Notícias de Além Mar


Como anda a educação no Brasil?

brasil ensinoAo propor uma reflexão sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do século XX o processo de expansão da escolarização básica no país começou, e que o seu crescimento, em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.

O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Instituto Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Instituto Todos pela Educação).

Nos últimos cinco anos, o investimento do governo federal em educação aumentou em quase 50%. Em 2010, o orçamento federal para o Ministério da Educação (MEC) foi de R$ 92,7 bilhões (cerca de 41 mil milhões de euros). A cifra saltou para R$ 137,2 bilhões (cerca de 33 mil milhões de euros) em 2015 e, neste ano, deve fechar um pouco abaixo – a previsão é de R$ 130,4 bilhões (cerca de 36 mil milhões de euros). Embora o aumento do investimento em educação no Brasil (em reais – em Euros houve redução devido a forte desvalorização do Real frente ao Dólar e ao Euro nos anos 2010 a 2016) ao longo dos últimos anos seja um fato, é uma realidade também a de que o país destina uma fatia maior de seu orçamento em educação que outros países – inclusive os desenvolvidos. Conforme o relatório da OCDE, o Brasil investe 5,6% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação. O número supera o gasto proporcional de países como Austrália, Suíça, Portugal, Espanha, Polônia, Japão, Alemanha e Itália. No entanto é preciso pensar se os recursos são bem empregados. O relatório aponta ainda que a média investida por aluno (U$S 2.900) é muito menor que o da média das nações (U$S 8.900). Ser mais eficiente no emprego dos recursos destinados à educação no Brasil é um desafio para os próximos anos. Listamos outros quatro problemas que devem ser enfrentados pelos governantes, sociedade, professores e alunos para que tenhamos uma educação de qualidade.

Universalizar o acesso da educação ao brasileiro

Na passagem do ano 1999 para o 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) traçou uma série de metas para que os países pudessem cumprir até 2015, que ficaram conhecidas como Objetivos do Milênio. Para a educação, o desafio brasileiro era incluir, até o ano passado, todas as crianças no ensino básico de qualidade. Ainda não é possível garantir se a universalização da educação para crianças e adolescentes de até 17 anos foi alcançada. Dados de 2008 mostram que 94,9% do total de jovens nessa faixa etária estavam dentro de sala de aula.   Em 2014, o governo federal mapeou que há 3 milhões de crianças e adolescentes (entre 4 e 17 anos) fora das escolas. O desafio maior está nas duas pontas dessa faixa etária. Entre as crianças com 4 anos, uma em cada quatro não frequenta o colégio. Isso representa 690 mil crianças, conforme o MEC. No caso dos jovens de 17 anos, são 932 mil fora das aulas. O problema maior está localizado no chamado “ensino médio”, com muitos jovens evadindo-se da escola por questões variadas, sendo a mais forte a necessidade de trabalhar para complementar a renda familiar ou suprir suas necessidades pessoais.

Investir na formação de professores

professoresEsse é um obstáculo grande a ser ultrapassado. No início do segundo trimestre, o MEC lançou um programa que vai oferecer 105 mil vagas em universidades federais para formação adequada de professores que lecionam nas redes estadual e municipal, mas que não atuam em sua área de formação. Conforme a pasta, dos 709.546 professores efetivos do ensino fundamental e médio, 374.829 (52% do total) dão aulas de disciplinas mesmo sem serem formados naquela área e precisam complementar a formação superior.

Responsáveis pela formação acadêmica e humana de alunos das mais diversas idades, os professores brasileiros recebem um terço do salário dos demais docentes de países da OCDE. O levantamento feito pela organização leva em conta a média de salário anual de docentes da rede pública de educação do Brasil. O Brasil ocupa a posição de número 36 entre 37 países analisados. Conforme o estudo, o docente brasileiro, no ano de 2014, ganhava por ano o equivalente a U$S 10.375 – sendo que a média para os países que compõem a entidade era de U$S 29.411. Pior colocado que o Brasil no ranking, somente a Indonésia, país asiático onde o professor recebe uma remuneração anual equivalente a U$S 1.560.

Melhorar os resultados das avaliações externas

A disparidade de investimento per capita fica mais fácil de ser compreendido quando reparamos nos resultados de alunos brasileiros avaliados em testes internacionais. Um dos exames de maior prestígio é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que testa conhecimentos de alunos de 15 anos sobre leitura, matemática e ciências. Em 2012, a média da nota dos estudantes brasileiros foi de 402 pontos – o que colocou o Brasil na posição de número 59 em um ranking que analisou a educação em 65 países.

Fontes:

<http://brasilescola.uol.com.br/educacao/educacao-no-brasil.htm>, acessado em 01/09/2016.

<http://starlinetecnologia.com.br/blog/4-desafios-para-uma-educacao-de-qualidade-no-brasil>, acessado em 01/09/2016.

https://www.oecd.org/edu/Education-at-a-Glance-2014.pdf, acessado em 01/09/2016.

http://www.objetivosdomilenio.org.br/educacao/, acessado em 01/09/2016.

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=36521-apresentacao-censo-escolar-divulgacao-22032016-pdf&category_slug=marco-2016-pdf&Itemid=30192, acessado em 01/09/2016.


O nicho do ensino fundamental II – um desafio urgente

brasilReportagem especial do Jornal Folha de S. Paulo chama atenção para uma etapa do ensino obrigatório do Brasil, que tem sido praticamente ignorada pelo debate sobre a qualidade da educação: o ensino fundamental II. Com muita razão, a matéria recebeu o título de Etapa Invisível.

De acordo com a LDB (Lei de diretrizes e bases da educação – lei 9394/96) a educação obrigatória no Brasil vai da educação infantil, que começa aos 4 anos e segue até o ensino médio, numa trajetória continua, que deve ser concluído até um mês antes da chegada do ano em que o aluno completa 18 anos. Dito de outra maneira, todas as pessoas nessa faixa etária deveriam estar matriculadas e frequentando alguma escola. Sabemos que não estão, muito menos na idade-série ou idade-ciclo adequadas.

O problema que o jornal resolveu expor é real, mas podemos ir além, isto é, citando algo que a matéria não abordou. Sim, é uma fase em que a escola faz uma transição brutal para os alunos, que é passar de um único professor, em geral uma mulher, para um grupo de professores “estranhos”, cada um cobrindo uma disciplina diferente. Além disso, a etapa escolar que vai dos 11 aos 14 anos coincide com o início da adolescência, fase na qual os alunos perdem o vínculo afetivo com o adulto regente da classe para concentrar-se na obsessão da idade, que é formar seus próprios grupos sociais entre seus pares etários. E na sociedade brasileira atual, essa é uma tarefa difícil, pois muitos deles não podem contar com o auxílio luxuoso (para os dias atuais) de um mentor, como um pai ou mãe zelosos. 

Essa lógica de múltiplos professores, ausência de pais ou responsáveis e adolescência é a mesma no mundo todo. Por que só aqui temos uma educação tão ruim que faz com que:

  1. a) os alunos praticamente não aprendam nada depois que saem do Fundamental I (antigo primário),
  1. b) deixa os indicadores de desempenho estagnados há anos e
  1. c) incentive a “desistência em massa” dos alunos das escolas?

Analisando os currículos das escolas brasileiras, inclusive das particulares de elite, excelentes pedagogas pesquisadoras (Paula Louzano e Ilona Beczkehazy) descobriram que, de maneira sistemática, quase não se ensina NADA aos alunos no Fundamental I. A lógica é “poupar” os alunos do “horror” que é aprender a ler, a escrever, analisar textos, a falar em público e a fazer contas, como fazem, há anos, seus colegas de países desenvolvidos.

Enquanto os alunos de países desenvolvidos aprendem a ler e escrever pequenos textos curtos, compostos por frases simples, por volta dos 6 anos, a proposta brasileira é segurá-los até os 8 anos. A noção de metade, 1/4 e 1/8, gráficos de barras e similares, que são aprendidos pelos alunos ainda na educação infantil, só aparecem na vida dos brasileiros no 3º ano do Fundamental I. Quando se chega no Fundamental II, parte-se direto para a notação desses conceitos e aí as crianças “boiam” mesmo! Há um vácuo educacional na educação infantil e no Fundamental I. Para os docentes e seus formadores no Brasil, a educação só começa mesmo no Fundamental II.

Um problema que também é bem brasileiro é a fragmentação das etapas escolares, que agrava todos os demais equívocos sistemáticos do setor por aqui. É o seguinte: a educação escolar no Brasil ainda não é tratada como um processo contínuo e necessariamente cumulativo, que tenha uma progressão clara de aprendizado. Foram constituídos feudos virtuais, que, como na Idade Média, são comandados por castelos de torres altas cercadas por muralhas protetoras. A educação infantil é o patinho feio – conta com docentes com a formação menos “sofisticada” (as professoras são formadas em Pedagogia). Na ponta oposta está o ensino médio, que (com sorte) recebe professores com formação mais complexa, quase a casta abençoada dos professores universitários, sonho de consumo de todo docente, principalmente se for em uma instituição pública, com todas as “vantagens” que a função proporciona e com a carga ideológica característica da formação providenciada pelas universidades públicas e privadas, que exercem influência sobre o que é ensinado.

Cada etapa tem uma lógica própria, estrelas próprias e um desprezo profissional velado com as etapas anteriores, que faz com que seus membros raramente, apenas como exceção, unam forças para planejar o ensino ou mesmo a transição pedagógica entre elas. Do Fundamental II para a frente, quando os professores são obrigatoriamente especialistas por disciplina, nem dentro da mesma série se comunicam, apenas por estarem em campos diferentes do conhecimento e por serem, em geral, horistas e sem um vínculo forte com as comunidades escolares nas quais ensinam.

A explicação que gostaria de propor para o problema da má qualidade da educação básica brasileira é que ela começa a aparecer com mais gravidade quando o aluno conclui o ensino médio sem saber nada, ou no vergonhoso desempenho do Pisa aos 15 anos, e até no abandono escolar em massa, mas ele é gerado já na educação infantil. Agora descobriram o Fundamental II como um novo feudo, oportunidade de negócios ou nicho de atuação institucional, inclusive com propostas esdrúxulas como o ensino integral na rua, fora da escola. A questão é que o ensino é contínuo, cumulativo e deve privilegiar o desenvolvimento de inteligência, entendida com resolução de problemas que nossos jovens se deparam ao viverem suas vidas fora da escola. Queremos destacar ainda que as crianças de países ditos desenvolvidos já são beneficiadas com educação de alta qualidade que leva em conta as descobertas da Neurociências e o Brasil continua a “ver a caravana passar”. Tratar alunos da educação infantil como intelectualmente incapazes dá ótimo resultado: eles viram mesmo, continuar achando que crianças de menos de 10 anos são “café-com-leite”, idem. Mas não é esse resultado o que o país deseja, ao menos da boca para fora, portanto, temos que mudar nossas premissas. Vamos ensiná-los desde cedo que eles são inteligentes e capazes e eles responderão!

Joseval Estigaribia

 


Notícias de Além Mar | “Brasil é a Vanguarda da Educação no Mundo” – saiba como.

circoEm artigo veiculado na RTP em 14/03/2016, foi atribuído a José Pacheco a seguinte fala: “O fundador da Escola da Ponte José Pacheco considera que o “Brasil é a vanguarda da educação no mundo” e lamenta a pouca abertura de Portugal para um ensino alternativo. “É no Brasil que está a nascer a nova educação do mundo”, disse o educador português à Lusa, à margem de uma palestra sobre educação na Universidade de Brasília. Há 15 anos, José Pacheco começou a viajar periodicamente para o Brasil e, mais tarde, mudou-se para cá, tendo, por exemplo, ajudado na implementação de um ensino alternativo no Projeto Âncora, uma instituição em São Paulo, que hoje o educador vê como “a escola mais avançada” do mundo”.

No Brasil há um projeto de uma ONG (Organização Não Governamental) chamado “Projeto Âncora” de inspiração ‘Ponteana’ (da Escola da Ponte de José Pacheco). A organização tem 17 anos de existência. Localizado na cidade de Cotia, distando cerca de 30 km da região central da metrópole de São Paulo. Atendendo cerca de 180 alunos, oferece educação básica num modelo único.

Assim como a portuguesa, a Escola Projeto Âncora não tem séries; alunos de 6 a 10 anos estudam juntos, desenvolvem projetos de pesquisa de acordo com suas afinidades e são orientados por professores e pedagogos.

Na escola, os alunos são colocados em contato com diferentes atividades: música, informática, esportes, circo, artes e culinária. Para se matricular, é necessário cumprir algumas exigências, como morar em um raio de até 3 km de distância da escola e ter renda familiar de até três salários mínimos (cerca de 500 euros mensais) – não há custo algum para os pais.

O conhecimento é desenvolvido por meio de projetos de pesquisa. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, um grupo de alunos escolheu estudar a escravidão africana no Brasil. A pesquisa abordou as viagens nos navios negreiros, as leis de abolição, a relação entre escravos e senhores de engenho e as heranças culturais africanas: a música, a dança, a capoeira, a culinária e a religião. Também foram pesquisados temas geográficos, como o clima africano e o brasileiro, para entender como se deu a adaptação a outro ambiente. Por fim, os estudantes fizeram paralelos com o preconceito existente até hoje contra os negros.

Quando os alunos apresentam o trabalho, eles ensinam aos colegas o que aprenderam, utilizando imagens, som, cartazes e slides. Como a busca pelo conhecimento parte das próprias crianças, de um interesse genuíno, segundo os organizadores da escola, a aprendizagem é mais eficiente e melhor absorvida.

O projeto pedagógico conta com a colaboração do educador português José Pacheco, idealizador e ex-diretor da Escola da Ponte. Pacheco começou a trabalhar com a equipe brasileira em abril de 2011. No começo deste ano, a escola iniciou suas atividades com sete educadores e 180 alunos no equivalente ao ensino fundamental I (1o ao 5o ano). Na educação infantil, outras 52 crianças são atendidas.

A educação no Brasil tem experimentado seguidos resultados ruins, tem galgado as últimas colocações no PISA – em descompasso com a posição do país no cenário mundial – tem 1/3 de seus jovens na condição de semianalfabetos, 1/5 apenas conseguem concluir estudos de ensino superior e a qualidade do ensino na média é sofrível. Na verdade, nas camadas sociais de menor poderio econômico, onde impera alto grau de violência (em 2015, 60 mil brasileiros foram assassinados por arma de fogo e/ou arma branca), existe uma resistência a ideia da educação como uma ferramenta alternativa para a melhoria de sua situação social atual e evolução como cidadão portador de direitos. Ainda, apenas 50% das escolas possuem acesso a internet e ainda o acesso é considerado de qualidade adequada em apensa metade dos acessos.

teclarEntão, há um terreno fértil para o trabalho dos pedagogos e muitos projetos estão em andamento, a nível experimental no país.

Um projeto apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo que tem apresentado resultados positivos é o chamado “Escola de Período Integral” onde os alunos têm aulas regulares pela manhã e participam de projetos pedagógicos desenvolvidos pelos professores e equipe gestora das escolas no período da tarde, projetos que exploram o protagonismo do aluno. Essas escolas têm instalações especialmente preparadas com laboratórios de ciências, de informática, 1 computador por aluno e os projetos tem aumentado o engajamento do aluno em todas as atividades da escola, retroalimentando o sucesso do modelo.

Ao conversar com alunos no Ensino Médio é muito comum ouvir que “Matemática é chata” ou “Física é muito complicado”. Mas, na cidade de Joinville, em Santa Catarina, um projeto implantado em 15 escolas públicas tem mudado a opinião dos alunos.

No programa de Educação em Tecnologia e Mobilidade, mais de 800 alunos do Ensino Médio da rede pública estadual têm a chance de entrar em contato com o lado prático das Ciências Exatas, construindo robôs de Lego NXT, projetando satélites e novos equipamentos de energia renovável.

Após as oficinas, os mais interessados são convidados para cursos mais longos, de até 40 horas, e os estudantes que se destacam no processo podem desenvolver, junto à universidade, um projeto de iniciação científica custeado pelo CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa cientifica) – antes mesmo de ingressarem no Ensino Superior.

As oficinas são oferecidas pelos próprios professores e alunos de graduação das áreas de Engenharia da UFSC e atingem não apenas os alunos do Ensino Médio, como também os professores da rede pública – que participam de encontros de formação, que os auxiliam a levar para a sala de aula conceitos de Ciência aplicados na prática, tornando o ensino ainda mais atraente.

Para Carlos Sacchelli, coordenador do projeto, um dos fatores que o motivou para pensar nessa formação integrada foi, justamente, o modo tradicional como a Matemática é ensinada nas escolas públicas da rede. “Os adolescentes estão imersos em tecnologia no seu cotidiano, com celulares, tablets e aplicativos, mas raramente conseguem fazer a ponte entre a tecnologia aplicada e os conceitos de matemática ou física que aprendem na escola”, explica.

Os reflexos desse desinteresse aparecem no déficit da formação de profissionais na área de exatas, especialmente no que diz respeito à formação de professores no país. Em 2011, o Censo do Ensino Superior mostrou que os estudantes de exatas estavam entre os que mais abriam mão da licenciatura. Física estava no topo da lista, com 31% de desistência, seguida pela Matemática, com 21,6%.

Para reduzir esse déficit de quase 170 mil docentes na área pública, o Ministério da Educação lançou programas de incentivo nas escolas, como o Programa Quero Ser Cientista, Quero Ser Professor, que ofertou 30 mil bolsas de estudo nas áreas de exatas em 2014.

E os resultados desses esforços em trazer a ciência para perto do cotidiano dos alunos já começam a aparecer. Muitos dos estudantes que participaram das oficinas de tecnologia da UFSC seguiram na área de Engenharia, e alguns, inclusive, foram contemplados pelo programa Ciência sem Fronteiras e desenvolvem, hoje, pesquisas nos Estados Unidos.

Daniela Karolina Rosa, de 19 anos, participou da oficina de robótica e do laboratório de pesquisas em sustentabilidade ainda quando estava no Ensino Médio. Gostou tanto, que se tornou bolsista da CNPq e hoje, cursa a faculdade de Engenharia Civil. “Montamos um projeto de um robô capaz de realizar a coleta do lixo em rios poluídos. Ali, tudo que eu vi na sala de aula começou a fazer sentido e tive, ainda cedo, a certeza de que deveria cursar Engenharia”, explica.

Para Carlos, o sucesso do programa tem sido tão grande que a universidade já pensa em novos projetos e elabora, agora, oficinas de Engenharia só para garotas, a fim de inserir ainda mais as mulheres nos cursos de tecnologia.

ensino híbridoMas talvez o projeto mais ambicioso e que tem apresentado resultados comparáveis aos da Educação Integral é o chamado “Ensino Hibrido”. Ele é o chamado ensino disruptivo, na medida em que rompe com as formas tradicionais de ensino.Também chamado de blended learning, o método alterna momentos em que o aluno estuda sozinho – em geral em ambiente virtual – e em grupo, quando interage com seus colegas e o professor. Objetiva-se a personalização do ensino. Busca-se diferentes ferramentas – não somente as tecnológicas – para suprir as necessidades do aluno contemporâneo.

No Brasil, uma das maneiras mais comuns da adoção do ensino híbrido é por meio da chamada rotação de laboratório (ou lab rotation, em inglês), na qual são combinados momentos na sala de aula e no laboratório de informática, com conteúdos complementares. Assim, para uma disciplina, o estudante pode passar a primeira aula em um laboratório de informática usando recursos online para o primeiro contato do tema. Na aula seguinte, com a ajuda do professor e em companhia dos colegas, ele pode aprofundar o que aprendeu e aplicar os conceitos, desenvolvendo projetos, debatendo o assunto, trabalhando exercícios de contextualização, tirando dúvidas, entre outras atividades.

Desta forma, o aluno é estimulado a pensar criticamente, a trabalhar em grupo e a ver mais sentido no conteúdo. Ele assume a posição de protagonista e tem mais chances de aprender da maneira que melhor funciona para ele. Já o professor ganha um papel mais próximo ao de um mentor que guia esse processo de busca pelo conhecimento e, com a diminuição da carga de aulas expositivas, ele tem mais tempo para dar atenção personalizada às necessidades dos estudantes e acompanhar de maneira mais próxima evolução deles.

Como pode ser visto, há algumas inciativas de melhoria da qualidade da educação em ação no Brasil neste momento, mas nada disto seria possível se não fosse a inquietação do brasileiro comum, dos professores e demais profissionais da educação e de alguns políticos que tem mantido o terreno fértil ao desenvolvimento e teste de novas formas de desenvolvimento de pedagogias. Mas há ainda um longo percurso a percorrer e talvez daí venha a visão do ilustre José Pacheco.

Joseval Estigaribia


Do Que Se Fala (Especial) – O Brasil em Estado de Ebulição Política e Económica

Do nosso “repórter” de serviço Joceval Estigaribia. Um artigo que explica tudo sobre o que se está a passar no Brasil.

 brasilNo mês de março de 2014, a Policia Federal, o Ministério Público Federal e o juiz nomeado para o caso, Sérgio Moro, começaram as investigações de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro num posto de venda de combustíveis. A PF não tardou a chamar a operação de Lava Jato pois, no Brasil, todo posto de venda de combustíveis tem um setor de lavagem de automóveis que chamamos de lava jato.

As coisas foram esquentando na medida em que mais e mais políticos, diretores da estatal Petrobrás (que perdeu cerca de 200 bilhões de dólares em valor de mercado nos últimos 5 anos), lobistas, doleiros (trocadores informais de reais – o dinheiro brasileiro – por dólares), empreiteiros e até marketeiros.

No primeiro momento da investigação, perante a Justiça Federal em Curitiba, foram investigadas e processadas quatro organizações criminosas lideradas por doleiros. Depois, o Ministério Público Federal recolheu provas de um imenso esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras.

Nesse esquema, que dura pelo menos dez anos, grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina para altos executivos da estatal e outros agentes públicos. O valor da propina variava de 1% a 5% do montante total de contratos bilionários superfaturados. Esse suborno era distribuído por meio de operadores financeiros do esquema, incluindo doleiros investigados na primeira etapa.

Em um cenário normal, empreiteiras concorreriam entre si, em licitações, para conseguir os contratos da Petrobras, e a estatal contrataria a empresa que aceitasse fazer a obra pelo menor preço. Neste caso, as empreiteiras se cartelizaram em um “clube” para substituir uma concorrência real por uma concorrência aparente. Os preços oferecidos à Petrobras eram calculados e ajustados em reuniões secretas nas quais se definia quem ganharia o contrato e qual seria o preço, inflado em benefício privado e em prejuízo dos cofres da estatal. O cartel tinha até um regulamento, que simulava regras de um campeonato de futebol, para definir como as obras seriam distribuídas. Para disfarçar o crime, o registro escrito da distribuição de obras era feito, por vezes, como se fosse a distribuição de prêmios de um bingo.

As empresas precisavam garantir que apenas aquelas do cartel fossem convidadas para as licitações. Por isso, era conveniente cooptar agentes públicos. Os funcionários não só se omitiam em relação ao cartel, do qual tinham conhecimento, mas o favoreciam, restringindo convidados e incluindo a ganhadora dentre as participantes, em um jogo de cartas marcadas. Segundo levantamentos da Petrobras, eram feitas negociações diretas injustificadas, celebravam-se aditivos desnecessários e com preços excessivos, aceleravam-se contratações com supressão de etapas relevantes e vazavam informações sigilosas, dentre outras irregularidades.

Os operadores financeiros ou intermediários eram responsáveis não só por intermediar o pagamento da propina, mas especialmente por entregar a propina disfarçada de dinheiro limpo aos beneficiários. Em um primeiro momento, o dinheiro ia das empreiteiras até o operador financeiro. Isso acontecia em espécie, por movimentação no exterior e por meio de contratos simulados com empresas de fachada. Num segundo momento, o dinheiro ia do operador financeiro até o beneficiário em espécie, por transferência no exterior ou mediante pagamento de bens.

Outra linha da investigação – correspondente à sua verticalização – começou em março de 2015, quando o Procurador-Geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal 28 petições para a abertura de inquéritos criminais destinados a apurar fatos atribuídos a 55 pessoas, das quais 49 são titulares de foro por prerrogativa de função (“foro privilegiado”). São pessoas que integram ou estão relacionadas a partidos políticos responsáveis por indicar e manter os diretores da Petrobras. Elas foram citadas em colaborações premiadas feitas na 1ª instância mediante delegação do Procurador-Geral. A primeira instância investigará os agentes políticos por improbidade, na área cível, e na área criminal aqueles sem prerrogativa de foro.

Essa repartição política revelou-se mais evidente em relação às seguintes diretorias: de Abastecimento, ocupada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012, de indicação do PP, com posterior apoio do PMDB; de Serviços, ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2012, de indicação do PT; e Internacional, ocupada por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, de indicação do PMDB. Para o PGR, esses grupos políticos agiam em associação criminosa, de forma estável, com comunhão de esforços e unidade de desígnios para praticar diversos crimes, dentre os quais corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Fernando Baiano e João Vacari Neto atuavam no esquema criminoso como operadores financeiros, em nome de integrantes do PMDB e do PT.

lavajato

O BRASIL, O FMI E AS AGENCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS (mais…)


Notícias de Além Mar | O Ano de 2016 sob a luz da B. N. C. C.

diálogo

A educação brasileira tem um importante e difícil tarefa a realizar pela frente neste ano de 2016: aprovar uma base curricular que sirva de referência e suporte a toda educação neste imenso Brasil.

As vantagens desta base são muitas, como:
– mais clareza sobre o que se deve ensinar aos alunos;
– equidade no acesso aos conhecimentos fundamentais;
– alinhamento entre a formação de professores e prática em sala de aula;
– equidade na distribuição e acesso de material didático;
– avaliações alinhadas aos conteúdos efetivamente trabalhados.
– qualidade ampla, geral e irrestrita dos conteúdos em todo território nacional.
De acordo com os especialistas contratados pelo MEC, tais ações refletem o que tem sido praticado com sucesso comprovado em extensa documentação em países como Canadá, Austrália, Reino Unido, Chile, Estados Unidos, Finlândia, Coréia do Sul e outros.

No Brasil, a Base Curricular está sendo discutida com os agentes educadores desde setembro de 2015 e aceitando contribuições até março de 2016, sendo considerada a primeira vez que algo está sendo discutido com as bases especializadas da sociedade brasileira, uma mudança e tanto se comparada ao autoritarismo tão comum numa instituição historicamente impositora de papeis e comportamentos com determinações hierárquicas verticais.
Há uma equipe fixa de profissionais trabalhando neste documento desde 2013, que já incorporou na proposta temas carregados de ideologia de esquerda, como não poderia deixar de ser num governo socialista como o que ocupa o poder no Brasil. Foram ouvidas cerca de 15 instituições de referência em educação, 150 professores e coordenadores pedagógicos além de especialistas nacionais e internacionais contratados pelo MEC para a revisão e críticas do documento.

livrosO resultado deixa claro que o primeiro rascunho mostra fragilidades, há muitos descaminhos em termos de conceitos, ideologia e estrutura e se faz necessária uma cuidadosa revisão, o que justificou a contratação de especialistas internacionais que já fizeram uma primeira crítica e a tornaram pública em documento destinado a este fim. O MEC desenvolveu, para atender a participação da sociedade, um site especifico que já recebeu mais de 9 milhões de contribuições dos mais diversos setores sociais brasileiros.

Podemos falar rapidamente sobre pontos a revisar como o sequenciamento das habilidades ao longo dos anos e a desconexão entre o conteúdo dos textos introdutórios da base e o que diz os objetivos da aprendizagem. Ainda há a necessidade de oferecer vários percursos educacionais no ensino médio e os problemas com o rigor e a clareza dos objetivos da alfabetização.
Como falamos anteriormente, a parte da disciplina de História está provocando reações por parte dos professores da área, pois querem retirar parte indispensável dos fatos passados que influenciou a formatação de nossa sociedade atual em favor da inclusão da cultura africana e ameríndia (penso que todas as culturas deveriam ser estudadas sem prejuízo de A ou de B).

Como dissemos anteriormente neste texto, há muitos pontos positivos e deverá haver ainda muito debate sobre teorias pedagógicas, ideologias, visões de mundo e concepções sobre como deve ser a escola. Outro ponto positivo é que o MEC objetiva fazer atualizações periódicas do documento a fim de torna-lo dinâmico e alinhado as prováveis mudanças sociais do futuro.
Ouvidos em pesquisas recentes, os professores brasileiros evitam trabalhar com conteúdo que se sentem pouco familiarizados. Com este documento, a discussão deve se tornar mais ampla.

Joseval Estigaribia


A “Google confiança” de nossos jovens

confiançaUm estudo da Northwestern University¹ dá conta de que estudantes do ensino superior tem apresentado o que chamo de ‘Google confiança’, isto é, se a máquina de busca do Google lista um link nos primeiros lugares, ele deve ser confiável.

Mas os estudantes parecem desconhecer que o Google não lista conteúdos em ordem de suas confiabilidades, mas por critérios outros, dentre eles o comercial.mafalda

Os estudantes da era digital se contentam com informações rápidas, sem se importar com procedência nem fidelidade. Eles definitivamente estão se condicionando a urgência e superficialidade e leituras em diagonal fazem o gosto geral. A verticalidade e profundidade deixa de ser vista como sinônimo de consistência para ser considerada redundante e repetitiva.

Isto nos leva a questão da crítica: a crítica neste sentido não tem a ver com gosto, tem a ver com questionar sobre procedência, veracidade e confiabilidade. Precisamos desenvolver em nossos estudantes a competência para aprender a pensar sobre conteúdos, interrogar-se, fazer o que se fazia antigamente: fichar textos e buscar conexões para sua aplicabilidade ou pertinência ao que se estuda. O professor precisa fazer com que eles sejam instigados a pensar sobre, e não simplesmente, consumir sem critérios. Nossa sociedade, embora consumista, considera questões outras além dos bens materiais, e é este pensar que precisa ser desenvolvido, a saber: produção de conhecimento e sua aplicação no mundo das coisas reais e uteis (profissional, individual, coletiva, etc).

Os jovens, em função da quantidade de informação a que são expostos, encaram uma realidade oposta à da qualidade. Eles, por lerem inadequadamente, tem dificuldade de comparar ideias e conceitos, quer por semelhança ou por diferença.

A solidez de um aluno deve, portanto, vir do aprofundamento que tem e que ele faz de suas áreas de concentração. A pesquisa se provará producente se souber elaborar as perguntas certas. O estudante tem que se valer do acúmulo de discussões e desenvolvimentos de suas áreas para saber quais autores trazem um debate à cena de sua área de atuação e deste “diálogo” deverá ser capaz de construir suas reflexões.

mãosA passividade ante a informação precisa ser combatida, mas discutida a fim de leva-los a inquietação produtora de novos questionamentos geradores de soluções de qualidade, com urgência e desde os anos iniciais da escolaridade, na mais tenra idade. O uso de ferramentas tecnológicas deve ser apoio a tarefa maior de pensar, questionar e produzir respostas a atuação do jovem no mundo real.

Alguém disse que não são as respostas, mas as perguntas que movem o mundo (acho que foi A. Einstein). De uma sociedade conectada estamos assistindo ao crescimento de jovens cada vez mais autocentrados e desligados (desumanizados) em dificuldades comunicacionais com aqueles que deveriam usufruir de suas presenças físicas.

É preciso mudar padrões e construções mentais no rumo correto e este papel é do professor. Não há ferramenta digital que substitua a autoconsciência do estudante na busca por seu autodesenvolvimento.

A busca por conhecimento é tarefa individual e intransferível. Não serão instituições que farão isso ao indivíduo. Ele é que terá que buscar, cavar e lapidar seu conhecimento usando ferramentas da educação hibrida.

(¹)http://www.northwestern.edu/newscenter/stories/2010/07/Google.html

Joseval Estigaribia


Notícias de Além Mar | A Controversia (do BNCC) Continua e Vai Se Aprofundando!

base nacional

A despeito de toda critica recebida pela comunidade educacional brasileira, o MEC segue incólume rumo a manutenção da BNCC (base nacional curricular comum) da forma em que 116 ilustres desconhecidos consultados se encontra. Claramente há um viés de ideologia de esquerda que está incomodando a comunidade e bolsosociedade brasileira, apesar da ideologia de esquerda ser ensinada nas faculdades de formação de professores brasileiros desde a década de 1950 (talvez até antes), o que criou um grande número de professores simpatizantes da ideologia, mas que sabem que da forma como está sendo costurada na BNCC, soa como imposição a pessoas que não terão condições de escolha.
Muitos associam o pouco tempo para discussão e desenvolvimento do documento ao plano do governo atualmente no poder de impor sua ideologia.

É de conhecimento global a onda de denúncias de corrupção que sofre o governo brasileiro. A Policia Federal e o Ministério Público brasileiro desencadearam uma série de investigações que estão condenando muitos políticos, banqueiros, empreiteiros que lotearam a maior empresa nacional – a Petrobras – que era usada por eles para fins de financiamento eleitoral e enriquecimento ilícito de parte a parte, o que levou a empresa a anunciar prejuízos de US$ 6 bilhões no ano passado, por conta da corrupção. Mas o Polícia Federal diz que a conta já ultrapassa os US$ 50 bilhões.

corrupçãoEntão, os brasileiros estão estarrecidos e ressabiados com essas atitudes e buscando avaliar criticamente as coisas que vem de Brasília e o BNCC não fica de fora. Há algumas organizações sociais que estão vigiando de muito perto as ações do BNCC, como o “Escola sem Partido”, “Porvir” e outras.

Da miríade de críticas recebidas, destacamos:
1. Excessivamente extenso em alguns tópicos;
2. Pouca discussão com especialistas;
3. Texto inicial sem autoria explícita;
4. Algumas escolhas inspiradas por ideologias de esquerda;
5. Tempo de desenvolvimento do documento exíguo;
6. Falta de foco nas disciplinas básicas (Lingua Portuguesa e Matemática);
7. Autonomia regional de 40%, considerado excessivamente elevada;
8. Ausência de bibliografia e autores recomendados;
9. Baixa coerência curricular – relação entre tópicos ensinados e entre os anos;
10. Fraca continuidade entre temas de uma mesma disciplina.

Como destacou em recente entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Ricardo Henriques – diretor do Instituto Unibanco, “colocar a BNCC em discussão é uma bela iniciativa do MEC, mas o documento deveria ter um núcleo comum mais conciso e claro.  A palavra diversificada atrapalhou o debate, disse ele. Ele acha ainda que deveríamos deixar um espaço nas disciplinas para escolha de temas a partir das realidades dos alunos, que seria definida por esses mesmos alunos, em torno de 40% do tempo escolar”.

Manuel Palácios, secretário da educação básica do MEC, foi o primeiro a falar em revisar o documento de 302 páginas do BNCC, em recente entrevista ao mesmo jornal acima, mas não temos noticia ainda da concretização desta ação. O prazo continua a correr.

O documento, da maneira que está posto, define 60% do currículo, sendo os restantes 40% de responsabilidade dos estados e municípios.

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Fonte: “www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/12/1715594-educadores-veem-excessos-em-nova-base-curricular-brasileira.shtml”

Joseval Estigaribia


Notícias de Além Mar | A Criticada Construção da Base Nacional Curricular Comum no Brasil

Base nacionalO Ministério da Educação (MEC), por força da Constituição Brasileira, da lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira = LDB) e do Plano Nacional de Educação (PNE) está em vias de estabelecer, de forma compartilhada, a partir de setembro último e em colaboração com os envolvidos na educação nacional, uma Base Nacional Curricular Comum (BNCC) a ser adotado em todo território nacional.

As instituições e veículos nacionais aos poucos começam a participar das discussões.

No último dia 29/11, o jornal Folha de São Paulo, veiculou uma notícia intitulada “Base Frágil” que repercutiu de forma positiva nos meios educacionais brasileiros, pois a sociedade brasileira participa dos projetos nacionais de forma tímida e reticente.

Como a educação no Brasil é descentralizada por força constitucional, alguns entes federativos já possuem uma base curricular sólida funcionando há pelo menos duas décadas. O MEC diz que fez uso deste conhecimento desenvolvido por esses estados.

A BNCC tem por objetivo estabelecer fundamentos sólidos e claros sobre o que os alunos devem aprender e as escolas ensinar. O documento já conta com 300 páginas, resultado da contribuição de 116 especialistas em educação com experiência completamente desconhecida do público (esta informação está estranhamente sendo mantida em sigilo). Às escolas foi reservado um período de 14 dias corridos (02 a 15 de dezembro) para a discussão, critica e sugestões ao BNCC, o que obviamente é muito pouco tempo. O Conselho Nacional de Educação (CNE) é o órgão que deverá dar a palavra final sobre o BNCC e deverá receber o documento em junho/2016.

Não está claro quem fará a revisão documental nem como será o processo. Se faz necessário fazer algo de efetivo para colocar a educação brasileira no rumo certo, pois os números das avaliações externas revelam a precariedade da formação de nossos jovens. A BNCC parece continuar mais no campo do problema que da solução, envolta numa névoa de superficialidade e ocultismo. Note a incoerência: o documento deveria estipular o que deve ser aprendido em cada etapa do processo, mas a proposta não chega a estipular quanto do ano letivo deve ser dedicado a cada meta – e eles somam centenas! Uma única citação de que 40% do tempo deve ser designado a questões regionais, o que soa um tanto quanto excessivo.base nacional comum

Embora as áreas de matemática e ciências tenham sofrido com a falta de pragmatismo, em linguagens e humanas o problema se revela muito mais sensível, devido a invasão ideológica mais ‘propícia’ nestas áreas. Houve uma excessiva valorização das questões africanas, latino-americanas e ameríndias na disciplina de história em detrimento do percurso clássico de inspiração europeia, da antiguidade até a modernidade. A temporalidade está sendo abandonada em favor da ótica dos ‘povos explorados’. Como entender a expansão marítima europeia sem estudar a evolução social do medieval ao renascimento com o domínio da tecnologia e das armas? E privar os jovens brasileiros do conhecimento do Iluminismo e da Revolução Francesa certamente não contribui com a compreensão dos valores da sociedade moderna, dos direitos humanos, liberdades civis e da democracia brasileira.

Na área de linguagens, há uma excessiva valorização de questões práticas (artísticos literária, investigativas e político-cidadãs) da língua em detrimento dos conteúdos ortográficos, gramáticos e vocabulário.

As mazelas da BNCC carecem de um espaço de debate aberto, com tempo adequado e com o concurso de especialistas educacionais reconhecidos e não com os ideólogos de plantão que não tem como meta melhorar a combalida qualidade da educação brasileira e sim atender a seus objetivos ideológicos de alienação das massas.

Joseval Estigaribia

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/11/1712422-base-fragil.shtml


Notícias de Além Mar | A Situação da Educação no Brasil

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Como não poderia deixar de ser, a educação no Brasil também passa por uma crise. Sabemos que a educação é um elemento da política nacional (de controle de massas). Então, a vontade politica de transformar e prover recursos para tal transformação está nas mãos daqueles que elegemos (na verdade das elites).

Por outro lado, vivemos, mais que uma época de mudança, uma mudança de época. Um ajuste institucional ou, como diria Clayton Christensen, uma disrupção. As velhas práticas do processo de ensino aprendizagem estão se mostrando ineficazes e os resultados das avaliações internas e externas confirmam a necessidade de uma mudança de rumo. Há melhoras incrementais, mas o que o Brasil precisa é de um salto de qualidade, uma mudança na escala de melhoria (de décimos para dezenas de unidades percentuais).

A educação no Brasil é um direito do cidadão e um dever do Estado, conforme prevê a Constituição Federal de 1988, a chamada “constituição cidadã”. Ela determinou que se criasse uma lei específica para a educação, que foi aprovada pelo Congresso Nacional, Senado Federal e sancionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso em 1996 – lei 9394/96. Esta lei determina a descentralização da educação no país, onde as Secretarias Estaduais de Educação seriam responsáveis pelo seu funcionamento. Ela determinou ainda que deveria ser criado por especialistas e pela sociedade brasileira um Plano Nacional de Educação (aprovado somente em 2014 que contempla 21 metas para a educação a serem alcançadas até 2030) e uma Base Curricular Comum (que está sendo discutida neste exato momento).

Os Indicadores da Qualidade na Educação estão sendo utilizados no Programa Nacional da Escola Básica. Os Indicadores da Qualidade na Educação baseiam-se numa visão ampla de qualidade educativa e, por isso, abrangem sete dimensões: ambiente educativo; prática pedagógica e avaliação; ensino e aprendizagem da leitura e da escrita; gestão escolar democrática; formação e condições de trabalho dos profissionais da escola; ambiente físico escolar; acesso e permanência dos alunos na escola.

img 2Em recente relatório da Unesco, o Brasil alcançou apenas 2 das 6 metas estabelecidas (universalização do acesso á educação do primeiro ao quinto ano e a igualdade de gênero nesta mesma fase da educação básica).

O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação). Professores de algumas unidades da federação recebem menos que o piso salarial (et. al., na mídia).

A evolução da sociedade, de certo modo, faz com que a escola se adapte para uma vida moderna, mas de maneira defensiva, tardia, sem garantir a elevação do nível da educação.

Daí, não mais pelo bom senso e sim pelo costume, a “culpa” tenderia a cair sobre o profissional docente. Dessa forma, os professores se tornam alvos ou ficam no fogo cruzado de muitas esperanças sociais e políticas em crise nos dias atuais. As críticas externas ao sistema educacional cobram dos professores cada vez mais trabalho, como se a educação, sozinha, tivesse que resolver todos os problemas sociais.

Já sabemos que não basta, como se pensou nos anos 1950 e 1960, dotar professores de livros e novos materiais pedagógicos. O fato é que a qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos professores. Outro fato é que o que o professor pensa sobre o ensino determina o que o professor faz quando ensina.

O desenvolvimento dos professores é uma precondição para o desenvolvimento da escola e, em geral, a experiência demonstra que os docentes são maus executores das ideias dos outros. Nenhuma reforma, inovação ou transformação – como queira chamar – perdura sem o docente.

É preciso abandonar a crença de que as atitudes dos professores só se modificam na medida em que os docentes percebem resultados positivos na aprendizagem dos alunos. Para uma mudança efetiva de crença e de atitude, caberia considerar os professores como sujeitos. Sujeitos que, em atividade profissional, são levados a se envolver em situações formais de aprendizagem.

Mudanças profundas só acontecerão quando a formação dos professores deixar de ser um processo de atualização, feita de cima para baixo, e se converter em um verdadeiro processo de aprendizagem, como um ganho individual e coletivo, e não como uma agressão.

Certamente, os professores não podem ser tomados como atores únicos nesse cenário. Podemos concordar que tal situação também é resultado de pouco engajamento e pressão por parte da população como um todo, que contribui à lentidão. Ainda sem citar o corporativismo das instâncias responsáveis pela gestão – não só do sistema de ensino, mas também das unidades escolares – e também os muitos de nossos contemporâneos que pensam, sem ousar dizer em voz alta, “que se todos fossem instruídos, quem varreria as ruas?”; ou que não veem problema “em dispensar a todos das formações de alto nível, quando os empregos disponíveis não as exigem”.

Enquanto isso, nós continuamos longe de atingir a meta de alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade e carregando o fardo de um baixo desempenho no IDEB. Com o índice de aprovação na média de 0 a 10, os estudantes brasileiros tiveram a pontuação de 4,6 em 2009. A meta do país é de chegar a 7 em 2016.

Mas o maior problema está situado no chamado Ensino Médio (10º a 12º anos). As notas que se situam atualmente em 6 no ensino fundamental, cai para 4,5 nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e cai para cerca de 3,0 no Ensino médio. Esta nota precisa melhorar até 5,0 nos próximos 15 anos, a fim de atender as exigências das metas do PNE.

Joseval Estigaribia


Portugal e Brasil juntos no ComRegras em rubrica exclusiva – Notícias de Além Mar

Como podem comprovar no mapa em baixo, o “ComRegras” já foi visitado por inúmeros países. O Brasil é o país com mais visitantes aqui no “ComRegras”, tirando obviamente Portugal. Por isso faz todo o sentido incluir um pouco de “samba” aqui nesta casa.

mapa

Fiz o convite ao Joseval Estigaribia e ele concordou em periodicamente partilhar connosco o que se está a passar do outro lado do atlântico. O Brasil é um mundo comparando com Portugal, e tem os seus próprios problemas… A experiência alheia pode ser útil a todos nós, onde podemos comparar o que de bom se tem feito em Portugal e o que ainda falta fazer.

É uma ponte interessante que há muito queria estabelecer e finalmente é aberta. Quem sabe se não será a última…