Debater Escola Pública


Debatendo o Concurso de Professores. 2

 

Este mês o tema escolhido pelos autores do manifesto Pela Escola Pública é o concurso de professores. Deixo-vos com um excerto dos textos já publicados e respetivos links.

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Concursos de professores, um eterno problema

(Escola Portuguesa – António Duarte)

(…)Creio que o problema dos concursos de professores começa aqui: quando há professores com mais de 20 anos de serviço colocados a mais de cem quilómetros de casa, estamos perante um sistema claramente injusto e ineficaz, que promove a instabilidade em vez de permitir a progressiva estabilização dos professores nas escolas, conciliando os deveres profissionais com as necessidades da vida pessoal e familiar.(…)

Concursos

(O Meu Quintal – Paulo Guinote)

(…)A minha posição é a mesma de quase sempre… sou defensor de um concurso o mais unificado possível – à soviética para os seus detractores – por considerar que é o menos permeável a distorções e manigâncias como as que foram introduzidas ao longo dos últimos anos em todo este processo, em nome de uma pretensa autonomia das escolas e de uma ainda mais pretensa correcção de injustiças resultantes da simples consideração das médias de curso como base da ordenação dos candidatos.(…)

Debater… Concursos de Professores

(Aventar – João Paulo Silva)

(…)Assim, consciente de que há colocações injustas e que temos docentes a beneficiar desses “erros”, só há uma solução: um ano zero. A medida é polémica e até absurda, mas será a única a criar justiça num sistema totalmente errado – no próximo ano todos os docentes – rigorosamente todos, mesmo os efectivos há 30 anos numa escola – serão chamados a manifestar as suas preferências. O professor nº1 de Filosofia escolhe uma escola (pode ser a escola onde está efectivo há n anos), depois o nº2 e por aí fora.(…)


O “monstro” na educação não é o Ministério, é o concurso de professores. 5

Debater Escola PúblicaNão conheço a realidade estrangeira sobre a colocação de professores, mas tendo em conta a realidade portuguesa, acho difícil haver um país onde tanto se fale de concursos de professores. Todos os anos é a mesma coisa, as datas de colocação, os professores com horário 0, os professores que entraram para quadro, os professores que ficaram a contrato, os professores que fazem fila nos centros de emprego, os professores que fazem as malas e galgam quilómetros, os alunos que ainda não têm professores, os sindicatos que criticam, os professores que se queixam, o ministério que se defende, a oposição que pede esclarecimentos, etc, etc, etc…

Os jornais deliciam-se com o manjar de notícias e se a “coisa” der para o torto, é um fartote de manchetes. Nos meus 14 anos de professor, estamos exatamente com os mesmos problemas, os mesmos vícios e as mesmas notícias de quando comecei a lecionar.  Estou farto de ver a mesma incompetência ano após ano, estamos perante um fracasso de vários governos, de vários Ministros e diga-se a verdade, de vários sindicatos e colegas que não conseguiram, com maior ou menor dificuldade, com maior ou menor consenso, encontrar um caminho que satisfaça todas as partes.

O tempo de antena que é gasto com um assunto que não devia ser assunto revela o atraso que existe nesta matéria. O concurso de professores implica uma logística monstruosa, que vive em constante mutação consoante os humores de quem nos governa.

Mesmo cá dentro não vemos isto em lado nenhum, enfermeiros, médicos, polícias, administração central, etc, todos concorrem, com maior ou menor dificuldade, mas nada tem o impacto que um concurso de professores tem. É o único concurso que tem a capacidade de marcar um mandato governamental.

É preciso estabilizar a escola, é preciso estabilizar os professores, é preciso estabilizar os alunos e as famílias. Para o ano tudo aponta para mais um grande concurso nacional de professores. Mais um… e depois haverá outro e outro e mais outro…

Em outubro o Ministério de Educação prometeu abordar a questão dos concursos de professores. Será impossível agradar a todos, haverá sempre alguém que se irá queixar mas que se sentem todas as partes, incluindo os partidos da oposição e que se chegue a um consenso que traga paz à escola pública. Que se escolha um modelo eficiente que preferencialmente vá ao encontro dos seus intervenientes, mas acima de tudo que sirva a escola pública.

Fica o contributo desta casa sobre uma componente do concurso que tem causado mal estar entre os docentes.

Reconduções

 

Ficam uma série de links sobre a “febre” dos concursos:

Precariedade entre os professores continua em alta nos Açores

Sindicato fala em “fracasso” no concurso extraordinário de professores

Milhares de professores estão de volta à fila do desemprego

Professores colocados não respondem às necessidades permanentes, diz Fenprof

Novo ano lectivo ganha mais 500 professores contratados

FENPROF acusa aumento de professores com “horário-zero”

CDS-PP questiona Governo sobre colocação de professores

Temos professores que solicitaram Mobilidade por Doença colocados em Mobilidade Interna

FNE quer colocações de professores conhecidas até final de julho

E ainda havia mais…


Escola Portuguesa | O que fazer nas férias escolares?

Finalizando o mês onde o tema foi as Férias Escolares, fica um artigo do blogue Escola Portuguesa.

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O que fazer nas férias escolares?

(António Duarte)

Voltando ao tema do mês na blogosfera docente, Férias Escolares, e depois de já ter escrito sobre a distribuição dos períodos de férias no calendário escolar, olho agora para as férias dos alunos propriamente ditas: de que forma deve ser ocupado esse tempo sem aulas, que nas férias grandes pode chegar aos três meses?


Atenta Inquietude | Os Tempos da Escola

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OS TEMPOS DA ESCOLA

(José Morgado)

No Público retoma-se a discussão, pertinente do meu ponto de vista, em torno do calendário escolar e dos tempos escolares. A temática vai ao encontro do tema do mês em debate nos blogues que subscreveram o manifesto “Em Defesa da Escola Pública”. Algumas notas.

Não tenho uma posição fechada e fundamentada sobre as eventuais vantagens sendo certo que existem outros sistemas em que se verifica o modelo semestral.

No entanto, creio que mesmo numa organização em três períodos a situação que me suscita mais dúvidas é o desequilíbrio que frequentemente se verifica na duração dos períodos.


Primeiro Ciclo | Férias Escolares

Debater Escola PúblicaOs filhos de pais separados com poder económico, em geral proporcionam aos filhos dois períodos de férias, umas com o pai e outras com a mãe, por isso alguns pais divorciados aguardam ansiosamente pelo verão.

Alguns progenitores contudo preferem os campos de férias dispendiosos à partilha das férias com a presença dos filhos.

No segundo caso, estão os pais que sem poder económico e com necessidade de trabalhar no verão. Esses entregam os filhos a um ATL, a uma ama, ou a familiares próximos, não podendo proporcionar aos seus filhos as férias esperadas.

As figuras femininas são quase sempre o apoio dos pais divorciados, sejam avós, tias, novas namoradas ou mulheres. São elas que suavizam a falta da mãe, mesmo quando se trata de “super pais”, dos que mudaram as fraldas.

Apesar de ainda a norma serem as mães que em geral ficam com os filhos, o poder paternal está a ficar cada vez mais vulgar.

Até aos 8/9 anos de idade, as crianças tem mais dificuldade em afastar-se das mães. Surgem os conflitos de lealdade e, por vezes, umas férias estragadas.

As dificuldades de aprendizagem resultantes destes conflitos são muito comuns e compete aos pais tornarem a criança feliz, apesar do contexto desfavorável. 

A separação parental não é necessariamente desastrosa. Para a criança ela é uma ferida que tem de cicatrizar. As férias podem ser um momento que ajuda. A vivência de mais que um fim-de-semana, pode cimentar a aceitação de uma segunda família e são estas as vantagens de umas férias a dobrar.

Em geral, valoriza-se demasiado o saber académico, o saber escolar que por vezes não é sustentado com a vivência normal, nas férias e fora da escola. Uma criança que viaja nas férias e vê outras cidades, outros países, tem vantagem sobre as que raramente podem sair do sítio onde nasceram.

A reunião familiar nas férias, com atividades culturais e desportivas, pode ter uma influência decisiva na educação de uma criança, proporcionando mesmo momentos inesquecíveis.

Pelo contrário, os alunos que não podem ter esses momentos, ficam revoltados com a extensão da escola em ATL, e em regra sofrem de problemas de autoestima.  

A leitura a escrita e as expressões plástica e desportiva, pode ser uma forma interessante de ultrapassar a dificuldade de usufruírem de umas férias ideais, contudo cada vez mais as crianças preferem a televisão, os jogos de consola, comer dormir, ir à praia ou piscina, a ler um livro a desenhar ou a praticar desporto regularmente.

Duilio Coelho


O Meu Quintal, Atenta Inquietude, Assistente Técnico, Escola Portuguesa | Férias Escolares

Seguem mais argumentos para o debate. A partir de agora vou incluir um pequeno excerto como teaser.

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O Meu Quintal

(Paulo Guinote)

Em primeiro lugar, as férias escolares deve(ria)m ter como critério principal a adequação dos períodos lectivos/não lectivos aos ritmos de trabalho dos alunos, em especial dos mais novos, o que significa que me parecem absolutamente excessivos períodos contínuos superiores a 2 meses (8-9 semanas) para os alunos até ao 2º ciclo e talvez mesmo 3º ciclo. Períodos curtos de férias de uma semana, a intercalar os de trabalho, só trariam vantagens e reduziriam bastante o desgaste dos alunos e o declínio de resultados ao finalizar dos períodos.

Atenta Inquietude

(José Morgado)

Em primeiro lugar, tal como no horário não escolar, durante o período de aulas existe um problema real para as famílias com a guarda de crianças e adolescentes. No entanto, a minimização deste problema não pode, não deve, do meu ponto de vista, assentar na eternização da presença dos alunos na escola à luz de um enorme equívoco chamado “Escola a Tempo Inteiro” e que em muitas situações cria overdoses de escola. Como se sabe as overdoses não são saudáveis.

Assistente Técnico

Portanto, os miúdos ficam dois, três meses em casa, fora as pausas / interrupções letivas durante o ano! Os Pais continuam a trabalhar, como é que podemos controlar isto ? Grande parte das famílias não tem retaguarda familiar – avós , irmãos, tios…

Escola Portuguesa

(António Duarte)

Esta primeira abordagem aqui na Escola Portuguesa não pretende esgotar o tema, pelo que vou deixar por agora a questão da ocupação dos alunos em tempo de férias, nas escolas ou fora delas, para deixar antes algumas considerações sobre o calendário escolar.

 


Correntes | Férias Escolares

Mais uma opinião no “nosso” debate. Se quiserem participar enviem um email para [email protected]

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Férias Escolares

(Paulo Prudêncio)

Debater Escola Pública | Férias Escolares

Debater Escola Pública

Considero a reflexão e o debate uma carência do mundo educativo e julgo que os blogues desempenham um papel essencial nessa área. Depois do manifesto Pela Escola Pública e após algumas conversas entre os seus subscritores, concluímos que urge aprofundar o debate apontando caminhos que possam levar a uma melhoria do sistema educativo. Não vamos falar a uma só voz, pois o debate deve ser livre, aberto e fértil em diferenças.

Cada mês será lançado um tema para reflexão. O ComRegras irá começar e ficará responsável por “alertar” sempre que surja um novo texto, no final do mês fará uma síntese do que foi dito.

O tema deste mês são as Férias Escolares e como já abordei o assunto num passado recente (aqui e ali), fica a minha visão mas em modo mais telegráfico.

Férias Escolares

As férias escolares são um bem essencial para a comunidade educativa. Um dos fatores que considero prejudiciais ao desempenho escolar é a fadiga escolar. As relações, as pressões e as obrigações vão queimando o tecido social, sendo por isso uma necessidade e não um luxo o afastamento obrigatório.

Está na altura de estabilizar o calendário escolar, evitando períodos muito longos como acontece no primeiro período.

O atual modelo social precisa de ser mais family friendly, estabelecendo horários que permitam à família ser mais família, criando legislação que possibilite um maior acompanhamento dos filhos, algo há muito instituído nos “modelos” nórdicos.

O horário escolar devia dar mais tempo livre aos alunos (veja-se em baixo o caso da vizinha Espanha) e consequentemente o horário dos pais devia ser ajustado a estes e não o contrário. Podíamos começar por um ajuste na função pública, ou parte dela, como teste piloto e depois estender ao resto da sociedade. Alguns podem argumentar com a produtividade baixa do povo português e que iria baixar ainda mais, mas essa baixa de produtividade não estará mais associada às fracas condições laborais?

horário espanhol horário espanhol_1ºc

O que fazer aos miúdos durante as férias escolares? Esta é a questão de milhares de pais e quando elas surgem é preciso “descalçar a bota”. Julga-se que a escola é a solução até por ser o habitat  natural dos alunos ao longo de 9 meses. No entanto, como já referi, o afastamento é uma necessidade…

As autarquias podem e devem organizar-se com as associações/clubes locais para dinamizá-los e “angariar” futuros praticantes. É um caminho com poucos custos e que algumas já o fazem e bem. Outras preferem utilizar a escola como é o caso da Câmara do Cadaval.

Existem outras alternativas, mais restritas aos grandes centros e que podem, desde que não se torne “escola” em tempo de férias, ajudar a descobrir uma vocação que teima em ficar escondida, falo da “Escola de Férias” e que podem consultar aqui vários exemplos.

Não podemos é continuar a ter: calendários escolares mutantes; falta de diálogo entre a tutela e comunidade educativa sobre uma matéria tão importante;  pressão laboral sobre os pais; e acima de tudo não tornar a escola um depósito de alunos, justificando com uma conceção socialmente errada.