técnicas de estudo respetivamente.


considera-o-tpc-prejudicial-porque_geral

 

tpc-prejudicial

São os alunos os que mais se queixam da diminuição do tempo de descanso e da saturação escolar como os principais prejuízos dos trabalhos de casa.  A discrepância entre estes e os professores é bastante elevada, rondando os 30%. Na globalidade temos a saturação escolar, a redução do tempo de descanso dos alunos e a falta de tempo que estes têm para passar com as famílias, como os aspetos mais negativos da atribuição/realização dos trabalhos de casa.


concordaria-com-uma-greve-aos-tpc_geral

concordaria-com-uma-greve-aos-tpc_indiv

Tirando os alunos, a greve não está na mente da comunidade educativa inquirida.


Conclusão:

Os professores, os pais e os alunos, formam um triângulo educativo. São estes que quando em sintonia permitem atingir com maior facilidade o sucesso dos alunos. A escola tem inúmeras variáveis que geram frequentes concordâncias e discordâncias na comunidade educativa. Os trabalhos de casa são seguramente uma das variáveis que mais atritos tem causado, principalmente entre pais e professores, conclusão de quem “respira” escola há 33 anos (18 de aluno, 15 de professor e 7 de pai).

Nesta primeira parte do estudo ComRegras sobre os trabalhos de casa, ficaram visíveis as concordâncias e discordâncias do “triângulo educativo”.

Concordâncias:

Os trabalhos de casa melhoram o desempenho/aproveitamento dos alunos

Os professores devem atribuir trabalhos de casa

O principal benefício dos trabalhos de casa é a consolidação de aprendizagens

Os trabalhos de casa diminuem o tempo de descanso dos alunos

Não deve existir uma greve aos trabalhos de casa

Discordâncias:

Os trabalhos de casa são excessivos

O tempo despendido na realização dos trabalhos de casa

O Ministério de Educação deve tomar uma posição sobre os trabalhos casa


Até ao final do ano será apresentada a segunda parte deste estudo, onde entre outras curiosidades, podemos comparar os trabalhos de casa por ciclo de ensino, área curricular, se estes são ou não proporcionais e o futuro dos trabalhos de casa. Participe e partilhe 😉

A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa (2ª parte) – Ciclos de Ensino


Inquérito | A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa (2ª parte) – Ciclos de Ensino 6

Na sequência do inquérito iniciado na semana passada pelo ComRegras sobre os trabalhos de casa e que já conta com mais de 2800 respostas, recebi vários emails e comentários a solicitar uma abordagem mais alargada sobre este assunto. Tenho consciência que não existe o inquérito perfeito e que cada um de vós o faria de maneira diferente. Aceito que faltou abordar uma série de questões, nomeadamente a separação por ciclos.

Por estes motivos, decidi fazer um segundo inquérito, que julgo e espero ir ao encontro do que me foi solicitado.

Agradecia o seu preenchimento e partilhas s.f.f.

Se ainda não respondeu à primeira parte por favor faça-o aqui.


Inquérito | A Escola, a Família e os Trabalhos de Casa. 42

O tema está na ordem do dia e há muito que se fala nesta questão. Está na altura da comunidade educativa pronunciar-se sobre este assunto.

Foram preenchidos 3850 inquéritos, em breve serão apresentados os resultados.

Por favor responda à 2ª parte do inquérito que inclui outras questões relevantes


Um aluno de 6 anos passa mais 465 minutos por semana na escola que um aluno de 18 anos… 8

Estou naturalmente a fazer uma comparação entre o 1º ano de escolaridade e o 12º ano…

Muito se tem falado na elevada carga letiva dos alunos, muito se tem falado na escola a tempo inteiro, muito se tem falado nos trabalhos de casa e muito se tem falado nas atividades extracurriculares.

Mas vamos colocar um número às coisas…

carga-letiva_

Dados da Direção Geral de Educação

Conforme podem constatar, os anos com maior carga letiva são o 3º e 4º ano de escolaridade. Mas o que a tabela em cima mostra de forma clara é um carrossel de tempos letivos ao longo do percurso escolar obrigatório. Dito de outra forma, a carga letiva atribuída aos alunos portugueses não tem a mínima consideração pela sua idade, não tem uma lógica progressiva, sendo vítima de múltiplos interesses exceto os dos próprios alunos. Além disso, temos situações que são paradigmáticas de uma incongruência difícil de explicar: a atividade física praticada na escola tem o seu pico no ensino secundário. Não é preciso ser perito em educação, nem ter formação superior para saber, que são os mais novos que precisam de mais tempo para gastar as suas energias. E nem vou entrar na questão que abordei no ano passado que há professores/escolas do 1º ciclo que passam por cima das expressões como se não existissem…

O Ministro Tiago Rodrigues já se pronunciou sobre este assunto e ficou prometida uma redução da carga letiva para o 1º ciclo. Algo que continuamos a aguardar…

No gráfico seguinte, podemos constatar 3 países completamente distintos. Além da óbvia redução letiva que existe na Bulgária e Finlândia, vemos um certo cuidado em aumentar a carga letiva ao longo do percurso escolar.

Carga-horária-Portugal_Finlândia-e-Bulgária

Estudo comparativo da carga horária em Portugal e noutros países, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, de 2014

Este é um assunto que sinceramente me revolta pois acho isto tão básico, tão acessível, tão… tão… tão senso comum… que é incompreensível, que nenhum licenciado, mestre, doutor, professor doutor, seja incapaz de mudar o que tanta gente da comunidade educativa vem apelando há anos.

É por este motivo que eu sou contra os trabalhos de casa, principalmente no 1º ciclo. Não por qualquer fundamentalismo bacoco, mas por ver o que devia estar claro como a água, que os alunos passam demasiado tempo na escola, demasiado tempo a trabalhar. E como bónus ainda mandamos TPC para as férias, é que pelos vistos em Portugal, as crianças não podem ter tempo para fazer aquela coisa a que se chama brincar, ou simplesmente não fazer nada, zero, rien, mergulhando nos seus pensamentos e estimulando a sua própria criatividade. E depois acho curioso quando se afirma que os alunos que mais trabalham em casa são os que têm melhores resultados, tcharam, descobriram a pólvora! Eu também se tiver uma criança a treinar 8 horas por dia ginástica terei altas probabilidades de ter ali uma ginasta de nível olímpico. Mas a que preço? Que competências sociais, familiares e afins não ficarão por atingir? Pois… é que convém pensar no quadro todo e não apenas no cantinho do quadro…

Criticamos esta geração por não brincar como antigamente. Verdade! Mas podíamos começar pelo básico que é dar-lhes o elemento essencial para brincar como antigamente – tempo.

Ainda sobre os TPC, eu até compreendo que para os alunos com mais dificuldades haja um reforço em casa, mas a prática diz-nos que o modelo utilizado são os TPC em modo fabril, tudo igual e siga para bingo. Serão os alunos todos iguais?

Não me reconheço neste ensino que visa a quantidade e não a qualidade, não me reconheço nesta escola formatada, inflexível e praticamente sem autonomia, não me reconheço num ensino que centra a formação dos alunos no Português e na Matemática, e não me reconheço numa sociedade que quer tornar a escola a 1ª casa dos alunos.

Está tudo ao contrário…

E para provar o título deste artigo ficam as imagens seguintes…

horario-1o-ciclo

Exemplo tipo de um horário de 1º ciclo (as AEC são facultativas). Retirado do blog DeAr Lindo.

 

horario-12o-ano

Horário de um aluno de 12º ano

I rest my case…

Matriz curricular do 1.º ciclo

Matriz curricular do 2º ciclo

Matriz curricular do 3º ciclo

Matriz dos Cursos científico-humanísticos

Veja o comparativo na comunicação social aqui


Resultados | Concurso de Professores – A Nossa Opinião Também Conta!

Os blogues ComRegras e DeAr Lindo uniram esforços no sentido de conhecer a opinião dos professores portugueses sobre um tema que brevemente estará em negociação – o concurso de professores. Os resultados deste inquérito permitem dar voz a milhares de professores e é nossa esperança que seja tido em consideração no momento devido. Brevemente será lançado outro inquérito dirigido a algumas questões mais específicas do concurso de professores.

Ficha Técnica

Universo – Professores do Ensino Público e Privado.

Amostra – Aleatória e representativa do universo. A amostra contém 5135 inquéritos preenchidos.

Técnica – O inquérito foi realizado através da plataforma de formulários Google, tendo o trabalho de recolha ocorrido entre os dias 11 e 23 de setembro de 2016.

Responsabilidade do estudo: Professores Alexandre Henriques e Arlindo Ferreira

 

Área de residência

 

Situação profissional

 

Os professores devem ser selecionados

 

Como deve ser gerido o concurso de professores

 

fim da norma-travão

 

Reconduções

 

Avaliação de desempenho na graduação profissional

 

Preferências ao concorrer

 

Prioridades QA

 

Prioridades QZP

 

Prioridades Contratados

 

Concurso de professores deve ocorrer_

Conclusões:

os professores devem ser selecionados com critérios a nível nacional;

o concurso de professores deve ser gerido apenas pelo Ministério de Educação;

os professores querem o fim da norma-travão;

os professores rejeitam as reconduções dos professores contratados;

os professores consideram que a avaliação de desempenho não deve influenciar a graduação profissional;

os professores querem um concurso onde possam mudar as suas preferências em momentos específicos;

os professores divergem quanto às preferências existentes no concurso;

os professores preferem concursos com cadência anual, exceção feita aos professores de quadro de zona de pedagógica que preferem um concurso de 2 em 2 anos.


5135 Inquéritos Preenchidos – “A Nossa Opinião Também Conta!”

Do inquérito sobre o concurso de pessoal docente com o título “A Nossa Opinião Também Conta!” foram preenchidos 5135 inquéritos que serão apresentados a partir de amanhã.

Este estudo foi feito em colaboração com o Blogue DeAr Lindo e o tratamento dos dados será apresentado em cada um dos blogues.

As questões foram feitas para três grupos de professores que se identificam no quadro seguinte.

Situação profissional

Fica aqui a Ficha Técnica do estudo.

Universo – Professores do Ensino Público e Privado.

Amostra – Aleatória e representativa do universo. A amostra contém 5135 inquéritos preenchidos.

Técnica – O inquérito foi realizado através da plataforma de formulários Google, tendo o trabalho de recolha ocorrido entre os dias 11 e 23 de setembro de 2016.

Responsabilidade do estudo: Professores Alexandre Henriques e Arlindo Ferreira


A Nossa Opinião Também Conta! | 3000 já deram a sua. Faltas tu!

Em 48 horas, 3000 respostas ao inquérito que o ComRegras e o Blog DeAr Lindo estão a promover junto dos professores. É já no próximo mês que o Ministério de Educação começara a debater com os sindicatos um novo modelo de concursos, é essencial vincar a nossa posição sobre diferentes aspectos de um concurso que afecta milhares de professores e familiares. Diz de tua justiça, preenche-o e partilha com os teus colegas.

Concurso de Professores – A Nossa Opinião Também Conta!

3000 respostas


Concurso de Professores – A Nossa Opinião Também Conta! 7

Em parceria com o Arlindo Ferreira do Blogue DeAr Lindo resolvemos criar um questionário que visa conhecer a opinião dos professores e educadores sobre um novo modelo de concurso de professores. Este questionário assenta em alguns pontos chave e é prévio a outros que possam surgir nos próximos tempos. Por isso nem todos os pontos do diploma de concursos foram abordados neste questionário. Em Outubro o Ministério da Educação prepara-se para iniciar negociações com as organizações sindicais e as respostas conseguidas serão tratadas pelo Arlindo Ferreira e por mim até ao final deste mês. Deixem a vossa opinião neste inquérito e partilhem por colegas vossos.


Desabafos de Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais

No final do inquérito A Palavra ao Diretor/Presidente do Conselho Geral que ontem foi publicado, havia a hipótese dos inquiridos destacarem outros assuntos. Foram várias as respostas que recebi em que algumas delas foram desabafos bem interessantes…

O Conselho Geral quando exerce as suas verdadeiras funções é muito inconveniente.


Só respondi à pergunta anterior por ser obrigatória. Não me identifico com nenhuma das alternativas de resposta. A questão da valorização do meu trabalho não se coloca. Devo cumprir na plenitude as competências confiadas sem esperar reconhecimento.


O maior impedimento ao avanço da escola pública em Portugal é a promiscuidade entre os sindicatos e o ministério e o corporativismo típico do sindicalismo em Portugal.


Revisão dos currículos; condições de trabalho do 1º ciclo; autonomia na implementação do novo despacho de organização do ano letivo…


Necessidades formativas do pessoal docente no âmbito de novas metodologias de ensino, necessidade de equipamentos tecnológicos, necessidade de formação para pais e encarregados de educação


Papel/poderes da autarquia nas escolas


A reorganização física dos espaços escolares e respetivos ciclos de estudos. Criar unidades de Escola Primária( Pré e até ao 6º ano de escolaridade) e Escola Secundária( do 7º ao 12º ano de escolaridade).

Nota: na questão: “O Diretor deve ser eleito por/pelo: … deve ser acrescentado um outro parâmetro: Concorda com a Carreira de Diretor? SIM / NÃO


Mais do que contratarmos em total autonomia é importante que as escolas possam ter mecanismos que permitam que os docentes que apenas fazem por deixar passar os dias deixem de fazer parte dos seus quadros. O mérito dos docentes dedicados à escola não é minimamente reconhecido pela tutela. O congelamento das carreiras contribui para o acentuar da desmotivação dos docentes.


Acho que deveria ser criada a carreira de diretor, paralela e permutável com a de professor.


A organização curricular existente não está adequada aos “tempos/realidade” atuais. É fundamental rever todo o sistema. Cada vez mais os alunos se “afastam” da escola e das aprendizagens, pois estas dizem-lhe muito pouco quando comparadas com os “desafios da vida/exterior”. No caso da nossa escola, esta é mais vista como um agente de socialização do que como um agente de formação/ensino, pois grande parte dos alunos gostam de estar com os amigos, mas não gostam das aulas e de cumprir as normas.


Trabalho Colaborativo; Gestão de sala de aula; Gestão de Conflitos (Professor/Professor; Escola/Família)


O total desrespeito da IGEC e dos respetivos inspetores pelos Conselhos Gerais, que são quem tomam as opções da escola em termos de politica educativa (decreto-lei 137/2012)


As parcerias com a Câmara / Candidaturas a projetos.


O modelo de contratação de professores tem de ter em conta o desempenho, pois continuamos com docentes muito empenhados e outros que não, não havendo forma reconhecimento; A escola tem de ter autonomia para optar por modelos de ensino ajustados a cada realidade.


O excesso de trabalho inerente a um mega agrupamento e uma equipa de adjuntos e assessorias insuficiente para esse trabalho diário.


A falta de autonomia dos órgãos de gestão e direção inviabiliza a aplicação de medidas (soluções) para superação de problemas que a própria escola reconhece e identifica. Ex: criação de turma especial para iniciação de língua inglesa a alunos provenientes dos PALOP; criação de turma de PLNM, com o número de alunos que a escola tiver (mesmo que não corresponda ao exigido na lei). A estes alunos que não frequentam PLNM é-lhe vedado o direito (legal) de serem avaliados em exame nacional de PLNM, sendo obrigados ao exame de Português. Criação de um currículo específico (ano zero) para integração (na escola, no país e na sociedade) dos alunos estrangeiros; A exigência de bons resultados académicos aos alunos (e professores) das escolas degradadas e mal equipadas que se encontram em situação de desvantagem pedagógica e didática face às escolas já requalificadas e com todas as condições de proporcionarem aos seus alunos um ensino centrado nas novas tecnologias de informação e comunicação. Também haveria muito a dizer relativamente aos currículos e programas que, apesar de renovados (?) (designadamente Português e Matemática) se encontrarem a anos luz dos interesses dos alunos do século XXI. Estão demasiado sobrecarregados de conteúdos e carga letiva e dificultando a vida aos alunos que necessitam de apoios mais individualizados. Continuamos a fazer omeletes sem ovos. Ficará para um próximo inquérito que queira fazer!


Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais – Inquérito 5

O que pensam os Diretores e os Presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa? O ComRegras quis saber a sua opinião, sem filtros, sem intermediários e com a liberdade que o anonimato lhes confere.

Ficha Técnica

Universo – Diretores de Agrupamentos e Presidentes de Conselhos Gerais de Escolas Públicas.

Amostra – Aleatória e representativa do universo. A amostra contém 312 inquéritos preenchidos, 181 (58%) por Diretores de Agrupamentos e 131 (42%) por Presidentes de Conselhos Gerais.

Técnica – O inquérito foi realizado através da plataforma de formulários Google, tendo o trabalho de recolha ocorrido durante o mês de julho de 2016.

Responsabilidade do estudo: Professor Alexandre Henriques

Resultados

 

A Escola deve ter um modelo de gestão

O modelo de gestão em vigor é uma questão claramente fraturante, se dois terços dos Presidentes de Conselhos Gerais prefere um modelo Colegial, os Diretores de Agrupamentos optam, embora por uma pequena margem, por um modelo Unipessoal.

O Diretor deve ser eleito por_pelo

Mais de 70% (72,8) dos Diretores e Presidentes de Conselho Gerais, preferem um método colegial para a eleição do Diretor de Agrupamento. É uma clara rejeição do atual modelo onde o Diretor é eleito pelo Conselho Geral. De referir que 35,6% gostaria de ver os representantes dos encarregados de educação incluídos no processo de eleição.

Concorda com o atual modelo de municipalização escolar

A rejeição do atual processo de municipalização escolar é evidente para ambos os inquiridos.

Concorda com a alteração do calendário escolar para dois semestres

É uma ambição antiga a dos Diretores dos Agrupamentos de terem um calendário escolar dividido em dois semestres e que se mantém nos resultados deste inquérito. Porém, os Presidentes de Conselhos Gerais, apesar de concordarem com a necessidade da revisão do calendário escolar, não preferem a opção dos dois semestres.

A minha escola carece de maior autonomia

A carência por uma maior autonomia escolar fica expressa mais uma vez. Podemos constatar que ambos os inquiridos concordam com a afirmação, os Diretores dos Agrupamento vincam mesmo a sua posição com uma concordância total a rondar os 60%.

Os professores devem ser contratados

No próximo mês, o Ministério de Educação irá rever o modelo de concurso de professores. Nas preferências dos Diretores de Agrupamentos, existe um claro empate técnico entre a escolha da colocação de professores por parte da tutela ou através das escolas. Os Presidentes de Conselhos Gerais não deixam margem para dúvidas quanto à sua opção – a contratação de professores deve ficar a cargo do Ministério de Educação.

Concorda com a política de limitação de mandatos nos orgãos de chefia escolar

À semelhança da questão anterior, os Diretores estão divididos sobre a política de limitação de mandatos. Porém, a grande maioria dos Presidentes dos Conselhos Gerais concordam com essa limitação.

A retenção deve ter caráter excecional

Indo ao encontro da legislação vigente, ambos os inquiridos concordam que a retenção deve ter caráter excecional.

Quais os pontos fortes da sua comunidade escolar

 

Quais as áreas a melhorar na sua comunidade escolar

Sobre os pontes fortes e áreas a melhorar nas escolas dos inquiridos, são os Docentes o ponto mais forte, seguido do Orgão de Gestão e Alunos. No outro extremo, temos os Resultados Escolares, a Disciplina e as Infraestruturas como as principais áreas a melhorar nas suas escolas.

Nota: não deixa de ser relevante a proximidade de opiniões entre os Diretores/Presidentes de Conselhos Gerais e Encarregados de Educação sobre os pontos fortes e fracos das escolas públicas portuguesas. No passado estudo ComRegras – (in)Disciplina na Família, a Competência dos Professores/Educadores foi o elemento que os Encarregados de Educação mais referiram como o que mais gostavam na escola do seu Educando e as Infraestruturas e Indisciplina como os elementos que menos gostavam.

Considera o seu trabalho reconhecido_valorizado

Numa vertente mais pessoal, foi perguntado aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais se consideravam o seu trabalho reconhecido/valorizado. Sim, este é reconhecido pelos diferentes elementos da comunidade educativa, sendo os docentes aqueles que na sua opinião mais o reconhecem.

No lado oposto, verificamos que os inquiridos não sentem reconhecimento e valorização do seu trabalho por parte do Ministério de Educação e Sindicatos. E 22,4% afirmam mesmo que não sentem que o seu trabalho é reconhecido/valorizado por nenhuma das entidades referidas.

Conclusão

O modelo de gestão, a municipalização escolar, a autonomia escolar e o calendário escolar, são questões muito importantes e que este estudo mostra que os principais membros da comunidade escolar – Diretores de Agrupamentos e Presidentes de Conselhos Gerais – não estão de acordo com o rumo que está a ser seguido. Outras questões como a limitação de mandatos, a contratação de professores e a retenção com caráter excecional, têm a concordância dos inquiridos.

Os resultados escolares e as questões disciplinares continuam a ser o principal motivo de preocupação dos Diretores de Agrupamentos e Presidentes de Conselhos Gerais. De realçar que mais uma vez, as questões disciplinares surgem no topo das preocupações. Apesar da sua relevância para quem está no terreno, este é assunto que só é referido quando a desgraça bate à porta da Escola Pública. No estudo realizado no ano passado pelo ComRegras sobre Indisciplina Escolar, foram apresentadas uma série de propostas que acredito que de forma célere e eficaz, iriam reduzir não só os níveis de indisciplina como seguramente potenciar o sucesso escolar.

Todos estamos cientes das restrições orçamentais, mas estas não podem justificar por si só a política de escola pública “low cost” que tem vigorado há já demasiado tempo. Existem questões que não são só financeiras, são políticas! É preciso ouvir a comunidade educativa e neste caso em particular os Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais. Não faz sentido ter uma escola pública liderada por pessoas que discordam em matérias determinantes para o seu futuro.

Não é por isso de estranhar que apenas 8,3% de Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais sintam o seu trabalho reconhecido/valorizado pela tutela. São valores que deviam envergonhar e fazer refletir profundamente os visados. Quem não se sente reconhecido/valorizado, não se sente ouvido… e os dados deste inquérito se mostram alguma coisa, mostram que é preciso ouvir quem está no terreno e dá a cara todos os dias.

E o que pensam os professores, os pais e os assistentes operacionais sobre estes assuntos? A são tempo saberemos 😉


Quem deve contratar os professores? Respondem Diretores e Presidentes C.Geral 1

Na sequência do post anterior, foi noticiado pela agência LUSA a notícia relativa à contratação de professores, no âmbito do inquérito “A Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais” que será publicado na íntegra na próxima 3ª feira.

Os professores devem ser contratados

Inquérito respondido por 181 Diretores e 131 Presidentes de Conselhos Gerais.

O inquérito revela nos diretores um claro empate técnico entre as possibilidades de a contratação dos professores ficar na alçada da tutela ou na alçada das escolas, disse à agência Lusa Alexandre Henriques, autor do blogue ComRegras e responsável pelo estudo, realizado em julho a 181 diretores de agrupamentos escolares e 131 presidentes de Conselhos Gerais em Portugal.

Há 50,3% dos diretores inquiridos a responderem que a escolha dos professores contratados deve ser feita pelo Ministério da Educação e Ciência e 49,7% dos diretores de agrupamentos a considerar que deve ser a escola a selecionar os docentes.

(retirado do site TVI24)

Diretores de escolas divididos sobre quem deve contratar os professores

(Observador)

Contratação de professores deve ser feito pelo Ministério, dizem presidentes – Inquérito

(SAPO/Correio da Manhã/Impala)

Contratação de professores “deve ser feita pelo Ministério da Educação”

(Notícias ao Minuto)

Quem deve contratar os professores?

(TVI24)


Maioria de Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais estão contra a Municipalização Escolar 2

O resultado do inquérito A palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais será apresentado nesta casa na próxima 3ª feira, a agência LUSA, através da jornalista Cecília Malheiro, avançou com alguns dados que constam no inquérito.

A municipalização escolar está em cima da mesa e é um tema muito importante para a Escola Pública. A opinião dos principais membros da comunidade educativa – Diretores de Agrupamentos e Presidentes de Conselhos Gerais – revelam de forma inequívoca que muito trabalho terá de ser feito para que esta matéria seja consensual.

Fica o gráfico respetivo

Concorda com o atual modelo de municipalização escolar

Inquérito respondido por 181 Diretores e 131 Presidentes de Conselhos Gerais.

Fica o corpo da notícia e os respetivos links da publicação da notícia:

O responsável pelo inquérito sobre “O que pensam os Diretores e os Presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa?”, Alexandre Henriques, professor e autor do blogue ComRegras, avançou à agência Lusa que num universo de mais de 300 inquiridos, quase 90% desses diretores e presidentes das escolas portuguesas rejeitam o atual modelo de municipalização escolar.

O inquérito demonstra que 89,0% dos diretores de agrupamentos escolares de todo o País “não concorda com o atual processo de municipalização escolar”.

Com um resultado semelhante – 86,3% – aparecem os presidentes dos Conselhos Gerais manifestarem igualmente oposição ao atual processo de municipalização das escolas.

“A rejeição do atual processo de municipalização escolar é evidente para ambos os inquiridos”, conclui Alexandre Henriques.

Segundo disse à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escola Pública (ANDAEP), haverá uns 15 concelhos piloto em Portugal que arrancaram com essa experiência da municipalização escolar, mas essa ideia “ainda não foi discutida até à exaustão por toda a comunidade educativa”, designadamente pelos encarregados de educação, alunos, associações de diretores e autarquias.

Em declarações à Lusa, o presidente da ANDAEP disse que não se admira com o resultado do inquérito porque “ainda não houve discussão”, nem um “amplo debate nacional”, sobre a municipalização das escolas públcias.

Filinto Lima avança mesmo que há alguns concelhos onde as coisas “ainda não estão a correr normalmente ou de uma forma pacífica”.

“Estes resultados são reveladores de que é necessário um amplo debate nacional”, reitera Filinto Lima, considerando que poderes que foram dados aos presidentes de câmaras municipais devem ser repartidos pelos órgãos diretores das escolas, que são os profissionais das escolas.

“Não devemos colocar tudo nas mãos de um presidente da câmara”, alertou o presidente da ANDAEP.

O inquérito sobre “O que pensam os diretores e os presidentes de Conselhos Gerais sobre questões pertinentes da escola portuguesa?” foi realizado em julho através de uma plataforma de formulários online e envolveu um universo de 312 diretores e presidentes de escolas.

RTP

Correio da Manhã

Notícias ao Minuto

TVI

Sapo

Público


Em 10 anos, quem perdeu mais professores, Público ou Privado? Qual o ministro que cortou mais professores? 4

Como agora tenho algum tempo livre resolvi aproveitar o estudo publicado ontem pela Direcção-Geral das Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) sobre o perfil do professor, para fazer uma análise sobre a evolução do número de professores.

Na grelha em baixo podem constatar a variação anual do número de professores e a variação relativa a 2004/2005.

evolução professores 2004_2014

 

Conclusões:

Durante uma década, houve uma redução de 23% dos professores do ensino público e 14,4% do ensino privado, o equivalente a 43596 professores e 4714 professores. Curioso que durante a vigência do governo PS, ocorreu uma diminuição do número de professores, seguida de uma recuperação, indo ao encontro do período pré-troika de maior investimento.  

Mas fica claro que foi o ensino público que mais sofreu comparativamente com o ensino privado. A associação da escola pública a classes económicas média/baixas e a escola privada a classes económicas médias/altas não é por acaso e quando os cortes ocorrem, os primeiros a sofrer são os que menos têm. Além disso, temos a questão das escolas privadas com contratos de associação, que englobadas no “bolo” privado viveram confortavelmente durante anos, enquanto as escolas públicas perdiam cada vez mais material humano. Não se trata de uma competição de quem sofre mais, mas é elucidativa a realidade entre duas escolas tão distintas.

E o Ministro da Educação que mais cortou professores em Portugal foi Nuno Crato do governo PSD. Fica também claro que no seu mandato os cortes no ensino privado foram mais incisivos, acompanhando o ensino público.

Nota: a Troika chegou a Portugal a 17 de maio de 2011, durante o mandato de Nuno Crato.


Tem sido afirmado com insistência que a culpa da redução dos professores é da demografia. Quem anda nas escolas constata que essa é apenas parte da verdade, a restante é visível no gráfico seguinte e que mostra a evolução da relação aluno/docente num período de 10 anos.

evolução relação prof_aluno 10anos

Como podem constatar, o número de alunos por docente aumentou nesse espaço de tempo, provando que o corte do número de professores não resulta apenas da diminuição demográfica.


Por fim um gráfico que mostra a evolução dos professores contratados em Portugal.

Evolução professores contratados

O gráfico revela que é no 2º ciclo, 3º ciclo e secundário, onde existem mais colegas contratados, tendo atingido o pico em 2010/2011. Infelizmente a redução de professores contratados não se verifica por uma política de combate ao trabalho precário, poucos têm sido os que entraram para quadro desde 2004/2005. Em tempos de crise, os professores contratados foram os primeiros a sofrer, pois além de gregários das escolas, estes são muitas vezes vistos como “almofadas” dos colegas de quadro, ou seja, “primeiro sai o contratado e só depois saio eu”…


O Estudo ComRegras “A (in)Disciplina na Família” na comunicação social.

jornais

A força da LUSA (jornalista Cecília Malheiro) tem este efeito, mesmo que ocorra em modo “copy paste”. Realço o jornal Público que fez uma notícia própria sobre o estudo no qual destaco o seguinte:

De regresso à percepção da indisciplina nas escolas, o também autor do blogue ComRegras, onde este estudo pode ser consultado, considera que às diferenças registadas quando se olha para a escola dos filhos ou para as outras no geral “não será alheia a influência da mediatização deste assunto em detrimento das práticas positivas realizadas” nos estabelecimentos escolares.

Mas esta poderá ser uma percepção enganosa, como mostra um estudo de Março promovido por Alexandre Henriques sobre a indisciplina na escola, realizado em 4,4% dos agrupamentos escolares, num universo de 50 mil alunos. “O número de participações disciplinares (ordem de saída de sala de aula) é claramente elevada, são mais de 9 mil participações em apenas 4,4% dos agrupamentos/escolas em Portugal, o que extrapolando para uma amostragem a 100%, levaria a um número superior a 200 mil participações disciplinares num só ano”, comentou então o autor do blogue ComRegras, para quem a indisciplina na escola é mesmo o principal problema do sistema educativo português.

Parece um contradição mas não é. Existe uma elevada taxa de indisciplina nas escolas portuguesas, verdade, e a mediatização de várias ocorrências fomenta essa mesma opinião. Mas o facto do perfil dos alunos deste estudo não evidenciar problemas disciplinares e revelar até bastante sucesso, inclina a opinião do encarregado de educação para que na escola do seu educando a indisciplina seja menor. É que a opinião dos encarregados de educação baseia-se principalmente no que lhes é dito em casa e se há algo que eu já aprendi ao longo dos anos, é que nós adultos, somos muito mais exigentes nos padrões de desempenho e comportamento.

Para os pais a indisciplina mora sempre na escola ao lado

(Público Clara Viana)

Maioria dos pais com curso superior ajudam filhos nos trabalhos de casa

(Diário Digital | Sapo – Susana Krauss)

Quarto desarrumado e telemóveis no centro das discussões entre pais e filhos

(TVI 24)

“Larga o telemóvel e faz a cama!”

(TSF)

Porque discutem pais e filhos?

(DN)

Quarto desarrumado e uso de telemóveis são principais causas de discussão entre pais e filhos

(Observador | Público)

Veja se estas são algumas das razões pelas quais discute com os seus filhos

(JN)

Discussões entre pais e filhos

(Economia PT)

E no blogue Atenta Inquietude

A Ajuda dos Pais nas Tarefas Escolares

(José Morgado)

Podem consultar o estudo completo aqui

*Artigo atualizado se se justificar.