Falar do 1º ciclo


Aprendizagem da leitura de alunos com dificuldades de aprendizagem 7

O tempo excessivo que leva a introdução da leitura da língua portuguesa, em todos os métodos de  leitura é a causa para que alguns alunos com dificuldades de aprendizagem graves, baralhem as aprendizagens no tempo, e falhem o objetivo.

O aspeto lúdico é muito importante. Os métodos globais são em geral os mais indicados para estes alunos.

Os animais são figuras simpáticas para as crianças e por isso escolhi uma dúzia  de  nomes  que abrangem a maioria dos sons de leitura: abelha, antílope, cavalo, macaco, carneiro, porco, cachorro, galinha, peixe, cão, caracol e esquilo.

O jogo consoante vogal pode inicialmente ser trabalhado de modo semelhante ao método das 28 palavras, nas palavras “macaco” e “cavalo”. Permitindo ao aluno descobrir outras palavras com estas silabas. Mais para a frente acrescenta-se “antílope”, acrescentando o som nasalado ao jogo. Nessa altura pode apresentar-se a palavra  “cão”, que ensina outra forma de nasalar as palavras e mostrar silabas compostas com um ditongo.

Nesta altura já temos um conjunto significativo de palavras, que entusiasmam e dão esperança ao aluno.

Numa segunda fase apresento as restantes palavras de forma gradual, mas rápida, com a ajuda de programas do “jclic”. O aluno depois de globalizar as palavras  e relacionar com a imagem, deve decompor em sílabas muitas vezes e registar no caderno. Escreve-as por fim com o teclado e depois no caderno. Por fim incentivo o aluno à construção de frases, com as palavras globalizadas ligadas por outras, que vai aprendendo.  Ex: A abelha voa. O antílope corre. O cavalo salta. Etc…

De referir que evito inicialmente os casos de leitura mais complexos, como o “ce”, “ci”, “gue”, “gui”, “gi”, “ge”, o “s” com valor de “z” os dois “ss” ou o som de duas consoante, como “zebra”.

A construção e leitura de frases com as palavras globalizadas podem mostrar sucesso. Quando os métodos tradicionais falham porque não tentar métodos alternativos?

Duilio Coelho

Professor do 1º Ciclo


O fim das turmas com dois ou mais anos de escolaridade

Há pessoas com aptidão natural para as artes, para a medicina, ou para a liderança política. Eu tenho essa aptidão virada para a educação de crianças. A forma como comunico transmite-lhes, confiança, cumplicidade e vontade de aprender. Por vezes a distância que é devida ao professor que se aproxima assim é quebrada, no limite chega  ao limiar da indisciplina, por vezes também despoletada por ciúmes de atenção, que num grupo maior prejudica as aprendizagens.

Numa turma com diversos níveis de aprendizagem, em que o professor tem que se dividir em vários, é preciso organizar os tempos e o trabalho previamente planificado ao pormenor, e fazer acreditar os alunos  nas suas capacidades de realização no trabalho autónomo.
Quando numa turma se soma aos níveis diversos, a presença de um ou dois alunos, por natureza  perturbadores, todo o trabalho pode ser posto em causa.
Apelo pois ao Senhor ministro, que no próximo ano letivo, ajude a que turmas de vários anos, com muitos níveis de aprendizagem e alunos com problemas de natureza disciplinar graves, não sejam mais aceites, para benefício dos alunos, dos professores, dos pais e do futuro deste país.

Duilio Coelho

Autor do blogue Primeiro Ciclo


O quotidiano de um professor de apoio (1º ciclo)

professor-apoioSou professor de cerca 40 alunos de seis turmas de 2º ano, 15h por semana da parte da manhã e 10h da parte da tarde, com um tempo médio de 4,5h por turma.

Os meus alunos estão todos com dificuldades de aprendizagem, na leitura e na escrita, embora também na sua maioria com dificuldades na matemática e estudo do meio. Trabalho em duas escolas distintas, numa escola de 5 salas com 2 turmas, e numa escola de 15 salas com 4 turmas.

O meu trabalho no subdepartamento do 2º ano consiste em colaborar com os titulares de turma, de forma a encontrar estratégias para recuperar os alunos, e evitar que tenham de ficar no 2º ano. Umas vezes dentro da sala de aula, outras vezes em pequenos espaços escolares (na sala de estudo, ou num recanto da biblioteca), com 6 alunos em média procuro rever casos de leitura, ou reiniciar a aprendizagem através de lições apelativas e métodos diversificados da aprendizagem da leitura.

Algumas vezes uso computadores, onde os alunos exercitam jogos de leitura e escrita com prazer. Alguns alunos aprenderam a retirar as palavras para o caderno, de forma a terem um suporte de apoio à escrita no computador. O exercício do conhecimento da equivalência de letras maiúsculas e minúsculas é sempre garantido. O empenho de alunos desinteressados aumenta, e por vezes é o seu renovado empenho que pode garantir o desejado, mas difícil objetivo de aprendizagem da leitura/escrita.

Só a consistência de um trabalho  mais individualizado, de três dias semanais ou mais, pode fazer a diferença na aprendizagem de alunos com menos capacidade cognitiva, desinteresse pela escola ou  hiperatividade. 

Comparando este ano letivo, com o anterior verifico que no meu agrupamento houve um  forte reforço de professores de apoio, (fruto da política desastrada do anterior ministro, que castigava no crédito horário, as escolas com notas baixas na avaliação externa)  que me tem permitido fazer um trabalho com a sequência desejada, para a recuperação de alunos com dificuldades de aprendizagem.

O momento de maior satisfação a nível profissional é quando um aluno cuja esperança se tinham esgotado, aparece com um livro da biblioteca na mão e nos lê a primeira página e sabemos que a não decorou.

Veja também Como funciona o apoio educativo no 1º ciclo

Duilio Coelho

Professor do 1º Ciclo e autor do blogue Primeiro Ciclo


A titularidade de turma é a expressão máxima da monodocência… mas o apoio pedagógico pode ser importante!

puzzleApós o 25 de abril, a área de expressões tomou uma importância até então desconhecida no currículo do então Ensino Primário. Fizeram-se formações, cursos, seminários para que os professores tornassem realidade um novo programa. No magistério a área de expressões tinham um relevo especial. Com a chegada de alguns docentes do estrangeiro, as disciplinas de expressão dramática, educação visual, educação física e educação musical conheceram um reconhecimento até então só visto, em países evoluídos.

Os professores dessa época  envelheceram, e já lhe doem as costas, na prática diária de se debruçarem sobre cada um dos seus 26 alunos. O cansaço leva por vezes a incidir com maior frequência nas curtas três horas de expressões, nas disciplinas que se adaptam melhor à sua condição física e ao seu gosto pessoal. Remetendo por vezes as disciplinas menos lecionadas, para as AEC, se os alunos as frequentarem de forma extra curricular.

Neste ano letivo, a melhoria das equipas de apoio educativo, no 1º ciclo é visível, tendo mesmo triplicado em algumas escolas. Pode ser também a oportunidade, dos professores de apoio educativo reforçarem o trabalho, nas disciplinas em que os professores titulares de turma sentem algumas dificuldades.

Sobre o apoio educativo faço uma reflexão a partir da minha experiência pessoal.

Trabalho de equipa, experiência de dez anos na Educação Especial, dois anos na coordenação de bibliotecas e quatro anos nos apoios educativos, são as minhas credenciais para o desempenho da missão.

Pode parecer mais simples e  leve, mas garanto que trabalhar coletivamente e satisfatoriamente,  com muitos professores diferentes e muitos mais alunos do que tem uma turma é uma tarefa que requer muita experiência, e conhecimento do ciclo.

No início do ano, deve ser efetuado um trabalho prévio, de análise dos testes diagnósticos de cada aluno, afim de se verificar, o ponto da situação do nível de aprendizagem de cada aluno. Em seguida,  e de acordo com a professora Titular de turma, traçar uma estratégia de recuperação das lacunas de aprendizagem apresentadas. Combinar a forma de atuação do professor de apoio, na sala de aula ou fora da sala de aula com um grupo que pode ir até seis alunos.

O domínio das tecnologias e da sua vertente pedagógica parece-me importante nos tempos atuais. Para alguns alunos, só uma estratégia lúdico-pedagógica, que por vezes apenas é possível com auxílio de  computadores,  resulta, perante problemas graves de aprendizagem.

Duilio Coelho

Professor do 1º ciclo e autor do blogue Primeiro Ciclo


Instabilidade de docentes no 1º ciclo piora aprendizagens iniciais 1

O colega Duilio Coelho, tem sido a face dos professores do 1º ciclo, a tentativa de criar uma associação para os professores do 1º ciclo/educadores (ANAPE) é reveladora do inconformismo reinante. A afirmação que serve de título para este artigo é preocupante, e por aquilo que tenho lido nos diferentes meios de comunicação social e redes sociais, os professores do 1º ciclo são os que estão mais insatisfeitos com o sistema de ensino e situação profissional. O desabafo que se segue não devia ser apenas mais um, precisa de ser efetivamente ouvido para que as pessoas se sintam respeitadas, valorizadas e motivadas para o seu desempenho profissional.

Instabilidade de docentes no 1º ciclo piora aprendizagens iniciais

desabafoQual era o principal incentivo, para além do gosto de trabalhar com alunos desta faixa etária,  para um professor que construía a sua carreira sempre no 1º ciclo? Esse incentivo acabou! Um professor a meio da carreira pensa naturalmente em transitar para o ciclo seguinte, onde pode usufruir das reduções horárias letivas, de acordo com a sua idade. 

A monodocência voltou a estar na moda, manca no 3º e 4º anos, mas com a determinação de obrigar os professores maiores de 60 anos, a cumprirem as 25 horas letivas, se não pretenderem terminar a sua carreira a fazer substituições, e a rodar pelas turmas em apoio pedagógico.

O 1º ciclo tem servido para tudo:

  • Absorver os professores com horário zero, que veem de outros ciclos, sem a necessária experiência, que estão necessariamente de passagem.
  • Para aumentar o número de alunos por turma, agora 26.
  • Diminuir o número de horas das AEC através de uma ilegalidade, que não contabiliza as horas do intervalo como letivas, quando quase sempre o professor fica na sala a acompanhar os alunos mais lentos.

Duilio Coelho


Associação, porquê? 2

Logotipo ANAPE

“ARTIGO 1.º (Denominação e natureza) A Associação Nacional de Professores e Educadores , abreviadamente denominada ANAPE, é uma Associação sem fins lucrativos…”

Porque já não aguentava mais a solidão numa profissão, que sempre foi de solidariedade de respeito e amizade. Virtudes destruídas pelo péssimo serviço de vários ministros da Educação, com o lema “Atrás de mim virá quem pior fará”.

Porque até nos detalhes, os representantes dos professores do primeiro ciclo e educadores não conseguem fazer a diferença:

A provar estão as diferenças de funcionamento, para melhor, do primeiro ciclo, nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores em relação ao Continente.

As mudanças repentinas de paradigma ” pluridocência” versus “monodocência”, com a legislação a lesar os professores do 1º ciclo maiores de 60 anos, com turma, impedidos de usufruir da dispensa de 5 horas letivas.

A resistência dos professores e educadores, usufruírem de um ano letivo aos 25 anos e 33 anos de serviço, para compensar o fim do regime especial de aposentação. O facto de ser facultativo o seu usufruto. Será que esta legislação foi negociada?

Os professores do primeiro ciclo e educadores sentem-se enganados, porque lhe foi retirada abruptamente a compensação pelas horas que trabalham a mais, durante uma carreira, agora longa demais. Contas por alto, os professores do primeiro ciclo e educadores, “trabalharão mais 7,57 anos que os seus colegas dos outros ciclos, no final da carreira.”

Uma associação, porque estamos triste e revoltados e tomados pelo sentimento de que estamos sós, entregues à nossa sorte e aos caprichos de uma tutela que sempre que muda de senhor, vem com ideias novas, nenhuma melhor para  os nossos grupos disciplinares.

“É possível enganar muita gente durante muito tempo, mas será possível enganar toda a gente todo o tempo?”

[email protected] (envia mail com o teu nome)

Feliz retorno ao trabalho

Duilio Coelho


O 1º ciclo exige respeito | Somos professores, queremos um dia sem componente letiva 1

respeitoA satisfação máxima de um maestro é morrer na frente da orquestra com a batuta na mão.

Assim são os professores do primeiro ciclo, e o seu desejo é estar à frente da sua turma, até à aposentação.

Contudo depois de um período em que se fez justiça a estes docentes, pretendem os governos da nação obrigá-los a ir até aos 66 anos, com dois anos de compensação, sem componente letiva facultativa,  que alguns  dispensaram, e outros que já tinham ultrapassado 29 anos de serviço não puderam usufruir por inteiro.

Recomeça o seu calvário aos 60 anos, com 5 horas de dispensa letiva que no espírito do anterior governo seria no âmbito do progresso da pluridocência, com um  dia sem componente letiva e a turma partilhada com outros professores, tal como já ia acontecendo em algumas escolas.

Parece que tal não vai acontecer, um tal ministro jovem, entende que a monodência é que deve ser, e quem quiser ter turma deve abdicar da dispensa das cinco horas letivas. Em alternativa pode dar apoio educativo, fazer substituições e assim usufruir da dispensa das 5 horas letivas, só quando for possível.

Parece que vai ser assim? Mas nos bastidores trata-se este assunto delicado com pinças, sabem o perigo de um grupo de “velhinhos” zangados e amargurados, com a injustiça que parece que andam a cozinhar nos bastidores, se organizarem e lhes entrarem pela porta a dentro de bengala na mão.

Duilio Coelho

Mantendo o tema no 1º ciclo e do mesmo autor, uma notícia preocupante para os lados de Portimão.

Portimão com menos professores do 1º ciclo

(Duilio Coelho)

Não me sai da cabeça a frase proferida no parlamento de menos 1000 turmas no próximo ano letivo. Foi exagerada, foi sensacionalista, mas ficou… e quando vejo títulos como estes não consigo deixar de pensar se os custos demográficos não serão mais vincados nos próximos anos…

Urge reformar o corpo docente mais antigo e que bem o merece, para que o combate ao desemprego docente seja efetivo e não uma eterna promessa.


Primeiro Ciclo | Férias Escolares

Debater Escola PúblicaOs filhos de pais separados com poder económico, em geral proporcionam aos filhos dois períodos de férias, umas com o pai e outras com a mãe, por isso alguns pais divorciados aguardam ansiosamente pelo verão.

Alguns progenitores contudo preferem os campos de férias dispendiosos à partilha das férias com a presença dos filhos.

No segundo caso, estão os pais que sem poder económico e com necessidade de trabalhar no verão. Esses entregam os filhos a um ATL, a uma ama, ou a familiares próximos, não podendo proporcionar aos seus filhos as férias esperadas.

As figuras femininas são quase sempre o apoio dos pais divorciados, sejam avós, tias, novas namoradas ou mulheres. São elas que suavizam a falta da mãe, mesmo quando se trata de “super pais”, dos que mudaram as fraldas.

Apesar de ainda a norma serem as mães que em geral ficam com os filhos, o poder paternal está a ficar cada vez mais vulgar.

Até aos 8/9 anos de idade, as crianças tem mais dificuldade em afastar-se das mães. Surgem os conflitos de lealdade e, por vezes, umas férias estragadas.

As dificuldades de aprendizagem resultantes destes conflitos são muito comuns e compete aos pais tornarem a criança feliz, apesar do contexto desfavorável. 

A separação parental não é necessariamente desastrosa. Para a criança ela é uma ferida que tem de cicatrizar. As férias podem ser um momento que ajuda. A vivência de mais que um fim-de-semana, pode cimentar a aceitação de uma segunda família e são estas as vantagens de umas férias a dobrar.

Em geral, valoriza-se demasiado o saber académico, o saber escolar que por vezes não é sustentado com a vivência normal, nas férias e fora da escola. Uma criança que viaja nas férias e vê outras cidades, outros países, tem vantagem sobre as que raramente podem sair do sítio onde nasceram.

A reunião familiar nas férias, com atividades culturais e desportivas, pode ter uma influência decisiva na educação de uma criança, proporcionando mesmo momentos inesquecíveis.

Pelo contrário, os alunos que não podem ter esses momentos, ficam revoltados com a extensão da escola em ATL, e em regra sofrem de problemas de autoestima.  

A leitura a escrita e as expressões plástica e desportiva, pode ser uma forma interessante de ultrapassar a dificuldade de usufruírem de umas férias ideais, contudo cada vez mais as crianças preferem a televisão, os jogos de consola, comer dormir, ir à praia ou piscina, a ler um livro a desenhar ou a praticar desporto regularmente.

Duilio Coelho


A precariedade das AEC 9

17h0i7t7r74a4jpgAs AEC são atividades não curriculares disponibilizadas pelo Ministério da Educação a todos os alunos do 1º ciclo do ensino básico e que foram criadas em 2005, tendo constituído uma parte importante da chamada escola a tempo inteiro.

As AEC iniciaram-se com horários de 10 horas semanais, na maioria dos agrupamentos, que significavam 2 blocos de 45 minutos por dia, sempre no final do dia e até às 17:30.

O horário das AEC veio a sofrer alterações recentemente, passando a um só bloco – das 16:30 às 17:30 –  com prejuizo  dos professores do 1º ciclo que passaram a não incluir o intervalo na componente letiva e portanto a trabalhar mais 30 minutos diários.

Com a autonomia dos agrupamentos, alguns passaram a baralhar os horários para a AEC poder aparecer a meio do horário letivo. Essa prática terá o seu final anunciado no próximo ano letivo, depois da negociação suplementar do DOAL, pela FNE.

A precaridade da função docente tem a sua expressão máxima nestas atividades, as quais já fazem parte da vida profissional de alguns docentes, que acumulado ATL e atividades nas férias escolares, já só pensam entrar na função pública a médio prazo.

Estes profissionais, na sua maioria não auferem vencimento suficiente para descontar para a segurança social. No caso de trabalharem toda a semana, no final do ano são lhes atribuídos cerca de 55 dias de serviço.

Os vencimentos variam em todo o país, indo em média desde, 9 euros à hora até 15 euros, o que só é possível compreender pela diversidade de identidades públicas e privadas, que gerem as atividades.

No anos iniciais das AEC, muitos agrupamentos de grande dimensão, começaram por destacar professores de diferentes ciclo, para as lecionar. Alguns desistiram, e no próximo ano letivo mais o farão pela obrigatoriedade do horário ser no final do dia.

Aos profissionais que colaboram há muitos anos, na chamada escola a tempo inteiro, deixo um alerta. Organizem-se e reivindiquem!

Duilio Coelho

Nota: pelos vistos não está clara a questão das AEC serem lecionadas apenas no final do dia, vejam aqui.


Como funciona o apoio educativo no 1º ciclo 1

ApoioA minha atividade letiva é muito diversificada. Nos contactos que tenho tido com professores, com a mesma função verifico, que este ano letivo houve procedimentos mais uniformes do que no ano letivo passado.

No meu caso faço um trabalho misto: fora e dentro das salas de aula.

Nas salas com área dupla (pequeno recanto, para atividades de expressão plástica) o apoio efetua-se com dois ou três alunos, com reforço de matérias mal consolidadas, sempre a pedido do professor titular. No caso dos apoios fora da sala de aula são agregados alunos (5 ou 6) de turmas diferentes, ou da mesma turma, com dificuldades semelhantes e o apoio funciona numa  pequena sala de estudo.

Estas atividades letivas de apoio são circunstancialmente interrompidas, entre 10 a 30 dias, para substituir um colega. Por vezes uma primeira baixa de alguns dias não chega e juntam a segunda. Raramente tenho a certeza do tempo exato da substituição, o que é negativo para o trabalho na turma e para a continuação dos apoios deixados em pausa.

A substituição de um colega, a meio do ano letivo pode ser uma tarefa difícil, sobretudo se este tem uma metodologia de ensino que não praticamos ou conhecemos mal. A grande proximidade de alunos/professor/encarregados de educação pode também trazer algumas dificuldades de adaptação.

Outro problema com que nos deparamos é a transição de um aluno apoiado para a Educação Especial, mudando a meio do ano de professor de apoio. Para ultrapassar esta dificuldade, a articulação entre os professores tem de ser perfeita, para não perturbar os alunos.

Duilio Coelho


Constante experimentalismo e descontentamento no 1º ciclo 1

“O 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) persiste como o nível de ensino mais flagelado com toda a sorte de experiências tragicamente camufladas de inovações.“ José Manuel Alho

chateadoDa monodocência

Passou-se de uma situação de progressiva saída da monodocência, para uma reentrada na monodocência, (exceção ao Inglês, 3º e 4º anos) com o correspondente apoio à interdisciplinaridade. Há alguns professores no 1º ciclo com habilitação para lecionar Inglês, mas são impedidos de o fazer na sua turma.

Das horas letivas

O acréscimo letivo, duas horas e meia, com as quais alguns professores justificam um maior cansaço. Mais 400 minutos por semana do que nos restantes ciclos.

Da especificidade do trabalho no 1º ciclo

Passou-se perante o silêncio geral, de uma compensação justa das horas letivas em excesso, para uma pausa letiva facultativa e estranha a meio da carreira docente.

Da direção de turma

A progressiva valorização da condição de Diretor de Turma, a partir do 2º ciclo, sem o consequente acompanhamento de medidas que suavizem o trabalho no 1º ciclo.

Dos currículos e metas educativas

Desfasadas em relação à faixa etária, os testes e provas de aferição similares aos do 2º ciclo. A falta de formação gratuita.

Da democracia

A falta de debate de ideias, com a maioria dos professores a não ousar contrariar as decisões. O atual modelo de gestão deixou de priorizar a mobilização, para favorecer a imposição.

Duilio Coelho


Formação de Professores 2

escola abril“A ditadura que se inicia em 1926, teme a ação dos professores, e procura limitar a sua profissionalização, e também formação”

“Será preciso esperar pela agonia do regime, no Consulado Marcelista, para que sejam introduzidas importantes alterações na formação de professores, impostas pela expansão do sistema educativo.”

“Os grandes aumentos na profissionalização dos professores só ocorrem, contudo, depois do 25 de Abril de 1974. Os anos oitenta serão marcados pela diversificação dos modelos e modalidades de formação, mas também de consolidação das ciências da educação.” Carlos Fontes

O meu curso do Magistério Primário iniciado em 1975, foi muito especial, com mais um ano do que os anteriores e com alterações no currículo. A chegada de muitos professores portugueses do estrangeiro, refugiados políticos deu corpo a essas mudanças. As disciplinas de Linguística, Sociologia, Psicopedagogia e Expressões (plástica, dramática, física e musical) tinham uma dimensão diferente de tudo, o que até então conhecíamos. As restantes disciplinas, pedagogia, didática e saúde eram lecionadas por professores, que constituíam a espinha dorsal da instituição.

No início do 1º ano, tivemos uma semana de “atividades de contacto”, na povoação de Sabóia, no concelho de Odemira, a observar a dinâmica da população e da sua escola,  instalados em casas cedidas por colegas de curso, regentes escolares, (figura do tempo de Salazar) que estudavam para se profissionalizar.

No 2º ano, uma colega conseguiu um subsídio, com o qual um grupo numeroso de colegas foi à ilha da Madeira, em visita de estudo. Muitos deles, depois de terminar o curso, rumaram a essas paragens, para iniciarem de imediato a sua vida profissional. No 3º ano havia um estágio, com muitas horas de lecionação de aulas, em diversas escolas, com a colaboração dos professores titulares de turma.

Alguns verificaram muito cedo, que não gostavam o suficiente da profissão e dedicaram-se a novas profissões, ou a tarefas diferentes na área da educação. No meu caso, fui incorporado no exército Português, pelo que só comecei a lecionar no ano de 1980.

Seria interessante, que os colegas partilhassem as vossas experiências de formação, na caixa de comentários.

Duilio Coelho


A utilização do computador no 1º ciclo 2

computador 1º cicloA utilização do computador por professores e alunos na sala de aula é bastante diversificada. A utilização de computadores pelos alunos, em sala de aula, em regra, tem regredido, pois a inexistência de salas TIC, no 1º ciclo e o desaparecimento dos portáteis Magalhães, diminuiu a possibilidade de aulas com PC.

Os professores do 1º ciclo na sala de aula, pouco usam o PC e fazem-no quase sempre de forma isolada, não partilhada com os alunos, com exceção de alguns professores que têm na sala quadro interativo.

Para ilustrar as afirmações anteriormente produzidas, posso relatar o que aconteceu no meu agrupamento: aos anos letivos, onde os alunos iam para o quinto ano com competências TIC muito desenvolvidas, seguiram-se anos letivos onde uma maioria dos alunos revelavam incapacidade para fazer um trabalho com recurso às novas tecnologias.

Este ano, a direção do agrupamento decidiu; recolher os portáteis que a escola possuía, de forma que pelo menos os alunos do 3º e 4º ano, tivessem uma aluna de AEC semanal, com utilização de computador.

Sou um entusiasta do programa, http://clic.xtec.cat/en/jclic/ que me permite partilhar software educativo de professores de todo o mundo e criar o meu próprio software educativo.

A Escola virtual foi usada com muito sucesso por quase todas as turmas do 2º e 3º anos, durante os anos de 2011/12 e 2012/13, com uma licença adquirida pela escola. Nos anos seguintes, tal como anteriormente, aos anos citados apenas se fez apresentações pontualmente destas aulas, através de alguns CD que existem na biblioteca. Pessoalmente criei algumas fichas de apoio a estas aulas virtuais, nunca mais usadas.

Duilio Coelho


A dinâmica e a disciplina no 1º ciclo. 1

1º cicloUma sala de aula em geral funciona cinco horas letivas por dia com a mesma turma, o mesmo professor e duas horas de AEC facultativa, com outros professores, com exceção do 3º ano que este ano tem 2 horas letivas de Inglês, lecionado pelo grupo 120.

O controle da turma é necessário e vital para permitir aos alunos uma aprendizagem efetiva.

O autoritarismo em excesso provoca alunos muito mecanizados, pouco ativos e pouco criativos. Nos primeiros anos de escolaridade, em geral, os alunos ainda apresentam alguma timidez e necessidade afetiva de ser aceites, na turma e na escola.

A marca do professor do 1º ano é a mais importante, porque molda a turma e especialmente, a do mundo da leitura e da escrita, que tem um fascínio parecido à aprendizagem da fala.

A maior parte dos problemas disciplinares resulta do excesso de tempo que os alunos estão na escola e são sobretudo, após as 16 horas.

No dia seguinte, o titular de turma tem muitas vezes na secretária relatos de atos de indisciplina, registos de ocorrências, que também podem resultar de problemas entre alunos de turmas diferentes. Os problemas são resolvidos pelos professores titulares, em conjunto com os encarregados de educação.

A proximidade e sintonia, do professor titular com os encarregados de educação é fundamental para a tranquilidade e bom clima de trabalho na turma.

Os castigos aplicados são na maioria dos casos, a expulsão durante uns minutos à porta da sala, ficar na sala nos intervalos, proibição de atividades lúdicas em casa, ou desempenhar tarefas que não sejam do seu agrado.

As características psicológicas dos professores titulares refletem-se nos alunos. Um professor muito tranquilo tende a criar um ambiente calmo e descontraído, enquanto um professor muito ativo, transmite aos alunos esse atributo e por vezes a turma é mais turbulenta.

Precisamos pois, do professor/ator, para encontrar o equilíbrio adequado à atividade e disciplina a lecionar em função também, das características dos alunos da turma.

Um professor do 1º ciclo, deve portanto ser um improvisador. Por vezes uma aula de português, transforma-se noutra de formação cívica, ou vice-versa. Sobretudo, nos primeiros anos de escolaridade, 90 minutos da mesma disciplina, torna-se cansativo e os alunos precisam de novos estímulos, para manter a concentração.

Com tantas horas na escola, os alunos geram conflitos entre eles, com os professores e assistentes.

O professor titular, não tem de ser sempre o mediador de conflitos, atribuindo aos alunos mais responsáveis e lideres a tarefa de resolver numa primeira fase e tomar nota dos mesmos. Assim, os alunos veem sempre o professor titular, como o último recurso e juiz dos problemas na turma.

Na minha opinião, um excesso de intervenção causa saturação na relação aluno/professor, pelo que a delegação de tarefas é muito usada no 1ºciclo, com reconhecido sucesso.

Em toda a minha longa carreira apenas instruí um processo  disciplinar (são raros) de um aluno, no 1º ciclo cujo desfecho foi a mudança de escola. Nos dez anos que trabalhei na Educação Especial instruí muitos, no 2º e 3º ciclos.

Duilio Coelho

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A importância e o impacto das rotinas no 1º ciclo

rotinasNa década de 1980, começou-se a criticar tudo o que contemplava a realização diária da mesma atividade, justificando essa atitude como “tradicional” e ultrapassada.

Faz sentido então perguntar, como podemos organizar as atividades para uma turma, dentro de uma rotina diária e semanal?

Analisemos três áreas distintas:

Caderno de Matemática

Uma das rotinas mais criativas que observei, consiste na apresentação do número do dia e do mês, (no 2º ano, o número é o conjunto, dia e mês, 2/03 – 203 e nos anos seguintes, acrescenta-se algarismos do ano) os alunos escrevem-no por extenso, bem como o seu numeral e o dia da semana, indicando posteriormente se é par ou ímpar. Escrevem-no em números romanos, efetuam operações com esse número, decompõem o número, escrevem o dobro o triplo, metade, etc.

Verificam se algum colega faz anos nesse dia ou escrevem uma frase sobre um acontecimento relevante desse dia, mesmo que seja noutro mês. Escrevem a letra do alfabeto correspondente ao número e escrevem palavras ou frases com essa letra.

Inicialmente o professor faz estes exercícios com os alunos, para depois serem eles a descobrir e fazer individualmente.

Com alunos de 4ºano, o professor propõe a escrita diária, dos Reis de Portugal (um por dia), dos planetas do sistema solar ou das cores do arco-íris, etc. Nestes casos, o caderno deve ir para casa, para não interromper a sequência.

O treino da memória foi desvalorizado em favor da compreensão. Sendo o aluno a procurar a informação, ajuda seguramente a sua compreensão e memorização. O professor por seu lado, deve preocupar-se em transmitir conhecimentos, mas sobretudo em focalizar a atenção na promoção da autonomia, para que o aluno possa aprendê-los por si próprio.

Caderno de Português

O aluno deve anotar a data e o plano de aula, o mais sinteticamente possível, incluindo o seu respetivo número (árabe e romano). Pode também o professor, ou um aluno, escolher um desígnio para esse dia: “Amizade” , “Vontade”, “Verdade”, “Esforço” entre outros. No final da aula os alunos podem anotar a avaliação do desígnio.

Gestão da sala de aula

A divisão rotativa de tarefas é muito importante, pois permite dar oportunidade a todos de colaborarem na distribuição de cadernos e manuais, bem como na escrita do plano da aula no quadro, no controle da sala na ausência do professor ou na escrita de registos diários.

A presença do professor na sala como supervisor de todo o processo educativo é a forma ideal para criar as condições adequadas ao ensino e à aprendizagem.

Só assim é possível assegurar, 25 horas letivas de 60 minutos, com aulas de exposição de matéria intercaladas com momentos de participação ou trabalho individual dos alunos.

Duilio Coelho