Küttner


Esquecemos o que é o Inverno? Queixamo-nos de alterações climáticas? E nem pensamos?

Parece estarmos num tempo que “aprontamos” notícias por mais nada ter que fazer e mais nada saber fazer. Não há muito tempo na Europa, e como apesar de tudo ainda desta fazemos parte – ainda não estamos fisicamente no Norte de África, só em mentalidades e desenvolvimento – os Invernos eram frios e chuvosos e os Verões muito quentes.

Este Inverno está a ser Inverno, tem tido períodos de chuva intensa, e tem e está, numa vaga de frio “forte”. Pronto, parece que é algo de extraordinário, nunca visto e que tem que estar a ser noticiado a todo o momento. Se calhar, teríamos que ter provas constantes de que alterámos de tal forma a atmosfera que nos envolve, que já teríamos conseguido derreter todo o gelo nos Trópicos e fazer ferver a água dos mares. Mas não. De facto estamos no Inverno, pronto não devíamos estar, dado que nos habituámos a que o Inverno tivesse que não ser frio, e, é frio, está mal. Se fosse não frio estava mal à mesma. Estamos “numa” de arranjar subterfúgios para criar alarmismos, para criar desconforto, para achar que temos que mudar tudo, não pela mudança em si, mas para termos como encher as redes sociais, as notícias de meio minuto, o sensacionalismo. O que disse que disse! E como não nos apetece “pensar”, dado estar fora de moda, temos que nos fazer preencher o tempo com o “tempo”. Até sendo o tempo próprio de cada estação.

Torna-se uma maçada, não devia ser, logo como é, passa a ser uma notícia a explorar sem mais acabar. Deveria ser o contrário, que era para se noticiar os estragos que fizemos ao clima. Assim é para mostrar que está frio no Inverno – o que é próprio -, dado que esperávamos que devesse, afinal, estar calor. E claro há gripes, sempre as houve. E claro morrem muitas pessoas com mais de 65 anos do que antes acontecia, mas antes de facto as pessoas morriam “naturalmente” aos 65 anos, mas como hoje vive-se mais, e evidentemente são sempre as idades mais velhas que têm – temos – propensão a ter mais desgaste de vidas vividas, mais doenças e a morrer.  Mas morre-se mais tarde do que antes e parece que ainda é normal que se morra e não se fique cá para todo o sempre. E parece que se criam notícias, e quanto piores/ melhor, para evitar pensar e fazer pensar. Para evitar ter agendas próprias, e não todas iguais e em simultâneo. Talvez fosse tempo de não andarmos todos na mesmíssima onda, a dizer rapidamente o mesmo, e antes, como diferentes que felizmente todos somos, aproveitar esta diferença para ousar pensar, e falar de coisas diferentes e normais ou anormais, conforme o parâmetro  em que se possam “encaixar”! Ou nem por isso e deixemo-nos apalermar!

Augusto Küttner de Magalhães


A falta de civismo generalizou-se! E é grave!

Estamos a viver um tempo, em que se “vive um dia de cada vez”, e em que hoje estamos com mais falta de civismo que ontem, e amanhã, ainda pior estaremos.

Estamos não-felizes e não-contentes o que se nota no semblante de cada um, na agressividade de todos e cada um, seja em que local público possa ser, sendo que no privado é mais difícil de tal enxergar.

No supermercado até os empregados são mal-tratados pelos clientes, e nas filas todos e amontam para estar na frente mesmo que pressa não tenham. No trânsito a balbúrdia é tal que se tornou inqualificável e tudo o que seja cumprir o código está fora de questão. O palavrão fácil e o gesto de erguer o dedo do meio da mão, é rotineiro por homens e por mulheres, por tudo e por nada é “o uso e o costume”.

A falta de respeito entre gerações de baixo para cima, e de cima para baixo “vulgarizou-se”, os velhos já não só deixarem de querer “educar “ os mais jovens, como têm comportamentos que roçam a total deseducação. Sendo exemplos negativos que são imitados e com gosto, pelos mais novos.

Não ter respeito pelo próximo é o que “está a dar”!

O individualismo, o egoísmo o “eu, eu, eu” é o que conta com a agravante de todos e cada um actuarmos desta mesma forma, totalmente desautorizada.

Berra-se por tudo e por nada, insulta-se, e chega-se à agressão com toda a agilidade.

E já não vai ser necessário “esperar” pelo crescimento de filhos e netos, para ver a sua selvageria em pleno, dado que todos, hoje e agora já entramos nesta desordenação total em que vale tudo desde que o “eu” esteja bem, mesmo que seja só por um minuto, e que o futuro seja previsivelmente pior.

E aqui, nem são os aspectos económicos que têm um factor mais relevante, é a educação base, que já nem instrução, são os comportamentos base em sociedade!

Como em tudo destruir é fácil, construir será muito difícil. Perder princípios e valores, e até códigos de conduta tem sido tão fácil e tão rápido que quando dermos por “ela”, já nem nos lembraremos do que foi ser educado, e vai ser dificílimo voltar a sê-lo.

E viver sem regras ou quando estas disputam no nosso individualismo como vem a acontecer, evidentemente que não augura bom futuro. E como vivemos “um dia de cada vez”, parece que não nos lembrarmos que amanhã viveremos também um dia de cada vez mais destruído que o hoje.

E como não temos princípios, uma vez que os vamos progressivamente aniquilando, achamos – já com dificuldade pensamos, hoje – normal viver nesta selva, se bem que, mais que não seja o egoísmo, o individualismo do outro nos incomode dado que “bate” no nosso egoísmo/individualismo.

E se assim continuarmos como é o mais plausível, daqui a 5 anos vai ser difícil sabermos em grupo conviver, dado que palavras como respeito, princípios, valores, ficaram sem significado e sem valor.

Mas de facto por muito que acenemos ser “moderno e fixe”, viver cada um para seu lado, torna-se difícil e complicado, quando que temos que viver em sociedade e por muito que nos custe com algumas regras.

E pais e mães não se educando/contendo na selva em que se vive deseducam os filhos/filhas, se alguma vez os chegaram a educar. E estamos “nesta “ de vale tudo desde que o “eu” ache que “estou bem”, mesmo não estando, mas para tal não permitindo que o “tu” possas estar menos mal.

Vai acabar em desastre, mas todos estamos a ajudar para que assim venha a ser.

Augusto Küttner de Magalhães


Enquanto a violência existir, o medo terá sempre hora! 1

Seria curioso estipularmos algum tempo diário para o “exercício” tão simples e tão em desuso que é “pensar”!
Pensar por nós, connosco, com os que nos estão mais próximos e sem interferências tecnológicas pelo caminho. E pensar que somos Humanos, logo somos violentas e/ou maus, e antes e até depois temos Medo. E a violência gera o medo e o contrário também é verdadeiro, e ficaríamos até ao infinito a pensar – se conseguíssemos – quem apareceu primeiro: o ovo ou a galinha, o medo ou a violência. E claro que não chegaríamos a nenhuma possível conclusão, mas tentaríamos pensar. E como hoje deixamos que nos façam o pensamento, que pensem por nós, este acto de pensar, talvez nos fizesse bem. Mal não faria por certo. E seria necessário todos e cada um irmos analisando este período de violência e de medo, que nos circunda, que se auto-alimenta e nos faz fazermos mais partes dos problemas que das soluções. E nunca iremos conseguir deixar de ser mais ou menos violentos e ter mais ou menos medo, mas podemos “arquivar” estas duas situações num estado latente, e não tão presente, como hoje está a acontecer.

E não pode – não deve- o nosso quotidiano ao mais pequeno detalhe, mas também à dimensão mundial tornar-se uma vez mais, como vem a acontecer, um tempo de violência/medo/violência. Aquelas “coisas” que antecederam qualquer Guerra Mundial. E que não estando tal ainda a cometer o nível “global”, tudo o que acontece, hoje, agora, neste momento no Médio Oriente pode ser um início de algo total e pode ser muito grave. Todos teremos sempre medo em utilizar a sério o nuclear, dado que ao dar cabo do “inimigo” também daria de nós mesmos. Mas sem ter que ser com esta “ aplicação”, pode-se recomeçar uma III Guerra Mundial. E o armamento e munições enriquecem muito “boa” gente e muitos países! Por certo uma III Guerra mundial a acontecer, não irá começar na Europa, já não somos o centro do mundo como fomos até – quase – finais do século passado. Mas vai-nos atingir, mais que não seja por estarmos no meio e por se viver um tempo demasiado global, demasiado mediático e imediatizado ou o inverso, mas o resultado é análogo. E já vemos a violência matar, assassinar, fazer tanto sofrer os nossos iguais em territórios que foram convencionados à régua e esquadro não há muito tempo, onde supostamente estarão ainda Síria, Irão, Iraque,Turquia.

E vemos “isto” sentados no sofá como se um filme fosse, Pessoas a serem mortas com o maior à-vontade. Violência infundamentada. Medo constante. E não dará para parar e pensar, que estamos uma vez mais a baixar excessivamente a condição humana, quando só conseguimos ser guiados pela violência/medo/violência /medo? Ou talvez o ser humano tenha muito, tanto de “besta” dentro de nós e não saiba de outra forma estar!

Augusto Küttner de Magalhães


Aproveito este artigo do Augusto, para vincar a minha revolta contra um mundo que ignora a chacina que existe em tantos locais. Somos capazes de andar na Lua, mas não somos capazes de salvar crianças que morrem assim… pobre Mohammed…

Mohammed, o menino de 16 meses encontrado morto que está a chocar o mundo

(Observador)

Ajudemo-nos a ajudar, ou não!

Num tempo de forte “individualismos” e quase exagerados “egoísmos”, teremos que um dia – e convirá não ser muito tardio – parar um pouco para conseguir pensar, para onde todos individual e colectivamente, pretendemos “ir” e se o não estarmos a fazer, muito mal.

E ao ajudarmos “outros”  talvez consigamos ajudarmo-nos a “nós”, dando espaço e tendo espaço.

E “isto” deveria ser uma forma com conteúdo de vivermos a vida, e não, como o andamos todos a cada dia a fazer, sem solidariedade e com quase nenhuma tolerância.

E desde a família, e sem ter que ter laços demasiado extensos e muito menos excessivamente formais, não deve continuar a ser “algo” que todos e cada um, vamos destruindo, como se achássemos não valer ter a célula base das nossas vivências bem viva.

Profissionalmente estamos todos muito focados em receber mais, mais, seja dinheiro, sejam regalias e esquecemos implicitamente que também temos que “dar” pelo que fazemos e pelo pouco que seja que recebamos em dinheiro e não só. O âmago no ter direitos e esquecer deveres está por demasiado generalizado!

E se queremos não continuar a ajudar até – também – para ser ajudados, podemos estar certos que tudo nos vai correndo pior, do que hoje está.

Estamos todos e essencialmente cada um, muito focados no nosso “eu” e estamos totalmente marimbando-nos para o “tu”. E perdemos tempos excessivos com futilidades, que nos esvaziam mais do que já vamos esvaziados “estamos”.

E se de facto não houver vontade individual de fazer mais pelo colectivo, de estar bem, ajudando o outro a não estar mal, vamos criando mais fossos em todos os sentidos, sejam horizontais com as gerações que nos precedem, sejam até nas que nos seguem. E lateralmente deixamos alguns relacionamentos cair, quando muitos deveriam fazer parte do nosso dia-a-dia.

Estes individualismos exacerbados que a nós, ao “eu”, aumentam a cada dia que passa e fazemos de conta que não notamos que assim sejam, estão a dar cabo das tais palavras já atrás referidas, solidariedade e tolerância.

E estamos todos a desconstruir o pouco que ainda pode ajudar a ajudar-nos, a reorganizar um tempo melhor para todos e cada um, que não será só ter um melhor automóvel que o do vizinho, ou umas melhores férias, que as do amigo.

Cada um que pense se ainda o conseguir fazer, qual o percurso a não continuar a seguir. Ou não!

Augusto Küttner de Magalhães


Quanto à nossa selvageria, nada a fazer, cada vez pior! 1

Estamos a viver uns tempos em que não se respeita o nosso igual, em que se vive “um dia de cada vez”, em que se quer bem-estar imediato, dado que já não se tem paciência para esperar e o “conquistar” amanhã.

E, mesmo sem pressas e sem urgência se tem que estar sempre à frente, mais que não seja para ter outro, sempre atrás de nós.

“Isto” nota-se na fica do supermercado onde se tenta passar à frente de qualquer jeito, onde duas pessoas vão às compras, uma instala-se na fila de caixa e a outra vai “buscando” as compras, cada vez e cada vez mais se irá notar na condução automóvel e no trânsito, onde vale tudo.

E, esta selva em que nos tornamos não vai ter retrocesso tão cedo, logo, antes pelo contrário. E os “lorpas” dos sexagenários na segunda metade desta sua/nossa década, que se achem/achemos- como quem escreve “isto” – espantados com este tempo tão selvagem, será melhor habituarmo-nos, estarmos “caladinhos”, sossegadinhos, não nos vão bater, dado que ameaçar, já o fazem.

E nada tem a ver com “os” grandes progressos e muito bem-vindos, que temos alcançado a cada dia que passa, e de que são exemplos tudo o que se passou de tão positivo na segunda metade do século passado, e se continua e muito bem a desenvolver e a evoluir, neste nosso século XXI. Nada disso.

Trata-se do não respeito que temos pelo outro, mas, querendo que este o tenha por nós. Trata-se de como e com a maior das facilidades fazemos ao outro o que não queremos que estes a nos faça. Trata-se de todos estarmos a viver com um individualismo exacerbado, que nos faz querer derreter as mais elementares regras – algo que achamos não dever ter que existir – de racionalmente minimamente normal entre Pessoas, entre Seres Humanos, que ainda somos.

Estamos numa de vale tudo, desde “que o eu, esteja bem”. O outro que se “lixe”, se eu, e só eu estiver bem.

E tudo o que seja ser amável ou bem-educado está caducado. Já não interessa, é para esquecer. E os sexagenários que viveram esses tempos mais educados, esqueçam, que não se “usa hoje já ”.

Obrigado, por favor, não tem de quê, bom dia, boa tarde, boa noite, faz favor, já não se usam.

Não começar a comer antes do parceiro que está connosco era só o que mais faltava, o “eu” primeiro falar de boca aberta, é fixe, para quê, o não fazer? O outro que não olhe.

Não deixar sair do elevador quem o quer fazer, e empurrar por querer “já” entrar é que resulta. Não se desviar no passeio se vier alguém em frente, e fazer tudo para lhe “mandar” um valente encontrão, é que é fixe. Escarrar ruidosamente para o chão, é excelente, despejar papel que temos na mão no chão, mesmo tendo uma papeleira a um metro, é bestial.

E nem vale abordar temas de trânsito e condução, uma vez que cada um faz o que lhe dar mais conveniência e está feito.

E vamo-nos destreinando de ser civilizados, e vamo-nos tornando todos nuns grandes selvagens, e vamos apoucando as nossas vivências quotidianas, já nem felizes e contentes, dado que a brutalidade, mas também má disposição é patente na face e comportamentos de todos e cada um, a cada dia, em que se vive um dia de cada vez.

E, os sexagenários a caminho dos setentas que se cuidem, dado que se acham que ser minimamente educado ainda tem espaço, bem lhes vai, bem nos vai tudo muito mal correr. Seja! Viva a selvageria, o desrespeito, a desordem, os velhos a serem desprezados, a deseducação, o cada um fazer o que o seu “eu” mais lhe apraz!
Augusto Küttner de Magalhães


O Medo torna-nos irracionais

medoO medo, leva-nos a tomar posturas completamente imprevistas, como única forma de sobrevivermos, a esse mesmo medo, até na célula mais importante à nossa vivência “a família”.

“Família” com ou sem papel passado, mas Família real, efectiva, que nos liga, que nos apoia, a quem nos ligamos, a quem apoiamos.

A família que não tem, hoje, que abranger demasiadas gerações, e não tem de modo algum que ter patriarca, nem matriarca – o primeiro em desuso, a segunda a querer suceder-lhe-, mas que deve ser Família.

E deve, saber, fazer “ligações” entre o que é, o que foi e o que se segue! Nada de isolar, tudo, de fechar, mas também não abrir em excesso, para haver recato, sempre necessário.

Aonde, “família” – e aqui o núcleo mais restrito, pais e filhos – queremos “voltar e bem” a cada fim de dia! “Isto” é muito importante, em vez de pensar: “quem me dera, não ter que ir para ali”! E, “isto” acontece. E dói muito ter que ir para onde não se quer estar!

E, tem-se medo, e não se pensa, e fazem-se fugas em frente, foge-se a este medo e entra-se noutro ainda pior. Atitudes que roçam a irracionalidade e cujas consequências podem vir a criar “mais medos” e destes, depois, dificilmente se conseguir sair.

Muitos conflitos familiares, têm origem em “medos”, de perder o que se tem, ou assumindo que outros vão “mandar” mais, vão decidir o que é nosso fazer, e até nos irão abafar/anular, de vez.

Desde meados do século passado e muito bem, o conceito de Família foi-se alterando e a mulher deixou de ser quase “posse” do marido, do pai, e passou a ser a mulher – um Indivíduo. Isto, claro com o advento da “pilula”, libertou o medo de gravidezes indesejadas e bem, muito bem, passou a proporcionar o prazer na sexualidade a ela e a ele, e não só a este.

E, a Mulher afirmou-se no trabalho e a ter a sua própria forma de subsistir que não dependente do homem, fez e bem, o resto.

Mas tudo isto, “engendrou” outros medos, e as liberdades passaram a ser algo que se “atira” contra o outro, a outra, quando tudo não é cor-de-rosa, quando aparecem mazelas, quando aparecem dificuldades, algo demasiado normal na vida das Pessoas.

E, com medo de “isto” – ciclos baixos e mais cinzentos, ter que suportar – vai-se para outro/outra, criam-se divisões, incompatibilidades, e vai-se deixando totalmente de lado, o conceito de família, sempre importante. Mesmo sem quaisquer conotações religiosas e muito menos procriadoras, algo em que cada um deve ser livre, em consenso e diálogo, de escolher.

E se o que nos rodeia assusta-nos, quereremos forçosamente algo “de diferente”.

E, como o medo é que nos está a nortear, deixamos de ter capacidade de raciocinar, livremente, por nós e a frio, e precipitamo-nos no cor-de-rosa que está à nossa frente, até, depois, pouco depois acinzentar-se também!

E, o que o outro faz, a outra fez, é contagioso, havendo medos, irracionaliza-se tudo, vamos continuar com medo, até de ter medo, e fazemos escolhas erradas e/precipitadas.

E criamos situações sem retorno, deitamos tudo fora num ápice, achamos que vamos encontrar muito melhor, ou deixamos de ter pachorra, para encarar os altos e baixos da vida.

O medo leva-nos a fazer escolhas em “contra – corrente” do que temos/estamos.

E depois já não nos apetece à noite ir para onde “agora” escolhemos ir, já não nos sabe bem, como deixou de saber o antes, mas que agora queríamos que fosse o actual.

Temos medo de “assumir” compromissos, e fazemos tudo por forma a descartar os outros e nós seremos também descartáveis. Mas, somos feitos de compromissos, e quando temos medo de os encarar de os assumir, vivemos em vazios, que nos tornam muito frívolos.
(mais…)


As pessoas já nem querem ser simpáticas!

simpaticoOs sociólogos, se bem acharem podem procurar razoes para a “não simpatia vigente e cada vez mais crescente no nosso País.

Nota-se que anda tudo “mal-humorado” e é perceptível em qualquer local, até pelas caras de “enervamento” de todos e todas.

Se na fila do supermercado, quando esperamos para ser atendidos repararmos no semblante deles e delas, nas restantes filas, é de não simpatia crescente e claramente declarada.

Acrescendo haver quase uma vontade em que algo aconteça para se gerar um conflito, uma discussão, uma troca de insultos, o que parece “aliviar” a tensão e ajudar a ser-se ainda menos simpático.

Deixou de ser “moda” ser simpático. Está instituído, ainda não escrito que se tem que ser antipático. E neste âmbito elas estão-nos bem/mal à nossa frente, como em muitas outras “coisas”. Umas bem e outras assim-assim!

Parece haver sempre vontade de agressão, de todos e todas, no mínimo verbal. Parece que se sai de casa com vontade de nunca, mas nunca ser simpático. Começa logo no trânsito, onde vale tudo, e ainda não chegamos ao “arrancar olhos”, mas já esteve mais longe.

Cada um descarrega a sua antipatia ou não-simpatia, ali, na condução, no não respeito pelo peão que vai na passadeira, que maçada deixá-lo passar e ai por ai até por vezes “bater”, no automóvel da frente, ou no do lado.

Depois, no café da manhã, se for possível fazer tudo por passar ostensivamente a frente do lorpa do lado, está feito – mesmo que não se tenha pressa – e mais uma vitória da não simpatia. E tudo o que vai sendo o quotidiano de cada um, tem uma conotação intensa de não simpatia, de não sorriso, de incómodo.

E pode-se procurar a motivo ou motivos, mas não “chega” dado que por muitas razões que tenhamos, temo-las dada que se vive um “tempo no mínimo estranho”, em que se aposta num “dia de cada vez” por não se ter grandes esperanças no dia de amanhã.

Mas por outro lado, quer-se todo o máximo do bem-estar hoje, mesmo que muito supérfluo para o “eu”.

E essa procura exaustiva do “meu” bem-estar, de qualquer jeito, destrói os trechos da conquista desse mesmo bem-estar, possa ser qual deva ou queiramos que seja.

E como tem que ser o fim único o bem-estar “imediato”, não interessando como lá se chega, atropela-se tudo e todos que estejam no nosso caminho, no caminho do “eu”.

E ao alcançar o tão almejado – mas demasiado rápido – bem-estar, fica-se a achar que foi muito pouco, não soube a nada. E mais odioso se fica!

Logo, tem que se partir em busca de outro bem-estar. Um dia de cada vez!

E tem que ser já, rápido, e depois outro falhanço foi atingido, sem dar gozo fazer. Nem suplantar obstáculos. Nada, foi demasiado vazio, nem deu para ser bem, em estar. Nada.

E então fica a não simpatia a vontade explícita de ser-se antipático, antipática. Como forma de evitar mostrar fraquezas, mostrar-se humana, humano, Pessoa.

Demonstrando uma aparência de força acima dos outros, outras, mesmo que seja uma total frustração. E não se quer ser simpátrica/simpático, e vai-se sendo cada vez mais antipático/antipática.

E é grave, e não nos vai correr bem.

Augusto Küttner de Magalhães


A mediocridade com que se dizem “palavrões”.

voce-fala-palavraoQue a língua portuguesa está a ser abreviada pelas novas tecnologias, onde o “que, passa a k”, o “também, a tb.”, e muito mais, e mais compactado/formatado, todos o sabemos, sinais dos tempos!

Se o Acordo Ortográfico está a diminuir a nossa forma de saber escrever, se a não “leitura” de Livros, de jornais ou de conteúdos/completos de mensagem que ao segundo nos bombardeiam via novas técnicas, nos amesquinha o vocabulário, já todos entendemos, e nada fazemos para que assim não continue e piore.

Porém a trivialidade e até algum “prazer/gozo” com que se vulgariza o palavrão, e como tantos e tantas, demasiadas vezes, nas mais variadas situações e locais o disseminam, será no mínimo excessivo.

Para além de não ser necessário dizer “palavrões”, só para se saber que se sabe que existem e se dominam e bem, e também para se parecer mais “up to the usual”, parece uma forma demasiado selvagem de nos contactarmos.

Por certo muitas e tantos assumem, que o palavrão dá sempre mais entoação a imensas frases, seja em que contexto possa ser dito.

O que de facto, tornando-se tão vulgar como está a acontecer, deixa de dar entoação para ser tão vulgarmente normal, que se torna uma ordinarice não aprovada, mas demasiado assumida e quotidiana.

E se os jovens já não acham que devem dar o seu lugar, seja na passagem de portas, seja no banco do metro, aos velhos, só por estes serem velhos e já nem merecerem qualquer consideração e respeito, o palavrão, desenfreado, não deveria seguir a mesma “linhagem” e aqui, os velhos também fazem furor utilizando-o.

Não havia necessidade. E se em tempos não muito recuados, de menos abrangentes em escolaridade, dizia-se que era normal e até não vulgar – o palavrão –  no que se apelidava de classes mais baixas, hoje passou a  ser “fixe” dizê-lo, gritá-lo se necessário for, repeti-los até à exaustão.

E não poucas vezes se ouve em 6 palavras, 5 serem palavrões, se não todas as ditas seis todas seguidas, todas muito bem entoadas.

Não valeria de facto, ter que se baixar tanto o nível, dado que outras expressões mais normais e menos ordinárias devem ser utilizadas, quer em conversas costumeiras, quer em necessidade extrema, de expressar alegria ou descontentamento. Sem ter que estar sempre “felizes e contentes ” no palavrão.

Se temos, ainda, antes de continuarmos a deitar tudo ao lixo – e com tudo acabar-, expressões que verbalizam o que pesamos tão bem sem ir à obscenidade, e qual a imperiosa ,  vulgar necessidade de estes utilizar?

Fazê-lo, não faz uma “gaja ser mais gaja”, em um “gajo ser mais gajo”. Dizer palavrões, não é símbolo de masculinidade, de feminilidade, de crescimento, de evolução, antes o total inverso! O declínio em força!

Mas dizem-se, repetem-se em todos os contextos e até, nos menos esperados.

E claro se acontece em casa, tem que acontecer na Escola, se na Escola acontece vai-se replicado por todo o lado, e ao fim de dia volta a ser fortemente utilizado em casa, em Família.

Claro que estar aqui a escrever sobre isto, é “chover no molhado” e acicatar a que mais palavrões alegremente seja ditos. Mas não deixa de ser uma vulgaridade, desnecessária e que não irá parar , mas lá que podia, podia!

Augusto Küttner de Magalhães


A Raiva na condução automóvel 1

Como seria de esperar, uma vez que nada por ninguém tem sido feito para que tal não viesse a acontecer, “a fúria na condução automóvel”, aumenta a cada dia que passa.

Podemos ouvir, pelos inícios de manhã e pelos fins de tarde, o número “crescente”  de acidentes que acontece nos acessos às maiores cidades do nosso País. E se andarmos pelas ruas, dessas mesmas cidades, a forma como “se bate” desalmadamente em tudo que seja cruzamentos e não só, é uma realidade e constante.

Ninguém respeita prioridades, todos, mesmo que sem pressa alguma querem “estar à frente, ser os primeiros”. Haja stop ou perca de prioridade “mete-se “ – como hoje é uso dizer – o automóvel para a frente, se vier outro lá foi outro acidente, meia dúzia de insultos, trânsito todo interrompido, reboque, seguro. E “pronto” , amanhã faz-se o mesmo.

Os automóveis andam todos com sinais de toques. No problem. Assim é “fixe”.

O número de mortes em passadeiras aumenta a cada ano, mas não faz mal, vão sendo menos uns e umas com mais de 65 anos, que não sabem correr na passadeira e deixa de se ter que lhes pagar reformas.

No semáforo, a ideia da maioria dos condutores, quando está vermelho é passar até ao segundo/ terceiro automóvel, se aparecer o verde é ficar parado até acabar de ver o último “post” no facebook, e só aí, arrancar. E quem está atrás que aguente, e é se quer!

E, umas buzinadelas pelo meio, “meia de insultos”, palavrões à mistura, dedo do meio da mão no ar, seja ele, seja ela.

E tudo o que se possa ter apreendido, quando se “tirou “a carta de condução não é utilizado, vale a lei do mais Xico-esperto, de como cada um mais lhe apetece.

Ninguém está minimamente interessado em por ordem nesta desordem. Todos estão formatados a chegar primeiro à frente, mesmo que não tenham pressa. Fazem-se inversões de marcha onde interrompe todo o trânsito, mas é uma forma de fazer massacrar os outros, e a unica de fazer valer o “eu”.

Riscos contínuos, para cada viatura circular na sua respectiva faixa, são só riscos no pavimento, para não ser tudo preto, e se não tiver “baias” em cima, não são de modo algum para respeitar. Para quê? Era o que mais faltava!

Indicações no piso como stop, ou obrigatório virar numa “determinada” direcção não têm qualquer utilidade, dado que propositadamente não se cumpre.

E este é o estado do trânsito, da condução, do não-civismo, da falta total de respeito e educação no nosso País, e ninguém está minimamente interessado que assim deixe de ser.

E claro cada dia vai ser pior, mais chapa a bater, mais insultos, mais umas bofetadas, mais implicâncias, mais deseducação. Mas assim é “fixe, meu, mano”!

Augusto Küttner de Magalhães


Estamos numa de obsessão pelo bem-estar imediato

euEstamos a viver um tempo, em que “não” se sabe e muito menos se quer, fazer esforços e por vezes até sacrifícios, para se pode “alcançar” momentos de bem-estar.

E, não se trata, aqui, de “citar” quaisquer correlações religiosas ou sobre-naturais – algo que não envolve que “isto” escreve – mas unicamente vivências, hoje e agora, neste mundo real, e, o único que se pode estar certo de existir!

E, vivemos, cultivamos e incentivamo-nos ao que nos “tem” que proporcionar o “bem-estar imediato”, já. Um dia de cada vez, vivê-lo bem, bem, bem.

E, todo um processo consistente e programado/pensado – algo tão em desuso nestes dias – está fora da cogitação de quase todos. É uma maçada. Seria o que mais haveria de faltar.

Assim, tem que se ir jantar ao restaurante mais “in” , tomar o café no local mais “badalado”, dormir no hotel mais “fixe”, e nem sequer bem aproveitar, antes tirar  muitas selfies para mostrar que lá e esteve. E pagou bem!

E, em simultâneo “ter” o automóvel mas vistoso que ande “por aí”, e já nem com o gozo de utilizar, mas unicamente para o mostrar!

E, tudo feito a correr, para proporcionar o tal imediatismo/individualista.

E, esta procura de bem-estar imediato, demasiado fácil, não permite o percurso de procura, de esforço, de espera e de no final, ter de facto o gozo de ter conseguido e sê-lo bem aproveitado. Não, nem pensar, não é imediato! Não vale.

O mesmo, e ainda muitíssimo mais grave, acontece com os relacionamentos, e por isso somos os campeões – em alguma teríamos que o ser – em divórcios na Europa. Com, 70%, no total de casamentos.

Não há pachorra em “aturar” o outro/outra, seria o mais faltaria, só enquanto é bom/boa serve, e enquanto proporciona bem-estar imediato, depois é descartável, tem que ser substituído/substituída. Deitar fora e arranja outra /outro. Pior que tantos animais, inferiores a nós!

Tudo frugal, tudo rápido, tudo “usar e deitar fora”, tudo para ontem, tudo para o “meu” bem-estar, “já”, mesmo que implique o mal-estar de outro ou outros. “Isso“ é o que menos importa!

Claro que esta vontade obsessiva de só querer o “bom” para o “eu” e “já” de qualquer forma e feitio, o tal “não olhar a meios para atingir os fins e imediatos”, é muito insuficiente e cria demasiados vazios, e embrutece-nos, como Humanos, que ainda somos. Animaliza-nos, ao mais baixo que um animal consegue ser!

E, com o “económico e o financeiro”, que tudo conseguem, mesmo que por formas menos límpidas e em grande decréscimo para as maiorias.

Dado que só 1% da população mundial tem crescimentos exorbitantes de “posses e poderes”, endividamo-nos, separamo-nos, regressamos já nos “entas adiantados” a casa dos pais, descuramos as descendências que tivermos “feito”, e tudo vai “ter” que acabar mal.

E como só é exequível viver no hoje, claro que não só de “sacrifícios – seria demasiado enfadonho e inútil – projectando o futuro, tendo e continuando a ter que recolher conhecimentos no passado, mas não, estamos com este imediatismos de bem-estar, que estão cheios de vazio de ideias e ideais, e tudo mais.

Por certo tudo vai ficar de mal a pior, o que para muitos já “vem” a acontecer, e, não o queiram ou sequer consigam/saibam assumir, pelo que façam constantes “fugas em frente”. Mais tombo atrás de tombo!

Quando tudo e todos batermos mais fundo – mesmo os poucos que não tenhamos conseguido ser apologistas deste bem-estar imediato e inconsequente – , e tudo se desconjuntar, a pulso , do nada, aí com tremendos sacríficos, se vai refazer algo do que de bom havia.

E não havia de facto necessidade, de fazer este percurso tão declinante!

Mas, seja!

Augusto Küttner de Magalhães


Demasiados velhos são um mau exemplo para os novos

mau-exemploO tempo em que “valores e memórias”, eram usualmente “passados” de geração em geração, de velhos a novos, acabou-se. E, sem quaisquer saudosismos – até por não gostar do termo, e nem de viver no pretérito – dos tempos passados, que para além de nem ser possível revivê-los, também aí aconteceram muitos disparastes e muitos erros foram feitos e todos os fizemos.  Mas para chegarmos ao “hoje” houve um “passado”, e conviria deixar-se de fazer de conta que nada existiu, antes, para além do que se passou mediatizado até ao limite dos limites, na última semana!

E, fazer – como se está exuberantemente a insistir fazer- tábua rasa de tudo que tem mais que uma semana, e até demasiados sexagenários que por certo irão viver muito menos anos do que os já vividos, no mínimo é bizarro. E, se nos é fácil apercebermo-nos de faltas “totais” de regras de educação – que não tanto instrução/ ensino – nos mais novos, onde quanto mais selvagens melhor, muitos velhos – a chamada, ainda, terceira idade, mas antes, também – não lhes ficam nada atrás, antes pelo contrário. Selvagens em potência, em tudo! E comportam-se como criancinhas e adolescentes mal- educados, por acções e omissões!  Algo nada promissor, convenhamos. Mas estamos neste “estádio” e como é evidente, tende-se a passos largos a agravar-se e muito. A valer tido até arrancar olhos. E vale tudo desde que o “eu” faça o que lhe der na gana fazer, mesmo que incomode, estorve, amesquinhe o outro, não há problema!

Fala-se em sítios públicos, ao vivo ou ao telemóvel aos berros, bate-se com as portas até na cara de alguém que venha a atravessá-las, em qualquer local publico onde existam cadeiras arrastam-se em vez de levemente as levantar, empurra-se para passarmos sempre primeiro. E quanto a trânsito/condução basta andar nele, e pensarmos se ainda o conseguirmos fazer, para que raio fizemos mesmo que há décadas, exame de código e condução se nada de nada é seguido e respeitado! E para que existem hoje, ainda esses exames, mesmo que o do código seja mais sofisticado! É só para ser “cumprido” até ter a autorização nas mãos para conduzir! E os velhos/ velhas fazem o mesmo se não “bem” pior, que os jovens e aqui essencialmente elas, que em força tudo despeitam! Quanto mais novas, pior!!! E não há vontade, empenho em educar, e só ensinar/instruir é pouco. E é fixe, é coll viver em deseducação, sem regras, com os novos a insultar os velhos, com estes a fazer o mesmo, cada um a fazer o que lhe apetece e todos ao molhe! E parece que não houve um passado, em que nada sendo excelente, havia regras democráticas que foram por tidas, aceites e cumpridas nestes primeiros vinte cinco anos de Democracia, e que nos seguintes estão todas a ser deitadas ao lixo, por todos e cada um.E todos a ajudar a descompor, a amontar, assumindo abertamente que “normas”, é cada um fazer o que mais jeito a si próprio dá, mesmo que a muitos outros possa apoquentar!

Claro que, assim iremos continuar, os velhos a quererem ter que fazer de novos, estes olhando para aqueles numa boa, ninguém a mandar, o passado é o que “deu” na televisão ontem à noitinha, e o resto não existiu.E vamos caminhado até bater bem fundo, para do nada, da desordem da deseducação, quem sobrar tudo recompor, mais uma vez! Ou um Trump, ou uma Le Pen, ou  um austríaco – outro Hitler – ou um húngaro da extrema Direita, pela força porá  tudo na Ordem! Pena mas, é assim, não havia necessidade! E as esquerdas joviais, nem isto entendem!!!!

Augusto Küttner de Magalhães


Por favor, obrigado, desculpe, foram-se com o AO? 1

ao-02Várias são as dificuldades que se nos entrepõe, a cada dia que temos “utilizar” o chamado Acordo Ortográfico. E, ninguém sabe a quem aproveita e que o usa ou não, a não ser “oficialmente” nós, portugueses.

Mas talvez seja de lembrar a tantos e tantas, que há palavras que com o antigo e actual Acordo Ortográfico ainda se mantém, e deveriam ser utlizadas.

Alguns exemplos, exemplares:  “faz favor”, “não tem de que”, “obrigado, obrigada”, “desculpe, bom dia, boa tarde, boa noite”, dado que parece que já nada disto existe. E, usa-se hoje, demasiadas vezes chegar junto de alguém, e tal como animais menos racionais que nós, não haver um cumprimento, ou ficar uma das partes sem resposta da outra!

Ou, tão normal, alguém querer qualquer coisa de outros e não utilizar “por favor, se não se importa”, é fixe.

Mandar um encontrão a alguém, físico ou psicológico e não pedir “desculpa”, é o que está a dar.

E vamos numa, de utilização cada vez mais restrita e condicionada de palavras no /e do nosso vocabulário, mas usando e abusando do “partilhar e desfrutar” – valem para tudo, a todo o tempo, em todo o lado – , e deixam-se no Acordo ou noutro qualquer poiso as tais elementares “regras” – esta também já é desproporcionado usar – as essenciais para não sermos uns autênticos selvagens. Já lá estamos!

E, tal como PHarmácia e não farmácia, pode-se assumir que “desculpe, por favor, não tem de quê, faz favor”, são “entes” banais que não se usam, unicamente por já estarem fora de uso.

Esquecendo que, muito aquém de cada uma destas palavras, vem um comportamento, uma postura, um relacionalmente minimente civilizado entre Pessoas.

E não será só uma questão de hábitos e costumes que se perdem, mas juntamente e mais grave, educação, respeito.

E ao deixar de se utilizar espontaneamente estes termos, que irão tal como o PH da farmácia, cair no esquecimento, tornamo-nos a cada dia mais selváticos.

E andamos, já nem alegremente, dado que quase toda gente se não estiver animada por alguma “substância” que a tal ajude, anda de mau humor, zangada, sem rir, ou quando o faz parece que está a berrar, e logo deixa de ser genuíno para ser mais uma, má educação.

E vamos fazendo todos de conta que encurtamos o vocabulário, que já não se usa, que não vale a pena, que é perder tempo dizer sempre que é indicado, em determinada situação: bom dia, boa tarde, boa noite, faz favor, obrigado, desculpe.

E aportamo-nos ao treino de nos comportarmos cada vez mais cada vez mais indelicadamente uns com os outros, mais individualistas, e esquecendo que vivemos em sociedade, que não estamos sozinhos nos espaços por onde vagueamos.

Para além de “ainda”, e apesar de tudo, sermos “o” melhor e mais capaz “ser” que anda à superfície da Terra, mas também temos o nosso lado selvagem, que se não for aquietado e compensado com outras situações, vem ao de cima.

E está aí, e estamos todos a achar que é muito cool sermos uns poupados nas palavras, mesmo com o Acordo ou sem ele, e que nos vamos demolindo, desprezando e não está a ser bonito de se ver e viver!

E vai ficar pior. Seja!

Augusto Küttner de Magalhães


Tem que se estar sempre conectado? Sempre?

telemovel-refeicaoComo é evidente um sexagenário na segunda fase desta década, ainda pensa ser importante, quando duas pessoas ou mais estão em conjunto, no mesmo espaço e tempo, deverem olhar-se, falar-se em directo e ao vivo e sem “mecanismos” de permeio.

Se recuarmos uns cinquenta e tal anos – milhões de anos para os jovens de agora – muitos nos lembraremos de tempos muito menos agradáveis, em que o exagerado respeito – medo? –  nem deixava os mais novos olharem nos olhos os mais velhos. Em que as saudações eram rápidas, e implicavam o mínimo de contacto físico e o máximo de distanciamento.

Tudo muito afastado, tudo muito severo.

Mas, foi-se evoluindo – e, pensa-se que muito bem – para contactos mais abertos e próximos, e, até parecendo que só por aí surgiu a pedofilia, mas que existia, essa sim, há milénios.

Mas era “demasiado normal” e escondida, mas “aceite por quem a praticava” e por quem não lhe convinha “denunciá-la”. Felizmente que agora é bem diferente, consequência da abertura, de ter posto ao “nu” o que estava  incorrecto/ errado  , mas protegido pelo “distanciamento” estipulado!

Talvez essa abertura, a maior proximidade e facilidade de contacto “ao vivo e a cores”, que caracterizou e bem as últimas 4 décadas não tenha sido nada má. Antes pelo contrário.

Talvez hoje, ao se estar no mesmo espaço e tempo parecendo que não se está, não seja propriamente agradável.

Hoje a necessidade “imperiosa de se estar conectado”, implica que num café, num restaurante, namorada e namorado na mesma mesa não se falem, não se olhem, não se toquem, então de “dispositivo” na mão, se calhar enviando mensagens um ao outro como se estivessem separados, distantes, não frente a frente.

Hoje a necessidade de pais e filhos, ao estarem juntos no mesmo espaço e consequentemente no mesmo tempo, por exemplo publicamente a almoçar, e cada um ter o seu “aparelho” como se estivessem em tempos e espaços diferentes é a norma. Talvez não boa, não indicada.

Ninguém com ninguém fala, não se olham, não se tocam, não se “ligam”.

E todos hoje “disfrutam” destes aparelhos e “partilham” muitas coisas , por certo ao segundo, mas não se aproveitam, não se ligam, estão juntos estrando separados.
Mas, alegam falta de tempo para estarem “juntos”, dado que esse tempo é unicamente utilizado para se conectarem à distância, deixando de aproveitar, de gozar, afinal “o” estarem, ali, juntos.

E, alguém paga a conta do café ou dos restaurantes, e saem mudos e calados como entraram e estiveram, e de facto criam-se fossos talvez nunca mais recuperáveis.
Isto, uma vez que o tempo e o espaço não param e não voltam, só se vivem uma vez, e a vida é sua uma, com várias fases, e talvez devesse haver tempo para estar ao vivo e as cores, para “participar, estar e usufruir”, e outro para estar-se conectado, a “disfrutar a partilhar” estando-se “conectados”!.  Ou não!

Augusto Küttner de Magalhães


Sinal dos tempos? Mãe “és uma burra”!

O Augusto é um observador atento e com padrões éticos muito elevados e ainda bem que o é! É preciso elevar o grau de exigência… Fica mais um triste episódio da sociedade real…

Responder mal à mãe e chamando-a de “Burra” é fixe!

crianca-maOs pais e mães entraram “numa de tudo na boa”, nada de reprender, nada dizer “não” aos seus rebentos, não lhes querer aplicar “regras”, e depois a “coisa” corre menos bem, ou até corre muito mal! E, assistir a uma mãe, a dizer num local público a uma criança aí pelos 5 a 6 anos, que têm que se ir embora, e a criança responder “não” – será normal, acontece. Mas face à insistência da mãe, a criança chama-lhe “burra” com bastante entoação, e nada de mais acontece, porque parece “ser fixe”, talvez seja muitíssimo grave!  E o à-vontade com que a criança repetiu “ burra, burra” , e a mãe quase lhe implorou para ir embora, aponta que algo não estará propriamente bem.

Se todos entendemos e ainda bem, que o “quero, posso e mando”, para já não voltou, e esperemos nunca mais volte, seja nas políticas, seja nas relações familiares, também o “vale tudo“ não parecerá adequado, e dá muitos maus resultados, futuros. De certeza! E de repente a “normalidade” com que com um ar severo – talvez troca de papéis – uma criança chama, agressivamente, burra à mãe, e esta quase fica com medo, é grave. Por muito “livres” e para a frente “que se possa querer ser”, e adeptos que sejamos e somos da “liberdade, igualdade e se calhar fraternidade” – sem se quer saber de onde “isto” surgiu – têm que haver “limites” e bom senso. E se necessário “caldos e galinha” e “chá”! E de uma forma ou de outra – chamem-lhe os nomes que lhes aprouver uns mandam e outros têm que obedecer. E as criancinhas deveriam estar habituadas, e a maioria não o está, a serem acarinhadas, bem tratadas, brincarem, mas também saberem ser cumpridoras.  E para que “isto” aconteça, têm que sentir respeito pelos pais e mães, não “medo”- isso foi noutro tempo – e obedecerem, mas nunca insultarem, como evidentemente não podem ser insultadas.

Mas uma mãe não deveria – nunca – permitir-se, que a uma “ordem sensata” sua, o seu filho desrespeitosamente lhe chamasse burra, nem ficar aflita e não saber como reagir. Estes comportamentos vão num crescendo, e de repente –  e o tempo passa muito depressa- a criança passa a adolescente, e aí põe e dispõe dos pais e mães, e se não for a bem fá-lo-á a mal.  E nessa altura vai até usar da força se necessário, da agressão à mãe que se permitiu ser chamada de “burra” e nada fez, a mãe, como tantas outras, que por cópia, por não saber ou pelo que possa ser se deixou desrespeitar, e quando se quis fazer impor, era tarde. E criam selvagens, deseducados, que fazem o que lhes apetece por nunca terem ouvido um “não”, não terem sido repreendidas quando deviam, não serem castigadas quando um castigo mereciam. E este deixar andar, tudo numa boa, todos amigos, resulta mal e já se nota, quer nestes cenários pouco agradáveis de mães a serem comandadas pelos filhinhos, e claro pais, também, à total indisciplina que reina nas escolas. E aqui, quer pelas meninas e meninos já lá chegarem suficientemente selvagens, quer por não ser possível aos professores, que também serão mães e pais, poderem e saberem criar respeito. Não temos que chegar ao tempo das reguadas, nem de outros quaisquer castigos corporais, mas temos que voltar – ou reinventar aos dias de hoje –  um tempo em que os pais e mães saibam sê-lo, saibam mandar – sem medo da palavra- e criem filhos e filhas educados, participativos, e não autênticos  selvagens. Ou não! E valha tudo!

Augusto Küttner de Magalhães


Seremos um país de vedetas?

oscarEstamos a tornar-nos um País de vedetas, onde cada pessoa que pelos mais diversos motivos, “entra” uma vez no espaço público ou político, nunca mais o consegue largar.

E os exemplos sucedem-se em catadupa, e temos pessoas que talvez devessem deixar de estar constante e insistentemente, a querer aparecer, mas não conseguem deixar de o fazer!

Mas, se a comunicação social tivesse “agenda” e fosse toda “mais diferente” e não toda um marasmo de igualdade, essas vedetas que desaparecem e aparecem – quando mais lhes interessa- não teriam tempos excessivos de antena.

Fosse qual tivesse sido a razão por que estiverem em alta e depois deixado de o estar, e querendo insistentemente voltar a sê-lo! Pelo motivo que possa “ter sido e agora tenha que ser”.

Até a comunicação social de “dentro de si mesma” tem alguns exemplos de pessoas que não sabem retirar-se em devido tempo, e arranjam os mais diversos fundamentos para tentar estar sempre à tona. E em alguns casos há uma “confusão”, talvez não intencional, entre uns e outros, em que políticos aparecem por a comunicação os fazer aparecer e exactamente o mesmo com algumas pessoas do jornalismo.

Claro que se nota, se se quiser poder pensar, que só os que estão interessados em nunca desaparecer, as tais “vedetas” é que com “isto” beneficiam. Estão sempre e sempre a aparecer e ser públicas e publicadas. Só os próprios de facto com “isto “beneficiam, e sabem que têm quem lhe dê espaço, tempo e atenção.

E, se a comunicação social não tiver nada mais para nos “contar” até lhe dá “jeito” ter estas coisas para noticiar, e conseguir arranjar sempre e cada vez mais comentadores que comentam invariavelmente, o mesmo.

O panorama talvez não seja o mais agradável para um país que quer reconstruir-se, e melhor do que tem feito nestes últimos anos. E não deveria a nossa atenção, de demasiados, estar a ser “desviada” para estas supostas vedetas, que constantemente aparecem, em vez  de se focar em temas tão mais  importantes que  está por resolver no nosso País, e evidentemente que assim nunca se resolverão.

E ao emergirem e submergirem, ora uns, ora outros, há sempre motes sobre que falar, falar, que se prolongam até surgir o outro idêntico, e assim sucessivamente. Com os tais que vão e vêm e nunca deixam de estar.

E o Pais fica entretido, com este espectáculo e os amores ou desamores pelas vedetas em questão fazem surgir pelejas nada necessárias, mas que recheiam o tempo que deveria sê-lo , preenchido, por outros temas, que de facto tivessem interesse para o País e para todos nós.

Pelo meio os Futebóis –  agora vão de 2ª feira a domingo – que  estavam , estão e estarão  sempre mais presentes, e tudo se vai arrastado, o mal-estar do comum dos cidadãos, acompanhado de falta de educação, respeito e princípios, a aumentar exponencialmente.

 E estamos a não saber fazer e ser melhor, e ficamos siderados com as tais vedetas – os que ficam, mas são bastantes – e com Futebóis, e o País arrasta-se, retardando-se!

Mas, a culpa nunca é nossa, é sempre de um outro, até um dia aparecer um salvador que aí e pela força vai fazer que “mete” – como hoje se usa em tudo dizer – tudo na Ordem. À força, aos encontrões. Pena, mas não mudamos a bem, por e para nós. Seja!

Augusto Küttner de Magalhães